quinta-feira, janeiro 29, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 17


Entre mim e a vida há um vidro ténue. Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.
Fernando Pessoa


Entre mim e a vida não há um vidro, mas um estado de alma, um escudo defensivo, quase sempre, ofensivo muitas vezes, que, embora me permita vê-la com nitidez e na sua quase totalidade, me impede compreendê-la a maioria das vezes e por mais que me esforce.
Há sempre um pequeno degrau a subir ou a descer, entre a vida real e o real que ela me transmite ou me permite prever.
É qualquer coisa de indefinível, qualquer coisa de faz de conta, que baralha a realidade, as realidades da realidade. Comigo, o que se passa é que nunca posso afirmar, ter a certeza de que a vida é isto ou aquilo, qualquer coisa definível, mas antes qualquer coisa de incerto, que me parece ser assim como a penso, mas se vem a verificar ser o seu contrário.
A vida é difícil de viver. Imagine-se como será por quem a vê assim ou por quem dela apenas esta visão lhe é consentida.
As voltas que eu lhe daria se pudesse deitar-lhe a mão!
CVR

quarta-feira, janeiro 28, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 16


É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nós desejável. O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter.

Fernando Pessoa


Com facilidade se confunde o que é necessário e o que é desejável. Tudo depende da força do desejo. Pode desejar-se tão intensamente, de uma forma tão constante e aparentemente real, que a dado momento não é desejo que se sente, mas a fome intensa e necessária, daquilo que o não é, nem nunca será. Tudo formas de sentir e intensidade de sentimentos. É precisar duma inutilidade, como de pão para a boca. É acreditar que se vai ter a lua, mesmo sabendo que aqueles que já a pisaram, só amostras trouxeram dela. E mesmo que essa realidade esteja presente, há alguma coisa melhor do que acreditar, não o fazendo, naquilo que sabemos inacessível, mas tão profundamente desejamos?
Toda a vida quis a lua e sempre me contentei em olhar para ela, esperar os seus ciclos, passear na lua cheia, sorrir para ela, confessar-lhe coisas secretas e acreditar que ela me ouve, me entende e vela por mim?
Há o necessário e há o desejável. Qual deles o mais necessário?

CVR

sexta-feira, janeiro 23, 2009

ensino ou comunicação?



Penso que qualquer pessoa se emociona com a beleza do espectáculo que aqui vos deixo. Mete impressão ver até que ponto se pode levar a comunicação entre treinador e treinados. Até que ponto pode ir a liderança. Os cavalos fazem o que o treinador lhes manda ou comungam com ele do prazer do espectáculo? Tudo se passa na região da Camarga e apenas sei que o equitador se chama Lorenzo. Vejam e revejam as vezes que vos apetecer.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 15


De repente, como se um destino médico me houvesse operado de uma cegueira antiga com grandes resultados súbitos, ergo a cabeça, da minha vida anónima, para o conhecimento claro de como existo. E vejo que tudo quanto tenho feito, tudo quanto tenho pensado, tudo quanto tenho sido, é uma espécie de engano e de loucura. Maravilho-me do que consegui não ver. Estranho quanto fui e que vejo que afinal não sou.
Olho, como numa extensão ao sol que rompe nuvens, a minha vida passada; e noto, com um pasmo metafísico, como todos os meus gestos mais certos, as minhas ideias mais claras, e os meus propósitos mais lógicos, não foram, afinal, mais que bebedeira nata, loucura natural, grande desconhecimento. Nem sequer representei. Representaram-me. Fui, não o actor, mas os gestos dele.
Fernando Pessoa


De que me serve esta súbita cura da cegueira que foi minha vida? Acaso consigo fazer rewind e logo on, para uma nova vida emendada? Claro que não. E o que emendaria eu, se não sei sequer o que me levou a vivê-la assim e não da maneira que a minha actual não-cegueira aprovaria? Aprovaria, mesmo? É possível emendar-se uma vida quando se é geneticamente assim e não assado? Não me pergunto mais porque sinto eu este vazio que me desconforta e parece não ser meu, não ser em mim. Este não posso mais ignorá-lo, iludi-lo, fazer os gestos do actor que representa através de mim, usando meus gestos, usando-me, como todos fazem. E fazem-no de forma tão perfeita que quase me convenço que sou eu quem os está a usar. Puro engano. Vida de enganos. Poderia ser outra? Teria estado alguma vez nas minhas mão, a possibilidade de fazer da minha vida aquilo que sempre sonhei que ela fosse?
CVR

quarta-feira, janeiro 21, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 14


E, assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre nascente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. ….
Fernando Pessoa



Assim sou, realmente. Tudo me interessa e nada me prende. É tal a atenção, o estar disposto para o sonho e a novidade, que tudo atravessa meu pensamento, em movimento, sem um cristalizar de alma ou de emoção. De emoções, não, que essas são reais e traduzem-se em sentimentos rápidos e fugazes. Tenho a lágrima fácil, de tão rara ser. Quem me dera ser outro …
CVR

segunda-feira, janeiro 19, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 13


...Pertenço porém àquela espécie de homens
que estão sempre na margem daquilo a que
pertencem, nem vêem só a multidão de que
são, senão também os grandes espaços que há
ao lado.

