segunda-feira, julho 12, 2010

música e humor, em tempo de crise

Gidon Kremer, de família de judeus alemães, nasceu em Riga. Violinista e maestro. Abandonou a Rússia e foi viver para a Alemanha. Premiado em vários concursos internacionais, fundou em 1981, o Festival de Música de Câmera de Lockenhaus (Austria), destinado a música moderna e pouco convencional. O Festival de 1992 ficou conhecido como "Kremerata Musica" e em 1996, fundou com jovens músicos da região Báltica, a Orquestra de Câmera Kremerata Baltica. Foi um dos directores do festival "Art Projekt 92" de Munique e é director do Festival Musiksommer, em Gstaad (Suiça). Em 2008, realizou um tour com a sua orquestra, juntamente com o duo Igudesman & Joo. É deste tour que eu vos deixo a interpretação de «We will survive».
Gidon Kremer e a Kremerata Baltica, Aleksey Igudesman e Richard Hyung-ki Joo, tentam juntar a música e o humor, como representação da «Ascenção e Queda da Música Clássica». Eles assinam um manifesto em que afirmam vivermos numa época em que a economia de mercado tiraniza a arte e a qualidade da arte é medida pelo número de vendas. O que conta é o volume das vendas, o posicionamento nos top tens, chegando-se à errónea ideia de que o mais popular é o melhor e em que todos os artistas querem ser superstars.

sexta-feira, julho 09, 2010

um momento de magia em tempo de crise

Depois do humor, um pouco de magia, daquela que nos deixa com os olhos em bico, porque estivemos atentos, nada se passou, não nos apercebemos de nada e eis que a magia está ali à nossa frente.
Não temos dúvida que é truque, mas não sabemos explicar.
E, de repente, desejamos que se pudesse fazer o mesmo com a crise.

quarta-feira, julho 07, 2010

um momento de humor em tempo de crise

Em tempo de crise precisamos muito de momentos que nos façam rir e descarregar as raivas e raivinhas acumuladas. Isto não significa que com isso possamos esquecer as preocupações e a obrigação que temos de contribuir com uma parcela, mesmo que mínima, para a solução desejada e necessária dos problemas que nos afectam. Mas para que isso seja mais fácil e possível, necessitamos de estar bem, sem stress ou tensões acumuladas. É aqui que o humor pode entrar e dar uma ajuda.
Encontrei no YouTube este sketch em que Bruno Nogueira no seu programa Lado B entrevista virtualmente Marcelo Rebelo de Sousa. Vejam e ouçam esta mistura explosiva de bom humor. Tenho a certeza que Marcelo riu muito quando o viu.

terça-feira, julho 06, 2010

atlântida ou lemúria? ou nem uma nem outra?


Desde 1995, mergulhadores e cientistas japoneses estudam uma das mais importantes descobertas arqueológicas do planeta, localizada a alguns quilómetros da ilha de Yonaguni - os restos submersos de uma cidade muito antiga.
Em 1997, o Dr. Masaaki Kimura, professor da Universidade de Ryûkyû, PHD em geologia marinha, publicou A Continent Lost In The Pacific Ocean, onde defende a teoria da civilização submersa. Em 4 de Maio de 1998, a ilha e as ruínas foram sacudidas por um terramoto.
Ao longo de mais de uma década foram localizadas oito grandes estruturas feitas pelo homem, incluindo uma enorme plataforma com mais de 200m de comprimento, uma pirâmide no estilo das aztecas e maias, com 5 andares e alinhadas de acordo com os pontos cardeais, uma pedra mostrando a existência de escrita, conhecida agora como a Roseta de Okinawa e ferramentas várias.


Submersa, 18 metros abaixo da superfície, surge uma cabeça megalítica, um rosto de pedra gasto pela erosão das águas que faz lembrar as cabeças de pedra de Moais, no Pacífico ou de La Venta, Golfo do México.
Muitos falam em Atlântida (quarta raça, na teoria geológica do Catastrofismo), outros em Lemúria ou Mu, ainda mais antiga, chamada pelos esotéricos de civilização da Terceira Raça (a do esqueleto cartilaginoso e um terceiro olho na nuca).
Este apontamento que aqui deixo servirá apenas para aqueles que se interessam por estes assuntos mas, mesmo assim, penso que o devo divulgar para aqueles que se interessam com estes assuntos do desconhecido. E esses terão muito que averiguar, uma vez que o que aqui fica é apenas um tópico para início de pesquisa. Que alguém a faça, já que eu não a farei.

quarta-feira, junho 30, 2010

uma história de burros ou o mercado de acções


Recebi agora esta pequena história, divertida e educativa. Por isso, a repasso.

Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada.
Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro.
O homem acabou por comprar centenas e centenas de burros a 5 euros.
Quando os habitantes diminuíram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.
Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo.
É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça.
O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros.
Mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela compra dos burros.
É então que, na ausência do homem, o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:
- Sabeis dos burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada? E assim que o meu patrão voltar vós podeis vendê-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!! Que acham?
Toda a gente concordou.
Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.

Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente - somente burros por todo o lado!

Entendem agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?

sábado, junho 19, 2010

última carta para josé saramago



Em 9 de Outubro de 1998, enviei esta carta oficial a José Saramago


Em nome da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos e no meu pessoal, apresento ao homem raro, íntegro, coerente e frontal e ao escritor ímpar da literatura contemporânea, burilador e alquimista da palavra portuguesa, as melhores felicitações pela justiça que lhe foi feita quando, em boa hora, lhe atribuíram o Prémio Nobel da Literatura de 1998.
Apresento-lhe também os parabéns, ou parabenizo-o como dizem os brasileiros, pelo Prémio Nobel, em nome da União dos Médicos Escritores e Artistas Lusófonos – UMEAL, que ajudei a fundar em 1992 e a que actualmente presido, certo que estou que será esse o sentir de todos os colegas que têm no português a sua forma de expressão oral e escrita.
Em nome de todos nós, que já somos bastantes, deixe-me que lhe diga – Obrigado, José Saramago, por ter elevado a nossa língua ao local que ela merece e a tenha levado ao conhecimento dos muitos que teimam em nos ignorar.
Pombalinho, 9 de Outubro de 1998
Carlos Vieira Reis
Presidente da SOPEAM e da UMEAL


Hoje, um dia depois da sua morte e uma hora depois da sua chegada ao Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, escrevo-lhe esta última carta, em meu nome pessoal, para lhe agradecer que nestes 12 anos de nobelizado não tenha mudado a sua maneira de ser nem as qualidades que sempre teve e cultivou.
Não lhe faltaram tentações que conduziriam a uma mudança a que muitos não resistiriam, mas a que o José Saramago soube resistir. A sua escrita ficou cada vez mais vintage.
São cada vez menos aqueles que nos ignoram como povo e como língua e, se assim sucede, a sua grandeza para isso contribuiu.
Cumpriu-se como Homem e como Escritor. O novo caminho espera por si. Por certo será mais macio do que foi este.
Até breve.
CVR


quarta-feira, junho 16, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 30

Salieri

106.
(…) De que me serve citar-me génio se resulto ajudante de guarda-livros? Quando Cesário Verde fez dizer ao médico que era, não o Sr. Verde empregado no comércio, mas o poeta Cesário Verde, usou de um daqueles verbalismos do orgulho inútil que suam o cheiro da vaidade. O que ele foi sempre, coitado, foi o Sr. Verde empregado no comércio. O poeta nasceu depois de ele morrer, porque foi depois de ele morrer que nasceu a apreciação do poeta.
Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se o não fizerem ali?

Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Assírio e Alvim, 1998)



Nada mais verdadeiro – o êxito está em ter êxito e não em ter condições de ter êxito. Por isso, e já o escrevi mais do que uma vez, me considerei sempre um Salieri que nada fazia para ser Mozart. De que serviu a Salieri ser compositor da Corte, maestro da Orquestra Imperial, presidente da Tonkünstler-Societät e professor de Beethoven, Czerny, Liszt, Schubert e outros, se o êxito lhe passou ao lado? Não que o êxito importe por si, mas sim como referência da apreciação que o trabalho de alguém merece. O certo é que poucos têm êxito e muitos são os que poderiam tê-lo igualmente. Todos aqueles que têm a terra larga bastante para ter um palácio, mas que nunca ali o construíram. Que nunca o construíram ou que nunca disso se lembraram ou nunca com isso se preocuparam? E, no fundo, quem constrói o êxito? O próprio ou os outros? Se pensarmos nos tempos de hoje quem o constrói? Os lobbies, o marketing, ou o próprio?
O êxito é como as comendas. Será que quem as recebe as merece? Porquê aqueles e não outros? Quantas vezes concordámos que só aqueles as merecem?
Quando Cesário Verde reclama ser chamado de poeta Cesário Verde e não de Snr. Verde, foi apenas por vaidade? Ou terá sido por ter uma real consciência de si? Por se identificar mais com a sua condição de poeta, aquilo que sentia ser, do que com o snr. Verde que para ele era apenas um apelido, mas não ele-pessoa?
«Serei o que quiser, mas tenho que querer o que for». Agir, portanto. Querer.


CVR

domingo, junho 13, 2010

o tango ao serviço do desporto

Vejam o vídeo que a Argentina fez para campanha do Mundial de Futebol e como conseguiu, de uma forma hábil e funcional, valorizar duas das suas referências nacionais - o tango e o futebol.

sábado, junho 12, 2010

quando o talento se faz arte

Não é o mesmo que ouvi-la em órgão, piano ou orquestra. Mas não pode deixar de se admirar o talento de Robert Tiso ao executar a Tocata e fuga em ré menor de Johann Sebastian Bach naquilo que poderemos chamar órgão de cristal. Ouçam e vejam com atenção.

quinta-feira, junho 10, 2010

uma língua única - o português


Recebi hoje, enviado por um colega e amigo brasileiro, este texto demonstrativo do que se pode fazer com o português e de como é rica e plástica a nossa língua. Leia devagar e com atenção e descubra o que falta neste longo texto. Será possível fazê-lo com outro idioma?

«Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinónimos.
Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo desporto do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objecto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifónico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, cofre de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos».


Se não descobriu, eu digo-lhe - nunca foi usada a letra A ...

terça-feira, junho 08, 2010

até que a morte nos separe ...


Eu sei da crise e sinto-a na pele. Conheço as razões que a ela conduziram, como sei que não vai ser fácil libertar-nos dela. Pior ainda, sei de muitos que por ela passarão incólumes sem terem sido acusados de a fabricarem e que sempre ostentarão o sorriso vitorioso dos que se julgam acima de tudo e de todos. Sei destas e de outras desgraças e injustiças. Tenho pois muitas razões para andar triste, furioso, revoltado.
Mas hoje apetece-me rir e ginasticar todos estes músculos que fazem do riso o melhor remédio … Apetece-me rir e tenho uma razão para isso. Por isso, resolvi partilhar convosco uma história ocorrida há dias que, de tão absurda e inacreditável, nos faz rir, quando não seria isso o que se esperaria que fizesse. Vamos à história, então.
Começou há cerca de 50 anos, no altar de uma igreja, quando um e outro repetiram perante o padre, perante Deus, «sim, aceito …. Até que a morte nos separe».
Foram anos e anos de vida em comum, semelhante à da maioria dos casais – rotina e mais rotina, com raros períodos de alegria e muitos de tristeza e dor.
Chegou o tempo do envelhecimento e do «arrumar» dos velhos. A mulher já não conseguia tratar dele e os filhos não estavam interessados nisso. Como vai sendo hábito, o destino foi quase natural – foi para um Lar. (antigamente lar era a própria casa).
Por lá se arrastou escassos anos, com raras visitas da mulher e ainda menos, dos filhos.
Quando o telefone tocou no seu antigo lar, não era do novo Lar que ligavam, mas do hospital, dizendo que ele tinha acabado de falecer.
Prontamente se tratou de tudo e escassas horas depois já ele se encontrava na capela mortuária, em caixão aberto.
A mulher que há mais de 50 anos dissera, com ele, «até que a morte nos separe», chorava, soluçava, debruçava-se sobre ele e beijava-o ardente e continuadamente.
Entretanto, uma sobrinha do morto foi despedir-se do tio e tal impressão este lhe causou que aproximando-se da prima lhe perguntou – tu tens visto o teu pai? Tenho. Porque perguntas? Porque achei o teu pai muito diferente – careca e ele sempre teve cabelo e muito gordo e sempre foi magro. Está gordo, porque está inchado e ele agora já tinha pouco cabelo. OK, tudo bem. E a sobrinha deu-se por esclarecida e nada mais perguntou.
Os beijos da viúva continuavam inflamados, até que a morte finalmente os separasse.
E foi a enterrar numa sexta feira. E a família deixou de chorar.
No dia seguinte, a viúva foi convocada a comparecer na morgue do hospital onde o marido morrera. Quando lá chegou, encontrou uma família de luto, chorosa, e um morto que afirmavam não ser o seu familiar falecido.
Foi-lhe explicado que tinha havido uma lamentável troca e que o seu marido era aquele que ali se encontrava e não o que enterrara. Precisavam pois que identificasse aquele morto como seu marido e devolvesse à outra família o morto já enterrado.
Mesmo sem ver, foi logo dizendo e gritando que o seu marido já fora enterrado e estava no descanso do Senhor.
Mas houve engano, minha senhora.
Qual erro, qual carapuça. Então eu não reconhecia o meu marido com quem casei há quase 50 anos?
Desculpe, minha senhora, mas houve uma troca. Estes senhores não reconhecem este morto como sendo da sua família. A senhora tem que o ver bem e confirmar que é este o seu marido.
Mas confirmar, o quê? O meu marido já o enterrei.
Mas tem que confirmar, minha senhora.
Deixe lá ver, então. Olhou, olhou bem. Este não é o meu marido, foi conclusiva.
Não pode ser, minha senhora. O seu marido não tinha qualquer cicatriz ou sinal, qualquer coisa de que se lembre e o possa identificar?
Tinha. Uma cicatriz, duma operação antiga numa das pernas, perto do joelho.
Foram levantadas as calças e uma cicatriz via-se na coxa esquerda.
Houve um silêncio prolongado.
Ouviu-se então a viúva dizer – credo, que me fartei de beijar o outro, pensando que era o meu homem. Credo! Que Deus me perdoe!

