domingo, agosto 09, 2009
cantiga dos ais
sexta-feira, agosto 07, 2009
evolução das espécies, segundo os simpsons
quinta-feira, julho 30, 2009
de como o que se diz se transforma naquilo que nunca se pensou, nem disse
Porque Luís Fernando Veríssimo escreveu numa das suas últimas crónicas no Actual uma magnífica sátira sobre este novo risco, achei importante trazê-la ao conhecimento de quem não lê aquele suplemento do Expresso.
Leiam, divirtam-se e sintam-se felizes por não correrem tais riscos.
a gaveta dos manguitos
A qualidade da vida faz-se de coisas essenciais e de pequenos truques e estratagemas que, de uma forma simples e por vezes inocente, nos permitem libertar do peso dos dias, do magma negro da vida citadina.
Isto faz-me lembrar a sabedoria popular, os gestos e atitudes simples, de gente também simples que aposta na simplicidade o pleno do seu dia a dia. Mas também as atitudes mais elaboradas, de gente mais esclarecida, que aproveita a inteligência e o humor como escudo protector contra os misseis homem-homem que o fluir dos dias contra eles insistentemente disparam.
E, de uma forma natural, vem-me ao pensamento a gaveta dos manguitos de Vasco Santana. Homem de humor e do humor, por excelência, beneficiando ainda da carga divertida de seu peso, de seus cento e cem quilos bem medidos, soube aprender por si, que só se pode ser e viver feliz, quando se está livre do efeito desgastante das conversas que se não desejam, das companhias que se não pretendem ou reclamam, das palavras que não afinam pelo diapasão da nossa maneira de ser.
Por isso, ele percebeu que tinha que inventar a sua gaveta dos manguitos. E que gaveta era essa? Apenas uma gaveta vazia da sua secretária atafulhada, mas organizada, no seu camarim de teatro. Era a superior esquerda. Para que servia e qual era o seu truque, o seu estratagema? Quando chegava ao camarim, abria a gaveta, fazia vários manguitos e deixava-os entrar para dentro da gaveta vazia. Depois, fechava-a.
Quando, após o espectáculo, começavam a chegar as pessoas incómodas que o vinham martelar com perguntas e questões idiotas, a que ele não podia escapar, ele fazia um sorriso de beatitude, abria ligeiramente a gaveta e, enquanto conversava afavelmente, olhava para a gaveta e libertava-se a ver saírem disciplinadamente os manguitos que lá metera.
Com este pequeno truque, Vasco Santana conseguia sobreviver às conversas desinteressantes a que era forçado e sentia-se liberto do stress, podendo manter um sorriso que doutro modo, mesmo sendo actor, lhe seria impossível.
Quantos de nós terão a sua gaveta dos manguitos e a usarão para a sua sobrevivência emocional e física? Quantos de nós terão a capacidade de intuir a sua necessidade?
Já um dia escrevi sobre as gavetas da nossa vida, as gavetas da nossa alma. Compartimentar conhecimentos e emoções, vivências e mortes, alegrias e tristezas, parece ser uma posição radical de estreiteza mental, de empobrecimento determinado, de um viver baço e frio. Parece ser. Disse bem. Mas, não é. Porque ter gavetas, não significa que estejam fechadas, com segurança e código. Ter gavetas, é apenas ter gavetas.
Depois, se dirá ou discutirá como elas devem ser. Invioláveis? Estanques? Incomunicáveis? Ou, pelo contrário, abertas, semiabertas, entreabertas ou escancaradas? Com capacidade definida ou expansíveis e de capacidade inesgotável? A gaveta das emoções, a gaveta das recordações, a gaveta da ciência, a gaveta do amor ou dos amores, a gaveta dos nossos manguitos, a gaveta da estratégia, a gaveta da nossa defesa ou das nossas defesas, a gaveta da amizade, a gaveta do ódio ou da sua ausência, um sem fim de gavetas, que fazem da nossa mente um verdadeiro contador, a que só o próprio tem acesso.
Onde vou meter o pôr do sol que acabo de ver? Que foi e já não é? Em que gaveta? Naquela em que já vários sóis se estão a pôr ou numa outra em que fica apenas este que agora vi e que tenho que guardar para que não se perca, porque o vi agora enquanto escrevia o que estou a escrever, enquanto abri e fechei gavetas à velocidade dos meus pensamentos e de seu registo em memória e suas ligações?
Contudo, pensar em tal não me equipa com o poder de criar a minha gaveta dos manguitos. Uma coisa é saber da sua necessidade e de a saber minha e outra bem diferente é a capacidade de a construir, como quem abre uma nova file no computador. Não se trata só de criar a gaveta, mas de saber o que lá meter e de qual será o seu efeito.
O que é que mais alivia o meu espírito? Seja o que for, será isso o manguito da minha gaveta. E para mim será sempre a gaveta dos manguitos, porque foi esta que deu a partida para as outras.
É complicada a vida.
É complicado viver.
Simplicidade. Precisa-se.
terça-feira, julho 14, 2009
quando a tempestade é arte e divertimento
domingo, julho 12, 2009
children see, children do
sábado, julho 11, 2009
já é fim de semana .... finalmente ....

