Uma escrita feita em sobressaltos, feita à medida que me sento e tenho papel ou tecla para premir. Uma escrita que é feita de vivências, factos, interrogações, alegrias, dores, obrigações, prazer. Uma escrita de necessidade. Uma escrita para respirar.
Hoje é o teu dia, pai. Continuo a dizer o que sempre disse - só tiveste um defeito. Morreste cedo de mais. Aqui fica o meu obrigado e a minha homenagem.
Num estilo intimista e numa pose muito diferente do Elvis the pelvis, podemos recordar o rei do rock Elvis Presley cantando «Blue Christmas», em 1968. O que não é de 68 é podermos ouvir conjuntamente a voz de Martina McBride que com dois anos de idade assistiu a esse concerto de Natal, intitulado «Santa Klaus is back in town». Este remaster foi feito em 2008, nos 42 anos de Martina.
Este vídeo só valoriza a importância da carga genética dos portugueses!!! Depois de verem perceberão que depois de ver o esvaziamento sofrido, deixamos pelo menos aquilo que não deixou de ser nosso.
Fiquei surpreendido com a carga genética que os portugueses foram deixando por todo o mundo. Por isso me entristece ainda mais assistir ao que hoje somos, ao estado em que estamos. Devo ter acordado mal disposto ...
Ainda estamos a tempo de evitar que os nossos filhos e netos nos venham a acusar. Ainda estamos a tempo. Mas será que queremos? Será que podemos? Muitos de nós, adultos responsáveis, poderão, mas não querem. O grosso de nós quererá, mas não pode. Será que ainda estamos a tempo? Que cada um de nós descubra o caminho para que juntos, consigamos.
Parabéns mulher. Parabéns mulheres. No dia em que se comemoram 100 anos da criação do Dia Internacional da Mulher parece-me bem recordar as razões e a história da sua criação. Embora não considere este vídeo perfeito, penso que dá, apesar de tudo, uma ideia aproximada da história deste dia. Aqui fica a minha homenagem.
A última crónica escrita por José Manuel dos Santos no suplemento do Expresso - Actual, de ontem, dia 6 de Março, na sua coluna «impressão digital», merece ser lida por todos. Porque nem todos lerão aquele jornal resolvi colocar aqui esta imperdível crónica para aumentar o número dos seus possíveis leitores. O tema das escutas deve ser um dos que há mais tempo se mantém na crista da onda mediática e não há jornal ou pasquim que a ele não se refira continuadamente com todos os pormenores, deixando de ser tema para ser folhetim. Isto seria uma razão para não trazer este tema ao blog. Contudo é esta a primeira vez que eu leio uma crónica que analisa as escutas numa vertente sábia e definitiva. Não trata do folhetim, mas das suas razões e finalidade. Para ler e meditar.
Se não conseguir ler mesmo ampliado, imprima e leia porque vale a pena.
O Concerto Triplo para Piano, Violino e Violoncelo em Dó Maior, Opus 56 de Beethoven, foi composto entre 1804 e 1805, período em que escreveu também a 3.ª Sinfonia e a Sonata Appassionata e foi escrito para o Arquiduque Rodolfo. Não é considerado uma das obras-primas de Beethoven, mas é lindíssimo. Para além disso é inovador, ao integrar um trio de solistas, em que o violoncelo ocupa o papel principal (talvez porque Beethoven não compôs nenhum concerto para violoncelo). Tem três andamentos - allegro, largo e rondó alla polacca. No primeiro andamento, o mais longo e talvez o mais envolvente, está presente a melodia mais difundida do concerto. Porque se trata de um belo concerto e com história penso ser interessante apresentá-lo em três versões distintas, consoante a época e os solistas. No mais antigo vamos ter oportunidade de ouvir três intérpretes de excepção - David Oistrakh (violino), Mstislav Rostropovich (violoncelo) e Sviatoslav Richter (piano) com a Orquestra Filarmónica de Moscovo, dirigida por Kyril Kondrachin, no concerto do 50.º aniversário desta orquestra, em 1970.
Outra parte do triplo concerto, agora interpretado por Daniel Barenboim (piano), Itzhak Perlman (violino) e Yo-Yo Ma (violoncelo). (Part 3)
E por fim a interpretação mais recente, pela Orquestra Juvenil Simon Bolivar, da Venezuela, dirigida por Gustavo Dudamel e os solistas Martha Argerich (Piano), Renaud Capuçon (Violino) e Gautier Capuçon (Violoncelo), em 29 de Agosto de 2008, durante o Festival de Salzburgo (Große Festspielhaus).
Ouçam e comparem as diferentes interpretações e não se esqueçam de ver em ecrã total.
Nunca me canso de sonhar. Ainda acredito que um dia isto se possa passar no meu país. Já houve tempo em que as Bandas faziam concertos nos jardins e o povo gostava. Hoje as Bandas que ainda resistem tocam em datas oficiais, desfilam nas ruas, o povo continua a gostar, mas sabe-lhes a pouco. Mesmo assim repito - nunca me canso de sonhar.
Este vídeo de cinco minutos é uma pequena parte do documentário passado na RTP2 em Abril de 2008, em que o geólogo Prof. Domingos Rodrigues da Universidade da Madeira , alerta para a necessidade de se respeitar o Plano Director para impedir que a falta de critério na construção e os interesses pessoais ou a especulação imobiliária possam levar a tragédias que poderiam ser evitadas ou, pelo menos, diminuídas. À voz da ciência juntava-se a dos ecologistas preocupados. Não quero atirar pedras, quero apenas implorar a quem manda que respeitem a voz de quem estuda e sabe.
A experiência registada no vídeo que vos deixo é espantosa. O Channel 5 da televisão inglesa sabendo que Stephen Wiltshire, considerado um dos 100 génios autistas do mundo, tinha uma capacidade de registo de imagens em tudo semelhante a uma videocam, lançou-lhe o desafio de registar em vídeo o seu poder especial. Levou Sthepen Wiltshire num helicóptero e sobrevoou a cidade de Roma durante algum tempo, fazendo uma panorâmica da cidade. Após essa viagem Stephen foi colocado perante uma tela enorme e com uma precisão notável desenhou toda a vista da cidade, durante três dias, como se fosse um registo filmado. Espantoso. Esta experiência ficou registada com o nome de Human Camera.
É a música a dar a volta ao mundo, feita por músicos de várias latitudes e longitudes, todos com um desejo e uma finalidade comuns - lutar pela mudança através da música, acreditando que esta poderá quebrar barreiras e preconceitos e arejar as mentes mais fechadas e resistentes às mudanças. São muitas as canções a correr o mundo. No vídeo que vos deixo ouviremos «stand by me», como quem diz fica comigo e, neste caso, junta-te a mim. Ouçam os cantores do mundo a tocarem e cantarem ao mesmo ritmo, cada um deles dando um pouco de si para que a canção se faça e a mudança venha a acontecer. Qual mudança? Salvando-nos a nós, salvando o mundo.
