terça-feira, maio 29, 2012
porque não em supositórios?
Tristezas não pagam dívidas, diz o povo. Ou dizia. Agora cada vez é mais difícil ver-se um sorriso na cara dos portugueses, mas continuam a ver-se aqueles arremedos de sorrisos de escárnio na cara dos pouco contentinhos que continuam a engordar à nossa custa. Nunca é de mais ouvir-se o popular Quim Barreiros fazer a crítica dos impopulares barões do dinheiro e da política. Se já ouviram, repitam.
sábado, maio 26, 2012
chicha, eu quero chicha
O estado a que se chegou. Já nem a Playboy é o que era e aparece agora com informação enganosa. Mantém o título, mas depois não publica o que promete. Eu não sou leitor, nem nunca o fui, mas acredito em quem o diz e vocês podem ouvir, de imediato. Deixo-vos com Ricardo Araújo Pereira, com selo de garantia. Riam à vontade.
quinta-feira, maio 10, 2012
o mar português
Nada como o humor inteligente e mordaz para fazer uma boa crítica e envergonhar quem a recebe. Uma só frase desfaz uma política errada e criminosa. Leiam e reflitam.
Da crónica de João Quadros no Negócio On-Line:
"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."
Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti? Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.
Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras? fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.
Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.
Eu, às vezes penso: o que não poupávamos se Portugal tivesse mar...
há histórias e histórias
Não percam esta joia da cultura nordestina brasileira. Vê-se a imagem e ouve-se a música e as palavras e parece que ambas nos atravessam a pele e a alma.
quarta-feira, maio 02, 2012
os donos de portugal
Vejam com atenção este belíssimo ensaio da responsabilidade do departamento de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. É um vídeo longo que merece a atenção de todos e nos dá um retrato fidedigno do último século português
.
terça-feira, maio 01, 2012
recordação de um português
Lembrá-lo assim, é uma homenagem de que ele gostaria. Perdemos um português bom, honesto e patriota.
sexta-feira, abril 27, 2012
os políticos são pessoas como os outros...
Os políticos são uns senhores, mesmo uns senhores. Respeitáveis, bem comportados e exemplarmente cumpridores. Em todo o lado onde existem, sem excepções. Dá gosto, sabê-los assim. Podemos confiar neles?
terça-feira, abril 24, 2012
paisagem de interior
Um colega brasileiro e amigo enviou-me hoje um vídeo que não posso deixar de levar até vós como amostra da cultura nordestina. Admiro imenso os poetas repentistas e os romances de cordel que, felizmente, já são objecto de magníficas teses de doutoramento. As imagens a voz, a música, as palavras, levam-nos ao interior nordeste do Brasil e daquelas gentes que se orgulham da sua cultura e sabem mais da História de Portugal que muitos portugueses.
segunda-feira, abril 23, 2012
um bailinho que dói
Quando se ouve este bailinho somos tão fortemente tomados pela emoção que quase nos pomos em sentido como se escutássemos o novo hino nacional do actual governo. Como dói este humor, de tão negro que se tornou. Mas, tenhamos esperança. Isto vai mudar. O povo sempre encontrou em toda a nossa história uma forma de sobreviver.
sábado, abril 21, 2012
voa, voa, mas não morde
Em todas as profissões o desenvolvimento técnico é absolutamente necessário, mas na maioria delas não deixa de ser essencial e muitas vezes fundamental, a emoção e o sentimento que se põe no desempenho dessa actividade. No caso da música, nem sempre a técnica é mais importante que o sentimento, embora haja peças musicais que, de tão difícil técnica, se tornam quase impossíveis de tocar por quem não tenha um domínio técnico imbatível. Entre essas peças encontra-se «O voo do moscardo» que muitos violinistas conseguem tocar, mas poucos pianistas conseguem. O vídeo que vos deixo é um exemplo de uma técnica excepcional acrescida de uma emoção sentida.
quinta-feira, abril 19, 2012
não estudem...
O acaso determinou que hoje seja dia de vos deixar aqui mais um drama. Mas, desta vez, um outro drama que, de tão triste, seguramente vos fará rir. A política no seu melhor.
já teve o seu drama hoje?
Habituados que estamos às desgraças com que a comunicação social nos invade todos os dias ou a cada instante, não vos espantará que eu aqui vos deixe mais uma, sendo certo que dificilmente ela vos terá chegado por outra via que não esta. É mais um drama, mas garanto que é diferente. E apesar de drama, quase aposto que vão gostar de ver.
sábado, abril 14, 2012
quatro vozes para escutar
Cada vez mais nos sentimos incapazes de formular as verdades que todos precisamos e devemos ouvir; depois meditar e não deixar de reagir. Algumas verdades vão sendo ditas, mas é tal o descrédito em que os responsáveis actuais caíram, que se torna necessário contrapôr algumas vozes antigas, que fazem parte integrante da nossa história. Não demoram muito a ler, demoram ainda menos a aceitar. Deixemos que sedimentem. E não nos calemos, nunca.



sexta-feira, abril 13, 2012
um momento de beleza
É fundamental que no meio de toda esta crise, de toda esta loucura político económica que avassala o mundo, tenhamos de vez em quando momentos de beleza e emoção que nos prendam e emocionem. A verdade, a beleza e o bem. Tudo aquilo porque se devia lutar e manter; infelizmente cada vez são mais raras e defíceis de encontrar. Vejam em ecrã total este curto momento de beleza, perfeição e sensualidade.
terça-feira, abril 10, 2012
pelo menos, humildade

No jornal Expresso do passado dia 6 e na sua página, Miguel Sousa Tavares escreveu o texto que intitulou «À espera do milagre», onde no seu estilo habitual, fez uma análise certeira da governação que tem conduzido estes tristes e preocupantes dias que vivemos e aconselhava claramente a estes iluminados e esclarecidos célebres que tinha chegado a hora de terem, ou pelo menos mostrarem, alguma humildade, por pouca que seja, já que tal qualidade será atributo difícil de entender e, muito menos, assumir por parte de tão esclarecida gente. O texto tem qualidade, as verdades são como punhos, e ninguém pode ficar isento de pensar quanto mais tempo irá aguentar este retrocesso de qualidade de vida, de liberdade, de direitos e desigualdades. E milagres não há, pelo que não vale a pena esperar que cheguem. Como em tudo, o caminho faz-se caminhando...
«À espera do milagre»
«Parece ser chegado o momento de o Governo começar a dar alguns sinais de humildade e reconhecer que a sua receita para sair da crise não está a correr conforme previsto. Dialogar sem preconceitos com a oposição (e dialogar não é apenas ouvir e fazer orelhas moucas), explicar o que ninguém entende e corrigir o que está mal, tudo isso é bem mais inlportante do que a teimosia de tentar demonstrar a justeza de uma agenda ideológica com que alguns teóricos da economia e da política sonharam anos a fio.
O Governo louva-se de três boas notícias: a descida dos juros nos mercados da dívida, a descida acentuada do défice da balança de transacções e os sucessivos aplausos da troika à execução do programa. Tudo argumentos reversíveis. A descida dos juros é impossível não a ligar directamente à maciça disponibilidade de dinheiro fornecido aos bancos a 1% de juros, promovida pelo BCE. O saldo positivo da balança de transacções (que em si é uma boa notícia) dá-se, todavia, pelas piores razões: uma baixa indiscriminada das importações, quer as desnecessárias ou sumptuárias quer as necessárias para estimular o consumo interno, essencial à recuperação ou para manter a importação de bens e equipamento para as empresas funcionarem. E as boas avaliações da troika sobre o cumprimento do programa de ajustamento não escondem duas ordens de preocupações: o atraso de algumas medidas estruturais (as mais difíceis), como o peso excessivo dos lucros do sector eléctrico sobre a economia ou a renegociação das PPP, e os números assustadores do desemprego e da recessão, muito para lá daquilo que o Governo e a troika tinham estimado.
