Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

a denúncia do cartoon


Este cartoon traduz bem o resultado da fabricada pandemia gripal H1N1 e porque é bom, faz-nos rir. Mas depois - por nos recordar uma das coisas que procuramos esquecer para não chorar - envergonha-nos a todos os que sabendo deste escândalo não protestamos e não lutamos por um mundo melhor, livre de políticos e multinacionais poderosas e sem escrúpulos, cuja bússola de orientação só aponta para o rei cifrão, perdido que está o norte da dignidade, do respeito humano e do sentido de vergonha.
Como é possível saber-se o que se passa e nada se fazer para travar estas desigualdades, este desprezo humano, este cinismo humanitário que, de quando em quando, se mostra em campanhas de branqueamento dos actos criminosos - que outra coisa não são - que continuamente praticam?
Continuamos a assistir como carneiros ou reagimos?

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

cuidado com os juizos apressados

Cada vez se torna mais necessário não fazer juízos apressados, tal a velocidade a que a vida passa e a quantidade de informação que se recebe, de forma tão rápida que não dá para pensar antes de julgar. Tudo isto se agrava com os juízos de carácter das pessoas, em que se cometem erros frequentes, que podem ter consequências graves.
Este vídeo dá alguns exemplos do erro que é julgar apressadamente. E fá-lo duma maneira divertida, mas bem elucidativa do erro que se comete, quando julgamos que tudo que parece, é.

Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 27


99.
Há momentos em que tudo cansa, até o que nos repousaria. O que nos cansa porque nos cansa; o que nos repousaria porque a ideia de o obter nos cansa. Há abatimentos da alma abaixo de toda a angústia e de toda a dor; creio que os não conhecem senão os que se furtam às angústias e às dores humanas, e têm diplomacia consigo mesmos para se esquivar ao próprio tédio. Reduzindo-se, assim, a seres couraçados contra o mundo, não admira que, em certa altura da sua consciência de si-mesmos, lhes pese de repente o vulto inteiro da couraça, e a vida lhes seja uma angústia às avessas, uma dor perdida. (…)
Bernardo Soares, Livro do Desassossego


Posso dizer que são frequentes, em mim, momentos em que tudo me cansa – estar onde estou, pensar no que precisava pensar naquele momento, fazer um telefonema, assentar uma nota, buscar um papel ou um livro, colocar o CD com a música que me apetecia ouvir, vestir um casaco porque sinto frio. Cansa-me o esforço físico tanto quanto o psíquico. Nesses momentos tudo me cansaria ou seria um sacrifício, se por qualquer factor impensável eu resolvesse passar à acção.
Contudo, é tal o treino de sair desses momentos frequentes, que - não sei com que esforço ou origem da força – me vejo rapidamente envolvido pelo meu escudo invisível e protector deste cansaço letal, que altera toda a minha maneira de ser.
Diria, contudo, que essa força e essa acção, me vêm paradoxalmente da minha preguiça. E será esta que, impedindo-me de me entregar ao cansaço, me liberta do seu peso e do seu jugo. Cansaço, angústia, dores, passam a um estado aparentemente inactivo (já que continuam lá, mas em estado de quase ausência), porque a minha preguiça terá ditado que naquele momento, não estou para isso, sendo o isso tudo que exigiria esforço, cansaço, decisão.
O pior é ter a consciência que esta aparente vitória, não é mais do que o seu contrário. É certo que consegui que o cansaço não me estragasse o dia, mas foi mais uma pedra posta no muro do adiar de problemas, de resoluções, do sentir as emoções, do inadiável e com ela afastar-me cada vez mais da resolução de problemas e aproximar-me cada vez mais desse muro que, um dia destes vai cair sobre mim.

CVR

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

a vitória do querer e do sentir

Já conheço este vídeo há muito tempo, mas tenho sempre resistido a divulgá-lo aqui por poder parecer que estou a apelar ao estranho e insólito.
Quando hoje voltei a vê-lo com mais atenção e participação (deixando que a emoção me tomasse), encontrei-me a fazer «replay» e a pensar, enquanto assistia à magnífica coreografia de Zhao Limin, na força de vontade daqueles dois bailarinos e na força interior necessária para vencerem a adversidade e conseguirem fazer aquilo que desejavam - dançar, sentir a dança.
Não se pode ficar indiferente à beleza deste pas de deux (chamado mão na mão) e à beleza moral dos intérpretes (Ma Li e Zhai Xiaowei).