Eu sei que antes de colocar aqui este vídeo devia ter tido o cuidado e o rigor científico de verificar a exactidão de tudo que nele se pode ler. Sim, eu sei. Mas sei também que embora admita haver um ou outro exagero, uma outra inverdade, no geral ele alerta para uma realidade que aí vem. Pode não ser exactamente assim, haver nuances, haver correcções a fazer, mas estou convencido que a futura realidade não se afastará muito desta de que o vídeo nos fala. Não fica aqui ciência, nem talvez rigor. Fica apenas uma previsão que poderá ser realidade.
100 Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
(...) Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Não sei se é comum este olhar sobre o passado, o presente e o futuro das nossas vidas. Acredito que ele seja estranho e mesmo considerado anormal pela maioria das pessoas, generalizando eu esta ideia a partir da amostra dos meus amigos mais próximos. Sei, no entanto, que ele é em tudo coincidente com o que eu penso, melhor direi com o que eu sinto, melhor ainda com o que eu sinto quando tento fazer um «rewind» da minha vida. Escrevi algures e não sei quando, mas sei que há muito tempo, que olho para mim como um estranho a tudo e a todos e, no entanto, por dentro de tudo continuando sempre fora, personagem de muitas vivências, as mais variadas, testemunha de muitos acontecimentos, de todos os géneros, e contudo e apesar disso, incapaz de uma memória fiel e palpável, apesar de inteiramente vivida. Se eu quiser descrever o meu passado, posso conseguir alinhavar umas linhas que mais não serão que uma modesta fita do tempo, uma infografia banal e superficial que nunca corresponderá ao grosso do meu passado, da minha vida, e que nunca será melhor do que dele fariam amigos próximos ou parentes afastados. E isto atormenta-me, embora esta realidade amnésica não seja muito visível aos outros e pouco presente em mim, enquanto tormento. Não só esqueço o passado, como o tormento do seu esquecimento. O passado nunca me aparece por si, para me atormentar, mas apenas quando eu o torno presente, pensando e reflectindo sobre ele. Posso escrever hoje, como já antes escrevi, que não conheço ninguém além de mim que tão forte e involuntariamente deite fora o seu passado e assim desencorporando-me, me transforme «num vestígio e um simulacro de mim». CVR
Este cartoon traduz bem o resultado da fabricada pandemia gripal H1N1 e porque é bom, faz-nos rir. Mas depois - por nos recordar uma das coisas que procuramos esquecer para não chorar - envergonha-nos a todos os que sabendo deste escândalo não protestamos e não lutamos por um mundo melhor, livre de políticos e multinacionais poderosas e sem escrúpulos, cuja bússola de orientação só aponta para o rei cifrão, perdido que está o norte da dignidade, do respeito humano e do sentido de vergonha. Como é possível saber-se o que se passa e nada se fazer para travar estas desigualdades, este desprezo humano, este cinismo humanitário que, de quando em quando, se mostra em campanhas de branqueamento dos actos criminosos - que outra coisa não são - que continuamente praticam? Continuamos a assistir como carneiros ou reagimos?
Cada vez se torna mais necessário não fazer juízos apressados, tal a velocidade a que a vida passa e a quantidade de informação que se recebe, de forma tão rápida que não dá para pensar antes de julgar. Tudo isto se agrava com os juízos de carácter das pessoas, em que se cometem erros frequentes, que podem ter consequências graves.
Este vídeo dá alguns exemplos do erro que é julgar apressadamente. E fá-lo duma maneira divertida, mas bem elucidativa do erro que se comete, quando julgamos que tudo que parece, é.
Há momentos em que tudo cansa, até o que nos repousaria. O que nos cansa porque nos cansa; o que nos repousaria porque a ideia de o obter nos cansa. Há abatimentos da alma abaixo de toda a angústia e de toda a dor; creio que os não conhecem senão os que se furtam às angústias e às dores humanas, e têm diplomacia consigo mesmos para se esquivar ao próprio tédio. Reduzindo-se, assim, a seres couraçados contra o mundo, não admira que, em certa altura da sua consciência de si-mesmos, lhes pese de repente o vulto inteiro da couraça, e a vida lhes seja uma angústia às avessas, uma dor perdida. (…) Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Posso dizer que são frequentes, em mim, momentos em que tudo me cansa – estar onde estou, pensar no que precisava pensar naquele momento, fazer um telefonema, assentar uma nota, buscar um papel ou um livro, colocar o CD com a música que me apetecia ouvir, vestir um casaco porque sinto frio. Cansa-me o esforço físico tanto quanto o psíquico. Nesses momentos tudo me cansaria ou seria um sacrifício, se por qualquer factor impensável eu resolvesse passar à acção. Contudo, é tal o treino de sair desses momentos frequentes, que - não sei com que esforço ou origem da força – me vejo rapidamente envolvido pelo meu escudo invisível e protector deste cansaço letal, que altera toda a minha maneira de ser. Diria, contudo, que essa força e essa acção, me vêm paradoxalmente da minha preguiça. E será esta que, impedindo-me de me entregar ao cansaço, me liberta do seu peso e do seu jugo. Cansaço, angústia, dores, passam a um estado aparentemente inactivo (já que continuam lá, mas em estado de quase ausência), porque a minha preguiça terá ditado que naquele momento, não estou para isso, sendo o isso tudo que exigiria esforço, cansaço, decisão. O pior é ter a consciência que esta aparente vitória, não é mais do que o seu contrário. É certo que consegui que o cansaço não me estragasse o dia, mas foi mais uma pedra posta no muro do adiar de problemas, de resoluções, do sentir as emoções, do inadiável e com ela afastar-me cada vez mais da resolução de problemas e aproximar-me cada vez mais desse muro que, um dia destes vai cair sobre mim.
Já conheço este vídeo há muito tempo, mas tenho sempre resistido a divulgá-lo aqui por poder parecer que estou a apelar ao estranho e insólito. Quando hoje voltei a vê-lo com mais atenção e participação (deixando que a emoção me tomasse), encontrei-me a fazer «replay» e a pensar, enquanto assistia à magnífica coreografia de Zhao Limin, na força de vontade daqueles dois bailarinos e na força interior necessária para vencerem a adversidade e conseguirem fazer aquilo que desejavam - dançar, sentir a dança. Não se pode ficar indiferente à beleza deste pas de deux (chamado mão na mão) e à beleza moral dos intérpretes (Ma Li e Zhai Xiaowei).
Se perguntarmos às pessoas o que pensam da Suiça, seguramente a maioria dirá que é um país neutral, pacífico, lindo, organizado e inteligente, pois tem a noção do seu tamanho, da sua localização, das suas riquezas naturais e, como tal, sabe escolher as suas fontes de desenvolvimento e sustentação, fazendo com que o seu pib dependa de poucas, mas lucrativas coisas - a banca, a relojoaria, os chocolates, o turismo e a cutelaria. Não haverá, nem uma só, que refira o exército suiço. Contudo, o serviço militar é obrigatório para todos os homens e voluntário para as mulheres, podendo ser substituído (nos objectores) por serviço comunitário que durará mais metade do tempo. A reforma do Exército de 1995 restringiu o número de efectivos a 400.000 soldados e o novo programa Exército XXI prevê apenas uma força activa de 120.000 pessoas, além de 80.000 reservas, com incorporação anual de 20.000 recrutas e treino básico de 18 semanas. Foram novamente introduzidos os cursos de aperfeiçoamento anual de duas ou três semanas, podendo agora optarem por um serviço vitalício de 300 dias seguidos. Continua a não ser um Exército permanente, dispondo, no entanto, de 3.000 instrutores profissionais. Estes são dados que todos poderão encontrar no site da Defesa da Suiça. O que lá não vem ou eu não soube encontrar, é o que o vídeo que aqui vos deixo vos mostrará - uma capacidade imensa de auto defesa bem organizada e que me sugeriu o título que dei a este post.