Mas, no outro prato da balança, há sinais cada vez mais evidentes de que a cura ameaça matar o doente. Isso toma-se evidente quando se constata (e é confirmado pelo novo orçamento rectificativo), que em 2012, tal como em 2011, o grosso do combate ao défice é feito por via do aumento de receitas e não pela diminuição da despesa. Encerrado o combate eleitoral, passado o tempo da retórica fácil e das soluções milagrosas, a nova maioria, uma vez chegada ao poder e na hora de fazer aquilo que tanto apregoou, dá-se conta de uma incómoda realidade: a estrutura da despesa pública portuguesa é dificilmente movível. A verdade é que, tirando excessos evidentes (como o despesismo das autarquias, que o Governo não se atreverá a enfrentar, como já se percebeu), não há muito mais por onde cortar - a menos que o objectivo final seja a liquidação, pura e simples, do Estado, liquidando as suas principais funções. Chega a ser arrepiante recuperar o discurso do PSD e CDS há apenas um ano, na oposição, e confrontá-lo com o que tem sido agora o seu desempenho governativo. Medidas extraordinárias para maquilhar o défice, por exemplo, nunca mais; orçamentos rectificativos eram sinal de absoluta incompetência no controlo das contas públicas; confusão entre dinheiros públicos e negócios privados jamais. Agora, compare-se isto com a nacionalização do fundo de pensões da banca que serviu para 'cumprir' o défice de 2011, acrescentando €6000 milhões ao activo; com o novo orçamento rectificativo, que, entre outras coisas, serve para acrescentar os €500 milhões que custa anualmente (e durante uma boa dúzia de anos), pagar as pensões dos novos reformados da banca e de que, pelos vistos, se tinham esquecido; e compare-se com o negócio de reprivatização do BPN ou com a recente notícia do financiamento da OPA do grupo Mello sobre a Brisa, assumido pela CGD (que também assume o empréstimo de €600 milhões ao BPN 'privátizado' e depois vai pedir ao 'accionista' - isto é, aos contribuintes que lhe 'empreste' por sua vez €1500 milhões para aumentar o capital, desfalcado por tanta genetosidade com estas pequenas e médias empresas).
Manifestamente, as convicções ideológicas do Governo não coincidem com a realidade encontrada. E o Governo reage como os corónéis das ditaduras sul-americanas: "mude-se a realidade!" Se o défice não se consegue baixar ao ritmo que se acreditava possível por via dos cortes na despesa pública, vai-se sangrando a economia. Com certeza, repito, que há muitos excessos por onde cortar, muito despesismo público injustificável, muitos e muitos abusos a que tem de se pôr termo. Infelizmente, porém, tudo somado não chega para compensar sequer aquilo que verdadeiramente é ruinoso para o Estado: a expropriação do 13º e 14º mês dos funcionários públicos, por exemplo, traduz-se numa receita equivalente ao custo de 'privatizar' o BPN a favor de Américo Amorim e Isabel dos Santos - e ninguém consegue explicar porque não encerraram o banco, simplesmente (sim, eu li a entrevista da secretária de Estado do Tesouro, aqui no Expresso: fiquei exactamente na mesma). Depois, há cortes na despesa pública que são intoleráveis do ponto de vista social, como pagar subsídio de desemprego apenas a metade dos desempregados e tratá-los como se fossem todos culpados ou suspeitos de viverem, por vontade própria, na tal "zona de conforto" de que falava aquele infeliz membro do Governo.
A tentativa de fazer coincidir a realidade com a utopia, através de uma cega aritmética, está a ser feita à custa da destruição do tecido económico decisivo do país, que são as pequenas e médias empresas, os trabalhadores por conta própria, a economia de proximidade. As grandes empresas e os grandes grupos económicos, quando já não tiveram mais contratos públicos para disputar nem mais favores a esperar, vão-se embora e, de qualquer maneira, pagam impostos onde mais lhes convém. Mas o resto, não. A diminuição da receita fiscal, que já se verifica, não é, ao contrário do que pretende acreditar o Governo, apenas um fenómeno conjuntural: a receita vai continuar a cair, na justa medida em que a economia vai continuar a retrair-se e a fuga fiscal se irá acentuar, quando, depois de tão esticada a corda, só restar a escolha entre pagar ou sobreviver.
Porém, sentindo o bafo gelado do fiasco, o Governo vai fugir em frente, num caminho já sem qualquer racionalidade nem sentido útil. Resulta do orçamento rectificativo, que restam ao Governo €18 milhões (!) de folga orçamental para este ano. Mesmo que o petróleo não suba mais, que a recessão na Europa e em Espanha não se acentue, que as exportações não continuem em queda, não há milagre que nos salve. As contas foram mal feitas, os dossiês mal estudados, a estratégia mal escolhida. Mas o Governo vai prosseguir no mesmo caminho, porque, antes de mais, o que eles nunca reconhecerão é que as suas ideias estão erradas: só funcionam em laboratórios onde se cozinham os MBA.
Presumivelmente, o Governo irá assim tornar definitivo o que era excepcional (como os cortes no 13.º e 14.º mês); irá aumentar a receita fiscal, subindo ainda mais os impostos; irá continuar todos os dias, ministro a ministro, nessa penosa e deprimente tarefa de anunciar novos cortes, com o entusiasmo de quem anuncia missão cumprida. Vai consumar o crime antipatriótico de privatizar a TAP (e, para mais, a preço de saldo), vai vender a água, os aeroportos, tudo o que mexer. E vai privatizar um canal da RTP, apenas porque o ministro Relvas quer e não tem de dar satisfações a ninguém, embora já toda a gente lhe tenha explicado que vai ser um desastre para todos.
VoIto ao princípio: começa a faltar um exercício de humildade, de que não se vêem sinais alguns no horizonte. No limite, até poderíamos acreditar que o Governo tivesse razão, ou parte da razão, em teoria. Mas nós não vivemos de teorias. Todos os dias há empresas que fecham, famílias que são mandadas para o desemprego, novos pobres encostados à parede. Os portugueses têm sido absolutamente estóicos a aguentar tudo. Mas só uma cegueira irresponsável permite imaginar que se pode levar as coisas até ao fundo do fundo e depois renascer, em paz e alegria».
domingo, abril 08, 2012
morrer de pé
No passado dia 4 de Abril, uma quarta-feira, Dimitris Christoulas, até aí conhecido de poucas pessoas e já aposentado, resolveu morrer de pé e fazendo o estrondo que a sua morte merecia - o grito de protesto, o disparar da bala e a carta deixada de despedida e testamento de uma vida em fim de vida que merecia mais do que os tempos que surpreenderam a sua reforma. É muito mau habituarmo-nos ao hábito: há que reagir e lutar até ao fim, nem que em alguns casos esse fim coincida com a morte. Mas, felizmente, há sempre alguém que diz não e, espera-se, que muitos reajam e não sejam insensíveis a estas mensagens. Fiquem com o poema que José Jorge Letria lhe dedicou.
MORRER DE PÉ NA PRAÇA SYNTAGMA
Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.
Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.
Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria.
Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.
Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.
Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria.
Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.
Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.
Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume,
pela ignomínia de quem se vende
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.
A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma.
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.
A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma.
Estava livre. Tornara-se herói de tragédia
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.
Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada detem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.
José Jorge Letria
6 de Abril de 2012
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.
Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada detem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.
José Jorge Letria
6 de Abril de 2012
quinta-feira, abril 05, 2012
a corrupção e o teatro do faz de conta
Paulo Morais, vice-presidente da Transparência e Integridade, a organização não governamental de luta contra a corrupção, acusa o Parlamento de ser uma das suas origens. Em declarações à SIC Noticias, Paulo Morais desmonta o sistema e mostra como o jogo está viciado. Ver e ouvir bastam para perceberem.
quarta-feira, abril 04, 2012
sábado, março 31, 2012
fechar março com sibelius
Depois de um longo período afastado deste blog, por avaria técnica, retomo com gosto o ritmo arrítmico com que aqui tenho deixado alguns posts, hoje com um pequeno excerto ( o 3.º andamento) do belíssimo concerto para violino em D menor, opus 47, do filandês Jean Sibelius, escrito em 1903 quando tinha 38 anos. Esta gravação magistral conta com a qualidade do violinista Cho-Liang Lin, que bem conhece e domina a dificuldade técnica deste Alegro ma non tanto, uma das pérolas escritas para violino, em todos os tempos.
sábado, março 10, 2012
eu sei que tinha prometido
Eu sei que tinha prometido não voltar a falar de ou sobre o Senhor Prof. Cavaco Silva, doutorado por York. E sei também que não gosto de não cumprir as promessas que faço. Mas em tudo há exceções, sobretudo quando estas se justificam. É o caso. Algum tempo e alguns factos passados após a minha promessa, justificam que volte a deixar aqui à vossa consideração algumas coisas acontecidas recentemente . Porque são do conhecimento de todos, dispenso-me de as referir em pormenor e apenas enunciá-las, por economia de tempo e por ser sempre desagradável falar-se do que não nos é agradável. Refiro-me aos acontecimentos da António Arroio, ao envio para o TC das medidas sobre enriquecimento ilícito e das queixas de falta de lealdade institucional do ex-primeiro-ministro. Meditem sobre eles.Como complemento deixo-vos com o texto de Baptista Bastos escrito há já algum tempo e que podem não ter lido.
«A pátria, estarrecida, assistiu, nos últimos dias, à declaração de pobreza do dr. Cavaco, e aos ecos dessa amarga e pungente confissão. O gáudio e o apoucamento, a crítica e a repulsa foram as tónicas dominantes das emoções.
Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa, grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem. Programas de entretenimento matinal, nas têvês, transformaram o coitado num lázaro irremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações de subsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém.