segunda-feira, julho 06, 2009
todos os cachorros são azuis
Morreu há dias, subitamente, com um enfarto do miocárdio, Rodrigo de Souza Leão, natural e residente no Rio de Janeiro. Tinha 44 anos e uma extensa obra literária, em prosa e poesia. O seu último livre, intitulado «Todos os cachorros são azuis» está em análise, entre 49 obras, pelo júri de um concurso literário português. Dizem os seus amigos, meus amigos brasileiros , que era um excelente amigo e uma personalidade ímpar. Grande escritor. Esquizofrénico.Cor azul
A mente esquizofrênica não funciona bem e boicota, sem os remédios, o tempo todo. Com remédios ficamos bem. Leves e tranqüilos para o mundo, que é muito bom. Fora as pessoas que não valem à pena, estas manter distância torna-se necessário. Positive Vibrations.
Thursday, June 25, 2009
TUDO É PEQUENOTudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana
O que é grande
É a arte
Há vida em marte
Sem título
Entendi o funcionamento do cérebro humano.
Um duplo sem fim
Algo diz sim e algo diz não
E vence sempre o sim
Se a mente for um cetim
MELHORA
Tudo é uma criação da mente
Um poema ou um poente
Tudo tem um forte sentido
Quando não se oprime o indivíduo
Alguém soletra uma distância
A distância separa os fatos
A verdade não é tão necessária
LOUCO
Já fui gordo. Já fui magro.
Já fui ego. Já fui id.
Já fui o que quis e o que não quis.
Já fui muito. Já fui pouco.
Hoje tenho a sensação
que não passei de um louco.
Saturday, June 20, 2009
A gente aprende a ser bom
O mau nasce (Junho, 21)
VIDA
A mim foi negado tudo.
Até o absurdo.
Monday, June 22, 2009
domingo, julho 05, 2009
sexta-feira, julho 03, 2009
ouviram?
quinta-feira, julho 02, 2009
para memória futura
domingo, junho 28, 2009
viva a música
Coloco deliberadamente dois vídeos, pois no primeiro em Itália, poderão ver gente de todas as classes sociais participar activamente no concerto e reparar que muitos deles conhecem bem o libretto e os textos operáticos. No segundo, um público talvez menos participativo, mas igualmente amante da música e conhecedor. O segundo vídeo foi filmado em Viena e vejam a beleza do enquadramento.
Ouçam, apreciem e não neguem que gostariam de ter estado em qualquer um destes concertos.
Há que investir na cultura.
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sexta-feira, junho 26, 2009
morreu michael jackson
quarta-feira, junho 24, 2009
o humor e a crítica
segunda-feira, junho 22, 2009
siga na faixa da direita
Mas, mais seguro mesmo, é viajar com a imaginação e as asas do pensamento, que como se sabe, não há machado que as corte. Nem a raiz...
domingo, junho 21, 2009
enquanto os robots não lêem
Gosto do progresso, da inovação. Mas olhando estes robots, veio-me à cabeça a sensação agradável que é esperar que os livros pedidos cheguem, enquanto vamos sendo envolvidos por aquele casulo meio uterino da sala de leitura e vamos aproveitando essa espera para pensar, escrever e, por fim, trocar algumas palavras ou dizer apenas obrigado a quem nos deposita os livros em cima da nossa mesa. Não há robot que nos dê esse prazer.
sexta-feira, junho 19, 2009
recordando charlot
fado
terça-feira, junho 16, 2009
ajuda e preconceito
sexta-feira, junho 12, 2009
nosotros, los mexicanos
Oiçam e escutem bem. Esta mensagem que aqui deixo deve ser ouvida continuadamente até ser subliminar.
quarta-feira, junho 10, 2009
terça-feira, junho 09, 2009
quando a genialidade é divertimento
quinta-feira, abril 23, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 23
Todos os pássaros, todos os pássaros
Asas abriam, erguiam cantos,
De Amor cantavam.
Todos os homens, todos os homens,
De almas abertas, de olhos erguidos,
De Amor cantavam.
José Gomes Ferreira
Assim foi, de facto, nesse dia.
Nesse e nos muitos que se lhe seguiram.
De almas abertas para todos quantos viam, para o vizinho para que nunca tinham olhado, para o empregado que os servia, para o patrão que já antes odiavam.
De olhos erguidos para a luz, para o sol da liberdade, depois dos anos chumbo da ditadura.
Mais do que a 25 de Abril, a catarse total de 1 de Maio. Na verdade todos de amor cantavam. Menos aqueles que apenas cantavam para não se ver o medo interior do acertar de contas possível. Quantos seriam ninguém sabe. A Revolução foi generosa e não houve acerto de contas.
Quem dera que ainda hoje cantássemos com o mesmo amor e de olhos erguidos.
Que saudades tenho de te ver, Zé Gomes, quase todos os fins de tarde a conversar com o Carlos de Oliveira no passeio da Praia da Vitória, frente à casa onde morava o Carlos.
Passado todo este tempo sobre aquele dia e sobre o vosso desaparecimento, acabados muito ideais, emboçados muitos sentimentos, vem-me à cabeça aquele teu verso ímpar – ah, se eu pudesse suicidar-me por seis meses -, que funcionaria como um despertar da esperança, de ao acordar tudo estar diferente.
E se estivesse, como olharíamos para nós por nada termos feito todo esse tempo?
CVR
sábado, abril 18, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 22
"Tenho pensamentos,
que se pudesse revelá-los
e fazê-los viver,
acrescentariam nova
luminosidade às estrelas,
nova beleza ao mundo
e maior amor ao
coração dos homens."
Fernando Pessoa
Tive tantos pensamentos ao longo da minha vida, e tão continuadamente constantes, que de tanto me parecerem fantásticos e singulares, nunca me permitiram exteriorizá-los e fazê-los viver, por receio do eco que me viria de quem os ficasse a conhecer.
Também por preguiça, é certo. Aquela preguiça que muitas vezes me faz pensar na má distribuição das coisas, das qualidades e defeitos que nos foram atribuídas.
Sei que alguns pensamentos, muitas ideias, me pareceram verdadeiramente boas e capazes, não de mudar o mundo, mas de mudar qualquer coisa nele. Como sei também que o trabalho que comportava pô-las em prática não foi compatível com a minha inércia ou preguiça para a sua concretização.
Vejo-me capaz de criar e incapaz de realizar. Mas sei que posso realizar e com esforço e continuidade, se não houver em jogo uma ideia secreta, ainda não provada.
E como eu gostava de levar mais amor ao coração dos homens …
CVR
sexta-feira, abril 10, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 21