Esta foi uma noite memorável. Não é frequente ter-se a sorte de se poder assistir à projecção de um filme realizado em 1927, mudo, e estar os 90 minutos da sua projecção completamente agarrado às imagens, às expressões dramáticas dos actores, espantado com a capacidade e os dotes do realizador, que com os pobres meios da época, conseguiu transmitir-nos todas as emoções que os actores viveram. Só isto, era um espanto e maravilha. Mas se lhe juntarmos, como foi o caso, o acompanhamento permanente da música original de Luís Pedro Madeira, composta expressamente para este filme e a excelente execução da Orquestra Láudano, então poderemos dizer que participámos de um dos espectáculos mais belos que a nossa memória regista. O filme Sunrise foi dos últimos filmes do cinema mudo, já que o sonoro apareceu na transição de 1927 para 28. Foi realizado por esse monstro sagrado da realização Friedrich-Wilhelm Murnau (o mesmo de Nosferatu e Fausto), com argumento e montagem de Carl Mayer, a partir do romance "A Viagem a Tilsit" de Hermann Sudermann. Entre os actores devem destacar-se os nomes daqueles que constituíam o triângulo amoroso - George O'Brien (o homem - Ansass), Janet Gaynor (a mulher - Indre) e Margaret Livingston (a Vamp). Sabe-se que este foi um dos filmes mais caros da época, uma vez que Hollywood proporcionou ao realizador alemão tudo aquilo que ele pediu, como os gigantescos cenários que foram construídos. Um destaque especial para Luís Pedro Madeira (Composição original, Piano, Órgão, Sintetizadores, Acordeão e Guitarra), Luís Formiga (Bateria e Percussões), Luís Oliveira (Contrabaixo), Luís Rodrigues (Trombone), Jorge Campos (Clarinete, Clarinete Baixo e Saxofone) e Daniel Tapadinhas (Fliscorne e Trompete), que interpretando bem o sentir do realizador, tocaram a música que o filme pedia (e teria se já houvesse sonoro), pontuando de forma exemplar todos os pontos marcantes. Repito, sem me cansar - uma noite memorável. Parabéns Cineclube de Torres Novas. E obrigado.
Dá gosto ver o que se pode fazer com as nossas mãos - amassar pão, martelar pregos, carregar pesos, escrever, desenhar, salvar vidas, acariciar, dar, receber, bater, esmurrar, roubar, tocar música, agarrar, prender, massajar, uma infinidade de coisas reais e até magia.
Se muitas das coisas que as nossas mãos fazem ou podem fazer, são instintivas e naturais, outras há que exigem um treino intenso e constante e, sobretudo, o apoio indispensável da inteligência, da arte e de um dom especial da mente que lhes dá ordens.
Não está em causa o tipo de coisas a que, dom, inteligência, treino e arte as levam a fazer. É tão maravilhoso ver as mãos de um pianista tocando uma sonata ou um concerto, como espantoso é ver a forma como as mãos de um cirurgião ajudam a vida a vencer. Mas não é menos maravilhoso ver a arte do carpinteiro, do escultor, do mágico ou ilusionista.
As mãos deste último prendem o nosso olhar e sempre nos espantam, mesmo sabendo-se claramente que por trás daquela arte está um engano.
Não sei porque estou a escrever tudo isto, quando o que eu vos queria mostrar era este magnífico vídeo que nos mostra um truque espantoso realizado por Shawn Farquhar, duas vezes campeão mundial de mágica, enquanto a bela canção «shape of my heart, do Sting, nos acompanha todo o tempo
Depois de ter tratado por duas vezes de progresso tecnológico, das vantagens e alterações que o acompanham, tenho gosto em deixar aqui, hoje, esta fotografia tirada há 91 anos e que com técnicas rudimentares, quer a nível da execução, do suporte e da conservação chegou até hoje em razoável estado de conservação, que permite, em grande ampliação, ver em pormenor a maioria dos 18.000 'officers and men' ali registados. Trata-se de uma fotografia da responsabilidade dos estúdios fotográficos Mole e Thomas, existente em 1918 no número 915 de Medinah Boulevard, em Chicago, Illinois, que tinha o copyright. Segundo depreendo dos dados que a própria fotografia comporta, foi realizada sob o comando do Coronel W. Newman e a direcção do Coronel Rush S. Wells, em Camp Dodge, no Iowa. Como é bem visível, esta Human Statue of Liberty, foi composta ao pormenor por 18.000 militares que iriam combater na 1.ª Guerra Mundial. É impressionante a ideia, a capacidade de englobar tanta gente na mesma fotografia e a máquina ter permitido abranger tal extensão, sendo visíveis não só a estátua humana, mas os aquartelamentos no limite superior. Uma verdadeira pérola da história da fotografia.
Há dois dias questionei aqui a possível perda da nossa identidade e a esse propósito escrevi que entrámos na era do tridimensional. Há dois dias, desconhecia totalmente que a artista americana Lena Gieseke, expert em técnicas de infografia digital em 3D, tinha realizado uma versão digital 3D da «Guernica» de Pablo Picasso (no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid, após décadas de exílio). Dispenso-me de deixar aqui elementos sobre este magnífico painel icónico que Picasso legou ao mundo sobre a Guerra Civil em Espanha. Todos conhecem o quadro, todos conhecerão a história. O que me levou a fazer este post foi simplesmente mostrar que o tridimensional já chegou à superfície plana de uma longa tela, em que a dimensão estava apenas no génio do artista e na imaginação de cada um que a contemplava. Agora, a técnica mostra-nos o que lá está, sem aparentemente estar.
Não tenho dúvida que a utilidade não será muita e servirá a poucos. Mas se servir a um, já justifica que aqui deixe este vídeo. Também sei que o vídeo é mais do que amador, o ambiente não é apelativo, mas também sei que durante muito tempo, muitos laboratórios onde se fazia trabalho válido não tinham aspecto muito diferente. Sei, sobretudo, que o engenho é útil e quem inventou o processo, raciocinou bem e, quase aposto, que nunca terá ouvido falar nos catéteres usados em cirurgia vascular, por exemplo, em que o processo para extrair trombos é o mesmo, embora cheio de sofisticação. É engenhoso, é útil e parabéns a quem teve a feliz ideia.
