domingo, junho 06, 2010

fuá na casa do cabral

Uma das coisas que me impressionam nas minhas idas ao Brasil, é sentir a forte influência deixada pelos portugueses e os conhecimentos que os brasileiros têm da nossa História, sobretudo naquilo em que ela nos liga a eles. Outra coisa de que gosto é de um bom «romance de cordel» (que ainda hoje se vão encontrando) e de assistir à exibição de cantores repentistas no Nordeste.
Ontem chegou-me às mãos este forró intitulado Fuá (mexerico) na casa do Cabral, tocado no Palace de S. Paulo, num dos Concertos Heineken, por Mestre Ambrósio Siba na rabeca, violão, guitarra e vocal, Helder Vasconcelos no fole de 8 baixos, percussão e vocal, Mazinho Lima no baixo, triângulo e vocal, Maurício Alves na percussão e Eder Rocha na percussão.
A qualidade do som não é a melhor, perdendo-se algumas das palavras. Mesmo assim, vale a pena.

quarta-feira, junho 02, 2010

uma visão da ajuda à grécia

Embora este Daniel Cohn-Bendit seja uma espécie de clone do que conhecemos no Maio de 68, vale a pena, como portugueses, escutar a forma como ele apresentou e chamou a hipócrita ajuda da UE à Grécia. Entre os ouvintes destaca-se Durão Barroso.

sexta-feira, maio 21, 2010

comprar, comprar, comprar ... afundar, afundar, afundar ...

É um vídeo bem feito e explicando bem o mundo actual.
Tem dois defeitos - a duração e a voz pouco agradável da apresentadora.
Feitos estes comentários, fica convosco a decisão de o ver ou não.

domingo, maio 16, 2010

as irmãs ross

Um curto vídeo 3 em 1, em que as Ross Sisters (Aggie, Maggie e Elmira) no filme Broadway Rhythm de 1944, nos presenteiam com canto, dança e contorcionismo aparentemente impossível para seres humanos. Trata-se de uma cópia melhorada e dura escassos três minutos. Espreitem ... este tesourinho ...

sexta-feira, maio 14, 2010

à consideração do governo

Depois das recentes decisões do Governo sobre as medidas necessárias à tentativa de resolução da grave situação financeira que o país atravessa, verifico que a maioria dessas medidas estava contemplada no Manual de Instruções para um País, que Ricardo Costa publicou recentemente no Expresso.
Porque algumas medidas ali definidas e que me parecem correctas e desejáveis, não foram ainda contempladas, resolvi publicá-las neste blogue com a esperança que alguém as leia e possa tomar em conta.

quinta-feira, maio 13, 2010

seremos mesmo assim?

Ou estou cada vez mais preguiçoso ou deparo cada vez mais com textos que parecem merecer ampla difusão. Se antigamente só colocava neste blogue textos meus agora, de quando em quando, coloco outros de que fui leitor e apreciei. Aqui está mais um desses textos, publicado na Única de 10 de Abril passado e da autoria de Clara Ferreira Alves.

terça-feira, maio 11, 2010

criancinhas ...


Parece não haver dúvidas de que a maioria dos pais se demitiu da sua acção formadora e educativa permitindo que os seus filhos se venham a transformar em seres despidos de educação e valores. Esses pais perderam a força, o respeito dos filhos e, desse modo, os filhos. Penso que este texto publicado na Visão, intitulado «A Devida Comédia», da autoria de Miguel Carvalho, ilustra bem a deseducação hoje bem visível e audível no nosso dia a dia e nos telejornais diários. Aqui transcrevo o texto, para reflexão.



A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta
metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

sábado, maio 08, 2010

ontem, como hoje, como sempre ...