Se
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Mas verifico honestamente que não. Qualquer pré-filtro, qualquer pré-julgamento, faz com que em mim as coisas sejam já avaliadas antes de serem coisas perante mim, quero dizer perante o “mim” interior. Coisas e sensações entram-me pelos olhos, pelos ouvidos, pelos cheiros, pelo gosto, pela pele, mas é no interior de mim, na central processadora de dados da mente que se faz a verdadeira avaliação, aquela que vai determinar da permanência delas dentro de mim, enquanto lembranças, enquanto memória, apenas despida ou recheada de informação complementar.
Eu sei que este mim, está sempre aberto às coisas e sensações vivas, mas sei também que nem todas se eternizam.
Digamos que tenho memórias vivas de muitas coisas que não consigo reconstruir, o que deveria significar que elas não foram verdadeiramente vivas. Mas foram. Sei que foram. Tão intensamente vivas que apesar da rapidez do processamento ainda deixaram vestígios que, pelos vistos, se mostram indestrutíveis.
Quem me dera que quando o desejasse, pudesse chamar a mim a totalidade dessas vivências, eternizadas, e pudesse voltar a senti-las da mesma forma, com a mesma intensidade, com o mesmo tempo. Seria talvez a melhor forma de me manter vivo.
CVR
sexta-feira, março 27, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 20