Aconselho ver em ecrã total

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

cuidado com os cordeirinhos, sobretudo com os que só lhe vestem a pele

Se perguntarmos às pessoas o que pensam da Suiça, seguramente a maioria dirá que é um país neutral, pacífico, lindo, organizado e inteligente, pois tem a noção do seu tamanho, da sua localização, das suas riquezas naturais e, como tal, sabe escolher as suas fontes de desenvolvimento e sustentação, fazendo com que o seu pib dependa de poucas, mas lucrativas coisas - a banca, a relojoaria, os chocolates, o turismo e a cutelaria. Não haverá, nem uma só, que refira o exército suiço. Contudo, o serviço militar é obrigatório para todos os homens e voluntário para as mulheres, podendo ser substituído (nos objectores) por serviço comunitário que durará mais metade do tempo. A reforma do Exército de 1995 restringiu o número de efectivos a 400.000 soldados e o novo programa Exército XXI prevê apenas uma força activa de 120.000 pessoas, além de 80.000 reservas, com incorporação anual de 20.000 recrutas e treino básico de 18 semanas.
Foram novamente introduzidos os cursos de aperfeiçoamento anual de duas ou três semanas, podendo agora optarem por um serviço vitalício de 300 dias seguidos.
Continua a não ser um Exército permanente, dispondo, no entanto, de 3.000 instrutores profissionais.
Estes são dados que todos poderão encontrar no site da Defesa da Suiça. O que lá não vem ou eu não soube encontrar, é o que o vídeo que aqui vos deixo vos mostrará - uma capacidade imensa de auto defesa bem organizada e que me sugeriu o título que dei a este post.

Domingo, Janeiro 17, 2010

uma noite memorável


Esta foi uma noite memorável. Não é frequente ter-se a sorte de se poder assistir à projecção de um filme realizado em 1927, mudo, e estar os 90 minutos da sua projecção completamente agarrado às imagens, às expressões dramáticas dos actores, espantado com a capacidade e os dotes do realizador, que com os pobres meios da época, conseguiu transmitir-nos todas as emoções que os actores viveram.
Só isto, era um espanto e maravilha. Mas se lhe juntarmos, como foi o caso, o acompanhamento permanente da música original de Luís Pedro Madeira, composta expressamente para este filme e a excelente execução da Orquestra Láudano, então poderemos dizer que participámos de um dos espectáculos mais belos que a nossa memória regista.
O filme Sunrise foi dos últimos filmes do cinema mudo, já que o sonoro apareceu na transição de 1927 para 28. Foi realizado por esse monstro sagrado da realização Friedrich-Wilhelm Murnau (o mesmo de Nosferatu e Fausto), com argumento e montagem de Carl Mayer, a partir do romance "A Viagem a Tilsit" de Hermann Sudermann.
Entre os actores devem destacar-se os nomes daqueles que constituíam o triângulo amoroso - George O'Brien (o homem - Ansass), Janet Gaynor (a mulher - Indre) e Margaret Livingston (a Vamp).
Sabe-se que este foi um dos filmes mais caros da época, uma vez que Hollywood proporcionou ao realizador alemão tudo aquilo que ele pediu, como os gigantescos cenários que foram construídos.
Um destaque especial para Luís Pedro Madeira (Composição original, Piano, Órgão, Sintetizadores, Acordeão e Guitarra), Luís Formiga (Bateria e Percussões), Luís Oliveira (Contrabaixo), Luís Rodrigues (Trombone), Jorge Campos (Clarinete, Clarinete Baixo e Saxofone) e Daniel Tapadinhas (Fliscorne e Trompete), que interpretando bem o sentir do realizador, tocaram a música que o filme pedia (e teria se já houvesse sonoro), pontuando de forma exemplar todos os pontos marcantes.
Repito, sem me cansar - uma noite memorável.
Parabéns Cineclube de Torres Novas. E obrigado.


Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

a sagrada geometria da chance

Dá gosto ver o que se pode fazer com as nossas mãos - amassar pão, martelar pregos, carregar pesos, escrever, desenhar, salvar vidas, acariciar, dar, receber, bater, esmurrar, roubar, tocar música, agarrar, prender, massajar, uma infinidade de coisas reais e até magia.
Se muitas das coisas que as nossas mãos fazem ou podem fazer, são instintivas e naturais, outras há que exigem um treino intenso e constante e, sobretudo, o apoio indispensável da inteligência, da arte e de um dom especial da mente que lhes dá ordens.
Não está em causa o tipo de coisas a que, dom, inteligência, treino e arte as levam a fazer. É tão maravilhoso ver as mãos de um pianista tocando uma sonata ou um concerto, como espantoso é ver a forma como as mãos de um cirurgião ajudam a vida a vencer. Mas não é menos maravilhoso ver a arte do carpinteiro, do escultor, do mágico ou ilusionista.
As mãos deste último prendem o nosso olhar e sempre nos espantam, mesmo sabendo-se claramente que por trás daquela arte está um engano.
Não sei porque estou a escrever tudo isto, quando o que eu vos queria mostrar era este magnífico vídeo que nos mostra um truque espantoso realizado por Shawn Farquhar, duas vezes campeão mundial de mágica, enquanto a bela canção «shape of my heart, do Sting, nos acompanha todo o tempo
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