A sabedoria não tem data. A memória persegue-nos. O esquecimento é imperdoável.

terça-feira, maio 04, 2010

um lembrete

Não há ninguém que não saiba e, muito mais, que não sinta, que a vida é curta, mesmo quando ela começa a ser um pouco mais longa do que era quando nascemos. Mas, apesar disso, poucos pensam claramente no que devem fazer com ela e como a devem aproveitar.
A escolha é individual, mas há opiniões que devem ser ouvidas, por serem formuladas por pessoas com sabedoria e lucidez, como o Dalai Lama.


segunda-feira, maio 03, 2010

para quem gosta de jazz

Em 1985, Steven Spielberg realizou o magnífico filme «The Color Purple», onde conta a história passada numa pequena cidade da Georgia, da adolescente Celie, violentada pelo próprio pai, de quem tem duas crianças. Separada imediatamente dos filhos, Celie é doada a Mister que a trata como companheira e escrava ao mesmo tempo. Cada vez mais calada e solitária, Celie passa a compartilhar a sua tristeza escrevendo cartas, primeiro a Deus e depois à irmã Nettie, missionária em África. Mas é quando ouve cantar Miss Celie's Blues que ela começa a revelar o seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu próprio valor.
Deixo-vos com a voz de Tata Vega cantando Miss Celie's Blues nesse magnífico filme e no segundo vídeo (e 25 anos depois) podem ouvir o mesmo blue e a mesma cantora, em Março de 2009 no Club Nefertiti, em Gothenburg (Suécia).



quarta-feira, abril 28, 2010

nunca é demais insistir

Já algumas vezes tenho publicado vídeos sobre prevenção rodoviária. Mas todos sabemos que a reacção mais normal da maioria das pessoas é ficar impressionada com o que vê, mas rapidamente esquecer o que viu. Talvez por isso a prevenção é cada vez mais agressiva, incorporando imagens chocantes numa tentativa de obter mais efeito residual. Porque a prevenção continua a ser muito precisa e acreditando no efeito das imagens subliminares, deixo hoje mais um vídeo chocante e espero que eficaz, na esperança de que algo do seu horror se mantenha subliminarmente e possa vir cumprir a sua missão preventiva.

terça-feira, abril 20, 2010

dignidade e determinação

Mesmo que este vídeo não atinja todos que o virem, tenho a certeza que tocará profundamente alguns de vocês. Reparem na assistência e verifiquem como isto é uma verdade. Cada vez precisamos mais de bons exemplos de coragem, dignidade, determinação. Vejam e deixem-se tocar pelo exemplo.

domingo, abril 18, 2010

va pensiero, uma vez mais

Nunca é demais ouvir-se a área "Va Pensiero Sull´ali Dorate" do Nabuco de Verdi, sobretudo em versões como esta da Metropolitan Opera House, dirigida por James Levine, em 2001.
São apenas cinco minutos, no fim dos quais, garantidamente, gostávamos de continuar.
Para mim foi um prazer.

ler, ler, cada vez mais

Gosto da publicidade quando ela é inteligente, criativa e visa bons produtos. Este é um dos casos.
Espero que gostem, como eu gostei.

sábado, abril 17, 2010

há sempre quem assobie melhor do que nós

É no mínimo surpreendente encontrar uma interpretação das Czardas de Monti pela Orquestra Sinfónica de Kiel, tendo como solista Geert Chatrou tocando um instrumento pouco usual em concertos, mas talvez o mais tocado no mundo, pois talvez se possa dizer que não existe nenhum homem que não o toque com frequência - o assobio.
Por mim, posso dizer que sou um praticante frequente e cheguei a ser quase perfeito, até que a idade me foi levando alguns dentes e a cavidade bucal tomou outras formas. Mesmo assim, de quando em quando, ouço-me a interpretar músicas preferidas e sinto-me feliz, mesmo quando uma fífia me lembra que o tempo está a passar depressa demais.

uma boa e útil lição

Mais uma das magníficas palestras TED talks. A escritora nigeriana Chimamanda Adichie («Half of a Yellow Sun», «Purple Hibiscus») ao longo dum discurso bem construído, mostra claramente o perigo da «história única» ou do juízo mal fundamentado. Merece bem a vossa atenção, mesmo demorando o tempo da palestra.