E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
Quando repararei eu no essencial e esquecerei o supérfluo?
Só então poderei dizer que eu sou apenas eu e o que outros vêem em mim é apenas o que os outros em mim vêem.
Mas sinto que há uma grande contradição naquilo que julgo. Pois tenho tido sempre para mim que o que vejo das coisas e das pessoas é sempre o essencial e provavelmente apenas tenho visto o que dispensaria ser visto.
Mas será que eu me tenho enganado tanto?
Quando digo que olho para uma pessoa e lhe tiro logo o retrato a cores, será que apenas fotografo o que podia dispensar?
Eu sou realmente eu ou apenas o que aparento ser? O que outros vêem em mim?
Eu sou o todo de mim – o que sou, mais o que aparento.
E provavelmente o que sou é o que aparento.
Ou aparento exactamente o que sou?
CVR
quinta-feira, março 19, 2009
parabéns, pai
crise. abençoada crise

Aliás, é disso que vos vou falar. Do que parece e não é. Refiro-me a este nosso País – Portugal.
Mesmo historicamente fomos sempre um arremedo de país, um parece mas não é. Mesmo na época áurea dos Descobrimentos, mesmo com Tordesilhas, parecíamos mas não éramos; parecia que dominávamos o mundo, mas, em boa verdade, só lá ficavam os padrões, os representantes reais e alguns senhores de escravos.
Tivemos recursos ilimitados à nossa disposição, materialmente de nossa posse, mas tal como agora, só alguns se aproveitavam, só alguns deles se apropriaram. O poder, esse, esbanjava.
Portugal foi ao mesmo tempo, berço de grandes homens, bem formados, sérios, íntegros, inteligentes, corajosos, patriotas, pouco parecidos com os demais. De alguns desses homens encarregou-se a Inquisição, seus laicos sucedâneos e os senhores de terras e de títulos.
Somos um país que parece uma coisa e é outra. Quem analisa apenas a nossa História
(e convém não esquecer que ela foi escrita por nós) ficará com a ideia que somos um país grandioso, com séculos de história, o mais velho país europeu com as mesmas fronteiras, que descobriu novos mundos em todos os continentes, metidos em cascas de noz, barricas de biscoitos e peixe seco.
Mas se formos nós a analisar-nos, com justeza, sem preconceitos ou clubismos, o que vemos? Como sai o nosso retrato?
Vemos um País com uma massa humana formidável, que quando se faz ao longe e ao fora, se mostra trabalhadora, inovadora, lutadora, esforçada, mas que quando regressa ou fica envolvida pelas nossas fronteiras, quando fica no redil, se transforma no seu contrário, no avesso daquilo que mostra e se faz rebanho.
De sérios passamos a trapaceiros, de rigorosos a facilitas, de trabalhadores a sornas, de íntegros a golpistas, de corajosos a cobardes e invejosos.
Comecei a escrever estas palavras, lembrando-me apenas da situação que estamos vivendo, desde que a crise mundial ou global se instalou.
Todos, penso que todos, saberão que a Crise é global, mas se nos ouvirmos, a crise é da responsabilidade do actual governo. Deste governo, ou simplificando, do Sócrates ou do Socras como muitos dizem.
Quer dizer que para nós, o responsável da Crise, é exactamente aquele que antes dela existir estava apostado em melhorar a situação de Portugal, reformando ou tentando reformar aquilo que precisava e continua precisando de reforma, recuperando e contendo o deficit e a inflação e o desemprego que governos anteriores não souberam combater, apesar de quase serem afogados pelo mar imenso dos euros de Bruxelas.
Não estou a defender este governo, nem a atacar os anteriores. Estou apenas a chamar os bois pelos seus nomes e a tentar analisar com clareza a situação actual.
À vossa possível pergunta – o Governo tem governado bem? – eu terei que responder – numas coisas sim, noutras não. Criticarei o pouco empenhamento em levar as reformas mais longe, em combater o fosso entre os escandalosamente ricos, a classe média e os pobres. Qual classe média? Ainda existe?
O governo tem feito muitas asneiras, tem sobretudo feito menos do que devia e se adivinhava que podia e queria.
E é aqui que está a diferença - pelo menos quiseram fazer, começaram a fazer, a enfrentar os poderosos, o corporativismo.
Começaram. É preciso que continuem e vão em frente.
Veio a crise, a tal que é global e os portugueses dizem que é culpa do governo.