Ainda não vi o novo filme de James Cameron - Avatar. Apesar da sua curta carreira em todo o mundo (desde 18 de Dezembro passado), já está colocado na segunda posição dos filmes mais vistos de sempre. Com ele e com algumas experiências anteriores, a indústria cinematográfica parece querer virar-se, de vez, para o tridimensional. O ter revisto recentemente esta magnífica e divulgada imagem de autoria de J. R. Eyerman (que com um nome destes estava predestinado para recolher imagens - homem r olho...), levou-me a pensar neste e noutros factos que parecem poder levar-nos à perda da nossa identidade. A imagem foi captada em 1952 na estreia do filme «Bwana Devil», em Hollywood, e mostra de forma inesperada, toda uma plateia usando óculos 3D que, dessa forma, se massifica mais do que o faria noutro tipo de sessões. Por um lado a moda, a progressiva perda de vocabulário pelos jovens, uma escrita tuitada, outra feita de símbolos e raras palavras, plateias de seres aparentemente clonados, apontam para que a distinção entre nós seja cada vez mais ténue. Por outro lado, o desenvolvimento imparável da técnica, as câmaras de vigilância, os chips dos nossos cartões e das matrículas dos nossos carros, conduzem a que a nossa vida seja cada vez mais devassada e espalhada aos quatro ventos, a quase todos que queiram saber quase tudo de nós. Só contradições - por um lado cada vez mais vulneráveis e expostos, por outro cada vez mais iguais, cada vez menos diversos, cada vez menos nós, cada vez mais números de registo e lista de códigos de acesso. Será por isso o interesse no tridimensional - uma tentativa de tornar mais real, aquilo que por natureza é virtual ou aceitar de vez que a realidade, ela própria, é cada vez mais virtual.
Rir é o melhor remédio, diz o povo (sábio) e vão dizendo cada vez mais sábios baseados em estudos comparativos, em investigação orientada, em evidências. O riso é sempre salutar, sobretudo quando temos a capacidade de não só rirmos dos outros, mas de rir de nós próprios. Embora já um pouco antigo (este filme já não está em cartaz) pareceu-me bem ilustrar este conceito do riso, com o vídeo que aqui vos deixo, intitulado Fardos. De qualquer modo, guitarristas e fadistas continuam tocando e cantando e o fa(r)do é imortal ...
Nunca é exagerado apelar ao bom senso e às obrigações que cada um de nós passou a ter, em dose reforçada, na entreajuda e na tentativa de recuperar (ou pelo menos suster) o estrago imparável que a humanidade tem trazido ao nosso planeta.
Por isso não resisto a passar essas mensagens sempre que posso e me aparecem oportunidades; e sobretudo, quando me posso socorrer de uma bengala gráfica ou escrita que seja simples e tão fortemente apelativa que me pareça ser uma arma que não deva desperdiçar nesse combate. É o caso desta feliz imagem, que numa linguagem simples mas extraordinariamente eficaz, nos mostra claramente o valor da água, em que cada gota perdida pode representar uma vida perdida. Aqui é um peixe, mas pode ser a sua.
Estava longe de pensar que o meu primeiro post de 2010 viria a ser este, uma vez que não tem qualquer relação directa com o mudar de ano, com as festas que passaram ou com a que ainda se celebra amanhã. Mas a vida é assim mesmo, inesperada, sobretudo quando para além dela depende de seres inesperados como nós, os que a vivemos. Dito isto, explico-me - estava calmamente vendo fotografias magníficas editadas como as melhores do ano, quando me deparei diante desta curiosa e estranha fotografia de Bernat Armangue que nos mostra uma magnífica 'instalação' do grupo Skertzò em 7 de Outubro de 2008, que consistiu na projecção de imagens de estantes repletas de livros nas paredes da Torre de David, na parte histórica de Jerusalém. Lembrei-me então que há escassas 3 semanas estreou em Lisboa o novo filme do cineasta espanhol (nascido no Chile) Alejandro Amenábar, chamado Ágora e que nos faz viajar até ao Egipto do século IV DC, sob domínio romano, onde se viviam violentos confrontos religiosos e sociais por toda a região e particularmente em Alexandria que com a sua célebre Biblioteca, representava um polo cultural único. Depois é a história de Hypatia, matemática e astrónoma, ajudada por Orestes e Davos e a luta pela ciência, o desenvolvimento e a salvação da biblioteca que acaba por ser destruída. E, de repente, este encontro pareceu-me uma parábola. Porquê, hoje, chegaram a mim esta imagem e esta lembrança? Talvez para que a contasse e esperasse que este ano fosse de luz. Que ao obscurantismo de quem incendeia bibliotecas se oponha a luz da cultura e da ciência. Esta fotografia é por si um sinal. Dos livros, a representação através da luz projectada no escuro. Que em 2010 a luz vença. Mesmo que seja a que dizem estar ao fim do túnel.
Recebi do meu colega e amigo José Dias Egipto esta magnífica Litania para este Natal. Porque gostava muito que ela chegasse a todos, aqui a deixo aos que habitualmente consultam este blog. Que este post seja o início de uma maior divulgação.
Litania para este Natal
A todas as vozes que se calam, mesmo por vergonha ou preconceito, das preces de Natal, mas sentem um impulso de compaixão,
porque vivem o essencial e desprezam a aparência …
A todas as novas e velhas solidões, encandeadas pelas luzes de um progresso que não tem vergonha de as cegar assim,
porque é das trevas que nascerá de novo a luz da solidariedade…
A todos os amordaçados por delitos de opinião, nas prisões deste “novo” mundo, para que as feridas dos seus silêncios sangrem nos sonhos de todos os poderosos,
porque o remorso pode dar frutos abrindo os corações…
A todos os que estenderam braços em abraços, sem preconceitos de raça ou condição social,
porque deles será o futuro, por mais longínquo que pareça…
A todos os que ousaram rir perante a hipocrisia reinante, dando a resposta mais subtil às índoles empedernidas dos donos dos “saberes” e das “verdades”,
porque a felicidade há-de vir vestida de palhaço pobre…
A todas os que nasceram neste ano e que vão sofrer as convulsões dos afectos e das novas desigualdades,
porque carregam em cima dos ombros a tarefa Hercúlea de construir um mundo novo…
A todas as expressões de arte que surgiram nestes tempos baços, frutos dos desalgemados do mundo,
porque só elas podem colorir as almas e os corações desencantados…
A todas as vítimas dos abutres de colarinho branco ou vermelho, que provocaram a crise financeira para poderem comer o resto da carne dos fracos, no banquete do liberalismo económico,
porque será do seu desnecessário sacrifício que poderá nascer uma nova ordem económica …
A todos aqueles que combateram e combatem os velhos preconceitos sem caírem no relativismo radical do laicismo,
porque será nesse meio-termo do bom senso que se poderão criar novos valores…,
A todos os que souberam dar Amor nestes tempos de guerra psicológica e desamparo afectivo,
porque será sempre esse o lugar do encontro fraterno e da salvação da própria Humanidade…
Hoje encontrei esta pérola visual e acústica, um refrescar de imagens e sons que guardo na minha memória, sem ter feito qualquer esforço para isso. Nasci a norte a meia dúzia de quilómetros da Galiza. Nasci numa cidade, mas o que mais ficou foram as raízes. Das referências que encontrei no Youtube, sei apenas que a 'canção' (oração, ritual, cântico, celebração?) se chama "Noite de Solsticio" e é gravada por Sangre Cavallum do álbum Veleno de Teixo. Fiquem com o canto, regalem o olho, soltem a memória e as emoções. Não resisto a deixar um curto texto (poema) que escrevi há muitos anos e que penso ter a ver com tudo isto:
Só as caras do povo me impressionam. Só nelas rugas e marcas são marcas e rugas. E a dor é dor. Cara do povo, cara de gente. Gosto de caras, a preto e branco. Preto no branco.
