terça-feira, outubro 29, 2013

nazaré blow up

É lindo de ver e assustador. O surf no seu melhor, num dos melhores locais do mundo, com os melhores surfistas actuais.

segunda-feira, outubro 28, 2013

a importância da classe média

São apenas dois minutos. Pode não ser muito importante, mas é mais um passo no conhecimento.

sexta-feira, outubro 25, 2013

breviário de juramentos em tempo de crise

 
 
 
Para aqueles que não leram a última crónica de Ricardo Araújo Pereira, em Boca do Inferno, da Visão, aqui vos deixo este magnífico breviário de juramentos, actualizado. 
 
Juramentos em tempo de crise
«Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, a menos que o FMI não aprecie a nossa lei fundamental e, por isso, seja melhor fingir que ela não existe. Nesse caso, optarei por engonhar em vez de pedir a fiscalização preventiva de orçamentos obviamente inconstitucionais, para não arreliar os senhores da troika e o próprio Durão Barroso. Creio em um só Deus, os Mercados todo¬-poderosos, criadores do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis, e também das incompreensíveis, como a flutuação das taxas de juro da dívida pública e o rating do País. Creio em um só Senhor, o Capital, filho unigénito de Deus. nascido do Pai antes de todos os séculos, cujos caminhos são misteriosos, uma vez que há operações financeiras que ninguém percebe exactamente como funcionam, como os swaps e os contratos das PPP. Por Ele todas as coisas foram privatizadas. E por nós, devedores. e para nossa salvação desceu dos Céus para nos levar 20% do salário e da reforma, o subsídio de férias e a pensão de sobrevivência. Ámen. Juro, como português e como militar, guardar e fazer guardar a Constituição e as leis da República, servir as Forças Armadas e cumprir os deveres militares, contanto que o funcionamento dos nossos órgãos de soberania não irrite o Presidente José Eduardo dos Santos. Juro defender a minha Pátria e estar sempre pronto a lutar pela sua liberdade e independência, mesmo com sacrifício da própria vida, excepto quando o regime angolano se incomodar com a ex¬tensão da nossa liberdade e independência, altura em que pedirei desculpa por existir. Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade, se o ministro da Saúde assim mo permitir. Exercerei a minha arte com consciência e dignidade nos poucos serviços de urgência que se mantiverem abertos. A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação, desde que os tratamentos não sejam demasiado onerosos. Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica, junto de enfermeiros sub¬-contratados e pagos a menos de 4 euros à hora. Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu Doente. Já bastam as horas extraordinárias motivadas pela escassez de pessoal a perturbarem-me o raciocínio. Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana, desde que o titular dessa Vida Humana tenha dinheiro para suportar o aumento das taxas moderadoras e a diminuição da com participação de medicamentos e exames de diagnóstico».

terça-feira, outubro 22, 2013

landfill harmonic

Não tenho informação sobre a realidade que aqui vos deixo, para além da que está contida no vídeo. Mas, neste caso, mais do que a informação, importa a forma como somos «tocados». Aqui fica, para não ser só eu  a ser tocado.
 

segunda-feira, outubro 21, 2013

a broa dos velhos


Todos sabem isto, mas convém recordar e por personalidades diferentes. Assim se prova que a verdade é só uma. Deixo aqui o artigo escrito por Alberto Pinto Nogueira, Procurador-geral da república no Tribunal da Relação do Porto, que intitulou A broa dos velhos.
 
A broa dos velhos
«A República vive da mendicidade. É crónico. Alexandre de Gusmão, filósofo, diplomata e conselheiro de D. João V, acentuava que, depois de D. Manuel, o país era sustentado por estrangeiros. Era o Séc. XVIII. A monarquia reinava com sumptuosidades, luxos e luxúrias. A rondar o Séc. XX, Antero de Quental, poeta e filósofo, acordava em que Portugal se desmoronava desde o Séc. XVII. Era pedinte do exterior. A Corte, sempre a sacar os cofres públicos, ia metendo vales para nutrir nobrezas, caçadas, festanças e por aí fora…. Uma vez mais, entrou em bancarrota. Declarou falência em 1892. A I República herdou uma terra falida. Incumbiu-se de se autodestruir. Com lutas fratricidas e partidárias. Em muito poucos anos, desbaratou os grandes princípios democráticos e republicanos que a inspiraram. O período posterior, de autoritarismo, traduziu uma razia deletéria sobre a Nação. Geriu a coisa pública por e a favor de elites com um só pensamento: o Estado sou eu. Retrocedia-se ao poder absoluto. A pobreza e miséria dissimulavam-se no Fado, Futebol e Fátima. As liberdades públicas foram extintas. O Pensamento foi abolido. Triturado. O Povo sofria a repressão e a guerra. O governo durou 40 anos! Com votos de vivos e de mortos. A II República recuperou os princípios fundamentais de 1910, massacrados em 1928. Superou muitos percalços, abusos e algumas atrocidades. Acreditou-se em 1974, com o reforço constitucional de 1976, que se faria Justiça ao Povo. Ingenuidade, logro e engano. Os partidos políticos logo capturaram o Estado, as autarquias, as empresas públicas. Nada aprenderam com a História. Ignoram-na. Desprezam-na. Penhoraram a Nação. Com desvarios e desmandos. Obras faraónicas, estádios de futebol, auto-estradas pleonásticas, institutos públicos sobrepostos e inúteis, fundações público-privadas para gáudio de senadores, cartões de crédito de plafond ilimitado, etc. Delírio, esquizofrenia esbanjadora. O país faliu de novo em 1983. Reincidiu em 2011. O governo arrasa tudo. Governa para a troika e obscuros mercados. Sustenta bancos. Outros negócios escuros. São o seu catecismo ideológico e político. Ao seu Povo reservou a austeridade. Só impostos e rombos nas reformas. As palavras "Povo” e “Cidadão” foram exterminadas do seu léxico. Há direitos e contratos com bancos, swaps, parcerias. Sacrossantos. Outros, (com trabalhadores e velhos) mais que estabelecidos há dezenas de anos, cobertos pela Constituição e pela Lei, se lhe não servem propósitos, o governo inconstitucionaliza aquela e ilegaliza esta. Leis vigentes são as que, a cada momento, acaricia. Hoje umas, amanhã outras sobre a mesma matéria. Revoga as primeiras, cozinha as segundas a seu agrado e bel- prazer. É um fora de lei. Renegava a Constituição da República que jurou cumprir. Em 2011, encomendou a um ex-banqueiro a sua revisão. Hoje, absolve-a mas condena os juízes que, sem senso, a não interpretam a seu jeito!!! Os empregados da troika mandam serrar as reformas e pensões. O servo cumpre. Mete a faca na broa dos velhos. Hoje 10, amanhã 15, depois 20%. Até à côdea. Velhos são velhos. Desossem-se. Já estão descarnados. Em 2014, de corte em corte (ou de facada em facada?), organizará e subsidiará, com o Orçamento do Estado, o seu funeral colectivo. De que serviu aos velhos o governo? E seu memorando?»