quarta-feira, abril 14, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 29


«Nuvens … Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma, fazendo versos em prosa às sensações intransmissíveis com que torno o universo incógnito. Estou farto de mim objectiva e subjectivamente. Estou farto de tudo e do tudo de tudo o resto. Nuvens …»
Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Porquê não me revendo eu no que agora li, fico com a dúvida se fui eu quem o escreveu? Vejamos, por partes. «Interrogo-me e desconheço-me»? Não é verdade minha. Primeiro porque costumo repetir à exaustão (penso que para me convencer) que não sou homem de me interrogar. Segundo – porque sendo verdade que me desconheço, conheço-me bem de mais para me aceitar assim e por isso, só tenho que desconhecer-me para não atentar contra mim.
Sim, isso é verdade, tenho gasto toda a vida que não perdi e não só parte dela, a fazer tudo que é coisa nenhuma, como depois se vê.
Mas, sobretudo, estou farto de mim objectiva e subjectivamente. Objectivamente, desde sempre, subjectivamente há não muito tempo, mas de tal forma que o que parece pouco é quase tudo.
Estou farto de tudo e só agora começo a perceber que o que me fazia correr, não merecia nem valia um chavo. Talvez por isso, e só por isso, passei a vida a pensar que não era homem de me interrogar.
CVR

quinta-feira, abril 08, 2010

discurso sobre a paixão e o feminismo

É um vídeo longo pois comporta todo um discurso que Isabel Allende fez nos afamados TED Talks abarcando o tema das mulheres, do feminismo e da paixão. Merece que a ouçamos os 17 minutos que demora o discurso, mesmo que algumas vezes não estejamos de acordo ou preferíssemos que se tivesse expressado doutra forma. Mas não é por isso que deixa de ser um interessante e válido testemunho. Quem quiser ouvir em português pode seleccionar a nossa língua nos subtitles.

segunda-feira, abril 05, 2010

um desenho quase completo

Apreciem um artista russo a desenhar uma mulher reclinada, numa perspectiva única. Normalmente olha-se uma mulher e fica-se com uma ideia. Atenta-se nos olhos e o conhecimento dela aumenta. Sente-se a pele, o toque da mão e apreende-se um pouco mais. Observam-se as reacções e começa a ter cada vez mais forma. De passo em passo, chega-se mesmo a saber por quê e por quem bate o coração. Mas, continua a pouco se conhecer da sua alma. É muito difícil chegar lá e interpretá-la. Permanece qualquer coisa de enigmático que poucos poderão um dia traduzir, tal e qual o que neste momento me sucede com o nome do desenhador e o título que deu à sua obra e que aqui deixo para quem possa ir mais longe do que eu - Виртуальные открытки II - "Просмотр Открытки".
O desenho é magnífico, mas incompleto. Desenhou apenas quase tudo...



Lamento que o recuperador deste vídeo não tenha tido o cuidado de ver que lhe colocou um título e logo a seguir lhe inverteu o sentido. De qualquer modo, mesmo com erro, obrigado por tê-lo colocado no youtube.

sábado, abril 03, 2010

páscoas

Recebi este ovo da Páscoa do meu colega e amigo José Dias Egipto. Foi imperioso que o compartilhasse convosco. Aqui fica para vosso deleite e reflexão.



Páscoas


Que é feito da cidade branca,
esse tesouro,
prometido há mais de dois mil anos
pelos Homens de ouro
que esfarrapados bebiam o fel dos poderosos?


Quem voltará a transmutar esses metais ignóbeis,
esses homens esboços,
essa ignorância ancestral e gorda
que jaz ainda sobre os destroços
de todas as religiões?


Mortos na vida reinam ainda,
lobos matreiros,
sobre a cidade desvirtuada
e os seus saberes são passageiros
e o seu poder cheira a sangue imaculado.


Cegos permanecem, de tal sorte,
que não vêem
a cidade branca iluminada,
concreta e habitada
pelos que hão-de estar vivos na morte.


Quem lhes pode explicar
que o que interessa,
simplesmente,
não é o saber sempre mais que se gabe,
mas tão-somente
o Viver, apenas, o que se sabe!



José Dias Egipto