São 3 minutos e 12 segundos de alegria, prazer, divertimento, admiração, aqueles com que vos deixo nesta magnífica interpretação de Cecília Bartoli da área do fim do 2.º acto - Non piu mesta accanto al fuoco, da Cenerentola ou La bontá in trionfo (Cinderela ou o triunfo da bondade) de Gioachino Rossini , no MET (encenação de 1997). Esta mezzo-soprano não pára de nos cativar com a sua magnífica voz e interpretações singulares, pese embora não me agradar o posicionamento do corpo e as expressões faciais dispensáveis. Tirando isso, é uma grande voz em todo o mundo e o MET sabe disso. A Cinderela é uma ópera cómica (bufa) em 2 actos, com libreto de Jacopo Ferreti, sobre o conto de fadas homónimo de Charles Perrault e foi estreada em 1817. Consta que Rossini terá composto a ópera em apenas 24 dias e que Ferreti terá escrito o libreto em apenas 22 dias.
No passado dia 12 de Dezembro tive a sorte de ter assistido e participado (quase um happening) no magnífico e inesquecível concerto comemorativo dos 40 anos de música e palavras de Pedro Barroso que, naquele exacto dia, comemorava os 40 anos de sua estreia no Zip Zip de nossa memória. Durante este ano, Pedro Barroso apresentou este espectáculo em vários locais do país, desde o Minho aos Açores, terminando em Lisboa e guardou a comemoração exacta dos 40 anos para o Teatro Virgínia de Torres Novas, a escassos quilómetros de sua terra - Riachos. Espectáculo cuidado, com bom acompanhamento musical de Miguel Carreira (acordeão e viola), David Zagalo (teclados e piano), Luís Sá Pessoa (violoncelo), Luís Petisca (guitarra portuguesa e viola), Carlos Dâmaso (viola, bandolim, baixo, flauta e percussões) e as vozes de apoio de Teresa Santos e Marta Jacinta. O teatro estava cheio e participativo e foi bom de ver e ouvir a forma como o público colaborou com o homenageado trauteando as suas canções e as de todos aqueles cantores de Abril que ele quis homenagear, dizendo o nome de mortos e vivos e cantando pequenos trechos de cada um, pequenos na duração, longos nas emoções. Talvez tenha sido este o concerto em que mais me emcionei depois do último do Zeca. Pedro Barroso é uma personalidade, não é só um cantor. É uma personalidade multiforme, estendendo o seu génio pela palavra, pela música, pela pintura, pela intervenção cívica, pelo seu apego à terra e aos valores em que acredita. Pedro Barroso não é um cantor de plástico, formatado. É de carne e osso. Autêntico.
Em Outubro passado foi apresentado o novo CD de Cecilia Bartoli intitulado Sacrificium e que é uma homenagem aos famosos castrati, dezenas de milhares de jovens sacrificados pela castração a perderem algumas características de homem e adquirirem algumas de mulher, especialmente a sua capacidade de fonação que lhes permitia autênticas acrobacias vocais, com características de soprano, mezzo soprano ou contralto. Parece que a origem dos castrati terá estado na Igreja, para se obterem vozes com características únicas para enquadrarem os coros das igrejas. A beleza vocal era tal que o movimento se alargou às cortes e aos grandes teatros. Parece provado que os primeiros castrati terão aparecido ainda no século XV e, embora em 1870 a Itália tenha proibido tal prática, ainda há notícias de alguns no início do século XX. Em Itália o movimento teve um grande desenvolvimento, especialmente na região de Nápoles. Era frequente haver nas barbearias cartazes dizendo «Qui si castrano ragazzi», o que não nos espanta se nos lembrarmos que estávamos em tempos em que a cirurgia era feita por barbeiros cirurgiões. O mais famoso de todos os castrati foi Carlo Broschi, conhecido como Farinelli (representado ao centro do quadro pintado por Jacopo Amigoni que se representou a si próprio à esquerda de Farinelli, não esquecendo a Igreja e a aristocracia). Em Portugal também houve castrati, a partir do reinado de D. João V, italianos como Floriano Flori (que chegou a Lisboa em 1719), Giziello, Cafarelli ou Carlo Reina e portugueses oriundos de várias regiões do país, mas que nunca terão tido grande notoriedade. Deliciem-se com a magnífica voz de Cecilia Bartoli, cantando a ária «Cadró, ma qual si mira» de Francesco Araia, acompanhada pelo «Il Giardino Armonico» e ainda em uma curta mostra do Concerto em Caserta.
Ao ler há dias o editorial de André Macedo no jornal i, achei que ele tinha tocado bem no sismo que assola o país nesta legislatura, caracterizado por um acerto de contas entre partidos e figuras de proa, em que esta proa de alguns visa mais o afundamento do navio Portugal, do que ajudar a levá-lo (como se pede e devem fazer) a bom porto. Resolvi pois, transcrever aqui a parte final desse Editorial, por me parecer ser bem ilustrativo da situação. Só agora o transcrevo porque tive a esperança que nestes dias que passaram houvesse sinais de mudança. Enganei-me. Por isso, aqui vai hoje. «Forçar leis e modificações com impacto social e orçamental à margem do que pretende o primeiro-ministro é não apenas batota, é um risco enorme para o país. Se em Portugal os governos já são acometidos de vários ataques de esquizofrenia - defendem tudo e o seu contrário -, se lhe juntarmos o coro de vozes dos deputados e a suas influenciáveis e pueris vontades, não teremos governo nenhum, mas um desgoverno ainda mais perigoso, lunático e analfabeto. Chumbar as leis propostas pelo governo se forem consideradas negativas, sim, esse é um dever da oposição. Mas serão todas as leis más, como parece hoje? Todas erradas e estúpidas? Passámos de um país absolutamente centrado nos humores e vontades do ego do primeiro-ministro, para outro onde o centro do poder tresmalhou-se pelos corredores lustrosos da Assembleia da República. O poder não caiu na rua, caiu nas bancadas parlamentares, onde, apesar da aparência, a vontade de reformar o país passa demasiadas vezes para último plano, muito atrás das vinganças e das estratégias para substituir o poder logo ao virar da esquina. Há muitos anos que não se via tremenda irresponsabilidade política. Sócrates talvez mereça O país, não merece. Cavaco Silva, onde andas?»