Fernando Pessoa


Estou sempre por dentro de tudo e espantem-se senhores,
Por fora de tudo me encontro sempre.
Ninguém, como eu, assim o consegue.
Participante, por dentro e no dentro, de tanto facto, tanta ideia,
Que consiga estar tão historicamente fora, de tudo e de todos.
Incapacidade de líder, ou deste só a ideia e o arrancar da acção?
Aos outros, louros e proveitos e proventos.
Para mim, quanto muito a culpa, se a houver.
E o consolo de ver os grandes espaços ao lado
E, se possível, ver um pouco para além deles.

CVR

domingo, janeiro 18, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 12


Tantas caras curiosas! Todas as caras são curiosas
E nada traz tanta religiosidade como olhar muito para gente.

Fernando Pessoa


Só as caras do povo me impressionam.
Só nelas rugas e marcas são marcas e rugas. E a dor é dor.
Cara do povo, cara de gente.
Gosto de caras, a preto e branco. Preto no branco.

CVR

sábado, janeiro 17, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 11



Todo o meu sangue raiva por asas!
Fernando Pessoa



Raiva de não ter raiva as vezes sem conta
em que é preciso ter raiva para ter asas.

CVR

sexta-feira, janeiro 16, 2009

mercado de escravos

http://www.dailymotion.com/video/x6y6ck_the-job_shortfilms

The job
Enviado por trescourt

É terrível este vídeo. Antecipação ou realidade?
Custa a acreditar que há menos de 40 anos ainda se fazia esta contratação de mão de obra diária, para estivadores, trabalhadores rurais e outras profissões menos diferenciadas e, por isso, mais exploradas.
Será que vai chegar mesmo o dia em que esta escravatura volta, mesmo para os mais diferenciados?
Não dá para sorrir, só dá para pensar.

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 10


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantos mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa


Onde se chega sem sofrimento, sem dor?
O céu estará no fim duma prova de fogo de privações e dores?
Sim ou não, outros o saberão.
Mas, sempre há que passar além da dor
e todos temos nossos Bojadores a passar.
Para que seja nosso, nosso mar.
Aquele que queremos navegar, agora, hoje, depois.
Aquele em que queremos navegar hoje e sempre.
As lágrimas são o tempero das emoções.
Seu vinagre, seu sal. Por isso, meus olhos ardem...

CVR

quinta-feira, janeiro 15, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 9

Quem sabe se eu estarei morto depois de amanhã?
Se eu estiver morto depois de amanhã, a trovoada de depois de amanhã
Será outra trovoada do que seria se eu não tivesse morrido.
Bem sei que a trovoada não cai na minha vista,
Mas se eu não estiver no mundo,
O mundo será diferente --
Haverá eu a menos --
E a trovoada cairá num mundo diferente e não será a mesma trovoada.

Fernando Pessoa


Quem sabe se nem ao fim destas linhas chegarei?
Insegurança do destino que me amachuca, me domina.
Porque não temos validade, como as coisas?
Como máquinas, temos peças e sistemas.
Somos pessoas, não coisas, eu sei.
Onde está a garantia de nossas peças e sistemas?
Porquê Deus, ao escrever Made in Hell, se esquece do principal?
Quem baliza nosso mal estar, nossa angústia?
Continuariam a marcar amargamente nossas vidas
se tivéssemos prazo de validade?
E se tivéssemos controle de qualidade?
Quantos de nós não viveriam?
Quantos seriam lançados em vidas de saldos?
Teria eu chegado ao fim destas linhas?

CVR

quarta-feira, janeiro 14, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 8


Bem sei: a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol, aos outros, que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros -- isso tenho eu em mim.

Fernando Pessoa


Névoas, chuvas, escuros, isso tudo tenho em mim.
E sol e trovoadas e aguaceiros e humidade agressiva
e chuva miudinha, de modorra, cansativa e chateante .
Um catavento e um arco-iris, tormentas e primaveras
tudo isso eu tenho em mim. E, o tempo? Que tem comigo?
Que transforma meu olhar em sol, minha boca em nascente,
minha palavra em leite?
Eu, ou tu -- outros?
E, quem faz de meus olhos víboras, de minha boca máscara,
de minhas palavras espadas --gumes?
Eu, ou tu -- outros?
Até a penumbra é linda, elegante, suportável.
Mas nada como a claridade que de nós se desprende,
quando se desprende...