Até que a morte finalmente os separou.



Esta situação é verídica, recente e passou-se algures perto do Tejo.

segunda-feira, junho 07, 2010

o beija flor como nunca o viu

O beija-flor bate as asas numa cadência entre os 36 e os 80 batimentos por segundo. Com esta nova tecnologia consegue ver-se batida a batida o seu voo na vertical. Este vídeo é apenas uma pequena parte de tudo que foi filmado pela Globo Repórter.

domingo, junho 06, 2010

fuá na casa do cabral

Uma das coisas que me impressionam nas minhas idas ao Brasil, é sentir a forte influência deixada pelos portugueses e os conhecimentos que os brasileiros têm da nossa História, sobretudo naquilo em que ela nos liga a eles. Outra coisa de que gosto é de um bom «romance de cordel» (que ainda hoje se vão encontrando) e de assistir à exibição de cantores repentistas no Nordeste.
Ontem chegou-me às mãos este forró intitulado Fuá (mexerico) na casa do Cabral, tocado no Palace de S. Paulo, num dos Concertos Heineken, por Mestre Ambrósio Siba na rabeca, violão, guitarra e vocal, Helder Vasconcelos no fole de 8 baixos, percussão e vocal, Mazinho Lima no baixo, triângulo e vocal, Maurício Alves na percussão e Eder Rocha na percussão.
A qualidade do som não é a melhor, perdendo-se algumas das palavras. Mesmo assim, vale a pena.

quarta-feira, junho 02, 2010

uma visão da ajuda à grécia

Embora este Daniel Cohn-Bendit seja uma espécie de clone do que conhecemos no Maio de 68, vale a pena, como portugueses, escutar a forma como ele apresentou e chamou a hipócrita ajuda da UE à Grécia. Entre os ouvintes destaca-se Durão Barroso.

sexta-feira, maio 21, 2010

comprar, comprar, comprar ... afundar, afundar, afundar ...

É um vídeo bem feito e explicando bem o mundo actual.
Tem dois defeitos - a duração e a voz pouco agradável da apresentadora.
Feitos estes comentários, fica convosco a decisão de o ver ou não.

domingo, maio 16, 2010

as irmãs ross

Um curto vídeo 3 em 1, em que as Ross Sisters (Aggie, Maggie e Elmira) no filme Broadway Rhythm de 1944, nos presenteiam com canto, dança e contorcionismo aparentemente impossível para seres humanos. Trata-se de uma cópia melhorada e dura escassos três minutos. Espreitem ... este tesourinho ...

sexta-feira, maio 14, 2010

à consideração do governo

Depois das recentes decisões do Governo sobre as medidas necessárias à tentativa de resolução da grave situação financeira que o país atravessa, verifico que a maioria dessas medidas estava contemplada no Manual de Instruções para um País, que Ricardo Costa publicou recentemente no Expresso.
Porque algumas medidas ali definidas e que me parecem correctas e desejáveis, não foram ainda contempladas, resolvi publicá-las neste blogue com a esperança que alguém as leia e possa tomar em conta.

quinta-feira, maio 13, 2010

seremos mesmo assim?

Ou estou cada vez mais preguiçoso ou deparo cada vez mais com textos que parecem merecer ampla difusão. Se antigamente só colocava neste blogue textos meus agora, de quando em quando, coloco outros de que fui leitor e apreciei. Aqui está mais um desses textos, publicado na Única de 10 de Abril passado e da autoria de Clara Ferreira Alves.

terça-feira, maio 11, 2010

criancinhas ...


Parece não haver dúvidas de que a maioria dos pais se demitiu da sua acção formadora e educativa permitindo que os seus filhos se venham a transformar em seres despidos de educação e valores. Esses pais perderam a força, o respeito dos filhos e, desse modo, os filhos. Penso que este texto publicado na Visão, intitulado «A Devida Comédia», da autoria de Miguel Carvalho, ilustra bem a deseducação hoje bem visível e audível no nosso dia a dia e nos telejornais diários. Aqui transcrevo o texto, para reflexão.



A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta
metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

sábado, maio 08, 2010

ontem, como hoje, como sempre ...

A sabedoria não tem data. A memória persegue-nos. O esquecimento é imperdoável.

terça-feira, maio 04, 2010

um lembrete

Não há ninguém que não saiba e, muito mais, que não sinta, que a vida é curta, mesmo quando ela começa a ser um pouco mais longa do que era quando nascemos. Mas, apesar disso, poucos pensam claramente no que devem fazer com ela e como a devem aproveitar.
A escolha é individual, mas há opiniões que devem ser ouvidas, por serem formuladas por pessoas com sabedoria e lucidez, como o Dalai Lama.


segunda-feira, maio 03, 2010

para quem gosta de jazz

Em 1985, Steven Spielberg realizou o magnífico filme «The Color Purple», onde conta a história passada numa pequena cidade da Georgia, da adolescente Celie, violentada pelo próprio pai, de quem tem duas crianças. Separada imediatamente dos filhos, Celie é doada a Mister que a trata como companheira e escrava ao mesmo tempo. Cada vez mais calada e solitária, Celie passa a compartilhar a sua tristeza escrevendo cartas, primeiro a Deus e depois à irmã Nettie, missionária em África. Mas é quando ouve cantar Miss Celie's Blues que ela começa a revelar o seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu próprio valor.
Deixo-vos com a voz de Tata Vega cantando Miss Celie's Blues nesse magnífico filme e no segundo vídeo (e 25 anos depois) podem ouvir o mesmo blue e a mesma cantora, em Março de 2009 no Club Nefertiti, em Gothenburg (Suécia).



