Uma escrita feita em sobressaltos, feita à medida que me sento e tenho papel ou tecla para premir. Uma escrita que é feita de vivências, factos, interrogações, alegrias, dores, obrigações, prazer. Uma escrita de necessidade. Uma escrita para respirar.
Nunca é demais ouvir-se a área "Va Pensiero Sull´ali Dorate" do Nabuco de Verdi, sobretudo em versões como esta da Metropolitan Opera House, dirigida por James Levine, em 2001. São apenas cinco minutos, no fim dos quais, garantidamente, gostávamos de continuar. Para mim foi um prazer.
É no mínimo surpreendente encontrar uma interpretação das Czardas de Monti pela Orquestra Sinfónica de Kiel, tendo como solista Geert Chatrou tocando um instrumento pouco usual em concertos, mas talvez o mais tocado no mundo, pois talvez se possa dizer que não existe nenhum homem que não o toque com frequência - o assobio. Por mim, posso dizer que sou um praticante frequente e cheguei a ser quase perfeito, até que a idade me foi levando alguns dentes e a cavidade bucal tomou outras formas. Mesmo assim, de quando em quando, ouço-me a interpretar músicas preferidas e sinto-me feliz, mesmo quando uma fífia me lembra que o tempo está a passar depressa demais.
Mais uma das magníficas palestras TED talks. A escritora nigeriana Chimamanda Adichie («Half of a Yellow Sun», «Purple Hibiscus») ao longo dum discurso bem construído, mostra claramente o perigo da «história única» ou do juízo mal fundamentado. Merece bem a vossa atenção, mesmo demorando o tempo da palestra.
«Nuvens … Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma, fazendo versos em prosa às sensações intransmissíveis com que torno o universo incógnito. Estou farto de mim objectiva e subjectivamente. Estou farto de tudo e do tudo de tudo o resto. Nuvens …»
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Porquê não me revendo eu no que agora li, fico com a dúvida se fui eu quem o escreveu? Vejamos, por partes. «Interrogo-me e desconheço-me»? Não é verdade minha. Primeiro porque costumo repetir à exaustão (penso que para me convencer) que não sou homem de me interrogar. Segundo – porque sendo verdade que me desconheço, conheço-me bem de mais para me aceitar assim e por isso, só tenho que desconhecer-me para não atentar contra mim. Sim, isso é verdade, tenho gasto toda a vida que não perdi e não só parte dela, a fazer tudo que é coisa nenhuma, como depois se vê. Mas, sobretudo, estou farto de mim objectiva e subjectivamente. Objectivamente, desde sempre, subjectivamente há não muito tempo, mas de tal forma que o que parece pouco é quase tudo. Estou farto de tudo e só agora começo a perceber que o que me fazia correr, não merecia nem valia um chavo. Talvez por isso, e só por isso, passei a vida a pensar que não era homem de me interrogar. CVR
É um vídeo longo pois comporta todo um discurso que Isabel Allende fez nos afamados TED Talks abarcando o tema das mulheres, do feminismo e da paixão. Merece que a ouçamos os 17 minutos que demora o discurso, mesmo que algumas vezes não estejamos de acordo ou preferíssemos que se tivesse expressado doutra forma. Mas não é por isso que deixa de ser um interessante e válido testemunho. Quem quiser ouvir em português pode seleccionar a nossa língua nos subtitles.
Apreciem um artista russo a desenhar uma mulher reclinada, numa perspectiva única. Normalmente olha-se uma mulher e fica-se com uma ideia. Atenta-se nos olhos e o conhecimento dela aumenta. Sente-se a pele, o toque da mão e apreende-se um pouco mais. Observam-se as reacções e começa a ter cada vez mais forma. De passo em passo, chega-se mesmo a saber por quê e por quem bate o coração. Mas, continua a pouco se conhecer da sua alma. É muito difícil chegar lá e interpretá-la. Permanece qualquer coisa de enigmático que poucos poderão um dia traduzir, tal e qual o que neste momento me sucede com o nome do desenhador e o título que deu à sua obra e que aqui deixo para quem possa ir mais longe do que eu - Виртуальные открытки II - "Просмотр Открытки". O desenho é magnífico, mas incompleto. Desenhou apenas quase tudo...
