quinta-feira, julho 02, 2009

para memória futura

A memória vai-se construindo dia a dia, ao longo da vida, até que em determinada altura dela se começa a perder ou a ser mais difícil chamá-la a nós. É normalmente a memória dos factos antigos aquela que mais persiste, tornando-se muitas vezes repetitiva e a memória recente aquela que nos traz mais problemas e complica a vida dos idosos. Em termos simples há quem explique isto como se a memória fosse uma sucessão de gotas que vão enchendo uma taça. Por isso, quando as novas gotas pingam na taça, acabam por sair fora e perderem-se. Seriam sempre as últimas a perderem-se e as do fundo da taça a manterem-se. Explicação rudimentar, mas ilustrativa. Tudo isto a propósito deste magnífico vídeo de origem grega, que nos fala de emoções, comportamentos, amor, paciência e também de memória.

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domingo, junho 28, 2009

viva a música

Após o post anterior em que recordei Michael Jackson no dia da sua morte, achei conveniente voltar a falar de música. Outra música e outro olhar. Poderei mesmo dizer um «certo olhar», já que esta música se engloba na chamada séria ou clássica. Classificações ... Música é música e há boa e má. Não vejo necessidade de a classificar de outro modo. Seguramente muitos do que venham a ler o que escrevi me irão chamar nomes, dos quais inculto será o menos grave. E se isso fizerem, isso ainda será menos do que chamam ao violinista e chefe de orquestra André Rieu, que chamem-lhe o que lhe chamarem, nunca deixará por isso de ser um dos melhores divulgadores da «boa» música. Em meu entender é um grande violinista que percebeu a tempo que fazer a escolha que fez, era a sensata. Investir menos na sua carreira de intérprete e mais na de grande divulgador.
Coloco deliberadamente dois vídeos, pois no primeiro em Itália, poderão ver gente de todas as classes sociais participar activamente no concerto e reparar que muitos deles conhecem bem o libretto e os textos operáticos. No segundo, um público talvez menos participativo, mas igualmente amante da música e conhecedor. O segundo vídeo foi filmado em Viena e vejam a beleza do enquadramento.
Ouçam, apreciem e não neguem que gostariam de ter estado em qualquer um destes concertos.
Há que investir na cultura.


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sexta-feira, junho 26, 2009

morreu michael jackson

Michael Jackson morreu hoje, de paragem cardio-respiratória, com 50 anos. Quase ao mesmo tempo, todas as estações de televisão, interromperam a emissão e fizeram um «Última Hora». Discordei, mas tenho que entender. O que ocasionou esta unanimidade foi o ninguém querer perder o comboio da notícia. Não discuto a qualidade do músico e bailarino que foi. Não discuto o papel ímpar que representou, o inovador que foi. o ícone da pop em que se transformou. Começou aos 5 anos e foi explorado pelo pai e não só. Nunca foi criança e nunca deixou de o ser. Sofreu, garantidamente. Teve defeitos como toda a gente e alguns que poucos têm e ninguém devia ter. Mas foi grande e merece que noticiem a sua morte e o recordem como alguém que foi diferente e fez feliz milhões de pessoas. O vídeo que aqui deixo teve mais de 100 milhões de visitas. Aqui fica o In Memoriam.

quarta-feira, junho 24, 2009

o humor e a crítica

O humor pode ser corrosivo para além de divertido. Pode esclarecer uma situação mais facilmente do que qualquer debate, conseguindo em segundos ou minutos o que duas mesas redondas por vezes não conseguem. O humor mostra o ridículo e a mentira das situações. O humor situa-se acima das ideologias, porque desmascara os seus bastidores. O humor quando é sério e analisa as situações friamente, sem partidarites ou clubismo, pode ser uma arma eficaz de esclarecimento. Parece-me que o vídeo que aqui coloco é um exemplo disso.

segunda-feira, junho 22, 2009

siga na faixa da direita

Observe o tráfego aéreo do nosso mundo visto do espaço, durante 24 horas. Cada segundo de filme, representa 20 minutos reais e cada ponto amarelo representa um voo com o mínimo de 250 passageiros. Não tenha medo. As rotas são bem definidas e voar continua a ser o meio mais seguro de viajar.
Mas, mais seguro mesmo, é viajar com a imaginação e as asas do pensamento, que como se sabe, não há machado que as corte. Nem a raiz...

domingo, junho 21, 2009

enquanto os robots não lêem

A tecnologia mais avançada chegou à Biblioteca de Eindhoven, Holanda. Concordo que é um sistema prático, eficiente, limpo, económico. Agradou-me que o leitor pudesse levar consigo o livro que deseja ler. Agradou-me a possibilidade de utilizar os robots com outros fins, como plateia para palestra ou concerto. Será que o robot ainda vai ler por nós e para nós, algum dia?
Gosto do progresso, da inovação. Mas olhando estes robots, veio-me à cabeça a sensação agradável que é esperar que os livros pedidos cheguem, enquanto vamos sendo envolvidos por aquele casulo meio uterino da sala de leitura e vamos aproveitando essa espera para pensar, escrever e, por fim, trocar algumas palavras ou dizer apenas obrigado a quem nos deposita os livros em cima da nossa mesa. Não há robot que nos dê esse prazer.