CVR

segunda-feira, janeiro 12, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 7


Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Fernando Pessoa


Rio muitas vezes até às lágrimas.
O que nada tem a ver com rir como quem chora
Ou com o rir para não chorar.
Tudo coisas diferentes ou formas diferentes da mesma coisa.
Do que eu gostava mesmo era de rir por rir
Rir em estado puro, não contaminado.
Nem pelas adjacências de outros sentimentos.
Riso claro, espontâneo, verdadeiro, cristalino.
Quebrável...

CVR

domingo, janeiro 11, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 6

O diário de Amiel doeu-me sempre por minha causa.
Quando cheguei àquele ponto em que ele diz
que sobre ele desceu o fruto do espírito como
sendo a ''consciência da consciência '' (...) senti
uma referência directa à minha alma
.
Fernando Pessoa



Tenho muitas vezes consciência da minha consciência.

É o subconsciente quem mo diz.

Que inconsciente que isto parece.

Subconsciente. Matriz de tudo.

Código do ser e do estar na vida.

O que está lá, está lá. Acredite-se ou não em Freud.

Por mim tanto me faz, que Freud tenha ou não razão.

Agrada-me isso sim é saber, é sentir que

Tenho consciência mesmo quando sou inconsciente.

CVR

sábado, janeiro 10, 2009

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 5


Entre o luar e a folhagem,
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver aragem
Passa um segredo.

Fernando Pessoa


Um segredo passa onde quisermos que passe

Onde fizermos que ele exista, se revele.

Não aos que o não vêem, mas a nós que para ele temos olhos.

Os atentos à vida e ao seu respirar

em cada canto encontram segredos.

O melhor que a inteligência tem, se os sentidos acompanham,

é a capacidade de inventar maravilhas, de desdobrar o real.

De se maravilhar com o comum e com o inhabitual.

O melhor da inteligência é ser o contrário da estupidez.

CVR


quinta-feira, dezembro 25, 2008

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 4


Pertenço a um género de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.

Fernando Pessoa


A que género pertenço eu?

À daqueles que podiam ter descoberto a Índia

e mais outras mil Índias que continuam por descobrir.

E nada, nada descobriram, nem sequer que o podiam fazer.

Sinto que podia ter descoberto o mundo e que o podia transformar.

Mas, faltou-me a vontade e a força para o fazer.

Não sou um descobridor, mas um ser preguiçoso e mole

em quem Deus desperdiçou capacidades.

Melhor Teria feito se as tivesse dado a activos empreendedores,

ainda que estúpidos.

CVR


domingo, dezembro 21, 2008

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 3


O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado

Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Fernando Pessoa



Longo tempo, longos anos carreguei meu fato imposto.

Com violência reagi. Para lá do que devia. Talvez.

Pago agora os dois preços. Do fato que carreguei e da libertação dele.

Qual deles, o maior? Mas,


''Meu pensamento é como o vento ''

''Ninguém o pode agarrar ''????

CVR

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 2


Pobres das flores dos canteiros dos jardins regulares.

Parecem ter medo da polícia...

Mas tão boas que florescem do mesmo modo

e têm o mesmo sorriso antigo

Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem

Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente

Para ver se elas falavam...

Fernando Pessoa



Jardins regulares. Trazem à memória meu Pai.

As flores bem alinhadas naquele jardim de Chaves.

Jardins regulares. Flores alinhadas, intocáveis,

bem comportadas, fazendo de seu furto, pecado.

Elas que são livres de nascer e que dizem, corta-me ...

Porquê impôr-lhes regras e fazê-las regulares?

O meu Pai não era regular.

Era muito grande o meu Pai.

Grande como a sua inteligência, a sua bondade e a sua fraqueza.


Teve um só defeito.

Partiu cedo de mais.

CVR

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 1


A beleza é nome de qualquer coisa que não existe

Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas:são belas?

Fernando Pessoa



De boa vontade, de todas as coisas eu diria -- são belas.
E nada impede que o faça.
Já que não tem a ver com a realidade, mas com o que eu faço dela.
Bom seria que coisas e pessoas fossem belas sem que eu tivesse
necessidade de fazer delas o que elas não são -- belas.
Se tudo fosse belo, talvez eu fosse belo...
''Se eu casasse com a filha da minha lavadeira talvez fosse feliz...''