Parem um pouco e pensem. Quantos de vós têm feito alguma coisa pelo País? Quantos de vós querem e exigem que seja o País a fazer tudo por vós?
Quantos de vós respeitam totalmente as vossas obrigações fiscais? Só não foge quem não pode. Quantos de vós não aplaudem a fraude, a cunha, a cópia fraudulenta, o excesso de velocidade, o desrespeito por leis, os subsídios da CEE desviados para outros fins? Quantos Audis em vez de tractores? Quantas piscinas em vez de bebedouros?
Por isso eu chamei a esta crónica “abençoada crise”. Porque sei que ela pode ser abençoada, se todos nós, face a ela, encararmos a nossa realidade, o nosso comportamento e passarmos a respeitar-nos uns aos outros, a ter consideração pelos melhores em vez de inveja, unirmos as mãos e os esforços para juntos levantarmos Portugal. Se todos entendermos de uma vez por todas que a arte do desenrascanço português é o nosso maior mal. Temos todos que passar a fazer o nosso melhor, pensando no bem de todos e não só no nosso.
Aproveitemos todos as lições da crise para aprender a sermos gente digna, merecedora de um País melhor.
Que nenhum de nós se queira rever nas figuras da crise, nos Maddoff’s e Costas vários e se sirva deles como exemplos do que não se deve ser, em vez de lá no fundo de cada um pensarmos que não nos importávamos de ter feito o mesmo, escapar a uma justiça que não funciona e vivermos o resto dos nossos dias à conta do que fraudulentamente adquirimos.
Que um dia possamos dizer – abençoada crise.
CVR
quinta-feira, março 05, 2009
as mil faces da mulher
Todos os artistas que as pintaram felicitariam quem assim as aproveitou.
Vale a pena ver e rever.
domingo, fevereiro 22, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 19
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Guardo as pedras ou as dores que elas me causam?
Ou sempre guardei umas e outras?
Sempre as guardei ou só agora o faço
Quando a vida se aproxima do fim?
Questiono-me se vale ou valeu a pena guardar as pedras
Com que faria os castelos a que tantas vezes me propus.
Nunca me neguei a ouvir um não
E não considero coragem fazê-lo.
Ter uma vida fácil, como foi a minha, tudo nos rouba.
Embota-nos o pensamento e os sentimentos,
Não se dá real valor a nada ou quase nada.
Mas o pior, é chegar ao fim e perguntar – o que andei cá a fazer?
E, no entanto, fui muito feliz poucas vezes
Angustiado não sei quantas,
Salvei vidas, despertei amores, desamores,
Ódios, invejas, incompreensão
E sempre encontrei meus oásis.
Ou simplesmente, miragens?
CVR
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
como se chegou à crise, assim dizendo ...
Este vídeo que aqui vos deixo, mostra com humor, um desses caminhos ou o mais importante deles.
A ganância e a ingenuidade de muitos e o desprezo e exploração de uns poucos por todos, um liberalismo quase selvagem e a falta de valores, aqui nos conduziram.
Penso que nenhum de vós se arrependerá de ver o vídeo com que vos deixo.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
uma palestra fora do comum
É seguramente uma lição de vida, como nenhum dos alunos da Universidade de Stanford terá tido durante o curso. E será talvez aquela que mais recordarão desde esse dia. Curiosamente proferida por um não universitário.
Vale a pena ouvir e pensar. (Vejam os dois vídeos, porque a palestra está dividida).
sexta-feira, janeiro 30, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 18

Analisando-me à tarde, descubro que o meu sistema de estilo assenta em dois princípios, e imediatamente, à boa maneira dos bons clássicos, erijo esses dois princípios em fundamentos gerais de todo estilo: dizer o que se sente exactamente como se sente - claramente, se é claro; obscuramente, se é obscuro; confusamente, se é confuso -; compreender que a gramática é um instrumento, e não uma lei.
Gosto mais de sentir ou meditar? Será que o posso responder claramente? Sinto-me como um ser sensorial e sensível, que gosta de meditar, mas que o faz não com as regras do pensamento, mas com as regras com que escrevo – confusamente.
Certo é que quer sinta quer medite, o faço com as minhas regras, com a intensidade com que sei, com o abandono com que recebo e sinto – seja a sensação, seja o que medito.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 17