Conheci Berlim em Outubro/Novembro de 1968. Encontrava-me em Hamburgo onde tinha ido acompanhar militares amputados na guerra colonial, para construção e adaptação de próteses e reeducação da funcionalidade, no Hospital Militar de Hamburgo. Já naquele tempo os alemães tinham tido a ideia sensata de construir hospitais militares unificados onde trabalhassem médicos dos três ramos das Forças Armadas e fossem tratados todos os militares, solução que qualquer pessoa sensata considerará a mais indicada, por permitir melhor atendimento, menores gastos e melhor aproveitamento do sofisticado e caríssimo equipamento hospitalar. No «rectângulo» e apesar da guerra colonial, continuávamos a dar-nos ao luxo de sustentar três hospitais, cada Ramo com sua quinta, o que só se podia compreender por sermos o país rico que sempre fomos e somos (!), pois ainda hoje e apesar de já ter sido aprovada pela Defesa, a unificação não passou ainda do papel e quando se fizer (veremos), vai começar apenas com o serviço de urgência. Mas é sobre Berlim que eu vou escrever, pelo que regresso rapidamente a Hamburgo para contar que após a entrega dos militares deficientes no Hospital devíamos apresentar-nos no Consulado de Portugal, entidade que providenciaria o nosso regresso. Este processava-se normalmente no primeiro avião Nord Atlas da Luftwaffe a voar com destino a Alverca, para aqui fazer a revisão ou manutenção. Era nesse tempo Cônsul em Hamburgo FGV, com quem fiz amizade e que, quase de forma natural, conseguia que eu regressasse apenas no segundo voo a haver o que, em termos práticos, se traduzia numa estadia de cerca de quinze dias em vez dos habituais cinco ou seis. Este natural atraso no regresso, permitiu-me viajar um pouco pela Alemanha, Dinamarca, França, Inglaterra e Suécia, que me lembre. Numa dessas minhas estadias prolongadas, conheci um funcionário (casado com uma alemã) do Consulado em Berlim, onde o cônsul era honorário e alemão. Durante a nossa conversa perguntou-me - conhece Berlim? Não, não conheço. Quer vir amanhã comigo e minha mulher? Vai connosco de carro, fica em nossa casa os dias que quiser e depois regressa a Hamburgo de avião. Respondi prontamente que sim, com a rapidez com que diria «arrematado» num leilão. Tão prontamente que, só depois do sim, proferi palavras de agradecimento e manifestei a vontade de não lhes causar trabalho nem transtorno. Era o fogo da ainda juventude a falar! E no dia 3 de Novembro de 1968 iniciamos a viagem a caminho de Berlim, atravessando parte da DDR (Deutsche Democratische Republik), com controlo em Marienborn. Este controlo era fortemente apertado e demorado, salvo para pessoal diplomático e estrangeiros, o que nos facilitaria, pensava eu, a passagem rápida. Puro engano. O facto do M. ser casado com uma alemã, atirou-nos inexoravelmente para as filas de grande fiscalização. Não me lembro a esta distância, mesmo com uma capacidade mnésica razoável, de quanto tempo – ia a escrever quantas horas – por ali permanecemos. Mas se não me lembro do tempo, lembro-me bem das torres de observação, dos cães, das armas, do ar sisudo, fechado e intimidativo dos guardas, sem qualquer sinal de simpatia ou compreensão pelos tristes seres que apenas queriam continuar viagem e nada mais. Esmiuçados (quais gato fedorento) os passaportes, fotografias, datas, viatura, criando a sensação de que iria aparecer qualquer impedimento de prosseguir ou de detenção para averiguações. A bagagem era impiedosamente aberta e vistoriada. Quando finalmente nos foi ordenada a partida (mais do que permitida), só respirámos fundo e falámos quando já não se via o check point, nem nenhum carro militar, nem as imaginárias balas, atrás de nós. Posso ter sentido tudo isto de uma forma exagerada, mas é do que me lembro. Todo o percurso através da DDR, foi de grande tristeza, apesar da beleza da paisagem alemã. O que entristecia era o peso que se sentia duma mão invisível que nos rodeava, de um olho oculto que não deixava de nos vigiar. A sensação de tristeza era tal que quase nos embotava os sentidos e ficávamos incapazes de apreciar o belo. Não me lembro de termos falado muito nesse longo trajecto. E agora, não quero lembrar-me mais disso. Prossigo. Dizer-vos da alegria e espanto que senti quando entrámos em Berlim ocidental, é semelhante ao que provavelmente sentiria se me abrissem a porta da cadeia em que, sem saber porquê, tinha estado preso. O que via de belo pareceu-me várias vezes mais belo do que realmente seria. Descobri novamente a tranquilidade, o sorriso na cara das pessoas, as ruas cheias de gente apressada ou não, os miúdos a correr nos jardins, vigiados por mães felizes. E com grande espanto meu, via-se muita juventude. Juventude que vim a saber, tal como agora, ali acorre vindo de todas as partes da Alemanha e do mundo. Recordo com saudade os passeios na Kurfurstendamm, os longos e vários momentos passados na pista de patinagem no gelo do Europa Center, onde permanentemente entravam e saiam patinadores – solitários, casais, pais e filhos, namorados, idosos de ar tranquilo e sonhador (pensando, recordando, exorcizando o passado, festejando o presente, desejando ainda um futuro melhor). Recordo com saudade e ainda espanto, os Dan Club, frequentados por estudantes, de estrutura simples e um palco central. Ali, espontaneamente, em total liberdade, todo aquele que desejasse dizer poesia (na sua própria língua), cantar, tocar um instrumento ou integrando uma banda, montar uma cena de teatro ou magia, fosse o que fosse, limitava-se a subir ao palco depois do anterior sair e … «ouçam-me, vejam-me ou ignorem-me». Foi lá que eu ouvi (ou senti como tal) a canção mais linda que ouvi até hoje, na voz de uma universitária israelita. Naqueles clubes a gestão e serviços era feita por estudantes em regime de voluntariado. Não me perguntem como tudo batia certo numa organização assim. Só sei que fui lá várias vezes e nunca vi falhas ou desacatos. Não esqueci nunca a imagem de um casal já idoso a entrar numa sex shop a menos de trinta metros das ruínas da Gedächtniskirche (hoje, memorial), pegar numa cesta de compras e tranquilamente, sempre conversando, abastecerem-se daquilo que lhes interessava. Nunca assisti a melhor representação duma sexualidade assumida tão naturalmente, num tempo em que tudo era tão limitado e condicionado (apesar do Maio desse ano).
Assim estou eu agora, condicionado pela barreira dos cinco mil caracteres, que me impede de verter aqui outras recordações e outras particularidades da Berlim de então. Esta crónica foi escrita porque se comemoraram no passado dia 9 de Novembro os 20 anos da queda dessa vergonha que se chamava Muro de Berlim e os alemães chamavam de «mauer». Foram precisos 27 anos de vergonha, 200 mortes e muita mudança política, para o muro ser destruído. Em 1989, quando a notícia chegou a mim era já noite. Telefonei para Koblenz para o colega e amigo Bardua a dar-lhe o abraço que não podia, mas gostaria, de lhe dar pessoalmente. Apanhei-o de saída para se juntar aos amigos e à multidão junto à confluência dos rios, festejando e chorando de alegria. Telefonou-me muito tarde quando regressou a casa a contar-me da festa e durante algum tempo as nossas lágrimas de alegria e emoção encontraram-se. Do muro restam alguns blocos pintados, para que a memória se mantenha, o checkpoint Charlie e em Friedrichstrasse o Museum Haus am Checkpoint Charlie. A unificação da Alemanha ainda esperou quase um ano, mas fez-se. A liberdade mais uma vez venceu, apesar de alguns alemães ainda não se terem unificado totalmente nas suas cabeças. E chegou o dia de regressar a Hamburgo que era um dos terminais aéreos dos corredores que ligavam Berlim à Alemanha Ocidental. O aeroporto de Tempelhof (inaugurado em 1923) e que salvou Berlim de morrer à fome quando do bloqueio soviético, fez-me lembrar a arquitectura portuguesa dos anos 40. Funcionou quase até agora (Outubro de 2008) tendo sido desactivado. Mantêm-se o Tegel e o Schönefeld, que serão substituídos a partir de 2011 pelo moderníssimo Berlin-Brandenburg que aproveita as pistas do Schonefeld e que será suficiente para o tráfego aéreo de Berlim do futuro. Pode dizer-se que Tempelhof cumpriu a sua missão, como no dia em que nele embarquei me permitiu cumprir a minha de regressar a Hamburgo a tempo de apanhar o Nord Atlas para Alverca. Já não a cumpri agora, pois acabei por transgredir o limite imposto e quase nada disse sobre o «Mauer». Pode ser que volte a falar um dia da Alemanha desse tempo.