Lamento que o recuperador deste vídeo não tenha tido o cuidado de ver que lhe colocou um título e logo a seguir lhe inverteu o sentido. De qualquer modo, mesmo com erro, obrigado por tê-lo colocado no youtube.
Recebi este ovo da Páscoa do meu colega e amigo José Dias Egipto. Foi imperioso que o compartilhasse convosco. Aqui fica para vosso deleite e reflexão.
Páscoas
Que é feito da cidade branca, esse tesouro, prometido há mais de dois mil anos pelos Homens de ouro que esfarrapados bebiam o fel dos poderosos?
Quem voltará a transmutar esses metais ignóbeis, esses homens esboços, essa ignorância ancestral e gorda que jaz ainda sobre os destroços de todas as religiões?
Mortos na vida reinam ainda, lobos matreiros, sobre a cidade desvirtuada e os seus saberes são passageiros e o seu poder cheira a sangue imaculado.
Cegos permanecem, de tal sorte, que não vêem a cidade branca iluminada, concreta e habitada pelos que hão-de estar vivos na morte.
Quem lhes pode explicar que o que interessa, simplesmente, não é o saber sempre mais que se gabe, mas tão-somente o Viver, apenas, o que se sabe!
As deficiências ou as mortes resultantes dos acidentes de viação, representam valores tão elevados que não podem deixar de preocupar os governos e os cidadãos que, frequentemente, se organizam em associações para combater a sinistralidade e levarem à adopção de medidas preventivas. É por isso que hoje vos deixo dois vídeos, o primeiro dos quais um pouco pesado, a merecer bolinha no canto superior direito, mas bem feito e espero que eficaz e um segundo mais leve e que apela para o melhor de nós. Vejam, meditem e divulguem.
Não aderi nem frequento o Facebook, apesar dos vários convites que tenho tido de amigos meus e outros conhecidos. Não sei porquê nunca me vi a criar uma nova obrigação, quando tudo que agora desejo é só fazer aquilo que me apetece e me dá na «mona». Hoje recebi este vídeo enviado por um amigo que me envia com regularidade vídeos interessantes. Este é uma espécie de aviso e reflexão sobre o Facebook e dizem-me ser sério. Pediram-me que o repasse, razão porque hoje aqui o deixo para vocês. Não o encarem como a Verdade, mas pensem e julguem.
Todos os dias aprendemos, todos os dias temos oportunidade de ver o mundo com outros olhos. A ciência não para de se desenvolver e de nos admirar com o que com ela se pode fazer ou muito simplesmente, como é este o caso, de nos mostrar um outro aspecto da realidade. A realidade até onde se pode ir. Hoje. Como será amanhã? Vejam uma gota a cair, fotografada a 2000 imagens por segundo. Vejam o poder da tensão superficial.
Hoje é o teu dia, pai. Continuo a dizer o que sempre disse - só tiveste um defeito. Morreste cedo de mais. Aqui fica o meu obrigado e a minha homenagem.
Num estilo intimista e numa pose muito diferente do Elvis the pelvis, podemos recordar o rei do rock Elvis Presley cantando «Blue Christmas», em 1968. O que não é de 68 é podermos ouvir conjuntamente a voz de Martina McBride que com dois anos de idade assistiu a esse concerto de Natal, intitulado «Santa Klaus is back in town». Este remaster foi feito em 2008, nos 42 anos de Martina.
Este vídeo só valoriza a importância da carga genética dos portugueses!!! Depois de verem perceberão que depois de ver o esvaziamento sofrido, deixamos pelo menos aquilo que não deixou de ser nosso.