quarta-feira, abril 28, 2010

nunca é demais insistir

Já algumas vezes tenho publicado vídeos sobre prevenção rodoviária. Mas todos sabemos que a reacção mais normal da maioria das pessoas é ficar impressionada com o que vê, mas rapidamente esquecer o que viu. Talvez por isso a prevenção é cada vez mais agressiva, incorporando imagens chocantes numa tentativa de obter mais efeito residual. Porque a prevenção continua a ser muito precisa e acreditando no efeito das imagens subliminares, deixo hoje mais um vídeo chocante e espero que eficaz, na esperança de que algo do seu horror se mantenha subliminarmente e possa vir cumprir a sua missão preventiva.

terça-feira, abril 20, 2010

dignidade e determinação

Mesmo que este vídeo não atinja todos que o virem, tenho a certeza que tocará profundamente alguns de vocês. Reparem na assistência e verifiquem como isto é uma verdade. Cada vez precisamos mais de bons exemplos de coragem, dignidade, determinação. Vejam e deixem-se tocar pelo exemplo.

domingo, abril 18, 2010

va pensiero, uma vez mais

Nunca é demais ouvir-se a área "Va Pensiero Sull´ali Dorate" do Nabuco de Verdi, sobretudo em versões como esta da Metropolitan Opera House, dirigida por James Levine, em 2001.
São apenas cinco minutos, no fim dos quais, garantidamente, gostávamos de continuar.
Para mim foi um prazer.

ler, ler, cada vez mais

Gosto da publicidade quando ela é inteligente, criativa e visa bons produtos. Este é um dos casos.
Espero que gostem, como eu gostei.

sábado, abril 17, 2010

há sempre quem assobie melhor do que nós

É no mínimo surpreendente encontrar uma interpretação das Czardas de Monti pela Orquestra Sinfónica de Kiel, tendo como solista Geert Chatrou tocando um instrumento pouco usual em concertos, mas talvez o mais tocado no mundo, pois talvez se possa dizer que não existe nenhum homem que não o toque com frequência - o assobio.
Por mim, posso dizer que sou um praticante frequente e cheguei a ser quase perfeito, até que a idade me foi levando alguns dentes e a cavidade bucal tomou outras formas. Mesmo assim, de quando em quando, ouço-me a interpretar músicas preferidas e sinto-me feliz, mesmo quando uma fífia me lembra que o tempo está a passar depressa demais.

uma boa e útil lição

Mais uma das magníficas palestras TED talks. A escritora nigeriana Chimamanda Adichie («Half of a Yellow Sun», «Purple Hibiscus») ao longo dum discurso bem construído, mostra claramente o perigo da «história única» ou do juízo mal fundamentado. Merece bem a vossa atenção, mesmo demorando o tempo da palestra.

quarta-feira, abril 14, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 29


«Nuvens … Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma, fazendo versos em prosa às sensações intransmissíveis com que torno o universo incógnito. Estou farto de mim objectiva e subjectivamente. Estou farto de tudo e do tudo de tudo o resto. Nuvens …»
Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Porquê não me revendo eu no que agora li, fico com a dúvida se fui eu quem o escreveu? Vejamos, por partes. «Interrogo-me e desconheço-me»? Não é verdade minha. Primeiro porque costumo repetir à exaustão (penso que para me convencer) que não sou homem de me interrogar. Segundo – porque sendo verdade que me desconheço, conheço-me bem de mais para me aceitar assim e por isso, só tenho que desconhecer-me para não atentar contra mim.
Sim, isso é verdade, tenho gasto toda a vida que não perdi e não só parte dela, a fazer tudo que é coisa nenhuma, como depois se vê.
Mas, sobretudo, estou farto de mim objectiva e subjectivamente. Objectivamente, desde sempre, subjectivamente há não muito tempo, mas de tal forma que o que parece pouco é quase tudo.
Estou farto de tudo e só agora começo a perceber que o que me fazia correr, não merecia nem valia um chavo. Talvez por isso, e só por isso, passei a vida a pensar que não era homem de me interrogar.
CVR

quinta-feira, abril 08, 2010

discurso sobre a paixão e o feminismo

É um vídeo longo pois comporta todo um discurso que Isabel Allende fez nos afamados TED Talks abarcando o tema das mulheres, do feminismo e da paixão. Merece que a ouçamos os 17 minutos que demora o discurso, mesmo que algumas vezes não estejamos de acordo ou preferíssemos que se tivesse expressado doutra forma. Mas não é por isso que deixa de ser um interessante e válido testemunho. Quem quiser ouvir em português pode seleccionar a nossa língua nos subtitles.

segunda-feira, abril 05, 2010

um desenho quase completo

Apreciem um artista russo a desenhar uma mulher reclinada, numa perspectiva única. Normalmente olha-se uma mulher e fica-se com uma ideia. Atenta-se nos olhos e o conhecimento dela aumenta. Sente-se a pele, o toque da mão e apreende-se um pouco mais. Observam-se as reacções e começa a ter cada vez mais forma. De passo em passo, chega-se mesmo a saber por quê e por quem bate o coração. Mas, continua a pouco se conhecer da sua alma. É muito difícil chegar lá e interpretá-la. Permanece qualquer coisa de enigmático que poucos poderão um dia traduzir, tal e qual o que neste momento me sucede com o nome do desenhador e o título que deu à sua obra e que aqui deixo para quem possa ir mais longe do que eu - Виртуальные открытки II - "Просмотр Открытки".
O desenho é magnífico, mas incompleto. Desenhou apenas quase tudo...



Lamento que o recuperador deste vídeo não tenha tido o cuidado de ver que lhe colocou um título e logo a seguir lhe inverteu o sentido. De qualquer modo, mesmo com erro, obrigado por tê-lo colocado no youtube.

sábado, abril 03, 2010

páscoas

Recebi este ovo da Páscoa do meu colega e amigo José Dias Egipto. Foi imperioso que o compartilhasse convosco. Aqui fica para vosso deleite e reflexão.



Páscoas


Que é feito da cidade branca,
esse tesouro,
prometido há mais de dois mil anos
pelos Homens de ouro
que esfarrapados bebiam o fel dos poderosos?


Quem voltará a transmutar esses metais ignóbeis,
esses homens esboços,
essa ignorância ancestral e gorda
que jaz ainda sobre os destroços
de todas as religiões?


