terça-feira, julho 20, 2010

concerto para violino em ré menor de Sibelius (integral)

Ilya Kaler, foi o único violinista a vencer as 3 medalhas de ouro dos concursos mais prestigiados deste instrumento musical - Paganini (Génova, 1981), Sibelius (Helsínquia, 1985) e Tchaikovsky (Moscovo, 1986).
Ilya Kaler nasceu em 1963 na União Soviética.
Tocou com as mais famosas orquestras, como a de Leninegrado, Moscovo, Dresden, Montreal,
Copenhaga, Berlim, Zurique, entre outras. Deu recitais a solo na Europa, na Ásia, foi professor de violino em Rochester, New York, Bloomington e actualmente na DePaul University School of Music de Chicago.
O concerto para violino e orquestra em ré menor, de Sibelius, que vão ouvir é a gravação do concerto em Helsínquia quando ganhou o Prémio Sibelius.







segunda-feira, julho 19, 2010

quando a terra resolve mudar de sítio

Há imagens que devem ser vistas porque nos deixam a pensar, por serem inesperadas até percebermos que são reais, inexplicáveis por não encontrarmos imediatamente a razão porque sucederam. Causam respeito e medo porque nunca queremos encarar a hipótese de poderem ser possíveis. Vale a pena verem este movimento gigantesco de terras ocorrido em Itália há alguns meses.

sexta-feira, julho 16, 2010

antes rir que chorar

O mundo está uma confusão e a maioria das pessoas interroga-se como foi possível chegar a tal estado e como sair do fosso em que se caiu. Por outro lado não acredita nos políticos e não entende a forma como eles a fazem. Não lhes reconhece preparação, entrega à causa pública, liderança, preocupações sociais e encontra neles mais o que não queria ver, nem desejava que eles tivessem - interesses pessoais, pouca honestidade, desejo de poder. As pessoas andam deprimidas, tristes, revoltadas. Porque sabem que rir é um grande remédio, cartoonistas e vídeo designers esforçam-se por nos trazer algum espaço de bem estar e de nos fazer rir. O vídeo que aqui deixo é um bom exemplo disso - com o uso da técnica, enxerta humor sobre imagens reais da CNN e goza com a política, com a forma como os políticos a vêem e fazem. Riam à vontade, mas não esqueçam o desconforto,o protesto e se puderem, a acção.



Para aqueles a quem interesse, deixo aqui a letra:

Hugo Chavez: Tun tun tun tun tun tun tun tun
Seamos un tilín mejores
Y un poco menos egoístas
Tun tun tun tun tun tun tun tun
Huele a esperanza

Fredrik Reinfeldt 1.ºMinistro da Suécia: In this common endeavor
Huele a esperanza

Gordon Brown: All of us work together

Hugo Chavez: Tun tun tun tun tun tun tun tun

BO: We must embrace a new era of engagement
Because the time has come

UN Choir: To smell the hope!
Gordon Brown: For growth to be sustained
It has to be shared

UN Choir: ohhh, We can smell the hope!

BO: The time has come

UN Choir: To smell a better world!!

Fredrik Reinfeldt: A better world to live in for future generations everywhere.

Adam Grayson: Don't get sick
That's right, don't get sick
If you have insurance, don't get sick
If you don't have insurance, don't get sick
If you're sick, don't get sick
Just don't get sick
That's the Republicans' health care plan

CC: He has a chart

Adam Grayson: An angry chart

CC: A chart that helps us learn!

Adam Grayson: ooh ooh ah ah
If you get sick in America, die quickly
That's right--the Republicans want you to die quickly if you get sick
Adam Grayson: I agree!

CC: He agrees!

Adam Grayson: Angrily!

CC: Cuz he's angry!

Keith Olbermann: Afford to live?
Are we at that point?
Are we so heartless?
How can we not be united against death?

Us: My BFF Gilgamesh knows eternal life's an impossible quest
The resources exist for your father and mine to get the same treatment
Yeah, we're in agreement
But first we gotta lay down some
All: High speed rail
Us: Bail out some
All: Banks
Us: Save your daddy with the leftover change

Keith Olberman: How can we be so heartless?
Us: We're nihilists!
Keith Olbermann: How can we be so heeeeaaartless?
Us: We're tryna die quick!
Keith Olbermann: What more obvious role could government have
Than the defense of the life of each citizen?