CVR

quinta-feira, dezembro 18, 2008

poetas do mundo

Em 14 de Outubro de 2005, Luis Arias Manso, poeta chileno, fundou o movimento Poetas del Mundo com a finalidade de usar a força das palavras e a sensibilidade dos poetas, como movimento, palavra-arma, a favor da salvação do nosso planeta, ameaçado de morte a curto prazo.
É preferível, contudo, que seja o próprio fundador a explicar-vos - aos que nisso estejam interessados - quais as razões da criação do movimento e quais as formas como cada um deve actuar. A palavra a Luis Arias Manso.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

sociedade portuguesa de história dos hospitais


Poucos terão conhecimento da existência da Sociedade Portuguesa de História dos Hospitais e poucos terão uma noção correcta da sua necessidade.
Só mesmo aqueles que têm amor à História e sabem como ela deve ser preservada para bem do presente e do futuro, compreenderão bem a existência e a necessidade dela existir.

Para aqueles que se interessam por estes assuntos e eventualmente não tenham recebido convite e para aqueles que possam vir a interessar-se, deixo aqui esta notícia da realização da III Conferência desta Sociedade, no próximo dia 11 de Dezembro, no Salão Nobre da Escola Nacional de Saúde Pública.
A entrada é livre.


quinta-feira, novembro 27, 2008

quem sou eu para ficar triste?

Que faço eu pelos outros? Pergunta que devemos fazer todos os dias.