Mortos na vida reinam ainda,
lobos matreiros,
sobre a cidade desvirtuada
e os seus saberes são passageiros
e o seu poder cheira a sangue imaculado.


Cegos permanecem, de tal sorte,
que não vêem
a cidade branca iluminada,
concreta e habitada
pelos que hão-de estar vivos na morte.


Quem lhes pode explicar
que o que interessa,
simplesmente,
não é o saber sempre mais que se gabe,
mas tão-somente
o Viver, apenas, o que se sabe!



José Dias Egipto

terça-feira, março 30, 2010

nunca é demias chamar a atenção

As deficiências ou as mortes resultantes dos acidentes de viação, representam valores tão elevados que não podem deixar de preocupar os governos e os cidadãos que, frequentemente, se organizam em associações para combater a sinistralidade e levarem à adopção de medidas preventivas.
É por isso que hoje vos deixo dois vídeos, o primeiro dos quais um pouco pesado, a merecer bolinha no canto superior direito, mas bem feito e espero que eficaz e um segundo mais leve e que apela para o melhor de nós.
Vejam, meditem e divulguem.

terça-feira, março 23, 2010

acerca do facebook

Não aderi nem frequento o Facebook, apesar dos vários convites que tenho tido de amigos meus e outros conhecidos. Não sei porquê nunca me vi a criar uma nova obrigação, quando tudo que agora desejo é só fazer aquilo que me apetece e me dá na «mona».
Hoje recebi este vídeo enviado por um amigo que me envia com regularidade vídeos interessantes. Este é uma espécie de aviso e reflexão sobre o Facebook e dizem-me ser sério. Pediram-me que o repasse, razão porque hoje aqui o deixo para vocês.
Não o encarem como a Verdade, mas pensem e julguem.

sábado, março 20, 2010

veja uma gota como nunca a viu

Todos os dias aprendemos, todos os dias temos oportunidade de ver o mundo com outros olhos. A ciência não para de se desenvolver e de nos admirar com o que com ela se pode fazer ou muito simplesmente, como é este o caso, de nos mostrar um outro aspecto da realidade. A realidade até onde se pode ir. Hoje. Como será amanhã?
Vejam uma gota a cair, fotografada a 2000 imagens por segundo. Vejam o poder da tensão superficial.

sexta-feira, março 19, 2010

parabéns, pai


Hoje é o teu dia, pai.
Continuo a dizer o que sempre disse - só tiveste um defeito. Morreste cedo de mais.
Aqui fica o meu obrigado e a minha homenagem.

quarta-feira, março 17, 2010

um pedaço dos sixtie's

Num estilo intimista e numa pose muito diferente do Elvis the pelvis, podemos recordar o rei do rock Elvis Presley cantando «Blue Christmas», em 1968.
O que não é de 68 é podermos ouvir conjuntamente a voz de Martina McBride que com dois anos de idade assistiu a esse concerto de Natal, intitulado «Santa Klaus is back in town». Este remaster foi feito em 2008, nos 42 anos de Martina.

segunda-feira, março 15, 2010

o declínio dos impérios

Este vídeo só valoriza a importância da carga genética dos portugueses!!! Depois de verem perceberão que depois de ver o esvaziamento sofrido, deixamos pelo menos aquilo que não deixou de ser nosso.

domingo, março 14, 2010

carga genética

Fiquei surpreendido com a carga genética que os portugueses foram deixando por todo o mundo. Por isso me entristece ainda mais assistir ao que hoje somos, ao estado em que estamos. Devo ter acordado mal disposto ...

quinta-feira, março 11, 2010

ainda estamos a tempo

Ainda estamos a tempo de evitar que os nossos filhos e netos nos venham a acusar.
Ainda estamos a tempo. Mas será que queremos? Será que podemos?
Muitos de nós, adultos responsáveis, poderão, mas não querem.
O grosso de nós quererá, mas não pode.
Será que ainda estamos a tempo?
Que cada um de nós descubra o caminho para que juntos, consigamos.



Ver em ecrã total

segunda-feira, março 08, 2010

os 100 anos do dia internacional da mulher

Parabéns mulher. Parabéns mulheres. No dia em que se comemoram 100 anos da criação do Dia Internacional da Mulher parece-me bem recordar as razões e a história da sua criação. Embora não considere este vídeo perfeito, penso que dá, apesar de tudo, uma ideia aproximada da história deste dia.
Aqui fica a minha homenagem.

domingo, março 07, 2010

escutas

A última crónica escrita por José Manuel dos Santos no suplemento do Expresso - Actual, de ontem, dia 6 de Março, na sua coluna «impressão digital», merece ser lida por todos. Porque nem todos lerão aquele jornal resolvi colocar aqui esta imperdível crónica para aumentar o número dos seus possíveis leitores.
O tema das escutas deve ser um dos que há mais tempo se mantém na crista da onda mediática e não há jornal ou pasquim que a ele não se refira continuadamente com todos os pormenores, deixando de ser tema para ser folhetim.
Isto seria uma razão para não trazer este tema ao blog. Contudo é esta a primeira vez que eu leio uma crónica que analisa as escutas numa vertente sábia e definitiva. Não trata do folhetim, mas das suas razões e finalidade. Para ler e meditar.


Se não conseguir ler mesmo ampliado, imprima e leia porque vale a pena.

quinta-feira, março 04, 2010

o triplo concerto de beethoven

O Concerto Triplo para Piano, Violino e Violoncelo em Dó Maior, Opus 56 de Beethoven, foi composto entre 1804 e 1805, período em que escreveu também a 3.ª Sinfonia e a Sonata Appassionata e foi escrito para o Arquiduque Rodolfo. Não é considerado uma das obras-primas de Beethoven, mas é lindíssimo. Para além disso é inovador, ao integrar um trio de solistas, em que o violoncelo ocupa o papel principal (talvez porque Beethoven não compôs nenhum concerto para violoncelo).
Tem três andamentos - allegro, largo e rondó alla polacca. No primeiro andamento, o mais longo e talvez o mais envolvente, está presente a melodia mais difundida do concerto.
Porque se trata de um belo concerto e com história penso ser interessante apresentá-lo em três versões distintas, consoante a época e os solistas.
No mais antigo vamos ter oportunidade de ouvir três intérpretes de excepção - David Oistrakh (violino), Mstislav Rostropovich (violoncelo) e Sviatoslav Richter (piano) com a Orquestra Filarmónica de Moscovo, dirigida por Kyril Kondrachin, no concerto do 50.º aniversário desta orquestra, em 1970.