Keith Olbermann: How is the Nobel Peace Prize decided?

Bob Schieffer: Well, uh, that is what people were asking all day today

Minister Bølverk: We mix a secret potion,
And roll the ancient dice,
Then hire a focus group
And have a human sacrifice.

Keith Olbermann: A lot of people are asking today why do you think the committee elected President Obama?

Minister Bølverk: I believe a prize for peace should go to the biggest wuss.

Bob Schieffer: They were giving Obama a prize for not being George Bush.

Choir: They can smell the hope!!

KC: Take a deep breath!

Choir: And hope a smelly world!

Keith Olbermann: A deep breath!

Friedrich Reinfeldt: A better world to live in for future generations everywhere

quinta-feira, julho 15, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 31


116.
Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e o representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é esse o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Assírio e Alvim, 1998)


Se é verdade que os escritores escrevem sempre o mesmo livro e os romances que escrevem têm sempre qualquer coisa de autobiográfico, talvez possamos concluir que eles não escrevem senão a vida, seja ela a que viveram, a que quiseram viver ou a que imaginaram. E se for assim, não será como Pessoa dizia que escrever é esquecer, mas sim que escrever é lembrar. E a literatura não será nunca a maneira mais agradável de ignorar a vida, mas a melhor forma de a lembrar.
Diz Pessoa que a literatura simula a vida. E o que fazemos nós dela, quando a vivemos? Quando simulamos mais? Quando a vivemos ou quando a escrevemos? A literatura tem uma grande vantagem – podemos simular o que queremos e não simular a realidade que nos enfrenta.


CVR

quarta-feira, julho 14, 2010

carlos relvas e a sua casa-estúdio


Penso que a maioria dos portugueses desconhece a actividade cultural existente fora das grandes cidades. É natural que assim suceda num mundo que se pauta pelo individualismo, pelo stress, pela solidão individual e grupal. O conceito muito explorado ultimamente do «viaje para fora cá dentro» foi feliz na sua enunciação e no iniciar de um movimento de conhecimento do país que é nosso, onde nascemos, mas que desconhecemos e maltratamos.
No que me diz respeito posso considerar-me um privilegiado, já que o ter nascido no norte mais norte, roçando a raia com Espanha, estudado no centro, bem no centro territorial e académico e ter exercido a minha vida profissional no sul ou no princípio dele, capital do país, me permitiu toda a vida um viajar de norte a sul e sul a norte, que me foi pondo sempre em contacto com o país real e profundo, como é politicamente correcto dizer-se.
Mesmo sendo e considerando-me um privilegiado nesse sentido, tenho que reconhecer que existe uma malha de desigualdades culturais nos 89.000 Km2 em que o nosso país se contém (92 389 Km2 se incluirmos Madeira e Açores). Mas se é verdade que existe essa desigualdade não é menos verdade que cada dia me surpreendo mais com as manifestações culturais que vão brotando por esse país fora.
Perguntarão os leitores que bicho me terá mordido para que eu hoje me tenha posto a debitar sobre esta matéria. E perguntam bem, já que raramente trago este assunto à baila nas inúmeras crónicas que aqui vou colocando; e para que esta escolha fique esclarecida, digo já que há razões para que eu o esteja a fazer. Reparem no plural usado e logo entenderão que eu devo ter algo para contar e opinião para dar sobre aquilo que me espicaçou.
Para encurtar, devo dizer que por razões várias tive de me deslocar num curto período de tempo a cidades do interior que conheço razoavelmente, mas nas quais sempre vou encontrando qualquer coisa de novo para ver e para me admirar, admirando-as.
Refiro-me especificamente a Évora, Tomar e Torres Novas, onde tive oportunidade de assistir a espectáculos magníficos de que já dei registo neste meu blog.
No entanto, o tema desta crónica tem a ver com a inauguração em 20 de Abril de 2007, da Casa-Estúdio Carlos Relvas na Vila da Golegã, após as demoradas obras de conservação e beneficiação que ali ocorreram.