Fernando Pessoa
Há sempre um pequeno degrau a subir ou a descer, entre a vida real e o real que ela me transmite ou me permite prever.
É qualquer coisa de indefinível, qualquer coisa de faz de conta, que baralha a realidade, as realidades da realidade. Comigo, o que se passa é que nunca posso afirmar, ter a certeza de que a vida é isto ou aquilo, qualquer coisa definível, mas antes qualquer coisa de incerto, que me parece ser assim como a penso, mas se vem a verificar ser o seu contrário.
A vida é difícil de viver. Imagine-se como será por quem a vê assim ou por quem dela apenas esta visão lhe é consentida.
As voltas que eu lhe daria se pudesse deitar-lhe a mão!
CVR
quarta-feira, janeiro 28, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 16

É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nós desejável. O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter.
Fernando Pessoa
Com facilidade se confunde o que é necessário e o que é desejável. Tudo depende da força do desejo. Pode desejar-se tão intensamente, de uma forma tão constante e aparentemente real, que a dado momento não é desejo que se sente, mas a fome intensa e necessária, daquilo que o não é, nem nunca será. Tudo formas de sentir e intensidade de sentimentos. É precisar duma inutilidade, como de pão para a boca. É acreditar que se vai ter a lua, mesmo sabendo que aqueles que já a pisaram, só amostras trouxeram dela. E mesmo que essa realidade esteja presente, há alguma coisa melhor do que acreditar, não o fazendo, naquilo que sabemos inacessível, mas tão profundamente desejamos?
Toda a vida quis a lua e sempre me contentei em olhar para ela, esperar os seus ciclos, passear na lua cheia, sorrir para ela, confessar-lhe coisas secretas e acreditar que ela me ouve, me entende e vela por mim?
Há o necessário e há o desejável. Qual deles o mais necessário?
CVR
sexta-feira, janeiro 23, 2009
ensino ou comunicação?
Penso que qualquer pessoa se emociona com a beleza do espectáculo que aqui vos deixo. Mete impressão ver até que ponto se pode levar a comunicação entre treinador e treinados. Até que ponto pode ir a liderança. Os cavalos fazem o que o treinador lhes manda ou comungam com ele do prazer do espectáculo? Tudo se passa na região da Camarga e apenas sei que o equitador se chama Lorenzo. Vejam e revejam as vezes que vos apetecer.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 15

Olho, como numa extensão ao sol que rompe nuvens, a minha vida passada; e noto, com um pasmo metafísico, como todos os meus gestos mais certos, as minhas ideias mais claras, e os meus propósitos mais lógicos, não foram, afinal, mais que bebedeira nata, loucura natural, grande desconhecimento. Nem sequer representei. Representaram-me. Fui, não o actor, mas os gestos dele.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 14

segunda-feira, janeiro 19, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 13

...Pertenço porém àquela espécie de homens
que estão sempre na margem daquilo a que
pertencem, nem vêem só a multidão de que
são, senão também os grandes espaços que há
ao lado.
Fernando Pessoa
Estou sempre por dentro de tudo e espantem-se senhores,
Por fora de tudo me encontro sempre.
Ninguém, como eu, assim o consegue.
Participante, por dentro e no dentro, de tanto facto, tanta ideia,
Que consiga estar tão historicamente fora, de tudo e de todos.
Incapacidade de líder, ou deste só a ideia e o arrancar da acção?
Aos outros, louros e proveitos e proventos.
Para mim, quanto muito a culpa, se a houver.
E o consolo de ver os grandes espaços ao lado
E, se possível, ver um pouco para além deles.
CVR
domingo, janeiro 18, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 12