Outra parte do triplo concerto, agora interpretado por Daniel Barenboim (piano), Itzhak Perlman (violino) e Yo-Yo Ma (violoncelo). (Part 3)



E por fim a interpretação mais recente, pela Orquestra Juvenil Simon Bolivar, da Venezuela, dirigida por Gustavo Dudamel e os solistas Martha Argerich (Piano), Renaud Capuçon (Violino) e Gautier Capuçon (Violoncelo), em 29 de Agosto de 2008, durante o Festival de Salzburgo (Große Festspielhaus).



Ouçam e comparem as diferentes interpretações e não se esqueçam de ver em ecrã total.

domingo, fevereiro 28, 2010

acordem cidades do meu país

Nunca me canso de sonhar. Ainda acredito que um dia isto se possa passar no meu país.
Já houve tempo em que as Bandas faziam concertos nos jardins e o povo gostava. Hoje as Bandas que ainda resistem tocam em datas oficiais, desfilam nas ruas, o povo continua a gostar, mas sabe-lhes a pouco. Mesmo assim repito - nunca me canso de sonhar.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

respeitem quem estuda e sabe

Este vídeo de cinco minutos é uma pequena parte do documentário passado na RTP2 em Abril de 2008, em que o geólogo Prof. Domingos Rodrigues da Universidade da Madeira , alerta para a necessidade de se respeitar o Plano Director para impedir que a falta de critério na construção e os interesses pessoais ou a especulação imobiliária possam levar a tragédias que poderiam ser evitadas ou, pelo menos, diminuídas. À voz da ciência juntava-se a dos ecologistas preocupados. Não quero atirar pedras, quero apenas implorar a quem manda que respeitem a voz de quem estuda e sabe.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

um cérebro muito especial

A experiência registada no vídeo que vos deixo é espantosa. O Channel 5 da televisão inglesa sabendo que Stephen Wiltshire, considerado um dos 100 génios autistas do mundo, tinha uma capacidade de registo de imagens em tudo semelhante a uma videocam, lançou-lhe o desafio de registar em vídeo o seu poder especial. Levou Sthepen Wiltshire num helicóptero e sobrevoou a cidade de Roma durante algum tempo, fazendo uma panorâmica da cidade. Após essa viagem Stephen foi colocado perante uma tela enorme e com uma precisão notável desenhou toda a vista da cidade, durante três dias, como se fosse um registo filmado. Espantoso. Esta experiência ficou registada com o nome de Human Camera.



Ver em ecrã total

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

uma canção pela mudança


É a música a dar a volta ao mundo, feita por músicos de várias latitudes e longitudes, todos com um desejo e uma finalidade comuns - lutar pela mudança através da música, acreditando que esta poderá quebrar barreiras e preconceitos e arejar as mentes mais fechadas e resistentes às mudanças.
São muitas as canções a correr o mundo. No vídeo que vos deixo ouviremos «stand by me», como quem diz fica comigo e, neste caso, junta-te a mim.
Ouçam os cantores do mundo a tocarem e cantarem ao mesmo ritmo, cada um deles dando um pouco de si para que a canção se faça e a mudança venha a acontecer.
Qual mudança? Salvando-nos a nós, salvando o mundo.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

sabia que ...

Eu sei que antes de colocar aqui este vídeo devia ter tido o cuidado e o rigor científico de verificar a exactidão de tudo que nele se pode ler. Sim, eu sei. Mas sei também que embora admita haver um ou outro exagero, uma outra inverdade, no geral ele alerta para uma realidade que aí vem. Pode não ser exactamente assim, haver nuances, haver correcções a fazer, mas estou convencido que a futura realidade não se afastará muito desta de que o vídeo nos fala.
Não fica aqui ciência, nem talvez rigor. Fica apenas uma previsão que poderá ser realidade.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 28


100
Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
(...)
Bernardo Soares, Livro do Desassossego


Não sei se é comum este olhar sobre o passado, o presente e o futuro das nossas vidas. Acredito que ele seja estranho e mesmo considerado anormal pela maioria das pessoas, generalizando eu esta ideia a partir da amostra dos meus amigos mais próximos.
Sei, no entanto, que ele é em tudo coincidente com o que eu penso, melhor direi com o que eu sinto, melhor ainda com o que eu sinto quando tento fazer um «rewind» da minha vida.
Escrevi algures e não sei quando, mas sei que há muito tempo, que olho para mim como um estranho a tudo e a todos e, no entanto, por dentro de tudo continuando sempre fora, personagem de muitas vivências, as mais variadas, testemunha de muitos acontecimentos, de todos os géneros, e contudo e apesar disso, incapaz de uma memória fiel e palpável, apesar de inteiramente vivida.
Se eu quiser descrever o meu passado, posso conseguir alinhavar umas linhas que mais não serão que uma modesta fita do tempo, uma infografia banal e superficial que nunca corresponderá ao grosso do meu passado, da minha vida, e que nunca será melhor do que dele fariam amigos próximos ou parentes afastados.
E isto atormenta-me, embora esta realidade amnésica não seja muito visível aos outros e pouco presente em mim, enquanto tormento. Não só esqueço o passado, como o tormento do seu esquecimento. O passado nunca me aparece por si, para me atormentar, mas apenas quando eu o torno presente, pensando e reflectindo sobre ele.
Posso escrever hoje, como já antes escrevi, que não conheço ninguém além de mim que tão forte e involuntariamente deite fora o seu passado e assim desencorporando-me, me transforme «num vestígio e um simulacro de mim».

CVR

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

a denúncia do cartoon


Este cartoon traduz bem o resultado da fabricada pandemia gripal H1N1 e porque é bom, faz-nos rir. Mas depois - por nos recordar uma das coisas que procuramos esquecer para não chorar - envergonha-nos a todos os que sabendo deste escândalo não protestamos e não lutamos por um mundo melhor, livre de políticos e multinacionais poderosas e sem escrúpulos, cuja bússola de orientação só aponta para o rei cifrão, perdido que está o norte da dignidade, do respeito humano e do sentido de vergonha.
Como é possível saber-se o que se passa e nada se fazer para travar estas desigualdades, este desprezo humano, este cinismo humanitário que, de quando em quando, se mostra em campanhas de branqueamento dos actos criminosos - que outra coisa não são - que continuamente praticam?
Continuamos a assistir como carneiros ou reagimos?