Crónica a publicar no próximo número da Revista do ACMP
Feliz Natal para todos. E o desejo que o espírito de Natal não se perca e comece a recuperar daquilo em que o consumismo o tem vindo a transformar. Agradeço aos alunos da cadeira de Projecto II, do curso de Design da Universidade de Aveiro o terem concebido este Postal electrónico de Natal e que tão bem atinge o objectivo pretendido.
(…) Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo (…)
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Em muito deste texto me revejo ou me enquadro. Mas na parte dele em que mais sinto que eu estou descrito é em pedir à vida que passe sem eu a sentir. A diferença estará na interpretação que Bernardo Soares deu a este passar sem se sentir e aquela que eu realmente peço, que me parece ser distinta. O que eu peço para não sentir é o sofrimento que ela nos traz vezes a mais que as desejáveis, pelo menos por mim; mas a outra, aquela em que me creio ou tento crer feliz, essa quero senti-la bem, estar nela e não fora dela.
Contudo se prestar atenção e quiser ser sincero comigo próprio tenho que concordar que é tal a vontade de viver uma vida cheia que caio de uma forma quase natural na superficialidade dela que, por ser superficial é mais rápida e sendo mais rápida aleija menos.
Aleija menos, escrevi. Mas não é verdade porque embora ela passe, ficam os sinais dela, mordendo, desgastando, consumindo, apertando o cerco para a dor final.
Escrevi uma vez que me sinto um estrangeiro em qualquer lugar. Teria significado o mesmo se tivesse escrito – pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser, como escreveu Bernardo Soares.
Ele sentia assim, sofria assim, mas tinha a grandeza da sua poesia, a imortalidade da sua obra.
Eu tenho o sofrimento que tento seja fugaz e aquilo que desejei, não alcancei.
Recebi hoje do meu amigo e colega Di Cavalcanti (grande poeta que Portugal merecia conhecer), o endereço de um vídeo em que o barítono José Vam Dam canta magistralmente esta belíssima canção de Gustav Mahler sobre poema de Friedrich Ruckert. Para além do endereço do vídeo, o Di faz o favor de mandar uma tradução livre da canção triste e bela que deixo aqui para vosso consolo.
Ich bin der Welt abhanden gekommen, Mit der ich sonst viele Zeit verdorben, Sie hat so lange nichts von mir vernommen, Sie mag wohl glauben, ich sei gestorben!
Es ist mir auch gar nichts daran gelegen, Ob sie mich für gestorben hält, Ich kann auch gar nichts sagen dagegen, Denn wirklich bin ich gestorben der Welt.
Ich bin gestorben dem Weltgetümmel, Und ruh' in einem stillen Gebiet! Ich leb' allein in meinem Himmel, In meinem Lieben, in meinem Lied!
Tradução livre:
Eu estou morto para o mundo com o qual eu costumava perder tanto tempo, Há muito ele nada ouve de mim podendo até pensar que eu esteja morto!
A mim não importa que ele me acredite morto; eu não o posso negar, pois estou realmente morto para o mundo.
Eu estou morto para o tumulto do mundo, e descanso num quieto refúgio! Eu vivo só em meu paraíso, em meu amor e em minha canção! __________________________________________________
A excelência mesmo que em cima de duas rodas é sempre excelência, mas nalguns casos, como este, serve para quê? Para satisfação e vaidade do próprio que lutou por ela, é evidente que o objectivo foi cumprido. A nós, satisfaz e causa espanto durante escassos minutos e talvez reste a memória do espectáculo, no sótão dos arrumos que ainda não se deitaram fora. E além disto, para que ou a quem serviu, tanto esforço, tanto treino, tanta excelência?
Mas escreveria eu o mesmo se falasse de algum poeta bissexto que tivesse escrito um poema de tal modo excelente que nos permitisse dizer que com ele se tinha cumprido?
É tão difícil saber o que é importante, o que conta, o que marca, o que resta!
Afinal a excelência sobre duas rodas serviu também para filosofar...
Bernardo Santareno, pseudónimo de António Martinho do Rosário (1920-1980), médico escritor, faria hoje 89 anos. Não poderia ter melhor prenda do que a forma como a Câmara Municipal de Santarém e o Instituto Bernardo Santareno têm homenageado aquele que é considerado o maior dramaturgo português do século XX. Entre representações de várias peças suas, por grupos de teatro diferentes, representou-se hoje (dia 19 de Novembro, dia do seu aniversário), no Teatro Sá da Bandeira em Santarém, a sua peça «O pecado de João Agonia», encenação de Pedro Oliveira e apresentada por um novo grupo criado em 2008 e que adoptou o nome de Teatro do Azeite. Composto por jovens, conta também com artistas mais experientes como Maria José e Paula Só (do Bando) que aqui representou um dos seus melhores papéis na figura de Rita Agonia, mãe de João. Este foi representado por Miguel Raposo, um promissor artista que aqui se estreou, filho de outros dois grandes artistas (José Raposo e Maria João Abreu). No dia 28 de Novembro vai representar-se «O Crime da Aldeia Velha», pelo Grupo Mérito Dramático Avintense, com encenação de Manuel Ramos Costa, vencedor absoluto do IV Festival de Teatro de Gaia (encenação,sonoplastia e desenho de luzes).
Agora, digam-me - haverá melhor forma de homenagear um dramaturgo que não seja representar as suas peças?
Eu estive lá e gostei do que vi e do que ouvi uma vez mais.
(….) Houve tempo em que me irritavam aquelas coisas que hoje me fazem sorrir. E uma delas, que quase todos os dias me lembram, é a insistência com que os homens quotidianos e activos na vida sorriem dos poetas e dos artistas. Nem sempre o fazem, como crêem os pensadores dos jornais, com um ar de superioridade. Muitas vezes o fazem com carinho. Mas é sempre como quem acarinha uma criança, alguém alheio à certeza e à exactidão da vida. (…) E se antigamente eu considerava esse sorriso como um insulto, porque implicasse uma superioridade, hoje considero-o como uma dúvida inconsciente; como os homens adultos muitas vezes reconhecem nas crianças uma agudeza de espírito superior à própria, assim nos reconhecem, a nós que sonhamos e o dizemos, uma qualquer coisa diferente de que eles desconfiam como estranha. Quero crer que, muitas vezes, os mais inteligentes deles entrevejam a nossa superioridade; e então sorriem superiormente para esconder que a entrevêem. (…)
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Se é verdade que também comigo se passa algo de semelhante, tenho desde já que dizer que as razões serão diversas e, sobretudo, grande parte delas ainda não me faz rir. O que fazia sorrir Bernardo Soares, em mim desperta sobretudo tristeza, já que tenho pena daqueles que querem ser superiores e estarão sempre muito longe de o virem a ser. Se nestes casos sorrisse só poderia ser por desprezo, pelo que, tendo em conta o eu ser fundamentalmente um conciliador (mas guerreiro quando no limite), me fico pela pena (que provavelmente, se bem analisada, acaba por ser pior que o desprezo e fará de mim um ser pior do que, ao ter apenas pena, aparento ser).