Porém, se nos detivermos, por pouco que seja, no dr. Cavaco e na sua circunstância notaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho.
Lembremo-nos desse cartaz hilariante, aposto em tudo o que era muro ou parede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicos colaboradores, sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!" Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aos outros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam os dentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia.
O País tornou-se numa espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espeque rígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa. O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressava para um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera.
Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeito de meia-tijela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e, como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas "gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tão despropositado, mas tão perigoso como o original.
Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução que também acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, e perdulariamente gastos, durante
os infaustos anos dos seus mandatos, garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dos portugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numa Imprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão do partido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, fora alguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos de Cavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais e sociais.
Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicada pela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos. A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenho das funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de el dourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos por amigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidade afrontosa.
Tornou o lugar desacreditante e desacreditado. Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até teve música. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas e apressuradas, àquela cena do dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, a subir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício.
Um palácio que não merecia recolher tal inquilino.
Mas ele é mesmo assim: um portuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, sem história nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem da subida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figuras muito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um panteísmo marcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de ser portuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho.
Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o leva a falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo à Cary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou de pessoas que ele entende serem-lhe "superiores."
Repito: ele não dispõe de um estofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente da República. O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito.
Ele tem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo, possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por este pobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade».
Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa, grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem. Programas de entretenimento matinal, nas têvês, transformaram o coitado num lázaro irremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações de subsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém.
Porém, se nos detivermos, por pouco que seja, no dr. Cavaco e na sua circunstância notaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho.
Lembremo-nos desse cartaz hilariante, aposto em tudo o que era muro ou parede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicos colaboradores, sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!" Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aos outros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam os dentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia.
O País tornou-se numa espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espeque rígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa. O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressava para um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera.
Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeito de meia-tijela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e, como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas "gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tão despropositado, mas tão perigoso como o original.
Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução que também acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, e perdulariamente gastos, durante
os infaustos anos dos seus mandatos, garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dos portugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numa Imprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão do partido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, fora alguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos de Cavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais e sociais.
Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicada pela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos. A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenho das funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de el dourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos por amigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidade afrontosa.
Tornou o lugar desacreditante e desacreditado. Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até teve música. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas e apressuradas, àquela cena do dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, a subir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício.
Um palácio que não merecia recolher tal inquilino.
Mas ele é mesmo assim: um portuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, sem história nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem da subida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figuras muito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um panteísmo marcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de ser portuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho.
Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o leva a falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo à Cary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou de pessoas que ele entende serem-lhe "superiores."
Repito: ele não dispõe de um estofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente da República. O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito.
Ele tem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo, possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por este pobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade».
quinta-feira, março 08, 2012
parabéns, mulheres


Nem sempre tenho prestado homenagem às mulheres no seu dia comemorativo, não porque não concorde com o justo merecimento mas porque nem sempre se tem proporcionado a ocasião de aqui deixar o meu registo. Mas, sempre que pude aqui deixei a minha homenagem.
Hoje volto a fazê-lo e escolhi duas imagens da mulher - a lutadora e a feminina, sendo que não são inconciliáveis e cada vez mais incorporam a mulher comum. A todas, os meus parabéns e o meu obrigado por existirem.
sexta-feira, março 02, 2012
o louco do mergulho
| Chegou hoje às minhas mãos um documento histórico filmado em 1951, com pouca qualidade técnica (a possível naquela época, a anos luz da actual), mas que mesmo sendo pior justificaria sempre que aqui o deixasse para vosso prazer e alegria, dada a qualidade do artista. Trata-se de uma representação de Larry Griswold de quem Charlie Chaplin dizia ser um grande artista e melhor do que ele. O filme foi registado num "Frank Sinatra Show", em Novembro de 1951. Laurens V. Griswold era conhecido pelo «louco do mergulho», fingindo estar alcoolizado e sem coordenação e executar alta e perfeita acrobacia. Vale a pena ver e rever. |
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
uma espécie de mestre andré
Não sei se pelo meu estado de espírito nesse momento, se pela grande qualidade do César Mourão, se pela divertida letra, se pela surpresa, se pelo boneco do humorista, por todas estas coisas ou por nada disto, sei que quando ocasionalmente, após um zapping, vi e ouvi este pequeno vídeo me ri sem parar, como há muito tempo não ria. Penso que mesmo o visado no vídeo terá humor suficiente para se rir também, se ocasionalmente o vir. Riam ou sorriam, sem qualquer quebra de respeito.
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
zero euro
Há poucos dias enviaram-me um texto escrito por Abdul Cadre que mais não é que o pseudónimo de um poeta, escritor e ensaísta residente em Vendas Novas, colaborador frequente de várias publicações nacionais e europeias. Da sua leitura, que me agradou, resulta uma visão divertida, certeira e muito crítica da actual Europa. Para ler e pensar.«A UNIÃO EUROPEIA ACABOU,
A MORTE DO EURO SEGUE DENTRO DE MOMENTOS
A ALEMANHA perdeu a I Guerra, perdeu a II Guerra e está em vantagem nas batalhas que vem travando nesta III Guerra, que pensa ganhar sem recorrer às divisões Panzer, bastando-lhe controlar o marco, que tem a alcunha de Euro, o qual deveria ser de 12 mas é apenas de um. Pode ser que perca outra vez.
A imperatriz do equívoco europeu, que não quero chamar de Mercozy, como muitos vêm fazendo, dado que o Sarkozy, não passando de pau-de-cabeleira, é completamente irrelevante, pois a dita cuja, quando jovem - apenas de idade, pois que de facto já nasceu velha -, tinha por apelido Kasner, não imaginava sequer vir a chamar-se Merkel e o que mais adorava era ir de bandeirinha e farda colegial a preceito dar vivas ao camarada Erich Honecker. O que é certo é que aprendeu a mandar e conseguiu até meter no bolso o camarada Mário, a quem a imprensa chama Barroso, essa figura decorativa do falecido órgão europeu que dava pelo nome de Comissão Europeia. A senhora Merkel manda tanto que basta assobiar e logo os seus onze procuradores - leaders formais dos países do euro - vão saltitantes lamber-lhe as mãos. São bons vassalos. Já nem sequer reúnem para discutir o que quer que seja, vão a despacho em pequenos grupos e voltam contentes para os seus tronos de palha, contentes porque cumprem ordens, comprometidos porque sabem que mentem e iludem os povos que os elegeram. Alguns nem eleitos foram, foi a senhora que os entronizou, a pedido dos mercados.
A senhora diz: o mundo é quadrado. Eles respondem: muito quadrado. E diz mais: os povos do sul são uns calaceiros. Eles respondem: pois são. Um deles até se levanta e promete de olhos postos no chão: nós vamos corrigir isso, vamos acabar com os feriados e pôr os nossos mandriões a trabalhar vinte e quatro horas por dia e, se não chegar, pomo-los a trabalhar também de noite.
Mas há vassalos que não oferecem confiança. Para já, os do protetorado da Grécia. Portugal é lá mais para o ano, não porque o encarregado de negócios não se esforce, mas porque tanta vénia a propósito e a despropósito levanta a suspeitas de pouca competência.
Bom, há que mandar um alemão às direitas, de preferência luterano e ex-comunista, tomar conta das finanças gregas.
É preciso que ninguém suspeite, é preciso que ninguém faça contas, que ninguém perceba que o superavit da Alemanha é precisamente a soma dos deficits dos protetorados.
Como se conseguiu isto? Desmantelaram-se as indústrias, suprimiu-se toda a produção: não se preocupem que a gente é que sabe. E os procuradores diziam: Ámen!
Pois!
A grande divisão Panzer chama-se EURO.
A Europa, como união de estados soberanos, acabou. O Euro acabará quando os povos que estão a ser submetidos á tal de austeridade não puderem empobrecer mais e gritarem: basta!
Como a Europa é um grande elefante, quando cair vai levantar muito pó e derrubar muitas árvores. Se fôssemos prevenidos e inteligentes renunciávamos ao europanzer quanto antes, sem pó, sem buraco na floresta, negociadamente, pacificamente...