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

cuidado com os juizos apressados

Cada vez se torna mais necessário não fazer juízos apressados, tal a velocidade a que a vida passa e a quantidade de informação que se recebe, de forma tão rápida que não dá para pensar antes de julgar. Tudo isto se agrava com os juízos de carácter das pessoas, em que se cometem erros frequentes, que podem ter consequências graves.
Este vídeo dá alguns exemplos do erro que é julgar apressadamente. E fá-lo duma maneira divertida, mas bem elucidativa do erro que se comete, quando julgamos que tudo que parece, é.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 27


99.
Há momentos em que tudo cansa, até o que nos repousaria. O que nos cansa porque nos cansa; o que nos repousaria porque a ideia de o obter nos cansa. Há abatimentos da alma abaixo de toda a angústia e de toda a dor; creio que os não conhecem senão os que se furtam às angústias e às dores humanas, e têm diplomacia consigo mesmos para se esquivar ao próprio tédio. Reduzindo-se, assim, a seres couraçados contra o mundo, não admira que, em certa altura da sua consciência de si-mesmos, lhes pese de repente o vulto inteiro da couraça, e a vida lhes seja uma angústia às avessas, uma dor perdida. (…)
Bernardo Soares, Livro do Desassossego


Posso dizer que são frequentes, em mim, momentos em que tudo me cansa – estar onde estou, pensar no que precisava pensar naquele momento, fazer um telefonema, assentar uma nota, buscar um papel ou um livro, colocar o CD com a música que me apetecia ouvir, vestir um casaco porque sinto frio. Cansa-me o esforço físico tanto quanto o psíquico. Nesses momentos tudo me cansaria ou seria um sacrifício, se por qualquer factor impensável eu resolvesse passar à acção.
Contudo, é tal o treino de sair desses momentos frequentes, que - não sei com que esforço ou origem da força – me vejo rapidamente envolvido pelo meu escudo invisível e protector deste cansaço letal, que altera toda a minha maneira de ser.
Diria, contudo, que essa força e essa acção, me vêm paradoxalmente da minha preguiça. E será esta que, impedindo-me de me entregar ao cansaço, me liberta do seu peso e do seu jugo. Cansaço, angústia, dores, passam a um estado aparentemente inactivo (já que continuam lá, mas em estado de quase ausência), porque a minha preguiça terá ditado que naquele momento, não estou para isso, sendo o isso tudo que exigiria esforço, cansaço, decisão.
O pior é ter a consciência que esta aparente vitória, não é mais do que o seu contrário. É certo que consegui que o cansaço não me estragasse o dia, mas foi mais uma pedra posta no muro do adiar de problemas, de resoluções, do sentir as emoções, do inadiável e com ela afastar-me cada vez mais da resolução de problemas e aproximar-me cada vez mais desse muro que, um dia destes vai cair sobre mim.

CVR

quinta-feira, janeiro 21, 2010

a vitória do querer e do sentir

Já conheço este vídeo há muito tempo, mas tenho sempre resistido a divulgá-lo aqui por poder parecer que estou a apelar ao estranho e insólito.
Quando hoje voltei a vê-lo com mais atenção e participação (deixando que a emoção me tomasse), encontrei-me a fazer «replay» e a pensar, enquanto assistia à magnífica coreografia de Zhao Limin, na força de vontade daqueles dois bailarinos e na força interior necessária para vencerem a adversidade e conseguirem fazer aquilo que desejavam - dançar, sentir a dança.
Não se pode ficar indiferente à beleza deste pas de deux (chamado mão na mão) e à beleza moral dos intérpretes (Ma Li e Zhai Xiaowei).


Aconselho ver em ecrã total

quarta-feira, janeiro 20, 2010

cuidado com os cordeirinhos, sobretudo com os que só lhe vestem a pele

Se perguntarmos às pessoas o que pensam da Suiça, seguramente a maioria dirá que é um país neutral, pacífico, lindo, organizado e inteligente, pois tem a noção do seu tamanho, da sua localização, das suas riquezas naturais e, como tal, sabe escolher as suas fontes de desenvolvimento e sustentação, fazendo com que o seu pib dependa de poucas, mas lucrativas coisas - a banca, a relojoaria, os chocolates, o turismo e a cutelaria. Não haverá, nem uma só, que refira o exército suiço. Contudo, o serviço militar é obrigatório para todos os homens e voluntário para as mulheres, podendo ser substituído (nos objectores) por serviço comunitário que durará mais metade do tempo. A reforma do Exército de 1995 restringiu o número de efectivos a 400.000 soldados e o novo programa Exército XXI prevê apenas uma força activa de 120.000 pessoas, além de 80.000 reservas, com incorporação anual de 20.000 recrutas e treino básico de 18 semanas.
Foram novamente introduzidos os cursos de aperfeiçoamento anual de duas ou três semanas, podendo agora optarem por um serviço vitalício de 300 dias seguidos.
Continua a não ser um Exército permanente, dispondo, no entanto, de 3.000 instrutores profissionais.
Estes são dados que todos poderão encontrar no site da Defesa da Suiça. O que lá não vem ou eu não soube encontrar, é o que o vídeo que aqui vos deixo vos mostrará - uma capacidade imensa de auto defesa bem organizada e que me sugeriu o título que dei a este post.

domingo, janeiro 17, 2010

uma noite memorável


Esta foi uma noite memorável. Não é frequente ter-se a sorte de se poder assistir à projecção de um filme realizado em 1927, mudo, e estar os 90 minutos da sua projecção completamente agarrado às imagens, às expressões dramáticas dos actores, espantado com a capacidade e os dotes do realizador, que com os pobres meios da época, conseguiu transmitir-nos todas as emoções que os actores viveram.
Só isto, era um espanto e maravilha. Mas se lhe juntarmos, como foi o caso, o acompanhamento permanente da música original de Luís Pedro Madeira, composta expressamente para este filme e a excelente execução da Orquestra Láudano, então poderemos dizer que participámos de um dos espectáculos mais belos que a nossa memória regista.
O filme Sunrise foi dos últimos filmes do cinema mudo, já que o sonoro apareceu na transição de 1927 para 28. Foi realizado por esse monstro sagrado da realização Friedrich-Wilhelm Murnau (o mesmo de Nosferatu e Fausto), com argumento e montagem de Carl Mayer, a partir do romance "A Viagem a Tilsit" de Hermann Sudermann.
Entre os actores devem destacar-se os nomes daqueles que constituíam o triângulo amoroso - George O'Brien (o homem - Ansass), Janet Gaynor (a mulher - Indre) e Margaret Livingston (a Vamp).
Sabe-se que este foi um dos filmes mais caros da época, uma vez que Hollywood proporcionou ao realizador alemão tudo aquilo que ele pediu, como os gigantescos cenários que foram construídos.
Um destaque especial para Luís Pedro Madeira (Composição original, Piano, Órgão, Sintetizadores, Acordeão e Guitarra), Luís Formiga (Bateria e Percussões), Luís Oliveira (Contrabaixo), Luís Rodrigues (Trombone), Jorge Campos (Clarinete, Clarinete Baixo e Saxofone) e Daniel Tapadinhas (Fliscorne e Trompete), que interpretando bem o sentir do realizador, tocaram a música que o filme pedia (e teria se já houvesse sonoro), pontuando de forma exemplar todos os pontos marcantes.
Repito, sem me cansar - uma noite memorável.
Parabéns Cineclube de Torres Novas. E obrigado.