ainda a propósito de dresden


Não sou daqueles que pensam que há raças superiores e inferiores (sei que agora não se deve dizer raças, mas neste caso, parece-me ser palavra mais definidora).
Mas penso e creio que sei, que há povos que se distinguem bem dos outros no seu aspecto ou na sua afirmação enquanto tal.
O que determina fundamentalmente a diferença entre uns e outros é a sua determinação, a cultura, a capacidade de trabalho, o sentir social, a noção do bem comum, o respeito pelo outro, o orgulho na sua pátria.
Faço estas considerações recém chegado da Alemanha e, especialmente, de uma das suas cidades que ainda não conhecia – Dresden.
De Dresden conhecia apenas aquilo que a História me ensinou e o que li e ouvi acerca da sua destruição massiva durante a 2.ª Guerra Mundial, mesmo no seu fim, mais exactamente doze semanas antes da rendição da Alemanha (9 de Maio, em Berlim).
Entre 13 e 15 de Fevereiro de 1945, 1300 bombardeiros da Royal Air Force (em 13 e 14) e da United States Air Force (a 15), despejaram sobre aquela cidade (conhecida como a Florença alemã), 3900 toneladas de bombas explosivas e incendiárias que destruíram 13 Km2 da cidade. Tudo se passou dois dias depois de ter terminado a Conferência de Yalta, onde Churchill e Roosevelt discordaram de Stalin sobre a partilha da Europa.
As baixas rondaram os 35.000, embora exista grande controvérsia sobre este número (de 8.500 a 300.000).
Este bombardeamento ficou para a História como um das causas morais mais célebres da 2.ª Guerra Mundial, já que não havia razão, nem táctica nem estratégica, que moralmente o suportasse. Todos sabemos que «guerra é guerra», mas mesmo nela tem de haver algum sentido.
Há quem defenda que o justificativo terá sido destruir um centro ferroviário e algumas fábricas que davam apoio ao esforço de guerra alemão. Mas a maioria refere que não havia qualquer razão para tais bombardeamentos, já que não havia objectivos militares de capital importância, a guerra já estava ganha e à beira do fim e na cidade só viviam velhos e crianças, muitos tendo vindo de outras partes, uns e outras ali vivendo por Dresden ser tida como cidade segura, já que não era objectivo militar.
Muitos apontam o dedo a Winston Churchill, esse grande patriota, político e cabo de guerra, que através deste bombardeamento queria mostrar força perante Stalin, antes da definitiva divisão da Europa (conferência de Potsdam entre 17 de Julho e 2 de Agosto de 1945).
Na partilha efectuada, Dresden ficou integrada na chamada RDA, República Democrata Alemã ou DDR, Deutsch Demokratische Republik, na esfera de dominação soviética.
Só a 3 de Outubro de 1990, com a reunificação da Alemanha, a chamada Queda do Muro de Berlim, Dresden recuperou a sua antiga posição de capital da Saxónia.
Passados que são 63 anos sobre o fim da guerra e 18 após a reunificação, fui encontrar uma Dresden totalmente reconstruída (pode dizer-se) e guardando a memória da sua destruição.
Como exemplo emblemático da reconstrução, a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora). Podemos dizer que tudo que hoje vemos foi reconstruído em menor ou maior escala, mas a Frauenkirche foi totalmente reconstruída (entre 1993 e 2004), com dinheiro do estado, do povo, de ingleses (a Rainha, o filho de um piloto que bombardeou Dresden, entre outros), de americanos (Kissinger, Rockefeller e outros) e, sobretudo com a doação mais que simbólica de amor à sua Terra e ao seu País, do médico Gunter Blobel, Prémio Nobel da Medicina em 1999, que ofereceu todo o valor do prémio para a reconstrução desta igreja.
Olhando esta Igreja ou vendo o filme que documenta todas as fases da sua reconstrução total, podemos apreciar como ela integra apenas algumas pedras da antiga igreja. Mas deve dizer-se que os materiais que restaram após o bombardeamento foram todos separados, guardados e posteriormente aproveitados e reciclados e incorporam muito do material novo que agora foi usado.
Dresden tem hoje uma população de cerca de 500.000 habitantes e recuperou o seu título de Florença à beira do Elba.
Quem olha para a majestosa Semperopera (assim chamada para honrar o nome do arquitecto Semper, que foi também o responsável pelo Teatro do Rio de Janeiro), é bom que saiba que demorou 40 anos a ser reconstruída.
Quem conhece o seu interior, assiste a um concerto, vê a sala completamente cheia, olha o programa anual e verifica que na quase totalidade dos meses há espectáculos diários, alternando os concertos, com a dança e a ópera, tem pena ou mesmo inveja de não ter na sua terra esta permanente oferta cultural e dói-lhe que os seus compatriotas não tenham poder de compra suficiente para encherem de forma continuada aquela imensa sala em que, de forma inteligente, o interior das várias categorias de camarotes foram transformados em lugares de balcão, para maior comodidade, visibilidade e aumento de lugares.
Quem no intervalo vê os foyers cheios de gente bem vestida, bem cuidada, dignificando o espectáculo (mas não em mostra de vaidades), bebendo água ou champagne francês, mordiscando qualquer coisa que conforte, tem pena que na nossa cidade com mais do dobro dos habitantes os espectáculos sejam uma raridade, as casas não estejam cheias ou raramente o estejam e que alguns por lá se passeiem como se estivessem na rua, atropelando-se uns aos outros, mostrando-se apenas.
Dresden é uma cidade bonita, espaçosa, cuidada, com um sistema de transportes públicos eficaz, com pouca circulação automóvel, com muitas zonas verdes, com sábio aproveitamento de espaços de lazer.
Não faltam monumentos belos e cuidados, museus, animação de rua, tradições, que afirmam bem o seu direito de ser cidade europeia de qualidade.
Um passeio de barco no Elba entre as duas margens desta cidade é reconfortante e enche-nos os olhos de beleza.
Na margem contrária àquela que é considerada a cidade histórica ou o centro, encontram-se vários edifícios de qualidade como o Palácio Japonês ou a Leitaria de Pfund, considerada a mais bela do mundo.
E volto ao princípio. Tudo se pode fazer se para isso houver determinação e capacidade. Mesmo uma cidade destruída se pode reconstruir, respeitando a memória e a traça. No fundo, uma afirmação de marca, de vontade de um povo unido em volta dos seus valores.
Mas é preciso acreditar e saber do que se é capaz. Ter a medida exacta do que se quer e do que é necessário para o conseguir. É preciso não chorar sobre o leite derramado, mas saber o que fazer para se encher novamente a leiteira.
É preciso acreditar no bem comum, na entreajuda, na solidariedade, no povo que connosco faz uma Nação. É preciso ter fé e não nos deixarmos derrotar pelas contrariedades, mas antes fazer-lhes frente e continuar. Há muito se diz que o caminho se faz caminhando, mas há situações em que é preciso que todos sigam o mesmo caminho, para que juntos conquistemos o que nos parece possível e justo.


sexta-feira, novembro 21, 2008

há cantar e há cantar e sentir

Sem palavras. Apenas com a Elis, atrás da porta.

sexta-feira, outubro 17, 2008

um outro 11 de setembro

Segundo Altamiro Borges diz, em NovaE, Willian Colby, ex-diretor-geral da agência de inteligência dos EUA, disse um dia que «a CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. e através dos meios de comunicação, influir no desenlace dos factos políticos em outros países».
Esta agência acaba de divulgar vários documentos até então classificados como ultra-secretos. Eles compõem os arquivos sugestivamente chamados de «jóias da família», assim designando algumas operações ilegais deste organismo que causam constrangimento ao governo americano.
São 11 mil páginas que revelam as acções terroristas do imperialismo em várias partes do planeta entre os anos 50 e 70.
Os documentos comprovam que esta central de «inteligência» sempre teve um papel activo na América Latina.
Após o 11 de Setembro, onze realizadores foram convidados para fazer um filme sobre a queda das torres gémeas.
Deixo aqui a contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de Setembro, o ocorrido em 1973, no Chile.
A ver, pensar e julgar.

sábado, outubro 04, 2008

ida e volta

Vou num instante a Dresden e já volto. Querem alguma coisa de lá?

