sexta-feira, abril 27, 2012

os políticos são pessoas como os outros...

Os políticos são uns senhores, mesmo uns senhores. Respeitáveis, bem comportados e exemplarmente cumpridores. Em todo o lado onde existem, sem excepções. Dá gosto, sabê-los assim. Podemos confiar neles?

terça-feira, abril 24, 2012

paisagem de interior

Um colega brasileiro e amigo enviou-me hoje um vídeo que não posso deixar de levar até vós como amostra da cultura nordestina. Admiro imenso os poetas repentistas e os romances de cordel que, felizmente, já são objecto de magníficas teses de doutoramento. As imagens a voz, a música, as palavras, levam-nos ao interior nordeste do Brasil e daquelas gentes que se orgulham da sua cultura e sabem mais da História de Portugal que muitos portugueses.

segunda-feira, abril 23, 2012

um bailinho que dói

Quando se ouve este bailinho somos tão fortemente tomados pela emoção que quase nos pomos em sentido como se escutássemos o novo hino nacional do actual governo. Como dói este humor, de tão negro que se tornou. Mas, tenhamos esperança. Isto vai mudar. O povo sempre encontrou em toda a nossa história uma forma de sobreviver.

sábado, abril 21, 2012

voa, voa, mas não morde

Em todas as profissões o desenvolvimento técnico é absolutamente necessário, mas na maioria delas não deixa de ser essencial e muitas vezes fundamental, a emoção e o sentimento que se põe no desempenho dessa actividade. No caso da música, nem sempre a técnica é mais importante que o sentimento, embora haja peças musicais que, de tão difícil técnica, se tornam quase impossíveis de tocar por quem não tenha um domínio técnico imbatível. Entre essas peças encontra-se «O voo do moscardo» que muitos violinistas conseguem tocar, mas poucos pianistas conseguem. O vídeo que vos deixo é um exemplo de uma técnica excepcional acrescida de uma emoção sentida.

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quinta-feira, abril 19, 2012

não estudem...

O acaso determinou que hoje seja dia de vos deixar aqui mais um drama. Mas, desta vez, um outro drama que, de tão triste, seguramente vos fará rir. A política no seu melhor.

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já teve o seu drama hoje?

Habituados que estamos às desgraças com que a comunicação social nos invade todos os dias ou a cada instante, não vos espantará que eu aqui vos deixe mais uma, sendo certo que dificilmente ela vos terá chegado por outra via que não esta. É mais um drama, mas garanto que é diferente. E apesar de drama, quase aposto que vão gostar de ver.

sábado, abril 14, 2012

quatro vozes para escutar

Cada vez mais nos sentimos incapazes de formular as verdades que todos precisamos e devemos ouvir; depois meditar e não deixar de reagir. Algumas verdades vão sendo ditas, mas é tal o descrédito em que os responsáveis actuais caíram, que se torna necessário contrapôr algumas vozes antigas, que fazem parte integrante da nossa história. Não demoram muito a ler, demoram ainda menos a aceitar. Deixemos que sedimentem. E não nos calemos, nunca.




sexta-feira, abril 13, 2012

um momento de beleza

É fundamental que no meio de toda esta crise, de toda esta loucura político económica que avassala o mundo, tenhamos de vez em quando momentos de beleza e emoção que nos prendam e emocionem. A verdade, a beleza e o bem. Tudo aquilo porque se devia lutar e manter; infelizmente cada vez são mais raras e defíceis de encontrar. Vejam em ecrã total este curto momento de beleza, perfeição e sensualidade.

terça-feira, abril 10, 2012

pelo menos, humildade


No jornal Expresso do passado dia 6 e na sua página, Miguel Sousa Tavares escreveu o texto que intitulou «À espera do milagre», onde no seu estilo habitual, fez uma análise certeira da governação que tem conduzido estes tristes e preocupantes dias que vivemos e aconselhava claramente a estes iluminados e esclarecidos célebres que tinha chegado a hora de terem, ou pelo menos mostrarem, alguma humildade, por pouca que seja, já que tal qualidade será atributo difícil de entender e, muito menos, assumir por parte de tão esclarecida gente. O texto tem qualidade, as verdades são como punhos, e ninguém pode ficar isento de pensar quanto mais tempo irá aguentar este retrocesso de qualidade de vida, de liberdade, de direitos e desigualdades. E milagres não há, pelo que não vale a pena esperar que cheguem. Como em tudo, o caminho faz-se caminhando...
«À espera do milagre»