sexta-feira, janeiro 15, 2010

a sagrada geometria da chance

Dá gosto ver o que se pode fazer com as nossas mãos - amassar pão, martelar pregos, carregar pesos, escrever, desenhar, salvar vidas, acariciar, dar, receber, bater, esmurrar, roubar, tocar música, agarrar, prender, massajar, uma infinidade de coisas reais e até magia.
Se muitas das coisas que as nossas mãos fazem ou podem fazer, são instintivas e naturais, outras há que exigem um treino intenso e constante e, sobretudo, o apoio indispensável da inteligência, da arte e de um dom especial da mente que lhes dá ordens.
Não está em causa o tipo de coisas a que, dom, inteligência, treino e arte as levam a fazer. É tão maravilhoso ver as mãos de um pianista tocando uma sonata ou um concerto, como espantoso é ver a forma como as mãos de um cirurgião ajudam a vida a vencer. Mas não é menos maravilhoso ver a arte do carpinteiro, do escultor, do mágico ou ilusionista.
As mãos deste último prendem o nosso olhar e sempre nos espantam, mesmo sabendo-se claramente que por trás daquela arte está um engano.
Não sei porque estou a escrever tudo isto, quando o que eu vos queria mostrar era este magnífico vídeo que nos mostra um truque espantoso realizado por Shawn Farquhar, duas vezes campeão mundial de mágica, enquanto a bela canção «shape of my heart, do Sting, nos acompanha todo o tempo
.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

a liberdade e a guerra

Depois de ter tratado por duas vezes de progresso tecnológico, das vantagens e alterações que o acompanham, tenho gosto em deixar aqui, hoje, esta fotografia tirada há 91 anos e que com técnicas rudimentares, quer a nível da execução, do suporte e da conservação chegou até hoje em razoável estado de conservação, que permite, em grande ampliação, ver em pormenor a maioria dos 18.000 'officers and men' ali registados.
Trata-se de uma fotografia da responsabilidade dos estúdios fotográficos Mole e Thomas, existente em 1918 no número 915 de Medinah Boulevard, em Chicago, Illinois, que tinha o copyright.
Segundo depreendo dos dados que a própria fotografia comporta, foi realizada sob o comando do Coronel W. Newman e a direcção do Coronel Rush S. Wells, em Camp Dodge, no Iowa.
Como é bem visível, esta Human Statue of Liberty, foi composta ao pormenor por 18.000 militares que iriam combater na 1.ª Guerra Mundial.
É impressionante a ideia, a capacidade de englobar tanta gente na mesma fotografia e a máquina ter permitido abranger tal extensão, sendo visíveis não só a estátua humana, mas os aquartelamentos no limite superior.
Uma verdadeira pérola da história da fotografia.

a guernica tridimensional

Há dois dias questionei aqui a possível perda da nossa identidade e a esse propósito escrevi que entrámos na era do tridimensional.
Há dois dias, desconhecia totalmente que a artista americana Lena Gieseke, expert em técnicas de infografia digital em 3D, tinha realizado uma versão digital 3D da «Guernica» de Pablo Picasso (no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid, após décadas de exílio).
Dispenso-me de deixar aqui elementos sobre este magnífico painel icónico que Picasso legou ao mundo sobre a Guerra Civil em Espanha. Todos conhecem o quadro, todos conhecerão a história.
O que me levou a fazer este post foi simplesmente mostrar que o tridimensional já chegou à superfície plana de uma longa tela, em que a dimensão estava apenas no génio do artista e na imaginação de cada um que a contemplava.
Agora, a técnica mostra-nos o que lá está, sem aparentemente estar.


quarta-feira, janeiro 13, 2010

engenho e utilidade

Não tenho dúvida que a utilidade não será muita e servirá a poucos. Mas se servir a um, já justifica que aqui deixe este vídeo.
Também sei que o vídeo é mais do que amador, o ambiente não é apelativo, mas também sei que durante muito tempo, muitos laboratórios onde se fazia trabalho válido não tinham aspecto muito diferente.
Sei, sobretudo, que o engenho é útil e quem inventou o processo, raciocinou bem e, quase aposto, que nunca terá ouvido falar nos catéteres usados em cirurgia vascular, por exemplo, em que o processo para extrair trombos é o mesmo, embora cheio de sofisticação.
É engenhoso, é útil e parabéns a quem teve a feliz ideia.

terça-feira, janeiro 12, 2010

até quando manteremos a identidade?

Ainda não vi o novo filme de James Cameron - Avatar. Apesar da sua curta carreira em todo o mundo (desde 18 de Dezembro passado), já está colocado na segunda posição dos filmes mais vistos de sempre. Com ele e com algumas experiências anteriores, a indústria cinematográfica parece querer virar-se, de vez, para o tridimensional.
O ter revisto recentemente esta magnífica e divulgada imagem de autoria de J. R. Eyerman (que com um nome destes estava predestinado para recolher imagens - homem r olho...), levou-me a pensar neste e noutros factos que parecem poder levar-nos à perda da nossa identidade.
A imagem foi captada em 1952 na estreia do filme «Bwana Devil», em Hollywood, e mostra de forma inesperada, toda uma plateia usando óculos 3D que, dessa forma, se massifica mais do que o faria noutro tipo de sessões.
Por um lado a moda, a progressiva perda de vocabulário pelos jovens, uma escrita tuitada, outra feita de símbolos e raras palavras, plateias de seres aparentemente clonados, apontam para que a distinção entre nós seja cada vez mais ténue.
Por outro lado, o desenvolvimento imparável da técnica, as câmaras de vigilância, os chips dos nossos cartões e das matrículas dos nossos carros, conduzem a que a nossa vida seja cada vez mais devassada e espalhada aos quatro ventos, a quase todos que queiram saber quase tudo de nós.
Só contradições - por um lado cada vez mais vulneráveis e expostos, por outro cada vez mais iguais, cada vez menos diversos, cada vez menos nós, cada vez mais números de registo e lista de códigos de acesso.
Será por isso o interesse no tridimensional - uma tentativa de tornar mais real, aquilo que por natureza é virtual ou aceitar de vez que a realidade, ela própria, é cada vez mais virtual.