Fiquei surpreendido com a carga genética que os portugueses foram deixando por todo o mundo. Por isso me entristece ainda mais assistir ao que hoje somos, ao estado em que estamos. Devo ter acordado mal disposto ...
Ainda estamos a tempo de evitar que os nossos filhos e netos nos venham a acusar. Ainda estamos a tempo. Mas será que queremos? Será que podemos? Muitos de nós, adultos responsáveis, poderão, mas não querem. O grosso de nós quererá, mas não pode. Será que ainda estamos a tempo? Que cada um de nós descubra o caminho para que juntos, consigamos.
Parabéns mulher. Parabéns mulheres. No dia em que se comemoram 100 anos da criação do Dia Internacional da Mulher parece-me bem recordar as razões e a história da sua criação. Embora não considere este vídeo perfeito, penso que dá, apesar de tudo, uma ideia aproximada da história deste dia. Aqui fica a minha homenagem.
A última crónica escrita por José Manuel dos Santos no suplemento do Expresso - Actual, de ontem, dia 6 de Março, na sua coluna «impressão digital», merece ser lida por todos. Porque nem todos lerão aquele jornal resolvi colocar aqui esta imperdível crónica para aumentar o número dos seus possíveis leitores. O tema das escutas deve ser um dos que há mais tempo se mantém na crista da onda mediática e não há jornal ou pasquim que a ele não se refira continuadamente com todos os pormenores, deixando de ser tema para ser folhetim. Isto seria uma razão para não trazer este tema ao blog. Contudo é esta a primeira vez que eu leio uma crónica que analisa as escutas numa vertente sábia e definitiva. Não trata do folhetim, mas das suas razões e finalidade. Para ler e meditar.
Se não conseguir ler mesmo ampliado, imprima e leia porque vale a pena.
O Concerto Triplo para Piano, Violino e Violoncelo em Dó Maior, Opus 56 de Beethoven, foi composto entre 1804 e 1805, período em que escreveu também a 3.ª Sinfonia e a Sonata Appassionata e foi escrito para o Arquiduque Rodolfo. Não é considerado uma das obras-primas de Beethoven, mas é lindíssimo. Para além disso é inovador, ao integrar um trio de solistas, em que o violoncelo ocupa o papel principal (talvez porque Beethoven não compôs nenhum concerto para violoncelo). Tem três andamentos - allegro, largo e rondó alla polacca. No primeiro andamento, o mais longo e talvez o mais envolvente, está presente a melodia mais difundida do concerto. Porque se trata de um belo concerto e com história penso ser interessante apresentá-lo em três versões distintas, consoante a época e os solistas. No mais antigo vamos ter oportunidade de ouvir três intérpretes de excepção - David Oistrakh (violino), Mstislav Rostropovich (violoncelo) e Sviatoslav Richter (piano) com a Orquestra Filarmónica de Moscovo, dirigida por Kyril Kondrachin, no concerto do 50.º aniversário desta orquestra, em 1970.
Outra parte do triplo concerto, agora interpretado por Daniel Barenboim (piano), Itzhak Perlman (violino) e Yo-Yo Ma (violoncelo). (Part 3)
E por fim a interpretação mais recente, pela Orquestra Juvenil Simon Bolivar, da Venezuela, dirigida por Gustavo Dudamel e os solistas Martha Argerich (Piano), Renaud Capuçon (Violino) e Gautier Capuçon (Violoncelo), em 29 de Agosto de 2008, durante o Festival de Salzburgo (Große Festspielhaus).
Ouçam e comparem as diferentes interpretações e não se esqueçam de ver em ecrã total.
Nunca me canso de sonhar. Ainda acredito que um dia isto se possa passar no meu país. Já houve tempo em que as Bandas faziam concertos nos jardins e o povo gostava. Hoje as Bandas que ainda resistem tocam em datas oficiais, desfilam nas ruas, o povo continua a gostar, mas sabe-lhes a pouco. Mesmo assim repito - nunca me canso de sonhar.