Vejam como ficou Dresden após os bombardeamentos na 2.ª Guerra Mundial.



E vejam como está.




sábado, setembro 27, 2008

mamma mia !



Não consigo perceber porque só hoje resolvi publicar este post sobre um filme que me encheu as medidas. Fez-me bem à memória, ao coração, aos sentidos e pôs-me de bem com a vida.
Recomendado, dos sete aos setenta.

quinta-feira, setembro 25, 2008

talentos médicos

Os médicos sempre tiveram alguma aptidão para as artes e para as letras, de tal modo que alguns acabaram por abandonar a medicina e dedicar-se à sua nova (ou primeira) paixão da escrita, da música, da pintura ou da escultura.
O que me levou a falar disto, foi ter-me lembrado de um colega amigo (Wolfgang Ellenberger) com quem mantenho contacto frequente e que além de médico é pianista profissional, professor de piano (criador de um novo método de ensino) e que já deu concertos nas melhores salas da Europa. Além disso dirige uma orquestra de Talentos Médicos (não tendo eu a certeza se o talento é grande...). Dele, eu sei que é um magnífico pianista e que tem vários discos gravados, a solo, acompanhando cantoras, ou como solista de concertos para piano e orquestra.
Mas a razão primeira para eu falar disso e dele, foi ter encontrado hoje no You Tube um vídeo que ele ali colocou, para mostrar os 16 cartoons feitos por Wilhelm Busch (o desempenho do pianista e do seu ouvinte, caracterizando andamentos e movimentos, no concerto de Novo Ano de 1865), com música de Chopin, Beethoven e Liszt.
Wolfgang Ellenberger planeou, dirigiu, executou, com a colaboração do actor Emilio de Marchi.

quarta-feira, setembro 24, 2008

esperando a vitória da ciência

Só hoje, algum tempo depois de ter ouvido a notícia da primeira avaria no LHC (Large Hadron Collider), o maior acelerador de partículas existente no mundo, que se estende por 27 quilómetros e existe com a colaboração de milhares de cientistas e o patrocínio do CERN, é que li a interessante crónica de Luís Fernando Veríssimo que não resisto a repassar, para que a possais ler.
É um investimento científico ímpar que permitirá chegar ao grau de conhecimento máximo na Física de Partículas e que talvez venha a permitir explicar os momentos antes do Big Bang, esclarecendo a existência da primeira partícula ou partícula divina.
Como em tudo, há sempre os Velhos do Restelo que, mesmo em questões científicas, levantam problemas e dúvidas que a maioria da comunidade científica não valoriza.
Ora, a crónica de Veríssimo é exactamente sobre isso. Mais actual não pode haver. Mais oportuna não podia ser, exactamente no dia em que algo não correu bem no sector do arrefecimento, a cargo de portugueses e com algum material de fabrico português (felizmente, parece não haver qualquer responsabilidade portuguesa, já que a causa terá sido eléctrica).

Espero que, mais uma vez, os Velhos do Restelo não tenham razão.

domingo, setembro 21, 2008

a imagem não é nada, senhores

Recebi e repasso este texto assinado por Herbert Vianna, cantor e compositor brasileiro, por me parecer razoavelmente escrito, cheio de humor e de razão e escrito num país que foi um dos berços do desenvolvimento imparável da cirurgia estética e, felizmente, também da cirurgia plástica reconstrutiva. Vale a pena ler.

Cirurgia? Lipoaspiração? Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião é dieta. Fé, só na estética. Ritual e malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido, é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só – pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o colectivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
O.K., eu também quero sentir-me bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.
Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.

Cuide bem do seu amor, seja ele quem for.

quinta-feira, setembro 18, 2008

quem salavará a ponte de trajano, em chaves?

Basta esta imagem para se perceber que a minha terra natal é linda e antiquíssima.
Esta ponte romana, chamada de Trajano, parece ser a ponte romana existente na Europa, com maior número de arcos (18).
Se repararem bem e se derem ao trabalho de contar os arcos visíveis na fotografia, logo concluirão que metade deles não se vêem. Se agora olharem e virem as fotografias que se seguem, logo perceberão que grande parte deles perderam visibilidade pela simples razão que foram construídas várias casas sobre eles.

Este crime não é de agora, mas remonta já ao século XIX e ainda ao XX. Posso dizer, por saber do que falo, que uma das casas (a segunda a contar da esquerda) na fotografia que se segue era propriedade e residência de meus pais e nela morreu meu pai, em 1974. A casa foi construída em 1898, em granito e tem um arco da ponte nos seus alicerces. Este arco era amplo e completo e servia de armazém para coisas várias, com entrada pela Rua do Rio.