sexta-feira, junho 19, 2009

recordando charlot

Para rever e admirar mais uma vez. Para os que nunca viram perceberem que embora não baste o génio, haverá sempre diferença entre os que o têm e aqueles que transpiram mais e imaginam menos.

fado

Do filme de Carlos Saura - Fado. Para aqueles que gostam e para aqueles que não são ouvintes frequentes. Uma vida de fado, nas vozes magníficas de D. Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ana Sofia Varela, Carminho, Ricardo Ribeiro e Pedro Moutinho. Na guitarra, Pedro de Castro e José Luís Nobre da Costa e na viola, Jaime Santos e Joel Pina.

terça-feira, junho 16, 2009

ajuda e preconceito

Lutemos pelo fim dos preconceitos. Lutemos contra a estupidez que empobrece a mente e gela o coração.

sexta-feira, junho 12, 2009

nosotros, los mexicanos

Na continuação do que aqui escrevi em 19 de Março p.p., sob o título - Crise, abençoada crise - coloco hoje este vídeo «Nosotros los mexicanos» feito no México, sobre os mexicanos e os seus problemas, que pode traduzir-se com quase total verdade para «Nós, os portugueses».
Oiçam e escutem bem. Esta mensagem que aqui deixo deve ser ouvida continuadamente até ser subliminar.

quarta-feira, junho 10, 2009

struggle for life

Uma lição de sobrevivência.

terça-feira, junho 09, 2009

quando a genialidade é divertimento

Habitualmente nestas situações, dispenso as palavras. Deixo aos leitores a fruição do momento. Deliciem-se com Maya Tamir, com oito anos de idade, a tocar em Março de 2009 o Concerto para piano e orquestra em D Maior de Haydn, acompanhada pela Orquestra Filarmónica de Israel. Reparem na leveza, na segurança, no divertimento. E reparem também como parte de um público menos formado ou mais apressado nas palmas, nos priva de alguns segundos de prazer.

quinta-feira, abril 23, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 23


Todos os pássaros, todos os pássaros
Asas abriam, erguiam cantos,
De Amor cantavam.
Todos os homens, todos os homens,
De almas abertas, de olhos erguidos,
De Amor cantavam.

José Gomes Ferreira


Assim foi, de facto, nesse dia.

Nesse e nos muitos que se lhe seguiram.

De almas abertas para todos quantos viam, para o vizinho para que nunca tinham olhado, para o empregado que os servia, para o patrão que já antes odiavam.

De olhos erguidos para a luz, para o sol da liberdade, depois dos anos chumbo da ditadura.

Mais do que a 25 de Abril, a catarse total de 1 de Maio. Na verdade todos de amor cantavam. Menos aqueles que apenas cantavam para não se ver o medo interior do acertar de contas possível. Quantos seriam ninguém sabe. A Revolução foi generosa e não houve acerto de contas.

Quem dera que ainda hoje cantássemos com o mesmo amor e de olhos erguidos.

Que saudades tenho de te ver, Zé Gomes, quase todos os fins de tarde a conversar com o Carlos de Oliveira no passeio da Praia da Vitória, frente à casa onde morava o Carlos.

Passado todo este tempo sobre aquele dia e sobre o vosso desaparecimento, acabados muito ideais, emboçados muitos sentimentos, vem-me à cabeça aquele teu verso ímpar – ah, se eu pudesse suicidar-me por seis meses -, que funcionaria como um despertar da esperança, de ao acordar tudo estar diferente.

E se estivesse, como olharíamos para nós por nada termos feito todo esse tempo?

CVR


sábado, abril 18, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 22


"Tenho pensamentos,
que se pudesse revelá-los
e fazê-los viver,
acrescentariam nova
luminosidade às estrelas,
nova beleza ao mundo
e maior amor ao
coração dos homens."

Fernando Pessoa


Tive tantos pensamentos ao longo da minha vida, e tão continuadamente constantes, que de tanto me parecerem fantásticos e singulares, nunca me permitiram exteriorizá-los e fazê-los viver, por receio do eco que me viria de quem os ficasse a conhecer.

Também por preguiça, é certo. Aquela preguiça que muitas vezes me faz pensar na má distribuição das coisas, das qualidades e defeitos que nos foram atribuídas.