Mas olhando para os estrangeirados que se dependuraram nos escaparates políticos - os Relvas, os Gaspar, os Álvaro, os Seguro, os Coelho - pensamos: isto é o mesmo que querer gelo quente».
segunda-feira, fevereiro 20, 2012
explicar a dívida a tótós
Para aqueles que, como eu, não são economistas, torna-se muito difícil entender as voltas e reviravoltas da economia, das finanças, das contas públicas e privadas. Tudo que ultrapassa as chamadas contas de merceeiro é já alta abstracção. Por isso me pareceu bem deixar-vos aqui esta lição sobre a dívida, para tótós. Se nem assim aprendermos, é porque somos realmente tótós com reacções alérgicas adversas ao contacto com dívidas e cifrões ...
domingo, fevereiro 19, 2012
quarenta e três minutos que valem a pena
Dada a duração do vídeo, evitaria à partida a sua publicação. Contudo, tratando-se de uma produção da TVE, com a participação de dois personagens principais de reconhecido mérito e reconhecimento internacional, como Eduardo Galeano (jornalista e escritor uruguaio) e Jean Ziegler (professor de sociologia nas Universidades de Geneve e Paris-Sorbonne) e ainda as curtas participações de Baltasar Garzón e Ernesto Sábato, este último falecido pouco depois de ter sido filmado este vídeo e Garzón, o grande defensor da lei, ter sido condenado há pouco mais de uma semana pela Audiência Nacional de Espanha, onde é Juíz, por ter autorizado escutas telefónicas, quando toda a gente sabe que o problema está em querer investigar os crimes da Guerra Civil espanhola e as vítimas do franquismo.
Na Ordem Criminal do Mundo serão analisadas organizações como o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, o poder económico de alguns (500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial) e a miséria quase absoluta de meio mundo.
Quando este vídeo foi realizado ainda os problemas da Grécia, Portugal, Espanha e Itália, não tinham a dimensão que agora têm.
Para ver com atenção.
Na Ordem Criminal do Mundo serão analisadas organizações como o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, o poder económico de alguns (500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial) e a miséria quase absoluta de meio mundo.
Quando este vídeo foi realizado ainda os problemas da Grécia, Portugal, Espanha e Itália, não tinham a dimensão que agora têm.
Para ver com atenção.
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
o rating do amor

As agências de rating têm sido últimamente uma constante na vida dos portugueses, de tal modo que, de tão constantes, começaram a ser cada vez menos ouvidas. E a ser assim, porque eu hoje vir aqui falar delas? Porque um artigo escrito por José Gameiro, psiquiatra, no Expresso da última semana me fez rir e pensar sobre elas. Tem razão, José Gameiro. O rating do amor vale a pena. Mais uma vez o amor vale a pena, como sempre. Leiam e atentem no que ele escreveu.
Esqueça o défice do país. Preocupe-se com a sua dívida afetiva. É o que há de mais importante
A REALIDADE É INDESMENTÍVEL: a conjugalidade tornou-se uma instituição: instável, insegura, imprevisível, mas também emocionalmente muito rica, onde se pode ser igual a si mesmo, quase sem¬pre com forte solidariedade interna e sexualmente vantajosa pelo conheci¬mento progressivo da intimidade física de cada um.
Esta conjugação de variáveis torna aconselhável que cada casal crie a sua agência de notação conjugal, de modo a não entrar em default, termo hoje muito em voga, mas que em português quer dizer “devedor”, “caloteiro” ...
Cuidado com as ofertas oportunistas de agências externas ao casal: psiquiatras e psicólogos, assistentes sociais, técnicos da segurança social, conselheiros conjugais, enfim, todos os que têm um molde conjugal e procuram aplicá-lo a todos os casais.
A primeira condição para que cada casal crie a sua agência e aceitá-la.
A segunda é que qualquer dos membros do casal pode ser notador.
A terceira é que qualquer notação do AAA+++ a lixo é para ser levada a sério no máximo durante uma semana. Depois terá de ser revista…
Classificar uma relação conjugal é, muitas vezes, um ato de momento, não nos podemos esquecer que o mercado relacional é influenciado por variáveis voláteis, tais como os momentos de paixão, ternura, raiva, desconfiança, proximidade, distanciamento, conflitos com as famílias de origem.
Cada notador devera comunicar ao outro membro do casal, oralmente, por mail, SMS ou por gestos o seu rating da relação, mas a classificação de lixo deve ser acompanhada de maiores cuidados, pois acelera o risco de downgrading da relação por parte do outro, podendo desencadear um processo irreversível de falência.
Neste caso diversas soluções podem ser encaradas, sendo que a ida aos mercados é a que acarreta maiores riscos, por um lado porque mais cedo ou mais tarde é-se apanhado, tal como a Grécia, por outro porque pode ficar-se refém e nunca mais voltar. Mas não deixa de ser uma saída possível...
Uma alternativa à ida aos mercados, se ainda for possível, é recorrer ao BCE - Banco Comum Emocional - e fazer ativar os mecanismos de resgate que ainda estiverem disponíveis.
Alguns exemplos:
Para eles, ouvi-las em discurso direto a contar as últimas histórias do trabalho, sem ligar a Sport TV, de preferência com um sorriso terno e nunca lhes negando toda a razão do mundo.
Para elas, depois de um dia extenuante e de os miúdos estarem na cama, não ter dores de cabeça ou, no caso de as terem, acreditar que as endorfinas são terapêuticas e fazem subir o rating masculino da relação para AAAAAA
Os maiores riscos para o rating do casal surgem quando um ou os dois criticam sistematicamente o valor do outro, levando-o a sentir-se lixo e o BCE do casal já não tem recursos para iniciar o resgate.
Se faz parte de um casal, “desconfie” quando o seu parceiro/parceira deixa passar muito tempo sem atribuir um rating, seja ele qual for. Pode estar a acontecer uma viagem, sem regresso, para os mercados emergentes e, quando se der conta, ouve: “Desculpa, mas fartei-me, já nem sequer estou zangado/a contigo, prefiro ficar só que andar a pedinchar ternura”
Deixem os ratings do país para quem os manipula, mas preocupem-se com a vossa dívida afetiva, verdadeiramente é o que mais conta na vida, com os amores, com a família, com os amigos.
E não tem IVA, nem paga IRS…
Está completamente nas vossas mãos.
terça-feira, fevereiro 14, 2012
a guerra vem aí? parte 2

Michel Chossudovsky, nascido em 1946 no Canadá, economista, licenciado e doutorado nas Universidades de Manchester e na de North Carolinaé professor emérito na Universidade de Ottawa sendo professor convidado em várias universidades europeias, asiáticas e sulamericanas, onde o seu prestígio como economista e escritor, analista e responsável em organizações de prestígio, o tornam uma das vozes respeitadas do mundo de hoje. É autor de ''The Globalization of Poverty and The New World Order'' (2003), "War on Terrorism"(2005) e ''Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War'' (2011). Foi entrevistado há dias pelo jornal i e a sua entrevista, embora extensa, merece ser lida com atenção dado os cenários que ali são apontados. Transcrevo na íntegra a sua entrevista, versão on line.
«Michel Chossudovsky, presidente e director do Centre for Research on Globalization conversou com o i sobre essa possível terceira guerra mundial, de que fala no seu livro “Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War”. Crítico da fortificação militar que os Estados Unidos estão a construir em torno da China, o professor canadiano da Universidade de Otava defende que a opinião pública é fundamental para evitar uma guerra nuclear.
Diz no seu livro que a guerra com o Irão já começou e que os Estados Unidos estão apenas à espera de um rosto humano para lhe dar. Acredita que os objectivos políticos e geoestratégicos de Washington podem levar-nos a uma guerra nuclear com consequências para toda a humanidade?
Não quero fazer previsões e ir além do que aconteceu. Tudo o que posso dizer, e tenho vindo a dizê-lo de forma repetida, é que a preparação para a guerra está a um nível muito elevado. Se será levada a cabo ou não é outro patamar, e ainda não o podemos afirmar. Esperemos que não. Mas temos de considerar seriamente o facto de que este destacamento de tropas é o maior da história mundial. Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada. Dão espaço a Hollywood, aos crimes e a todo o tipo de acontecimentos banais, mas, no que toca a este destacamento militar que poderá levar-nos a uma terceira guerra mundial, ninguém diz nada. Isso é um dos problemas, porque a opinião pública é muito importante para evitar esta guerra. E isso não está a acontecer, as pessoas não se estão a organizar para se oporem à guerra. Isto não é uma questão política, é um problema muito mais vasto, e tenho de dizer que os meios de comunicação ocidentais estão envolvidos em actos de camuflagem absolutamente criminosos. Só o facto de alinharem com a agenda militar, como estão a fazer na Síria, onde sabemos que os rebeldes são apoiados pela NATO, na Arábia Saudita e em Israel, e como fizeram na Líbia, é chocante do meu ponto de vista, porque as mentiras que se criam servem para justificar uma intervenção humanitária.
Em vez de uma guerra nuclear, não podemos assistir a um cenário semelhante à Guerra Fria, com os EUA, a União Europeia e Israel de um lado e a China, a Rússia e o Irão do outro?