Carlos Relvas nasceu na Golegã, no dia 13 de Dezembro de 1838, filho do abastado lavrador, presidente da Câmara e procurador da Junta Geral do Distrito José Farinha Relvas de Campos, e foi registado com o nome de Carlos Augusto de Mascarenhas Relvas e Campos.
Casou com D. Margarida Amália Mendes de Vasconcelos, filha dos condes de Podentes, com a qual teve 4 filhos. Por morte desta voltou a casar em segundas núpcias com Mariana Pinto Correia Relvas, contra a vontade de seus filhos, especialmente de seu filho José que viria a abandonar os ideais monárquicos de seu pai e a abraçar os ideais republicanos, sendo ele quem proclamou publicamente a República em 5 de Outubro de 1910, nos Paços do Concelho em Lisboa, exercendo depois funções governativas.
Com apenas 16 anos foi nomeado fidalgo cavaleiro da Casa Real. O rei ofereceu-lhe o título de barão e, mais tarde, o de visconde, mas Carlos Relvas recusou sempre essas mercês. Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição do Vila Viçosa.
Carlos Relvas foi repórter fotográfico de 1ª categoria, inventor de sucesso, músico, lavrador, cavaleiro tauromáquico e mestre de equitação, jockey de cavalos de corrida, hábil atirador de pistola e de carabina, dextro jogador de pau, de florete e de sabre. Possuidor de cavalos magníficos, sabia ensiná-los a primor. Toureou a cavalo e a pé; sempre em festas de caridade, para as quais não recusava nunca o seu concurso. A última tourada em que tomou parte foi no Verão de 1893, a favor das vítimas do ciclone dos Açores. Mandou construir na Golegã uma praça de touros, que se inaugurou com uma corrida em benefício do hospital daquela vila.




Em 1880 assistiu a um naufrágio na barra do Douro, o que o levou a estudar a maneira mais rápida e segura de acudir aos náufragos. Durante três anos não descansou, e nos fins de Outubro de 1883 dirigiu ao ministro da Marinha um requerimento, apresentando o barco salva-vidas da sua invenção. No dia 7 de Novembro desse ano realizou-se a experiência na Foz do Douro, com tripulação comandada por Carlos Relvas. Duraram uma hora essas experiências, que mostraram as vantagens incontestáveis do salva-vidas Relvas sobre os salva-vidas existentes. Pelas suas características passou a ser conhecido pelo nome de «sempre em pé» e foi pintado por Malhoa.


A paixão pela fotografia foi adquirida já adulto (pode dizer-se que se iniciou nessa arte aos 24 anos) durante as suas frequentes viagens à Europa. Carlos Relvas era um viajante, já que nessa época, correu mundo - China, Japão, Índia, Estados Unidos e toda a Europa.
Carlos Relvas criou o primeiro estúdio fotográfico de raiz em Portugal e é considerado o primeiro fotógrafo amador do país. Muitas das suas fotografias e dos seus instantâneos figuraram em várias exposições nacionais e estrangeiras.


Carlos Relvas era membro da Sociedade Francesa de Fotografia e obteve medalhas nas exposições dessa sociedade, de 1870, 1874 e 1876. Alcançou outros prémios, de que destaco –
1873 - Medalha do Progresso, em Viena de Áustria,
Medalha de prata, em Madrid,
1875 – Medalha de prata da Sociedade Fotográfica, Viena de Áustria,
1876 – Medalha, em Filadélfia,
Primeiro prémio, na Exposição de Amesterdão,
Cruz de Bronze dourado, na exposição hortícola do Palácio de Cristal do Porto, 1877 - Medalha de ouro, na Exposição do Porto,
Medalha de ouro na Exposição da União Central de Artes Decorativas no Palácio da Industria em Paris.
Inicialmente, Carlos Relvas usava um processo que suplantava todos os métodos existentes (que usavam clara de ovo); o chamado processo do "colódio úmido", veio resolver a dificuldade até aí existente (quando se usava o vidro como base do negativo), que era encontrar-se algo que contivesse, numa massa uniforme, os sais de prata sensíveis à luz, para que não se dissolvessem durante a revelação. O único inconveniente deste método era a necessidade de sensibilizar, expor e revelar a chapa num curto espaço de tempo.
Carlos Relvas tinha um espírito curioso e inventivo, visitava estúdios fotográficos da Europa e possuía uma biblioteca de 4.000 volumes. Pelo que não é estranho que fosse acompanhando toda a evolução da técnica fotográfica. Por isso, em 1875 introduziu em Portugal a fototipia, processo fotográfico de Jacobi de Neuerdorf, que consistia na impressão com tinta forte em meio de gelatina bicromada e exposta ao sol, técnica que marcou a substituição do colódio pela gelatina (embora se fale de colódio seco).
Era respeitado e estimado pelo seu carácter franco e bondoso; muito caritativo e esmoler, tornou-se na Golegã o verdadeiro pai dos pobres, segundo dizem jornais da época.
Morreu em 23 de Janeiro 1894, num acidente de cavalo.