Sei que alguns pensamentos, muitas ideias, me pareceram verdadeiramente boas e capazes, não de mudar o mundo, mas de mudar qualquer coisa nele. Como sei também que o trabalho que comportava pô-las em prática não foi compatível com a minha inércia ou preguiça para a sua concretização.

Vejo-me capaz de criar e incapaz de realizar. Mas sei que posso realizar e com esforço e continuidade, se não houver em jogo uma ideia secreta, ainda não provada.

E como eu gostava de levar mais amor ao coração dos homens …

CVR


sexta-feira, abril 10, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 21


Se

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Por isso me interrogo – se tanto me dói que as coisas passem, deveria ser porque cada instante em mim foi vivo.
Mas verifico honestamente que não. Qualquer pré-filtro, qualquer pré-julgamento, faz com que em mim as coisas sejam já avaliadas antes de serem coisas perante mim, quero dizer perante o “mim” interior. Coisas e sensações entram-me pelos olhos, pelos ouvidos, pelos cheiros, pelo gosto, pela pele, mas é no interior de mim, na central processadora de dados da mente que se faz a verdadeira avaliação, aquela que vai determinar da permanência delas dentro de mim, enquanto lembranças, enquanto memória, apenas despida ou recheada de informação complementar.
Eu sei que este mim, está sempre aberto às coisas e sensações vivas, mas sei também que nem todas se eternizam.
Digamos que tenho memórias vivas de muitas coisas que não consigo reconstruir, o que deveria significar que elas não foram verdadeiramente vivas. Mas foram. Sei que foram. Tão intensamente vivas que apesar da rapidez do processamento ainda deixaram vestígios que, pelos vistos, se mostram indestrutíveis.
Quem me dera que quando o desejasse, pudesse chamar a mim a totalidade dessas vivências, eternizadas, e pudesse voltar a senti-las da mesma forma, com a mesma intensidade, com o mesmo tempo. Seria talvez a melhor forma de me manter vivo.
CVR

sexta-feira, março 27, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 20



Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.

A cor é que tem cor nas asas da borboleta,

No movimento da borboleta o movimento é que se move,

O perfume é que tem perfume no perfume da flor.

A borboleta é apenas borboleta

E a flor é apenas flor.

Fernando Pessoa

Quando repararei eu no essencial e esquecerei o supérfluo?
Só então poderei dizer que eu sou apenas eu e o que outros vêem em mim é apenas o que os outros em mim vêem.
Mas sinto que há uma grande contradição naquilo que julgo. Pois tenho tido sempre para mim que o que vejo das coisas e das pessoas é sempre o essencial e provavelmente apenas tenho visto o que dispensaria ser visto.
Mas será que eu me tenho enganado tanto?
Quando digo que olho para uma pessoa e lhe tiro logo o retrato a cores, será que apenas fotografo o que podia dispensar?
Eu sou realmente eu ou apenas o que aparento ser? O que outros vêem em mim?
Eu sou o todo de mim – o que sou, mais o que aparento.
E provavelmente o que sou é o que aparento.
Ou aparento exactamente o que sou?

CVR

quinta-feira, março 19, 2009

parabéns, pai



Hoje é o teu dia, pai.
Continuo a dizer o que sempre disse - só tiveste um defeito. Morreste cedo de mais.
Aqui fica o meu obrigado e a minha homenagem.

