segunda-feira, fevereiro 28, 2011

nunca o cisne morreu tão bem

Quem como eu conserva a memória de Maya Plisetskaya a dançar a morte do cisne, considera que depois dela seria muito difícil ver outra interpretação que a superasse. O bater de assas dos seus braços «desossados» parecia inigualável.
Pois bem, hoje vi este vídeo em que o jovem John Lennon da Silva, aluno de artes e bailado, desenha a sua própria coreografia para este bailado e com sapatos de ténis e roupa de todos os dias, nos dá a ver uma morte do cisne de profunda sensibilidade e emotivamente eficaz.
Vejam e comentem.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

no limite

Aparecem muitos vídeos mostrando contorcionistas de grande qualidade e que despertam admiração e nos deixam espantados com o efeito do treino na quebra das barreiras anatómicas. Mas este que hoje decidi aqui colocar excede tudo. Está quase para além do limite do possível. Pergunto-me o que sucederá a estas articulações, no médio e longo prazo? Vejam com atenção.

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o unicórnio

Um filme de tristes memórias, de ódios e maldade, mas também de amor.

descendência


Por vezes é através do humor que melhor conseguimos definir situações ou estados de alma. A mais funda reflexão filosófica, embora se possa pensar o contrário disso, é mais eficaz quando acompanhada de uma sonora gargalhada que, a seguir, nos envergonha, não pela termos dado, mas como consequência do que nos fez rir. Leiam e reflitam.

Era no tempo em que, no palácio das Necessidades, ainda havia ocasião para longas conversas (mas podia passar-se hoje...). Um jovem diplomata, em diálogo com um colega mais velho, revelava o seu inconformismo. A situação económica do país era complexa, os índices nacionais de crescimento e bem-estar, se bem que em progressão, revelavam uma distância, ainda significativa, face aos dos nossos parceiros. Olhando retrospectivamente, tudo parecia indicar que uma qualquer "sina" nos condenava a esta permanente "décalage". E, contudo, olhando para o nosso passado, Portugal "partira" bem:

- Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história. Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia, que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental.


O embaixador sorriu, benévolo e sábio, ao responder ao seu jovem colaborador:


- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.


- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?



- Nós descendemos dos que ficaram por aqui...

sábado, fevereiro 19, 2011

memória da guerra colonial

Nunca estive na Guiné. A minha experiência de guerra foi em Angola, bem no seu centro - no Luso, hoje Luena, quando todo o esforço de guerra se situava ali, no leste. Quando hoje vi este vídeo feito pela televisão francesa e vi os rostos de sofrimento, dor e raiva na cara dos soldados brancos e negros, olhando os seus camaradas feridos e morto, fiquei seguro que se tratava de um documento raro e real. Por isso, aqui o deixo, para memória.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

senhoras e senhores - convosco o bucha e o estica

Sempre que me aparecem pequenos tesouros da minha juventude, não resisto a compartilhá-los. Hoje deixo-vos com o Bucha e o Estica ou com o Laurel e o Hardy, tanto faz. Mesmo hoje e apesar do tempo passado não conseguimos ser indiferentes à sua arte e se já não damos salutares gargalhadas, sorrimos e sentimo-nos melhor e melhores.

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quarta-feira, fevereiro 16, 2011

um mentiroso compulsivo


Vale a pena ler este magnífico texto escrito pelo professor de Filosofia, José Ricardo Costa e publicado no jornal «O Torrejano».

«Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância. Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente,pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.
Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta. Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la?
Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.
Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI.
O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.
Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.
Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados.
Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o 'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões. O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D. Afonso Henriques, que Deus me perdoe. A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados.
Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade. Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei.
Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro,mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho. Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio».
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URGE MUDAR ESTE ESTADO DE COISAS.
ESTÁ NA SUA MÃO, NA MINHA E DAQUELES A QUEM A MENSAGEM CHEGAR!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

nem tudo que luz é áurea

É verdade - nem tudo que luz é ouro e muito menos Áurea. Mas, de certeza Áurea vai valer ouro.
Vi-a há poucos dias no programa do Herman (RTP), como convidada ou artista-convidada. Posso dizer-vos que se portou bem num ou nos dois papéis. Penso que não deixou qualquer dúvida a todos que a ouviram, de que uma nova artista despontou, para ficar e durar. Tem voz, tem garra, tem figura, tem luz e sabe o que quer.
Fico-me por aqui - I'm o.k., I'm allright ...

sábado, fevereiro 12, 2011

a luta pela sobrevivência

As produções da BBC são habitualmente boas e merecedoras da nossa atenção, respeito e aplauso.
Chegou-me hoje às mãos este vídeo chamado Human Planet, que creio vos agradará. Fiquem com ele e comentem.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

os vampiros, uma vez mais

Há poucos dias deixei aqui a nova canção sucesso dos Deolinda, que parece estar a tornar-se numa bandeira dos jovens e dos mais esclarecidos.
Alguém chamou a atenção para a semelhança com o que se passou com a canção-arma «Os Vampiros», do Zeca Afonso, nas décadas de 60 e 70.
A época, as condições, as motivações, a voz, são diferentes, muito diferentes, mas não parece absurdo que uma nos lembra a outra.

para quem pensa que já viu tudo

Desconheço quem é o artista e apenas sei que foi filmado algures, num Hotel Génève.
Mas uma coisa sei - é do melhor que tenho visto nesta difícil arte da ilusão. Gosto de compartilhar o que vale a pena. Aqui fica o vídeo e um grande artista.

que parva que eu sou

Os Deolinda continuam a surpreender e a agradar. A nova canção «Que parva que eu sou» é capaz de ser a campainha que desperte uma geração nem nem e até uma geração executiva bem precisada deste abalo sonoro. Fiquem com o vídeo e a letra, já que o som do Coliseu do Porto não é dos melhores.

Sou da geração sem remuneração

e não me incomoda esta condição.

Que parva que eu sou!

Porque isto está mal e vai continuar,

já é uma sorte eu poder estagiar.

Que parva que eu sou!

E fico a pensar,

que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração casinha dos pais,

se já tenho tudo, pra quê querer mais?

Que parva que eu sou

Filhos, maridos, estou sempre a adiar

e ainda me falta o carro pagar

Que parva que eu sou!

E fico a pensar,

que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração vou queixar-me pra quê?

Há alguém bem pior do que eu na TV.

Que parva que eu sou!

Sou da geração eu já não posso mais

que esta situação dura há tempo demais

E parva não sou!

E fico a pensar,

que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

domingo, fevereiro 06, 2011

o que é bom, resiste ao tempo

Penso que ninguém ficará indiferente a este vídeo que nos mostra Sammy Davis Jr., Dean Martin e Frank Sinatra, acompanhados pela orquestra de Count Basie, cantando «Birth of the Blues». Suponho fazer parte dum conjunto de espectáculos do Rat Pack Live no Salão Copa do Sand's Hotel de Las Vegas.