Esta ponte merece bem que a libertem finalmente da carga que lhe colocaram em cima e do crime horrível de lhe terem amputado a sua beleza e grandiosidade com aquelas construções. Não basta, pois, transformá-la em ponte pedonal, como recentemente foi feito, mas é fundamental restitui-la à grandeza e imponência com que os romanos a fizeram.
Deve ser património da humanidade.
Lutemos nós, flavienses, mais todos aqueles que admiram o belo e respeitam a História, pela sua libertação.
As casas devem ser destruídas e a ponte deve renascer.
Honrem o nome, flavienses.

O milagre, hoje – uma visão desiludida e sarcástica, em três minutos

O facto de um dos temas do próximo congresso da UMEM (União Mundial dos Escritores Médicos), a realizar em Dresden, ser «o milagre», levou-me a pensar sobre ele e verificar qual o ponto da situação actual ou, como é comum dizer-se hoje, qual o «estado da arte» daquilo que o dicionário define como sendo o acto ou acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais, acontecimento formidável, estupendo, evento que provoca surpresa e admiração, tipo de drama medieval baseado na vida dos santos, qualquer indicação da participação divina na vida humana, indício dessa participação que se revela por uma alteração súbita e fora do comum das leis da natureza, objecto de madeira ou cera com reprodução de uma parte do corpo e oferecido aos santos em cumprimento de uma promessa, prodígio, maravilha, coisa prodigiosa, extraordinária …
Embora o trabalho que vou apresentar seja sobre o outro tema – a solidariedade – entendi que o ter pensado sobre o milagre me obriga, de certa maneira, a dar-vos conta dessa reflexão, pelas diferenças que encontrei ou me pareceram existir hoje e pela visão desiludida e sarcástica com que fiquei.
A primeira reflexão levou-me a pensar que o milagre «clássico» deixou de existir (salvo para aqueles que neles acreditam por devoção ou para a Congregação dos Santos que sobre eles se debruça e os analisa) e que passou a haver uma extraordinária inflação de milagrezinhos, no sentido do que provoca surpresa e admiração.
Actualmente, pode dizer-se que todos os dias há milagres, porque todos os dias alguém tem necessidade deles.
O milagre deixou de ser um acontecimento raro e fora do comum, só despertado por situações extremas que o justificassem, para passar a ser quase banal, tão banal que nem os telejornais o noticiam (mesmo sendo a especialidade desses jornais a banalidade).
Mas os milagres de hoje são muito diferentes, já não são o que eram (como aliás se passa com a maioria das coisas). Primeiro por já não serem de realização e decisão divina e terem passado a ser instrumentos do mais comum dos mortais.
Hoje, não é milagre dizer - «levanta-te e caminha» e assistir-se então à concretização dessa ordem divina, com o paralítico levantando-se e caminhando, manifestação contrária a qualquer teoria ou prática científica, mas manifesto sinal do poder divino.
Hoje o que é milagre, é muitos de nós chegarem ao fim do dia e dizerem – continuo vivo, apesar de tudo. Não fiz jogging, não fui ao ginásio, não tenho (nem posso ter) personal training, fitness é apenas uma palavra, não me resguardo de frio nem calor, só respiro poluição, como à pressa esse ignóbil manjar apelidado de fast food, sou pontapeado e escorraçado por uma série de supostos irmãos e amigos, em sentido figurado ou mesmo real.
Mas o que é prodigioso, extraordinário, ainda mais milagre, é chegar ao fim do dia e dizer – continuo a ter capacidade de amar, de me surpreender, de sonhar, de admirar, apesar de todas as contrariedades, da globalização, da uniformidade de formas, cores, gostos e funções, de tudo de que nos servimos e até daqueles outros humanos com que nos cruzamos ou convivemos de perto.
Hoje ninguém espera ver Deus a falar para o cego e a dizer-lhe simplesmente - «abre teus olhos e vê». E o cego abrir os olhos, fazer uma cara de espanto, olhar á volta como se sempre o tivesse feito, em todos os sentidos, devagar, logo depressa, logo devagar outra vez e gritar – obrigado, meu Deus, obrigado. E logo perguntando – Então o mundo é isto que eu vejo? E porque te não vejo a ti, meu Deus? Ou se te vejo, o que te distingue dos outros que estou vendo?
Hoje o que se espera é que um cientista, um investigador da grossa comunidade científica do mundo on line, mostre a sua cara na televisão e respondendo à pergunta do apresentador, diga simplesmente – hoje acabei com a cegueira.
Com o processo que eu e a minha equipa inventámos, todos, daqui em diante, verão todas as coisas e nas melhores condições. Que se cuidem pois os fabricantes de bengalas para cegos, os editores de livros em Braille, os treinadores de cães-guia. Reciclem-se, se não querem ir para o desemprego.
Aí o locutor dirá – confirma que, a partir de agora, todos os invisuais ou quase invisuais, passarão a ter uma visão completa?
Sim, confirmo. Isso, só não sucederá se os governos, míopes e mesquinhos como costumam ser, não abrirem os cordões às bolsas e não suportarem os altos custos do processo quase milagroso que inventei.
Está a tentar dizer-me que a situação encontrada para a resolução da cegueira é muito cara?
Estou a dizer-lhe que é cara para os necessitados, mas é perfeitamente suportável pelos ricos e por qualquer orçamento de um Estado que tenha um PIB decente. É isso que eu e os meus sócios esperamos.
Por certo, espera ganhar o Prémio Nobel deste ano?
Talvez seja justo que me seja concedido, mas se quer que lhe diga o que verdadeiramente espero e desejo, é que no próximo ano o meu nome já conste na lista da Forbes ou da Fortune…