Esse cenário já é visível. A NATO e os EUA militarizaram a sua fronteira com a Rússia e a Europa de Leste, com os chamados escudos de defesa antimíssil – todos esses mísseis estão apontados a cidades russas. Obama sublinhou em declarações recentes que a China é uma ameaça no Pacífico – uma ameaça a quê? A China é um país que nunca saiu das suas fronteiras em 2 mil anos. E eu sei, porque ando a investigar este tema há muito tempo, que está a ser construída toda uma fortaleza militar à volta da China, no mar, na península da Coreia, e o país está cercado, pelo menos na sua fronteira a sul. Por isso a China não é a ameaça. Os EUA são a ameaça à segurança da China. E estamos numa situação de Guerra Fria. Devo mencionar, porque é importante para a UE, que, no limite, os EUA, no que toca à sua postura financeira, bancária, militar e petrolífera, também estão a ameaçar a UE. Estão por trás da destabilização do sistema bancário europeu.
E a colocação de mais tropas em torno da China vai trazer mais tensão à região.
Quanto a isso não tenho dúvidas, porque os EUA estão a aumentar a sua presença militar no Pacífico, no oceano Índico e estão a tentar ter o apoio das Filipinas e de outros países no Sudeste Asiático, como o Japão, a Coreia, Singapura, a Malásia (que durante muitos anos esteve reticente a juntar-se a esta aliança). Portanto, Washington está a formar uma extensão da NATO na região da Ásia-Pacífico, direccionada contra a China. Não há dúvidas quanto a isto. E não se vence uma guerra contra a China. É um país com uma população de 1,4 mil milhões de pessoas, com um número significativo de forças, tanto convencionais como estratégicas. Por isso, com este confronto entre a NATO e os EUA, de um lado, e a China, do outro, estamos num cenário de terceira guerra mundial. E toda a gente vai perder esta guerra. Qualquer pessoa com um entendimento mínimo de planeamento militar sabe que este tipo de confronto entre superpotências – incluindo o Irão, que é uma potência regional no Médio Oriente, com uma população de 80 milhões de pessoas – poderá levar-nos a uma guerra nuclear. E digo isto porque os EUA e os seus aliados implementaram as chamadas armas nucleares tácticas – mudaram o nome das bombas e dizem que são inofensivas para os civis, o que é uma grande mentira.
Mentira porquê?
Está escrito em todos os documentos que a B61-11 [arma nuclear convencional] não faz mal às pessoas e planeiam usá-la. Tenho estado a examinar estes planos de guerra nos últimos oito anos, e posso garantir que estão prontos a ser usados e podem ser accionados sem uma ordem do presidente dos EUA. Olhe para o que eles designam “Nuclear Posture Review” de 2001, um relatório fulcral que integra as armas nucleares no arsenal convencional, sublinhando a distinção entre os diferentes tipos de armas e apresentando a noção daquilo que chamam “caixa de ferramentas”. E a caixa de ferramentas é uma colecção de armas variadas, que o comandante na região ou no terreno pode escolher, onde estão estas B61-11, que são consideradas armas convencionais. Se quiser posso fazer uma analogia, é a mesma coisa que dizer que fumar é bom para a saúde. As armas nucleares não são boas para a saúde, mudaram o rótulo e chamaram--lhes bombas humanitárias, mas têm uma capacidade destruidora seis vezes superior à de Hiroxima.
Mas a maior parte das pessoas não parece consciente da gravidade do cenário...
A ironia é que a terceira guerra mundial pode começar e ninguém estará sequer a par, porque não vai estar nas primeiras páginas. Na verdade, a guerra já começou no Irão. Têm forças especiais no terreno, instigaram todo este tipo de mecanismos para desestabilizar a economia iraniana através do congelamento de bens. Há uma guerra da moeda em curso – isto faz parte da agenda militar. Desestabilizando-se a moeda de um país desestabiliza-se a sua economia, bloqueiam-se as exportações de petróleo, e isto antecede a implementação de uma agenda militar. Se eles puderem evitar uma aventura militar contra o Irão e ocupar o país através de outros meios, fá-lo-ão. É isso que estão a tentar neste momento. Querem a mudança de regime, o colapso das petrolíferas, apropriar-se dos recursos do país, e têm capacidade para fazer isto tudo sem uma intervenção militar, embora alguma possa vir a ser necessária. Mas o Irão é considerado uma das maiores potências militares da região e basta olharmos para as análises da sua força aérea, a sua capacidade em mísseis, as suas forças convencionais que ultrapassam um milhão de homens (entre activo e reserva), o que permite que de um dia para o outro consiga mobilizar cerca de metade, ou até mais. Tendo em conta estes números, os EUA e os seus aliados não conseguem vencer uma guerra convencional contra o Irão, daí a razão pela qual estão a tentar fazer a guerra com outros meios, e um desses meios é o pretexto das armas nucleares.
Acha que o Ocidente pode lançar um ataque preventivo contra o Irão mesmo sem provas?
Claro que sim! Olhe para a história dos pretextos para lançar guerras. Olhe para trás, para todas as guerras que os EUA começaram, a partir do século xix. O que fazem sistematicamente é criar aquilo que chamamos incidente provocado para começar a guerra. Um incidente que lhes permite justificar o início de um conflito por motivos humanitários. Isto é muito óbvio. Em Pearl Harbor, por exemplo, sabe-se que foi uma provocação, porque os EUA sabiam que iam ser atacados e deixaram que tal acontecesse. O mesmo se passou com o incidente no golfo de Tonkin, que levou à guerra do Vietname. E agora são vários os pretextos que emergem contra o Irão: as alegadas armas nucleares são um, outro é o alegado papel nos atentados 11 de Setembro, pois desde o primeiro dia que acusam o país de apoiar os ataques, a afirmação mais absurda que podem fazer, pois não existem quaisquer provas. Mas os media agarram nestas coisas e dizem “sim, claro”.
Pode explicar às pessoas de uma forma simples a relação entre guerra contra o terrorismo e batalha pelo petróleo?
A guerra contra o terrorismo é uma farsa, é uma forma de demonizar os muçulmanos e é também a criação, através de operações em segredo dos serviços secretos, de brigadas islâmicas, controladas pelos EUA. Sabemos disso! Estas forças, ligadas à Al-Qaeda, são uma criação da CIA de 1979. Por isso a guerra contra o terrorismo é apenas um pretexto e uma justificação para lançar uma guerra de conquista. É uma tentativa de convencer as pessoas de que os muçulmanos são uma ameaça e de que estão a protegê-las e para isso têm de invadir países perigosos, como o Irão, o Iraque, a Síria e a Coreia do Norte, que perdeu 25% da sua população durante a Guerra da Coreia, mas, no entanto, continua a ser tida como uma ameaça para Washington. É absurdo! Os americanos são um pouco como a inquisição espanhola. Aliás, piores! O que mais me choca é que os EUA conseguem virar a realidade ao contrário, sabendo que são mentiras e mesmo assim acreditando nelas. A guerra contra o terrorismo é uma mentira enorme, mas todas as pessoas acreditam e o mesmo se passava com a inquisição espanhola – ninguém a questionava. As pessoas conformam-se com consensos e quem assume a posição de que isto não passa de um conjunto de mentiras é considerado alguém em quem não se pode confiar e provavelmente perderá o emprego. Por isso esta guerra é contra a verdade, muito mais séria que a agenda militar. Contra a consciência das pessoas – parece que ninguém está autorizado a pensar. E depois vêm dizer-nos “Ah, mas as armas nucleares são seguras para os civis”. E as pessoas acreditam.
Será Israel capaz de atacar Irão sem o apoio dos EUA?
Não. Eles podem enviar as suas forças, por exemplo para o Líbano, mas o seu sistema está integrado no dos EUA e, como o Irão tem mísseis, têm de estar coordenados com Washington. É uma impossibilidade em termos militares. Em 2008, o sistema de defesa aérea de Israel foi integrado no dos EUA. Estamos a falar de estruturas de comando integradas. Quer dizer, Israel pode lançar uma pequena guerra contra o Hezbollah ou até contra a Síria, mas contra o Irão terá de ser com a intervenção do Pentágono. Embora tendo uma fatia significativa de militares, Israel tem uma população de 7 milhões de pessoas e não tem capacidade para lançar uma grande ofensiva contra o Irão».
Diz no seu livro que a guerra com o Irão já começou e que os Estados Unidos estão apenas à espera de um rosto humano para lhe dar. Acredita que os objectivos políticos e geoestratégicos de Washington podem levar-nos a uma guerra nuclear com consequências para toda a humanidade?
Não quero fazer previsões e ir além do que aconteceu. Tudo o que posso dizer, e tenho vindo a dizê-lo de forma repetida, é que a preparação para a guerra está a um nível muito elevado. Se será levada a cabo ou não é outro patamar, e ainda não o podemos afirmar. Esperemos que não. Mas temos de considerar seriamente o facto de que este destacamento de tropas é o maior da história mundial. Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada. Dão espaço a Hollywood, aos crimes e a todo o tipo de acontecimentos banais, mas, no que toca a este destacamento militar que poderá levar-nos a uma terceira guerra mundial, ninguém diz nada. Isso é um dos problemas, porque a opinião pública é muito importante para evitar esta guerra. E isso não está a acontecer, as pessoas não se estão a organizar para se oporem à guerra. Isto não é uma questão política, é um problema muito mais vasto, e tenho de dizer que os meios de comunicação ocidentais estão envolvidos em actos de camuflagem absolutamente criminosos. Só o facto de alinharem com a agenda militar, como estão a fazer na Síria, onde sabemos que os rebeldes são apoiados pela NATO, na Arábia Saudita e em Israel, e como fizeram na Líbia, é chocante do meu ponto de vista, porque as mentiras que se criam servem para justificar uma intervenção humanitária.