O atelier fotográfico Carlos Relvas na Golegã, foi construído entre 1872 e 1875, com os recursos financeiros da sua fortuna pessoal, segundo projecto de Henrique Carlos Afonso e idealizado pelo próprio Carlos Relvas.

Uma construção original em termos de arquitectura europeia, em que foram utilizados mais de 30 mil quilos de ferro. A sua arquitectura lembra uma igreja precisamente para parecer um templo, um templo da fotografia. A fachada principal aparece-nos ladeada por dois baptistérios (que correspondem interiormente aos laboratório de claro e escuro) e apresenta um baixo relevo representando um cavalo marinho e por cima um janelão enquadrado pelos bustos de Niépce e Daguerre e um pouco mais acima uma rosácea ladeada por anjos que seguram câmaras fotográficas. Construído em estilo neo-gótico, mas com muito da arquitectura industrial de então, com motivos de inspiração muçulmana nos estuques, conta com um amplo estúdio completamente envidraçado no piso superior, com uma luz natural soberba, coada através de panos brancos controlados manualmente, com uso de roldanas.

O acesso dos clientes fazia-se quer pelas escadarias laterais, quer pela belíssima escada de caracol em madeira, vinda de Itália. O chão da casa foi revestido a mosaicos importados de França.

Em 1870, mandou construir um belo jardim romântico em volta da casa estúdio, para onde Carlos Relvas chegou a trazer árvores das viagens que fez pelo mundo.
Em 1887, Carlos Relvas, foi obrigado a habitar o estúdio, por incompatibilidades com o filho José, em consequência de partilhas e antagonismo político, decorrendo daí a destruição da singular tipologia do atelier. Só a Galeria norte manteve intacta a sua ossatura original de ferro e vidro de forma a permitir a continuidade da actividade fotográfica de Carlos Relvas.


Hoje este magnífico edifício é considerado monumento nacional, como se lê no Diário da República, com a data de 6 de Março de 1996, no Anexo I, com o título «Monumentos nacionais» - Casa-Museu de Carlos Relvas, também denominada «Casa-Estúdio de Carlos Relvas», «Atelier de Carlos Relvas» ou «Museu de Fotografia de Carlos Relvas», incluindo os seus jardins e recheio, no Largo de D. Manuel I e na Rua de José Farinha Relvas, Golegã, freguesia da Golegã.
A Casa-Estúdio Carlos Relvas que esteve à beira da degradação total e da ruína, com todo o seu espólio de cerca de 10.000 negativos e positivos fotográficos, adereços, mobílias e aparelhagem, encontra-se hoje completamente recuperada (salvo as peças já irrecuperáveis), graças à intervenção e combatividade da Câmara Municipal da Golegã, com o apoio do IPPAR e a ajuda recente do Instituto Português de Museus. Estas entidades estão de parabéns. No passado dia 22 de Fevereiro de 2008, foi assinado um protocolo entre a Câmara da Golegã e o Instituto Politécnico de Tomar, com vista à criação do Centro de Estudos de Fotografia que ficará instalado num anexo construído junto à Casa Estúdio para albergar o espólio fotográfico de Relvas.
Mal fora que se tivesse deixado continuar a caminho da ruína esta obra arquitectónica única no mundo e se deixasse no esquecimento a figura de Carlos Relvas, personalidade multifacetada de artista, inventor, desportista, lavrador, que era um verdadeiro gentleman rider e gentleman farmer (como diz José Veiga Maltez, presidente da Câmara da Golegã).
Aconselho a todos a visita, tendo a certeza que vão gostar e que serão surpreendidos agradavelmente por verdadeiras preciosidades que aqui, e de propósito, não referi.