Sorrir, sorrir (por vezes gargalhar), é quando me deparo com aqueles «periquitos engravatados» (como diz o meu amigo APG), todos acelerativos, nariz arrebitado, cheios de aparente poder, cheios de falsa cultura e eficácia profissional, decisores de nada, convencidos que estão no centro das grandes decisões e que o mundo pára se eles pararem. Aqueles a quem nunca se deve falar de poesia ou de sonhos, porque não sabem o verdadeiro significado dessas duas palavras, Aqueles que nunca perceberão a importância de ser artista ou sonhar (em que é que isso me ajuda a chegar ao topo da carreira? perguntarão eles). A arte só lhes interessa enquanto negócio de grande rentabilidade. Por isso a compram como investimento, embora nunca saibam ou descubram a razão da sua rentabilidade.
E tenho que confessar que o bonzinho que pareço ser, sou muito mais drástico que o Bernardo era. Porque há situações em que não tenho pena, nem sorrio, nem sinto desprezo e, muito simplesmente me irritam e me deixam em transe. Mas não vou enumerá-las ou defini-las. Já fui muito longe no meu id.
Vejam atentamente o vídeo e reparem como uma ideia ou um sonho de alguém se pode transformar numa acção colectiva e voluntária. Penso que depois de o ver, ninguém fica indiferente. Divulgue aos seus amigos e participe se puder, evidentemente. Mas verá que há sempre uma forma de participar, desde que verdadeiramente o queira.
Agora em Portugal foi lançado o mesmo desafio: "Limpar Portugal" no dia 20 de Março de 2010.
Inscrevam-se e divulguem por favor: http://limparportugal.ning.com
Para ter um país mas limpo, organizado e com menos incêndios!
Terminou ontem a Feira de São Martinho e a XXXIV Feira Nacional do Cavalo, na Golegã. Desde há vários anos que a Feira é um acontecimento nacional e internacional e, segundo o que leio, passam por ali mais de um milhão de pessoas. Pensando nas centenas de cavaleiros e de atrelagens que permanentemente desfilam no Largo do Arneiro, à volta, à volta, à volta, uns sabendo o que fazem, outros apenas mostrando-se (qual feira de vaidades), uns mostrando o amor ao cavalo, outros apenas mostrando-se (repito), levou-me a recuperar um vídeo que tinha visto há muito tempo e que mostra a íntima ligação de cavaleira e cavalo levada ao seu limite, em que o entendimento entre o binómio parece total. Penso que vale a pena dedicarem escassos minutos para verem este espectáculo com que Stacy Westfall, com o número 3353, nos delicia no «All American Quarter Horse Congress de 2006». A arte de montar no seu melhor, sem sela, rédeas ou pingalim e em que consegue todos os passos possíveis e 3 espantosas travagens a galope, no mínimo inesquecíveis.
Nunca me tinha lembrado que um blog também deve ter esta preocupação - facilitar a vida das pessoas, através de gestos simples que outros tenham descoberto. Que sirva a alguns, a muitos se for caso disso.
Vi ontem o filme «This is it», que mais não é que o making of do que seria o último concerto de Michael Jackson em Londres se, entretanto, não tivesse ocorrido a sua morte. Admitindo que possa haver quem não goste, confesso que gostei e muito. Vi uma personalidade muito diferente daquela que imaginava e com a convicção de que seria esta a autêntica. O rigor, a entrega, a dedicação à sua causa, a educação e correcção com as pessoas que conjuntamente construíam o espectáculo, mostraram-me um outro MJ. Hoje enviaram-me o vídeo que aqui vos deixo «Earth Song» que, pelo que me dizem foi censurado e nunca foi passado nos EUA. Numa altura em que vamos ter a Cimeira de Copenhaga e é cada vez mais evidente a necessidade de curar o planeta (palavras com que termina «This is it»), pareceu-me importante divulgar o vídeo e mostrar a faceta ecológica de MJ, por uma questão de justiça.
Um dos maiores poetas brasileiros e um dos mais mal tratados pelas instâncias da cultura. Mas um dos mais amados pelos leitores e pelo povo em geral, como poeta e como homem. Duas vezes ultrapassado por outros na Academia Brasileira de Letras, escreveu um dos seus pequenos poemas satíricos que analisando a situação terminava assim - «eles passarão // eu passarinho». Foi assim que atravessou a vida. Solitário e passarinhando. Ainda pôde ver antes de morrer a homenagem que a cidade de Porto Alegre lhe fez, transformando o velho Hotel Majestic em que viveu longos anos, na Casa da Cultura Mário Quintana. A justiça acaba por se fazer, mesmo que tarde.
O vídeo que aqui quis deixar é muito longo e pesado e o sistema não conseguiu carregá-lo durante uma noite inteira. Mais uma vez alguma coisa impediu o reconhecimento do verdadeiro Mário Quintana. Aqui deixo um pequeno vídeo que apenas dá uma pálida ideia da sua poesia e da sua grandeza.
Penso que uma das melhores frases publicitárias que alguma vez li, dizia assim - «compre terra, já não se fabrica mais». Hoje foi a ocasião em que vi um dos mais eficazes e bonitos vídeos em defesa desse bem escasso que é a água. Não hesitei em colocá-lo aqui para todos vós. E poupem água, por favor. Pensem nos que ainda não nasceram.
Recebi hoje este magnífico vídeo que quero partilhar. Gravado em 10 de Junho 2007 no Auditório Nacional de Música, em Madrid, durante o Concerto Vozes para a Paz. Dirigiu a orquestra Enrique García Asensio. Ouçam «La boda de Luís Alonso». de J. Gimenez e prestem especial atenção a essa grande artista das castanholas, chamada Lucero Tena. Atentem na qualidade, musicalidade, postura, na paixão, na idade.
Evangelos Odyssey Papathanassiou, mais conhecido como Vangelis, musicou prodigiosamente o significado profundo que representou para a Humanidade a descoberta de outros mundos, pelos navegadores de Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda que juntos tomaram conta do mundo então desconhecido - África, Ásia e América.
Em 12 de Outubro de 1492, Cristóvão Colombo chegou a uma pequena ilha do Caribe pensando que tinha chegado à Índia. Era a América. Em 20 de Maio de 1498, seria Vasco da Gama a chegar a Calecute, por uma rota muito diferente - pelo Atlântico e o Índico.
VANGELIS no seu álbum "A conquista do Paraiso" 1492, faz referência a esta descoberta casual da América. Tendo em conta a data de hoje e a qualidade da música, aqui vos deixo este magnífico vídeo, no meu regresso a Portugal.