Tantas caras curiosas! Todas as caras são curiosas
E nada traz tanta religiosidade como olhar muito para gente.
Fernando Pessoa
Só as caras do povo me impressionam.
Só nelas rugas e marcas são marcas e rugas. E a dor é dor.
Cara do povo, cara de gente.
Gosto de caras, a preto e branco. Preto no branco.
CVR
sábado, janeiro 17, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 11
sexta-feira, janeiro 16, 2009
mercado de escravos
Custa a acreditar que há menos de 40 anos ainda se fazia esta contratação de mão de obra diária, para estivadores, trabalhadores rurais e outras profissões menos diferenciadas e, por isso, mais exploradas.
Será que vai chegar mesmo o dia em que esta escravatura volta, mesmo para os mais diferenciados?
Não dá para sorrir, só dá para pensar.
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 10

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantos mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
Onde se chega sem sofrimento, sem dor?
O céu estará no fim duma prova de fogo de privações e dores?
Sim ou não, outros o saberão.
Mas, sempre há que passar além da dor
e todos temos nossos Bojadores a passar.
Para que seja nosso, nosso mar.
Aquele que queremos navegar, agora, hoje, depois.
Aquele em que queremos navegar hoje e sempre.
As lágrimas são o tempero das emoções.
Seu vinagre, seu sal. Por isso, meus olhos ardem...
CVR
quinta-feira, janeiro 15, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 9
Se eu estiver morto depois de amanhã, a trovoada de depois de amanhã
Será outra trovoada do que seria se eu não tivesse morrido.
Bem sei que a trovoada não cai na minha vista,
Mas se eu não estiver no mundo,
O mundo será diferente --
Haverá eu a menos --
E a trovoada cairá num mundo diferente e não será a mesma trovoada.
Fernando Pessoa
Quem sabe se nem ao fim destas linhas chegarei?
Insegurança do destino que me amachuca, me domina.
Porque não temos validade, como as coisas?
Como máquinas, temos peças e sistemas.
Somos pessoas, não coisas, eu sei.
Onde está a garantia de nossas peças e sistemas?
Porquê Deus, ao escrever Made in Hell, se esquece do principal?
Quem baliza nosso mal estar, nossa angústia?
Continuariam a marcar amargamente nossas vidas
se tivéssemos prazo de validade?
E se tivéssemos controle de qualidade?
Quantos de nós não viveriam?
Quantos seriam lançados em vidas de saldos?
Teria eu chegado ao fim destas linhas?
CVR
quarta-feira, janeiro 14, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 8

Bem sei: a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol, aos outros, que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros -- isso tenho eu em mim.
Fernando Pessoa
Névoas, chuvas, escuros, isso tudo tenho em mim.
E sol e trovoadas e aguaceiros e humidade agressiva
e chuva miudinha, de modorra, cansativa e chateante .
Um catavento e um arco-iris, tormentas e primaveras
tudo isso eu tenho em mim. E, o tempo? Que tem comigo?
Que transforma meu olhar em sol, minha boca em nascente,
minha palavra em leite?
Eu, ou tu -- outros?
E, quem faz de meus olhos víboras, de minha boca máscara,
de minhas palavras espadas --gumes?
Eu, ou tu -- outros?
Até a penumbra é linda, elegante, suportável.
Mas nada como a claridade que de nós se desprende,
quando se desprende...
CVR
segunda-feira, janeiro 12, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 7

Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.
Fernando Pessoa
Rio muitas vezes até às lágrimas.
O que nada tem a ver com rir como quem chora
Ou com o rir para não chorar.
Tudo coisas diferentes ou formas diferentes da mesma coisa.
Do que eu gostava mesmo era de rir por rir
Rir em estado puro, não contaminado.
Nem pelas adjacências de outros sentimentos.
Riso claro, espontâneo, verdadeiro, cristalino.
Quebrável...
CVR
domingo, janeiro 11, 2009
o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 6
O diário de Amiel doeu-me sempre por minha causa.
Quando cheguei àquele ponto em que ele diz
que sobre ele desceu o fruto do espírito como
sendo a ''consciência da consciência '' (...) senti
uma referência directa à minha alma.
Fernando Pessoa
Tenho muitas vezes consciência da minha consciência.
É o subconsciente quem mo diz.
Que inconsciente que isto parece.
Subconsciente. Matriz de tudo.
Código do ser e do estar na vida.
O que está lá, está lá. Acredite-se ou não em Freud.
Por mim tanto me faz, que Freud tenha ou não razão.
Agrada-me isso sim é saber, é sentir que
Tenho consciência mesmo quando sou inconsciente.
CVR