Este post substitui o colocado em Março de 2008, com o mesmo nome

segunda-feira, julho 12, 2010

música e humor, em tempo de crise

Gidon Kremer, de família de judeus alemães, nasceu em Riga. Violinista e maestro. Abandonou a Rússia e foi viver para a Alemanha. Premiado em vários concursos internacionais, fundou em 1981, o Festival de Música de Câmera de Lockenhaus (Austria), destinado a música moderna e pouco convencional. O Festival de 1992 ficou conhecido como "Kremerata Musica" e em 1996, fundou com jovens músicos da região Báltica, a Orquestra de Câmera Kremerata Baltica. Foi um dos directores do festival "Art Projekt 92" de Munique e é director do Festival Musiksommer, em Gstaad (Suiça). Em 2008, realizou um tour com a sua orquestra, juntamente com o duo Igudesman & Joo. É deste tour que eu vos deixo a interpretação de «We will survive».
Gidon Kremer e a Kremerata Baltica, Aleksey Igudesman e Richard Hyung-ki Joo, tentam juntar a música e o humor, como representação da «Ascenção e Queda da Música Clássica». Eles assinam um manifesto em que afirmam vivermos numa época em que a economia de mercado tiraniza a arte e a qualidade da arte é medida pelo número de vendas. O que conta é o volume das vendas, o posicionamento nos top tens, chegando-se à errónea ideia de que o mais popular é o melhor e em que todos os artistas querem ser superstars.

sexta-feira, julho 09, 2010

um momento de magia em tempo de crise

Depois do humor, um pouco de magia, daquela que nos deixa com os olhos em bico, porque estivemos atentos, nada se passou, não nos apercebemos de nada e eis que a magia está ali à nossa frente.
Não temos dúvida que é truque, mas não sabemos explicar.
E, de repente, desejamos que se pudesse fazer o mesmo com a crise.

quarta-feira, julho 07, 2010

um momento de humor em tempo de crise

Em tempo de crise precisamos muito de momentos que nos façam rir e descarregar as raivas e raivinhas acumuladas. Isto não significa que com isso possamos esquecer as preocupações e a obrigação que temos de contribuir com uma parcela, mesmo que mínima, para a solução desejada e necessária dos problemas que nos afectam. Mas para que isso seja mais fácil e possível, necessitamos de estar bem, sem stress ou tensões acumuladas. É aqui que o humor pode entrar e dar uma ajuda.
Encontrei no YouTube este sketch em que Bruno Nogueira no seu programa Lado B entrevista virtualmente Marcelo Rebelo de Sousa. Vejam e ouçam esta mistura explosiva de bom humor. Tenho a certeza que Marcelo riu muito quando o viu.

terça-feira, julho 06, 2010

atlântida ou lemúria? ou nem uma nem outra?


Desde 1995, mergulhadores e cientistas japoneses estudam uma das mais importantes descobertas arqueológicas do planeta, localizada a alguns quilómetros da ilha de Yonaguni - os restos submersos de uma cidade muito antiga.
Em 1997, o Dr. Masaaki Kimura, professor da Universidade de Ryûkyû, PHD em geologia marinha, publicou A Continent Lost In The Pacific Ocean, onde defende a teoria da civilização submersa. Em 4 de Maio de 1998, a ilha e as ruínas foram sacudidas por um terramoto.
Ao longo de mais de uma década foram localizadas oito grandes estruturas feitas pelo homem, incluindo uma enorme plataforma com mais de 200m de comprimento, uma pirâmide no estilo das aztecas e maias, com 5 andares e alinhadas de acordo com os pontos cardeais, uma pedra mostrando a existência de escrita, conhecida agora como a Roseta de Okinawa e ferramentas várias.