quarta-feira, setembro 17, 2008

as músicas de meu pai (30)

Claudio Arrau, o famoso pianista chileno desaparecido em 1991, toca o 3.º andamento da Sonata op. 57, Apassionata , de Beethoven.
E fá-lo de forma magistral, apaixonada, num magnífico piano Steinway.
Penso que escolhi uma bela peça musical para encerrar «as músicas de meu pai». O número 30 não chega para eu colocar aqui todas as outras que conservo na memória, mas penso que estas trinta chegarão para vos dar uma ideia do universo musical de meu pai.

as músicas de meu pai (29)

Concerto para Violino e Orquestra D major Op.61 (Mov.1 Part.2), de Beethoven, numa magnífica interpretação da violinista Anne-Sophie Mutter e da Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan.
Hesitei entre esta interpretação e uma do celebrado Yehudi Menuhin. Apesar da categoria de Menuhin, optei por este encontro de gerações, entre o celebrado Karajan e a ainda jovem e bela Anne-Sophie. Tenho a certeza de que Menuhin aplaudiria vivamente esta magnífica interpretação que aqui vos deixo.


as músicas de meu pai (28)

Concerto para piano e orquestra em lá menor, Op.16 (I. Allegro molto moderato), de Edvard Grieg, interpretado pelo celebrado e recordado pianista Arthur Rubinstein e pela London Symphony Orchestra, dirigida por André Previn, em 1975.

quinta-feira, setembro 11, 2008

as músicas de meu pai (27)

Sinfonia n.º 9 ou do Novo Mundo, de Antonin Dvorak, interpretada pela Philharmoniker de Viena, dirigida por Herbert von Karajan.

quarta-feira, setembro 10, 2008

as músicas de meu pai (26)

Carmina Burana, de Carl Orff, executada pela orquestra e coro da Orquestra Nacional da BBC, em 1994, na Arena de Cardiff, para celebrar o 25.º aniversário de investidura do Príncipe de Gales.

as músicas de meu pai (25)

Gymnopédie n.º 1 de Eric Satie, interpretado por Ahmet Buyukkafali.

as músicas de meu pai (24)

Concerto in E Minor, para Violino e Orquestra, de Mendelssohn, interpretado por Anne Akiko Meyers e a Sinfónica de Hiroshima conduzida pelo Maestro Akiyama.

as músicas de meu pai (23)

Concerto para Piano e Orquestra No. 3 in C minor, de Beethoven, magistralmente interpretado por Artur Rubinstein e a Concertgebouw Orchestra, em Amsterdão, em Agosto de 1973.

as músicas de meu pai (22)

Uma bela interpretação da primeira parte da 9.ª Sinfonia de Ludwig von Beethoven, pela Filarmónica de Berlim, ainda dirigida por Herbert von Karajan.

sexta-feira, setembro 05, 2008

as músicas de meu pai (21)

Ouçam Placido Domingo e Teresa Stratas cantando a área do 1.º Acto da ópera La Traviata, de Verdi.

as músicas de meu pai (20)

Outra das primeiras canções que ouvi a meu pai e que correspondiam à sua fase brasileira, de paulista de palhinha e bengala

quinta-feira, setembro 04, 2008

as músicas de meu pai (19)

Encontrei hoje uma das primeiras músicas que ouvi a meu pai. Talvez a primeira de que tenho memória.

as músicas de meu pai (18)

Hoje é a vez de escutarmos o Intermezzo da ópera Cavalleria rusticana, de Pietro Mascagni. Gravada no Festival de Ravenna em 1996. Orquesta do Teatro Comunale di Bologna, dirigida por Riccardo Muti.