«Parece ser chegado o momento de o Governo começar a dar alguns sinais de humildade e reconhecer que a sua receita para sair da crise não está a correr conforme previsto. Dialogar sem preconceitos com a oposição (e dialogar não é apenas ouvir e fazer orelhas moucas), explicar o que ninguém entende e corrigir o que está mal, tudo isso é bem mais inlportante do que a teimosia de tentar demonstrar a justeza de uma agenda ideológica com que alguns teóricos da economia e da política sonharam anos a fio.
O Governo louva-se de três boas notícias: a descida dos juros nos mercados da dívida, a descida acentuada do défice da balança de transacções e os sucessivos aplausos da troika à execução do programa. Tudo argumentos reversíveis. A descida dos juros é impossível não a ligar directamente à maciça disponibilidade de dinheiro fornecido aos bancos a 1% de juros, promovida pelo BCE. O saldo positivo da balança de transacções (que em si é uma boa notícia) dá-se, todavia, pelas piores razões: uma baixa indiscriminada das importações, quer as desnecessárias ou sumptuárias quer as necessárias para estimular o consumo interno, essencial à recuperação ou para manter a importação de bens e equipamento para as empresas funcionarem. E as boas avaliações da troika sobre o cumprimento do programa de ajustamento não escondem duas ordens de preocupações: o atraso de algumas medidas estruturais (as mais difíceis), como o peso excessivo dos lucros do sector eléctrico sobre a economia ou a renegociação das PPP, e os números assustadores do desemprego e da recessão, muito para lá daquilo que o Governo e a troika tinham estimado.
Mas, no outro prato da balança, há sinais cada vez mais evidentes de que a cura ameaça matar o doente. Isso toma-se evidente quando se constata (e é confirmado pelo novo orçamento rectificativo), que em 2012, tal como em 2011, o grosso do combate ao défice é feito por via do aumento de receitas e não pela diminuição da despesa. Encerrado o combate eleitoral, passado o tempo da retórica fácil e das soluções milagrosas, a nova maioria, uma vez chegada ao poder e na hora de fazer aquilo que tanto apregoou, dá-se conta de uma incómoda realidade: a estrutura da despesa pública portuguesa é dificilmente movível. A verdade é que, tirando excessos evidentes (como o despesismo das autarquias, que o Governo não se atreverá a enfrentar, como já se percebeu), não há muito mais por onde cortar - a menos que o objectivo final seja a liquidação, pura e simples, do Estado, liquidando as suas principais funções. Chega a ser arrepiante recuperar o discurso do PSD e CDS há apenas um ano, na oposição, e confrontá-lo com o que tem sido agora o seu desempenho governativo. Medidas extraordinárias para maquilhar o défice, por exemplo, nunca mais; orçamentos rectificativos eram sinal de absoluta incompetência no controlo das contas públicas; confusão entre dinheiros públicos e negócios privados jamais. Agora, compare-se isto com a nacionalização do fundo de pensões da banca que serviu para 'cumprir' o défice de 2011, acrescentando €6000 milhões ao activo; com o novo orçamento rectificativo, que, entre outras coisas, serve para acrescentar os €500 milhões que custa anualmente (e durante uma boa dúzia de anos), pagar as pensões dos novos reformados da banca e de que, pelos vistos, se tinham esquecido; e compare-se com o negócio de reprivatização do BPN ou com a recente notícia do financiamento da OPA do grupo Mello sobre a Brisa, assumido pela CGD (que também assume o empréstimo de €600 milhões ao BPN 'privátizado' e depois vai pedir ao 'accionista' - isto é, aos contribuintes que lhe 'empreste' por sua vez €1500 milhões para aumentar o capital, desfalcado por tanta genetosidade com estas pequenas e médias empresas).
Manifestamente, as convicções ideológicas do Governo não coincidem com a realidade encontrada. E o Governo reage como os corónéis das ditaduras sul-americanas: "mude-se a realidade!" Se o défice não se consegue baixar ao ritmo que se acreditava possível por via dos cortes na despesa pública, vai-se sangrando a economia. Com certeza, repito, que há muitos excessos por onde cortar, muito despesismo público injustificável, muitos e muitos abusos a que tem de se pôr termo. Infelizmente, porém, tudo somado não chega para compensar sequer aquilo que verdadeiramente é ruinoso para o Estado: a expropriação do 13º e 14º mês dos funcionários públicos, por exemplo, traduz-se numa receita equivalente ao custo de 'privatizar' o BPN a favor de Américo Amorim e Isabel dos Santos - e ninguém consegue explicar porque não encerraram o banco, simplesmente (sim, eu li a entrevista da secretária de Estado do Tesouro, aqui no Expresso: fiquei exactamente na mesma). Depois, há cortes na despesa pública que são intoleráveis do ponto de vista social, como pagar subsídio de desemprego apenas a metade dos desempregados e tratá-los como se fossem todos culpados ou suspeitos de viverem, por vontade própria, na tal "zona de conforto" de que falava aquele infeliz membro do Governo.
A tentativa de fazer coincidir a realidade com a utopia, através de uma cega aritmética, está a ser feita à custa da destruição do tecido económico decisivo do país, que são as pequenas e médias empresas, os trabalhadores por conta própria, a economia de proximidade. As grandes empresas e os grandes grupos económicos, quando já não tiveram mais contratos públicos para disputar nem mais favores a esperar, vão-se embora e, de qualquer maneira, pagam impostos onde mais lhes convém. Mas o resto, não. A diminuição da receita fiscal, que já se verifica, não é, ao contrário do que pretende acreditar o Governo, apenas um fenómeno conjuntural: a receita vai continuar a cair, na justa medida em que a economia vai continuar a retrair-se e a fuga fiscal se irá acentuar, quando, depois de tão esticada a corda, só restar a escolha entre pagar ou sobreviver.
Porém, sentindo o bafo gelado do fiasco, o Governo vai fugir em frente, num caminho já sem qualquer racionalidade nem sentido útil. Resulta do orçamento rectificativo, que restam ao Governo €18 milhões (!) de folga orçamental para este ano. Mesmo que o petróleo não suba mais, que a recessão na Europa e em Espanha não se acentue, que as exportações não continuem em queda, não há milagre que nos salve. As contas foram mal feitas, os dossiês mal estudados, a estratégia mal escolhida. Mas o Governo vai prosseguir no mesmo caminho, porque, antes de mais, o que eles nunca reconhecerão é que as suas ideias estão erradas: só funcionam em laboratórios onde se cozinham os MBA.
Presumivelmente, o Governo irá assim tornar definitivo o que era excepcional (como os cortes no 13.º e 14.º mês); irá aumentar a receita fiscal, subindo ainda mais os impostos; irá continuar todos os dias, ministro a ministro, nessa penosa e deprimente tarefa de anunciar novos cortes, com o entusiasmo de quem anuncia missão cumprida. Vai consumar o crime antipatriótico de privatizar a TAP (e, para mais, a preço de saldo), vai vender a água, os aeroportos, tudo o que mexer. E vai privatizar um canal da RTP, apenas porque o ministro Relvas quer e não tem de dar satisfações a ninguém, embora já toda a gente lhe tenha explicado que vai ser um desastre para todos.
VoIto ao princípio: começa a faltar um exercício de humildade, de que não se vêem sinais alguns no horizonte. No limite, até poderíamos acreditar que o Governo tivesse razão, ou parte da razão, em teoria. Mas nós não vivemos de teorias. Todos os dias há empresas que fecham, famílias que são mandadas para o desemprego, novos pobres encostados à parede. Os portugueses têm sido absolutamente estóicos a aguentar tudo. Mas só uma cegueira irresponsável permite imaginar que se pode levar as coisas até ao fundo do fundo e depois renascer, em paz e alegria».
 