Em vez de uma guerra nuclear, não podemos assistir a um cenário semelhante à Guerra Fria, com os EUA, a União Europeia e Israel de um lado e a China, a Rússia e o Irão do outro?
Esse cenário já é visível. A NATO e os EUA militarizaram a sua fronteira com a Rússia e a Europa de Leste, com os chamados escudos de defesa antimíssil – todos esses mísseis estão apontados a cidades russas. Obama sublinhou em declarações recentes que a China é uma ameaça no Pacífico – uma ameaça a quê? A China é um país que nunca saiu das suas fronteiras em 2 mil anos. E eu sei, porque ando a investigar este tema há muito tempo, que está a ser construída toda uma fortaleza militar à volta da China, no mar, na península da Coreia, e o país está cercado, pelo menos na sua fronteira a sul. Por isso a China não é a ameaça. Os EUA são a ameaça à segurança da China. E estamos numa situação de Guerra Fria. Devo mencionar, porque é importante para a UE, que, no limite, os EUA, no que toca à sua postura financeira, bancária, militar e petrolífera, também estão a ameaçar a UE. Estão por trás da destabilização do sistema bancário europeu.
E a colocação de mais tropas em torno da China vai trazer mais tensão à região.
Quanto a isso não tenho dúvidas, porque os EUA estão a aumentar a sua presença militar no Pacífico, no oceano Índico e estão a tentar ter o apoio das Filipinas e de outros países no Sudeste Asiático, como o Japão, a Coreia, Singapura, a Malásia (que durante muitos anos esteve reticente a juntar-se a esta aliança). Portanto, Washington está a formar uma extensão da NATO na região da Ásia-Pacífico, direccionada contra a China. Não há dúvidas quanto a isto. E não se vence uma guerra contra a China. É um país com uma população de 1,4 mil milhões de pessoas, com um número significativo de forças, tanto convencionais como estratégicas. Por isso, com este confronto entre a NATO e os EUA, de um lado, e a China, do outro, estamos num cenário de terceira guerra mundial. E toda a gente vai perder esta guerra. Qualquer pessoa com um entendimento mínimo de planeamento militar sabe que este tipo de confronto entre superpotências – incluindo o Irão, que é uma potência regional no Médio Oriente, com uma população de 80 milhões de pessoas – poderá levar-nos a uma guerra nuclear. E digo isto porque os EUA e os seus aliados implementaram as chamadas armas nucleares tácticas – mudaram o nome das bombas e dizem que são inofensivas para os civis, o que é uma grande mentira.
Mentira porquê?
Está escrito em todos os documentos que a B61-11 [arma nuclear convencional] não faz mal às pessoas e planeiam usá-la. Tenho estado a examinar estes planos de guerra nos últimos oito anos, e posso garantir que estão prontos a ser usados e podem ser accionados sem uma ordem do presidente dos EUA. Olhe para o que eles designam “Nuclear Posture Review” de 2001, um relatório fulcral que integra as armas nucleares no arsenal convencional, sublinhando a distinção entre os diferentes tipos de armas e apresentando a noção daquilo que chamam “caixa de ferramentas”. E a caixa de ferramentas é uma colecção de armas variadas, que o comandante na região ou no terreno pode escolher, onde estão estas B61-11, que são consideradas armas convencionais. Se quiser posso fazer uma analogia, é a mesma coisa que dizer que fumar é bom para a saúde. As armas nucleares não são boas para a saúde, mudaram o rótulo e chamaram--lhes bombas humanitárias, mas têm uma capacidade destruidora seis vezes superior à de Hiroxima.
Mas a maior parte das pessoas não parece consciente da gravidade do cenário...
A ironia é que a terceira guerra mundial pode começar e ninguém estará sequer a par, porque não vai estar nas primeiras páginas. Na verdade, a guerra já começou no Irão. Têm forças especiais no terreno, instigaram todo este tipo de mecanismos para desestabilizar a economia iraniana através do congelamento de bens. Há uma guerra da moeda em curso – isto faz parte da agenda militar. Desestabilizando-se a moeda de um país desestabiliza-se a sua economia, bloqueiam-se as exportações de petróleo, e isto antecede a implementação de uma agenda militar. Se eles puderem evitar uma aventura militar contra o Irão e ocupar o país através de outros meios, fá-lo-ão. É isso que estão a tentar neste momento. Querem a mudança de regime, o colapso das petrolíferas, apropriar-se dos recursos do país, e têm capacidade para fazer isto tudo sem uma intervenção militar, embora alguma possa vir a ser necessária. Mas o Irão é considerado uma das maiores potências militares da região e basta olharmos para as análises da sua força aérea, a sua capacidade em mísseis, as suas forças convencionais que ultrapassam um milhão de homens (entre activo e reserva), o que permite que de um dia para o outro consiga mobilizar cerca de metade, ou até mais. Tendo em conta estes números, os EUA e os seus aliados não conseguem vencer uma guerra convencional contra o Irão, daí a razão pela qual estão a tentar fazer a guerra com outros meios, e um desses meios é o pretexto das armas nucleares.
Acha que o Ocidente pode lançar um ataque preventivo contra o Irão mesmo sem provas?
Claro que sim! Olhe para a história dos pretextos para lançar guerras. Olhe para trás, para todas as guerras que os EUA começaram, a partir do século xix. O que fazem sistematicamente é criar aquilo que chamamos incidente provocado para começar a guerra. Um incidente que lhes permite justificar o início de um conflito por motivos humanitários. Isto é muito óbvio. Em Pearl Harbor, por exemplo, sabe-se que foi uma provocação, porque os EUA sabiam que iam ser atacados e deixaram que tal acontecesse. O mesmo se passou com o incidente no golfo de Tonkin, que levou à guerra do Vietname. E agora são vários os pretextos que emergem contra o Irão: as alegadas armas nucleares são um, outro é o alegado papel nos atentados 11 de Setembro, pois desde o primeiro dia que acusam o país de apoiar os ataques, a afirmação mais absurda que podem fazer, pois não existem quaisquer provas. Mas os media agarram nestas coisas e dizem “sim, claro”.
Pode explicar às pessoas de uma forma simples a relação entre guerra contra o terrorismo e batalha pelo petróleo?
A guerra contra o terrorismo é uma farsa, é uma forma de demonizar os muçulmanos e é também a criação, através de operações em segredo dos serviços secretos, de brigadas islâmicas, controladas pelos EUA. Sabemos disso! Estas forças, ligadas à Al-Qaeda, são uma criação da CIA de 1979. Por isso a guerra contra o terrorismo é apenas um pretexto e uma justificação para lançar uma guerra de conquista. É uma tentativa de convencer as pessoas de que os muçulmanos são uma ameaça e de que estão a protegê-las e para isso têm de invadir países perigosos, como o Irão, o Iraque, a Síria e a Coreia do Norte, que perdeu 25% da sua população durante a Guerra da Coreia, mas, no entanto, continua a ser tida como uma ameaça para Washington. É absurdo! Os americanos são um pouco como a inquisição espanhola. Aliás, piores! O que mais me choca é que os EUA conseguem virar a realidade ao contrário, sabendo que são mentiras e mesmo assim acreditando nelas. A guerra contra o terrorismo é uma mentira enorme, mas todas as pessoas acreditam e o mesmo se passava com a inquisição espanhola – ninguém a questionava. As pessoas conformam-se com consensos e quem assume a posição de que isto não passa de um conjunto de mentiras é considerado alguém em quem não se pode confiar e provavelmente perderá o emprego. Por isso esta guerra é contra a verdade, muito mais séria que a agenda militar. Contra a consciência das pessoas – parece que ninguém está autorizado a pensar. E depois vêm dizer-nos “Ah, mas as armas nucleares são seguras para os civis”. E as pessoas acreditam.
Será Israel capaz de atacar Irão sem o apoio dos EUA?
Não. Eles podem enviar as suas forças, por exemplo para o Líbano, mas o seu sistema está integrado no dos EUA e, como o Irão tem mísseis, têm de estar coordenados com Washington. É uma impossibilidade em termos militares. Em 2008, o sistema de defesa aérea de Israel foi integrado no dos EUA. Estamos a falar de estruturas de comando integradas. Quer dizer, Israel pode lançar uma pequena guerra contra o Hezbollah ou até contra a Síria, mas contra o Irão terá de ser com a intervenção do Pentágono. Embora tendo uma fatia significativa de militares, Israel tem uma população de 7 milhões de pessoas e não tem capacidade para lançar uma grande ofensiva contra o Irão».