crise. abençoada crise


Antes que alguém se escandalize com o título desta pequena crónica, aviso que, tal como em muitas outras coisas, o que parece não é.
Aliás, é disso que vos vou falar. Do que parece e não é. Refiro-me a este nosso País – Portugal.
Mesmo historicamente fomos sempre um arremedo de país, um parece mas não é. Mesmo na época áurea dos Descobrimentos, mesmo com Tordesilhas, parecíamos mas não éramos; parecia que dominávamos o mundo, mas, em boa verdade, só lá ficavam os padrões, os representantes reais e alguns senhores de escravos.
Tivemos recursos ilimitados à nossa disposição, materialmente de nossa posse, mas tal como agora, só alguns se aproveitavam, só alguns deles se apropriaram. O poder, esse, esbanjava.
Portugal foi ao mesmo tempo, berço de grandes homens, bem formados, sérios, íntegros, inteligentes, corajosos, patriotas, pouco parecidos com os demais. De alguns desses homens encarregou-se a Inquisição, seus laicos sucedâneos e os senhores de terras e de títulos.
Somos um país que parece uma coisa e é outra. Quem analisa apenas a nossa História
(e convém não esquecer que ela foi escrita por nós) ficará com a ideia que somos um país grandioso, com séculos de história, o mais velho país europeu com as mesmas fronteiras, que descobriu novos mundos em todos os continentes, metidos em cascas de noz, barricas de biscoitos e peixe seco.
Mas se formos nós a analisar-nos, com justeza, sem preconceitos ou clubismos, o que vemos? Como sai o nosso retrato?
Vemos um País com uma massa humana formidável, que quando se faz ao longe e ao fora, se mostra trabalhadora, inovadora, lutadora, esforçada, mas que quando regressa ou fica envolvida pelas nossas fronteiras, quando fica no redil, se transforma no seu contrário, no avesso daquilo que mostra e se faz rebanho.
De sérios passamos a trapaceiros, de rigorosos a facilitas, de trabalhadores a sornas, de íntegros a golpistas, de corajosos a cobardes e invejosos.
Comecei a escrever estas palavras, lembrando-me apenas da situação que estamos vivendo, desde que a crise mundial ou global se instalou.
Todos, penso que todos, saberão que a Crise é global, mas se nos ouvirmos, a crise é da responsabilidade do actual governo. Deste governo, ou simplificando, do Sócrates ou do Socras como muitos dizem.
Quer dizer que para nós, o responsável da Crise, é exactamente aquele que antes dela existir estava apostado em melhorar a situação de Portugal, reformando ou tentando reformar aquilo que precisava e continua precisando de reforma, recuperando e contendo o deficit e a inflação e o desemprego que governos anteriores não souberam combater, apesar de quase serem afogados pelo mar imenso dos euros de Bruxelas.
Não estou a defender este governo, nem a atacar os anteriores. Estou apenas a chamar os bois pelos seus nomes e a tentar analisar com clareza a situação actual.
À vossa possível pergunta – o Governo tem governado bem? – eu terei que responder – numas coisas sim, noutras não. Criticarei o pouco empenhamento em levar as reformas mais longe, em combater o fosso entre os escandalosamente ricos, a classe média e os pobres. Qual classe média? Ainda existe?
O governo tem feito muitas asneiras, tem sobretudo feito menos do que devia e se adivinhava que podia e queria.
E é aqui que está a diferença - pelo menos quiseram fazer, começaram a fazer, a enfrentar os poderosos, o corporativismo.
Começaram. É preciso que continuem e vão em frente.
Veio a crise, a tal que é global e os portugueses dizem que é culpa do governo.
Parem um pouco e pensem. Quantos de vós têm feito alguma coisa pelo País? Quantos de vós querem e exigem que seja o País a fazer tudo por vós?
Quantos de vós respeitam totalmente as vossas obrigações fiscais? Só não foge quem não pode. Quantos de vós não aplaudem a fraude, a cunha, a cópia fraudulenta, o excesso de velocidade, o desrespeito por leis, os subsídios da CEE desviados para outros fins? Quantos Audis em vez de tractores? Quantas piscinas em vez de bebedouros?
Por isso eu chamei a esta crónica “abençoada crise”. Porque sei que ela pode ser abençoada, se todos nós, face a ela, encararmos a nossa realidade, o nosso comportamento e passarmos a respeitar-nos uns aos outros, a ter consideração pelos melhores em vez de inveja, unirmos as mãos e os esforços para juntos levantarmos Portugal. Se todos entendermos de uma vez por todas que a arte do desenrascanço português é o nosso maior mal. Temos todos que passar a fazer o nosso melhor, pensando no bem de todos e não só no nosso.
Aproveitemos todos as lições da crise para aprender a sermos gente digna, merecedora de um País melhor.
Que nenhum de nós se queira rever nas figuras da crise, nos Maddoff’s e Costas vários e se sirva deles como exemplos do que não se deve ser, em vez de lá no fundo de cada um pensarmos que não nos importávamos de ter feito o mesmo, escapar a uma justiça que não funciona e vivermos o resto dos nossos dias à conta do que fraudulentamente adquirimos.
Que um dia possamos dizer – abençoada crise.
CVR

quinta-feira, março 05, 2009

as mil faces da mulher

Não sei que mais admirar - se a beleza das imagens, se a ciência de as ligar.
Todos os artistas que as pintaram felicitariam quem assim as aproveitou.
Vale a pena ver e rever.

domingo, fevereiro 22, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 19


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa


Guardo as pedras ou as dores que elas me causam?

Ou sempre guardei umas e outras?

Sempre as guardei ou só agora o faço

Quando a vida se aproxima do fim?

Questiono-me se vale ou valeu a pena guardar as pedras

Com que faria os castelos a que tantas vezes me propus.

Nunca me neguei a ouvir um não

E não considero coragem fazê-lo.

Ter uma vida fácil, como foi a minha, tudo nos rouba.

Embota-nos o pensamento e os sentimentos,

Não se dá real valor a nada ou quase nada.

Mas o pior, é chegar ao fim e perguntar – o que andei cá a fazer?

E, no entanto, fui muito feliz poucas vezes

Angustiado não sei quantas,

Salvei vidas, despertei amores, desamores,

Ódios, invejas, incompreensão

E sempre encontrei meus oásis.

Ou simplesmente, miragens?

CVR