Submersa, 18 metros abaixo da superfície, surge uma cabeça megalítica, um rosto de pedra gasto pela erosão das águas que faz lembrar as cabeças de pedra de Moais, no Pacífico ou de La Venta, Golfo do México.
Muitos falam em Atlântida (quarta raça, na teoria geológica do Catastrofismo), outros em Lemúria ou Mu, ainda mais antiga, chamada pelos esotéricos de civilização da Terceira Raça (a do esqueleto cartilaginoso e um terceiro olho na nuca).
Este apontamento que aqui deixo servirá apenas para aqueles que se interessam por estes assuntos mas, mesmo assim, penso que o devo divulgar para aqueles que se interessam com estes assuntos do desconhecido. E esses terão muito que averiguar, uma vez que o que aqui fica é apenas um tópico para início de pesquisa. Que alguém a faça, já que eu não a farei.

quarta-feira, junho 30, 2010

uma história de burros ou o mercado de acções


Recebi agora esta pequena história, divertida e educativa. Por isso, a repasso.

Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada.
Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro.
O homem acabou por comprar centenas e centenas de burros a 5 euros.
Quando os habitantes diminuíram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.
Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo.
É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça.
O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros.
Mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela compra dos burros.
É então que, na ausência do homem, o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:
- Sabeis dos burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada? E assim que o meu patrão voltar vós podeis vendê-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!! Que acham?
Toda a gente concordou.
Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.

Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente - somente burros por todo o lado!

Entendem agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?

sábado, junho 19, 2010

última carta para josé saramago



Em 9 de Outubro de 1998, enviei esta carta oficial a José Saramago


Em nome da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos e no meu pessoal, apresento ao homem raro, íntegro, coerente e frontal e ao escritor ímpar da literatura contemporânea, burilador e alquimista da palavra portuguesa, as melhores felicitações pela justiça que lhe foi feita quando, em boa hora, lhe atribuíram o Prémio Nobel da Literatura de 1998.
Apresento-lhe também os parabéns, ou parabenizo-o como dizem os brasileiros, pelo Prémio Nobel, em nome da União dos Médicos Escritores e Artistas Lusófonos – UMEAL, que ajudei a fundar em 1992 e a que actualmente presido, certo que estou que será esse o sentir de todos os colegas que têm no português a sua forma de expressão oral e escrita.
Em nome de todos nós, que já somos bastantes, deixe-me que lhe diga – Obrigado, José Saramago, por ter elevado a nossa língua ao local que ela merece e a tenha levado ao conhecimento dos muitos que teimam em nos ignorar.
Pombalinho, 9 de Outubro de 1998
Carlos Vieira Reis
Presidente da SOPEAM e da UMEAL


Hoje, um dia depois da sua morte e uma hora depois da sua chegada ao Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, escrevo-lhe esta última carta, em meu nome pessoal, para lhe agradecer que nestes 12 anos de nobelizado não tenha mudado a sua maneira de ser nem as qualidades que sempre teve e cultivou.
Não lhe faltaram tentações que conduziriam a uma mudança a que muitos não resistiriam, mas a que o José Saramago soube resistir. A sua escrita ficou cada vez mais vintage.
São cada vez menos aqueles que nos ignoram como povo e como língua e, se assim sucede, a sua grandeza para isso contribuiu.
Cumpriu-se como Homem e como Escritor. O novo caminho espera por si. Por certo será mais macio do que foi este.
Até breve.
CVR


quarta-feira, junho 16, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 30

Salieri

106.
(…) De que me serve citar-me génio se resulto ajudante de guarda-livros? Quando Cesário Verde fez dizer ao médico que era, não o Sr. Verde empregado no comércio, mas o poeta Cesário Verde, usou de um daqueles verbalismos do orgulho inútil que suam o cheiro da vaidade. O que ele foi sempre, coitado, foi o Sr. Verde empregado no comércio. O poeta nasceu depois de ele morrer, porque foi depois de ele morrer que nasceu a apreciação do poeta.
Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se o não fizerem ali?

Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Assírio e Alvim, 1998)



Nada mais verdadeiro – o êxito está em ter êxito e não em ter condições de ter êxito. Por isso, e já o escrevi mais do que uma vez, me considerei sempre um Salieri que nada fazia para ser Mozart. De que serviu a Salieri ser compositor da Corte, maestro da Orquestra Imperial, presidente da Tonkünstler-Societät e professor de Beethoven, Czerny, Liszt, Schubert e outros, se o êxito lhe passou ao lado? Não que o êxito importe por si, mas sim como referência da apreciação que o trabalho de alguém merece. O certo é que poucos têm êxito e muitos são os que poderiam tê-lo igualmente. Todos aqueles que têm a terra larga bastante para ter um palácio, mas que nunca ali o construíram. Que nunca o construíram ou que nunca disso se lembraram ou nunca com isso se preocuparam? E, no fundo, quem constrói o êxito? O próprio ou os outros? Se pensarmos nos tempos de hoje quem o constrói? Os lobbies, o marketing, ou o próprio?
O êxito é como as comendas. Será que quem as recebe as merece? Porquê aqueles e não outros? Quantas vezes concordámos que só aqueles as merecem?
Quando Cesário Verde reclama ser chamado de poeta Cesário Verde e não de Snr. Verde, foi apenas por vaidade? Ou terá sido por ter uma real consciência de si? Por se identificar mais com a sua condição de poeta, aquilo que sentia ser, do que com o snr. Verde que para ele era apenas um apelido, mas não ele-pessoa?
«Serei o que quiser, mas tenho que querer o que for». Agir, portanto. Querer.


CVR

domingo, junho 13, 2010

o tango ao serviço do desporto

Vejam o vídeo que a Argentina fez para campanha do Mundial de Futebol e como conseguiu, de uma forma hábil e funcional, valorizar duas das suas referências nacionais - o tango e o futebol.

sábado, junho 12, 2010

quando o talento se faz arte

Não é o mesmo que ouvi-la em órgão, piano ou orquestra. Mas não pode deixar de se admirar o talento de Robert Tiso ao executar a Tocata e fuga em ré menor de Johann Sebastian Bach naquilo que poderemos chamar órgão de cristal. Ouçam e vejam com atenção.

quinta-feira, junho 10, 2010

uma língua única - o português


Recebi hoje, enviado por um colega e amigo brasileiro, este texto demonstrativo do que se pode fazer com o português e de como é rica e plástica a nossa língua. Leia devagar e com atenção e descubra o que falta neste longo texto. Será possível fazê-lo com outro idioma?

«Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinónimos.
Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo desporto do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objecto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifónico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, cofre de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos».


Se não descobriu, eu digo-lhe - nunca foi usada a letra A ...

terça-feira, junho 08, 2010

até que a morte nos separe ...