 

domingo, abril 08, 2012

morrer de pé


No passado dia 4 de Abril, uma quarta-feira, Dimitris Christoulas, até aí conhecido de poucas pessoas e já aposentado, resolveu morrer de pé e fazendo o estrondo que a sua morte merecia - o grito de protesto, o disparar da bala e a carta deixada de despedida e testamento de uma vida em fim de vida que merecia mais do que os tempos que surpreenderam a sua reforma. É muito mau habituarmo-nos ao hábito: há que reagir e lutar até ao fim, nem que em alguns casos esse fim coincida com a morte. Mas, felizmente, há sempre alguém que diz não e, espera-se, que muitos reajam e não sejam insensíveis a estas mensagens. Fiquem com o poema que José Jorge Letria lhe dedicou.

MORRER DE PÉ NA PRAÇA SYNTAGMA


Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.

Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.
Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria.
Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.

Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume,
pela ignomínia de quem se vende
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.
A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma.
Estava livre. Tornara-se herói de tragédia
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.

Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada detem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.

José Jorge Letria

6 de Abril de 2012

quinta-feira, abril 05, 2012

a corrupção e o teatro do faz de conta

Paulo Morais, vice-presidente da Transparência e Integridade, a organização não governamental de luta contra a corrupção, acusa o Parlamento de ser uma das suas origens. Em declarações à SIC Noticias, Paulo Morais desmonta o sistema e mostra como o jogo está viciado. Ver e ouvir bastam para perceberem.

quarta-feira, abril 04, 2012

a contaminação sistémica

Sem palavras. Só imagens. Para os que ainda não perceberam-