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
somos todos recrutas

Na Visão do passado dia 9, Ricardo Araújo Pereira publicou na sua página Boca do Inferno, a crónica «Trocar os xailes negros pelas boinas negras» em que esclarece os portugueses menos esclarecidos do que realmente sucedeu nas últimas eleições legislativas, em que os eleitores votaram (os que votaram) nos partidos das suas escolhas, pensando que daí iriam eleger um novo primeiro-ministro. E, porque não foi isso o que realmente sucedeu, resolveu fazer esse esclarecimento, servindo-se daquela crónica.
A mesma necessidade senti eu, mas dado que RAP se antecipou e partindo do princípio que ele não se importará que eu me sirva das suas palavras, aqui deixo a transcrição daquela crónica, para esclarecimento de todos, sem excepção de qualquer eleitor, seja ele governo ou governado.
A mesma necessidade senti eu, mas dado que RAP se antecipou e partindo do princípio que ele não se importará que eu me sirva das suas palavras, aqui deixo a transcrição daquela crónica, para esclarecimento de todos, sem excepção de qualquer eleitor, seja ele governo ou governado.
«Todos os analistas inteligentes perceberam há muito que a nossa democracia sofreu uma pequena alteração nas últimas eleições. E eu começo a perceber agora: nas legislativas de 2011 os portugueses não elegeram um primeiro-ministro, elegeram um comandante do corpo de fuzileiros. O resultado foi este regime híbrido que combina a democracia com a ditadura militar. É uma democracia militar. Portugal fez um intervalo na sua existência como país e passou a ser uma caserna. Há dez milhões de recrutas que necessitam de formação e Pedro Passos Coelho berra-lhes aos ouvidos exactamente as mesmas palavras de incentivo que todos os soldados ouvem durante a recruta. A diferença é que o tratamento é mais bruto do que na tropa e as condições de vida são piores.
É difícil distinguir a linguagem político-militar da linguagem militar simples. Os recrutas, na tropa, ouvem que a boa vida que tinham antes acabou. Que quem acha que não aguenta deve sair. Que são preguiçosos. Que têm de fazer sacrifícios pela pátria. Que devem deixar de ser piegas. Os portugueses, na caserna, ouvem o mesmo: que viviam acima das suas possibilidades, e por isso a boa vida que tinham antes acabou. Que quem acha que não aguenta deve emigrar. Que são preguiçosos, e por isso têm de trabalhar mais, dispor de menos feriadós, deixar de festejar o Carnaval e ter férias menores. Que têm de fazer sacrifícios pela pátria, empobrecendo. E que devem deixar de ser piegas. Passos Coelho está a fazer de nós homens. Na impossibilidade de nos aplicar, como castigo, séries de 20 flexões de braços, cobra impostos. Flectimos o braço na mesma, mas é para ir buscar a carteira ao bolso. É duro, mas tem de ser. Porque Passos Coelho sabe melhor do que ninguém o que acontece àqueles portugueses menos esforçados, cuja capacidade de trabalho lhes permite arranjar emprego apenas nas empresas dos amigos, e que por opção, e não por necessidade, deixam a conclusão da licenciatura lá para os 37 anos: podem chegar a primeiro-ministro. E esse é um destino trágico que ele não deseja aos seus compatriotas.
A meio da recruta, o soldado faz o juramento de bandeira. O contribuinte português fará, suponho, o juramento de pin. Jura-se pela bandeira na mesma, mas é aquela bandeirinha de plástico que enfeita a lapela do primeiro-ministro».
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
o porta-aviões português
Se há acontecimentos que me parecem inexplicáveis, um dos que mais me deixa espantado foi a tranquila aceitação por parte de Hitler da cedência da Base Aérea das Lajes à Royal Air Force e posteriormente aos EUA. Se é certo que a cedência de Portugal assentou no acordo histórico e centenário anglo-português, não deixa de ser certo que Portugal era um país neutral que dessa forma acabava de favorecer uma das partes em confronto. A partir daí seria natural que Hitler retaliasse e nos declarasse guerra. Mas, não. Aceitou a cedência do maior «porta aviões» do mundo às forças aliadas, apesar de saber que essa cedência representava uma grave perda do poderio naval alemão. Porquê nã reagiu? Falta de forças? Quem o saberá explicar? Chegou-me hoje às mãos este magnífico documento cinematográfico que nos conta de forma bastante real o que naquele tempo se passou e quais foram os seus protagonistas. Não poderia deixar de colocar à vossa disposição tão importante documento histórico, que nos mostra a chegada dos militares ingleses em Outubro de 1943 aos Açores, o início da construção da Base das Lajes, que viria a ser utilizada pelos norte-americanos a partir de 1944 e até hoje.
a guerra vem aí?
Não sou de alarmismos nem profeta de desgraças, mas não deixo de me interrogar e ter como provável uma calamidade que se aproxima, porque se vem desenhando há já algum tempo, mesmo que aqueles que com ela têm a ver tudo façam para dela nos distrair. Refiro-me ao conflito do médio oriente e aos problemas que se aproximam em passos de gigante no Estreito de Ormuz. Chamo a atenção de todos para o vídeo que vos deixo, com clareza de exposição e perceptível a todos.
sexta-feira, janeiro 27, 2012
ele disse - vigaristas ...
Depois do eurodeputado Nigel Farage cabe hoje a vez de vos apresentar outro deputado do mesmo partido de Nigel e também eurodeputado, Godfrey Bloom, membro do United Kingdom Independence Party (UKIP) e presidente da European Alliance for Freedom. Eleito em 2004 e reeleito em 2009, tem protagonizado cenas verdadeiramente escaldantes naquele Parlamento, tendo sido já expulso de uma sessão em que participava por ofensas e insultos a Von Rompuy a quem chamou de nazi. O seu comportamento é por vezes incompreensível, na medida em que ora afirma e defende posições que todos aplaudimos e logo em seguida defende posições insustentáveis e indefensáveis. Só o cito aqui porque neste vídeo que hoje vos deixo ele toca um ponto que mais do que nunca se torna importante desmascarar.
as despesas são muitas
Um pouco mais de humor negro. Prometo não tocar mais nesta tecla. Há ocasiões em que até rir nos custa.
terça-feira, janeiro 24, 2012
goldfather
Continuo a pensar que precisamos de rir cada vez mais, se quisermos evitar a depressão reactiva ao estado em que este país vive. Se é verdade que é este país ou aqueles que o governam (e/ou se governam) que tudo faz para nos deprimir, não é menos certo que também são eles a dar os motivos para nos rirmos, servindo-nos deste magnífico remédio para sobrevivermos. Hoje proponho-vos umas boas gargalhadas sobre a nova clique da EDP, convindo contudo não esquecer que em boa verdade são eles, quem sem qualquer ponta de vergonha, riem permanentemente de todos nós, que os continuamos a aturar e nada fazemos para os colocar fora da res pública e privada.
segunda-feira, janeiro 23, 2012
uma esmolinha, por favor ...

A crise toca a todos e tanto é assim que mesmo aqueles que todos pensávamos que dela estariam livres, se verifica com espanto e tristeza que têm também os seus problemas. E não só os têm como parece mesmo não serem pequenos e assim merecerem a nossa atenção. Pessoalmente não me encontro na melhor das situações para resolver prementes necessidades para além da minha, mas atento que sou a quem precisa, se não posso dar para este peditório faço pelo manos aquilo que posso, que é repassar a notícia para vós que, talvez melhor do que eu, possais prestar a ajuda precisa, a quem precisa.
já se fala em hienas ...
Já se passou algum tempo (16 de Novembro de 2011) sobre as acusações proferidas por Nigel Farage no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, contra os senhores da Europa, especialmente a senhora e aqueles que não podem afirmar legitimidade democrática nas suas decisões. Nigel Farage, co-presidente do grupo EFD (Europe of Freedom and Democracy), é um conservador desalinhado que tem levantado alguns problemas interessantes sobre aqueles que pensam que estão acima de qualquer suspeita ou responsabilidade. Nem sempre o que diz se justificará totalmente, mas há sempre uma qualquer coisinha que nos deixa a pensar e que é justamente o que ele pretende. Por isso, aqui deixo este vídeo em que ele, sem papas na língua, diz o que poucos se atreveriam a dizer.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
famílias exemplares ...