Eu sei da crise e sinto-a na pele. Conheço as razões que a ela conduziram, como sei que não vai ser fácil libertar-nos dela. Pior ainda, sei de muitos que por ela passarão incólumes sem terem sido acusados de a fabricarem e que sempre ostentarão o sorriso vitorioso dos que se julgam acima de tudo e de todos. Sei destas e de outras desgraças e injustiças. Tenho pois muitas razões para andar triste, furioso, revoltado.
Mas hoje apetece-me rir e ginasticar todos estes músculos que fazem do riso o melhor remédio … Apetece-me rir e tenho uma razão para isso. Por isso, resolvi partilhar convosco uma história ocorrida há dias que, de tão absurda e inacreditável, nos faz rir, quando não seria isso o que se esperaria que fizesse. Vamos à história, então.
Começou há cerca de 50 anos, no altar de uma igreja, quando um e outro repetiram perante o padre, perante Deus, «sim, aceito …. Até que a morte nos separe».
Foram anos e anos de vida em comum, semelhante à da maioria dos casais – rotina e mais rotina, com raros períodos de alegria e muitos de tristeza e dor.
Chegou o tempo do envelhecimento e do «arrumar» dos velhos. A mulher já não conseguia tratar dele e os filhos não estavam interessados nisso. Como vai sendo hábito, o destino foi quase natural – foi para um Lar. (antigamente lar era a própria casa).
Por lá se arrastou escassos anos, com raras visitas da mulher e ainda menos, dos filhos.
Quando o telefone tocou no seu antigo lar, não era do novo Lar que ligavam, mas do hospital, dizendo que ele tinha acabado de falecer.
Prontamente se tratou de tudo e escassas horas depois já ele se encontrava na capela mortuária, em caixão aberto.
A mulher que há mais de 50 anos dissera, com ele, «até que a morte nos separe», chorava, soluçava, debruçava-se sobre ele e beijava-o ardente e continuadamente.
Entretanto, uma sobrinha do morto foi despedir-se do tio e tal impressão este lhe causou que aproximando-se da prima lhe perguntou – tu tens visto o teu pai? Tenho. Porque perguntas? Porque achei o teu pai muito diferente – careca e ele sempre teve cabelo e muito gordo e sempre foi magro. Está gordo, porque está inchado e ele agora já tinha pouco cabelo. OK, tudo bem. E a sobrinha deu-se por esclarecida e nada mais perguntou.
Os beijos da viúva continuavam inflamados, até que a morte finalmente os separasse.
E foi a enterrar numa sexta feira. E a família deixou de chorar.
No dia seguinte, a viúva foi convocada a comparecer na morgue do hospital onde o marido morrera. Quando lá chegou, encontrou uma família de luto, chorosa, e um morto que afirmavam não ser o seu familiar falecido.
Foi-lhe explicado que tinha havido uma lamentável troca e que o seu marido era aquele que ali se encontrava e não o que enterrara. Precisavam pois que identificasse aquele morto como seu marido e devolvesse à outra família o morto já enterrado.
Mesmo sem ver, foi logo dizendo e gritando que o seu marido já fora enterrado e estava no descanso do Senhor.
Mas houve engano, minha senhora.
Qual erro, qual carapuça. Então eu não reconhecia o meu marido com quem casei há quase 50 anos?
Desculpe, minha senhora, mas houve uma troca. Estes senhores não reconhecem este morto como sendo da sua família. A senhora tem que o ver bem e confirmar que é este o seu marido.
Mas confirmar, o quê? O meu marido já o enterrei.
Mas tem que confirmar, minha senhora.
Deixe lá ver, então. Olhou, olhou bem. Este não é o meu marido, foi conclusiva.
Não pode ser, minha senhora. O seu marido não tinha qualquer cicatriz ou sinal, qualquer coisa de que se lembre e o possa identificar?
Tinha. Uma cicatriz, duma operação antiga numa das pernas, perto do joelho.
Foram levantadas as calças e uma cicatriz via-se na coxa esquerda.
Houve um silêncio prolongado.
Ouviu-se então a viúva dizer – credo, que me fartei de beijar o outro, pensando que era o meu homem. Credo! Que Deus me perdoe!

Até que a morte finalmente os separou.



Esta situação é verídica, recente e passou-se algures perto do Tejo.

segunda-feira, junho 07, 2010

o beija flor como nunca o viu

O beija-flor bate as asas numa cadência entre os 36 e os 80 batimentos por segundo. Com esta nova tecnologia consegue ver-se batida a batida o seu voo na vertical. Este vídeo é apenas uma pequena parte de tudo que foi filmado pela Globo Repórter.

domingo, junho 06, 2010

fuá na casa do cabral

Uma das coisas que me impressionam nas minhas idas ao Brasil, é sentir a forte influência deixada pelos portugueses e os conhecimentos que os brasileiros têm da nossa História, sobretudo naquilo em que ela nos liga a eles. Outra coisa de que gosto é de um bom «romance de cordel» (que ainda hoje se vão encontrando) e de assistir à exibição de cantores repentistas no Nordeste.
Ontem chegou-me às mãos este forró intitulado Fuá (mexerico) na casa do Cabral, tocado no Palace de S. Paulo, num dos Concertos Heineken, por Mestre Ambrósio Siba na rabeca, violão, guitarra e vocal, Helder Vasconcelos no fole de 8 baixos, percussão e vocal, Mazinho Lima no baixo, triângulo e vocal, Maurício Alves na percussão e Eder Rocha na percussão.
A qualidade do som não é a melhor, perdendo-se algumas das palavras. Mesmo assim, vale a pena.

quarta-feira, junho 02, 2010

uma visão da ajuda à grécia

Embora este Daniel Cohn-Bendit seja uma espécie de clone do que conhecemos no Maio de 68, vale a pena, como portugueses, escutar a forma como ele apresentou e chamou a hipócrita ajuda da UE à Grécia. Entre os ouvintes destaca-se Durão Barroso.