Este ano anuncia-se trágico e pouco dado a graças e graçolas. Contudo, quando analisamos o dia a dia e os faits-divers que permanentemente nos chamam a atenção pelo relevo que tomam a partir do nada ou coisa nenhuma, não podemos deixar de de tentar compreender as suas razões. Isto tudo para justificar deixar-vos aqui com uma peça de humor crítico, escrito com graça e muito bem solucionado, de um dos casos mais badalados dos últimos quinze dias.
domingo, janeiro 15, 2012
as dívidas soberanas em directo
Para os preocupados com a dívida portuguesa deixo aqui o relógio das dívidas soberanas, para acompanhar a passo e passo a sua evolução. Para além de estar permanentemente informado, poderá controlar melhor aquilo que lhe vão sacando em nome dessa dívida.
quarta-feira, janeiro 11, 2012
para europeus distraídos
Na página 22 da Visão de 5 de Janeiro de 2012, Viriato Soromenho-Marques publicou o artigo que intitulou «A lição de Hamilton para europeus distraídos», um lúcido ensaio sobre a inteligência e visão dos que deixam marcas e a estupidez e mediocridade daqueles que hoje nos governam, incapazes de ver as causas e os efeitos, os problemas e as soluções, ofuscados que estão pelo brilho dos cifrôes e daqueles que na penumbra dos gabinetes os fazem mover em estratégias concertadas com o fim certeiro de enriquecer poucos e empobrecer muitos. Uma luta de poder com mão cifrónica. Penso que faz bem a todos ler este magnífico e esclarecido ensaio sobre a visão justa em causas justas. Dá gosto ver que no ano de 2012 se invoque o espírito e a acção esclarecida de Alexander Hamilton, 1º Secretário do Tesouro dos Estados Unidos da América (1812) e que se recomende hoje ter atenção a acção de um economista duzentos anos antes. O mérito a quem o tem ou teve.

«A lição de Hamilton para europeus distraídos»
«No passado 9 de novembro, quando a dívida pública italiana ultrapassou o Rubicão (7% nos títulos a dez anos), a chanceler Merkel recebeu o importante relatório anual do seu Conselho dos Cinco Sábios. Este órgão, em funções desde 1963, reúne reputados economistas alemães. Uma parte da paz laboral germânica deve-se ao crédíto que este órgão goza junto do patronato e dos sindícatos. No final da reunião, Merkel dísfarçava o mal-estar que lhe causara o facto de, também os seus sábios, terem adíantado que os eurobonds seriam indíspensáveis para a resolução da crise das dívidas soberanas na Europa. O que passou despercebido, mesmo da imprensa económica, foi uma breve nota de rodapé do extenso relatório, onde se dízia terem os peritos alemães retirado inspiração do plano apresentado por A. Hamilton, ao Congresso dos EUA, em 1790.
Alexander Hamilton (1755-1804), o mais visionário dos fundadores dos EUA em matéria económica, foi o primeiro secretário do Tesouro do Governo do Presidente Washington, e um dos obreiros da Constituição elaborada em Filadélfia, em 1787, tendo organizado a clássica obra O Federalista (a Gulbenkian reeditou este clássico em 2011, tendo por base a tradução que coordenei em 2003). Em 1790, os EUA estavam à beira da rutura. A principal razão residia nos conflitos entre Estados relacionados com grandes «dívidas soberanas» acumuladas durante a Guerra de Independência.
Quem conheça a época ficará espantado com a semelhança das situações e argumentos, na Zona Euro. O Massachusetts queixava-se do Connecticut ou de Maryland, por estes terem sido poupados ao esforço de guerra (e de dívida). A Virgínia, embora tivesse sido um terrível campo de batalha,já tinha saldado metade da sua dívida, enquanto Nova Iorque se mantinha numa situação de deliberado incumprimento. Também em 1790 era difícil saber até onde ia a dívida pública. Existiam credores na Europa (bancos holandeses e até britânicos, das dívidas anteriores à guerra), mas sobretudo cidadãos americanos que, apoiando o esforço de guerra, se viam à beira da falência, com títulos de dívida (em valor monetário ou fundiário) sucessivamente desvalorizados.
Hamilton nunca poderia ter lido Marcel Mauss, nem Nietzsche, mas sabia, como o primeiro, que também em política a dádiva pode gerar dívidas simbólicas de lealdade, sem as quais nenhuma sociedade subsiste, e como o segundo, suspeitava que a retórica de transformar as dívidas (schulden) em culpa moral (schuld) - desporto favorito da senhora Merkel- é um mecanismo de opressão e não de libertação. Por isso, lançou, entre 1790 e 1791, o plano económico que iria salvar a América como união federal. No meio de enorme controvérsia, ele continha três medidas fundamentais:
a) mutualização de toda a dívida estadual, transformada em dívida federal (trocando os títulos antigos por novos), restaurando a confiança dos mercados com o pagamento de juros e a promessa futura de vencimento; b) criação do Banco Nacional, com a função de ser o credor de última instância para o frágil e desorganizado sistema bancário da época, e fonte de recurso para o financiamento público; c) criação de um plano de fomento industrial para o emprego e revitalização económica.
Calcula-se que a divida pública dos EUA fosse de 197 milhões de dólares (ajustados a valores de 1980). Em 1811, havia sido reduzida para 49 milhões. A confiança dos mercados permitiu que Jefferson juntasse, em 1803, mais de 2 milhões de km2 aos EUA, comprando a Louisiana francesa por 15 milhões de dólares, obtidos por empréstimo a juros favoráveis. Mas a lição de Hamilton - que a liderança europeia desconhece por egoísmo incompetente - é a de que uma dívida pública tem ser enfrentada com uma resposta sistémica, que vá à raiz dos problemas, e ofereça um horizonte estratégico de futuro. Inversamente, a austeridade perpétua, prometida no acordo de 9 de dezembro, é uma receita segura para a catástrofe europeia».
terça-feira, janeiro 03, 2012
pés descalços
Sanjit Roy, mais conhecido como Bunker Roy nasceu em 2 de Agosto de 1945 em Burnpur Bengal, hoje West Bengal, filho de pai engenheiro e de mãe comissária responsável pelos negócios entre a Índia e a Rússia. Estudou nas melhores escolas indianas e após um Mestrado em Língua Inglesa, resolveu dedicar a sua vida aos outros como educador e activista social, fundando em 1972 uma ONG, em Tilonia, a que chamou Barefoot College, a Universidade dos Pés Descalços.
Nesta Universidade já acolheu e preparou mais de 3 milhões de jovens, escolhidos pelas várias comunidades, para aprenderem as mais diferentes tarefas, em condições de grande simplicidade e apenas com uma refeição por dia.
Admirador de Mahatma Gandi e de Mao Zedong foi incluído pela Time 100 de 2010, como uma das 100 personalidades mais influentes no mundo.
Premiado com vários prémios internacionais (,The Arab Gulf Fund for the United Nations (AGFUND) Award, The World Technology Award for Social Entrepreneurship, The Schwab Foundation for Social Entrepreneurship, The Stockholm Challenge Award for Information Technology, The NASDAQ Stock Market Education Award, The Tyler Prize, The St Andrews Prize for the Environment) recusou o que a Fundação Aga Kan lhe tinha atribuído, por discordar de alguns procedimentos daquela Fundação. Ninguém melhor do que ele vos pode dar uma imagem real da sua vida e da sua paixão e actividade social. Por aqui vos deixo as suas palavras proferidas durante uma conferência TED em Julho de 2011, em Edinburgo que, pela sua extensão, está dividida em duas partes. Vale a pena ouvi-lo. E atentem na citação final de Mahatma Gandi - «Primeiro eles ignoram-te; depois riem-se de ti; depois combatem-te e, finalmente, tu vences».
Nesta Universidade já acolheu e preparou mais de 3 milhões de jovens, escolhidos pelas várias comunidades, para aprenderem as mais diferentes tarefas, em condições de grande simplicidade e apenas com uma refeição por dia.
Admirador de Mahatma Gandi e de Mao Zedong foi incluído pela Time 100 de 2010, como uma das 100 personalidades mais influentes no mundo.
Premiado com vários prémios internacionais (,The Arab Gulf Fund for the United Nations (AGFUND) Award, The World Technology Award for Social Entrepreneurship, The Schwab Foundation for Social Entrepreneurship, The Stockholm Challenge Award for Information Technology, The NASDAQ Stock Market Education Award, The Tyler Prize, The St Andrews Prize for the Environment) recusou o que a Fundação Aga Kan lhe tinha atribuído, por discordar de alguns procedimentos daquela Fundação. Ninguém melhor do que ele vos pode dar uma imagem real da sua vida e da sua paixão e actividade social. Por aqui vos deixo as suas palavras proferidas durante uma conferência TED em Julho de 2011, em Edinburgo que, pela sua extensão, está dividida em duas partes. Vale a pena ouvi-lo. E atentem na citação final de Mahatma Gandi - «Primeiro eles ignoram-te; depois riem-se de ti; depois combatem-te e, finalmente, tu vences».
(Informação recolhida na Wikipedia)
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