quarta-feira, outubro 16, 2013

que americanos mais queridos...

Tenho uma vaga ideia de já ter colocado aqui este vídeo. Tentei localizá-lo e não consegui. Como é uma pérola do cinema dos anos 60 e mesmo tendo em conta a propaganda subliminar que pode conter, penso que é melhor correr o risco de o repetir do que ignorá-lo. Aqui o deixo para vosso prazer e recordação.


segunda-feira, outubro 14, 2013

memória em imagens - nasser et les frères...

Sem comentários. Vão lá muitos anos e muitas transformações. Necessita de meditação e crítica. Razões bastantes para recuperar esta memória de Gamal Abdel Nasser..
 

domingo, outubro 13, 2013

será que george soros terá razão?

 
Na edição da Visão do passado dia 10, publicou Viriato Soromenho Marques o artigo de opinião que aqui vos deixo, juntamente com a imagem com que foi publicado. Retoma nele a ideia de George Soros de transformar o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) num «Banco» com a devida licença bancária, que lhe permitisse o recurso ao BCE e beneficiar da taxa de 0,5%, como a dos outros bancos. Isso poderia resolver todas as crises presentes e futuras desta Europa em convulsão e anemia económicas. Parece-me que gostarão de o ler e perguntarem-se porque razão todas aquelas cabecinhas luminosas que se passeiam por Bruxelas, não são capazes de dar o passo em frente.
 
«De vez em quando as agências noticiosas dão conta de inquéritos de opinião, independentes, que quase passam despercebidos, efetuados em toda a União Europeia (UE), sobre as questões que colocam os governos em rota de colisão com os seus povos. Em maio deste ano, o Pew Research Center realizou um inquérito em vários países europeus, visando medir o grau de adesão dos diferentes eleitorados à Zona Euro (ZE). Surpreendentemente para muitos observadores, apesar da duríssima austeridade, a maioria esmagadora da população quer que os seus países nele continuem. A Grécia está em primeiro lugar, com 69%, seguida da Espanha, com 67%, e da Alemanha, com 66%. Na Espanha e na Itália, a opinião favorável ao euro cresceu entre 2012 e 2013. Dia 2 de outubro, o instituto Gallup divulgou outro inquérito, ainda politicamente mais sensível, sobre o balanço da austeridade. Interrogados sobre se a austeridade está ou não a dar os resultados prometidos. 51% dos inquiridos disseram que não está. Apenas 5% concordam com a continuação desta via dolorosa. Nos países fustigados pela austeridade, os respondentes céticos em relação ela escalam para 94% dos gregos, 81% dos portugueses, 80% dos espanhóis. Mas, mesmo na Alemanha, 50% considera existirem outras opções melhores do que a austeridade, enquanto 25% não concebe outro caminho. Diagnósticos e terapias - Mas o mais surpreendente é verificarmos que a desconfiança dos povos europeus no sistema bancário é absolutamente esmagadora. Curiosamente. Portugal é o campeão das atitudes mais favoráveis do público em relação à banca: 40% confia nos bancos, contra 54% que desconfia. Até os alemães temem mais os bancos do que os portugueses: 37% contra 62%. A desconfiança eleva-se para 87% em Espanha, 84%, na Irlanda ou 80% na Grécia. É impossível não destacar o consenso dos cidadãos europeus em relação a origem da crise em que estamos mergulhados: ela foi causada pelos abusos do setor financeiro, o que, na Europa, é quase sinónimo de setor bancário. O cidadão comum, em todos os países da EU, não parece engolir a narrativa dos «Estados que viveram acima das suas possibilidades», usada como desculpa para a austeridade. Na verdade, a cumplicidade e a promiscuidade entre governos e bancos são intensas, o que, aliás, explica a ausência total de regulação eficaz como se viu na queda da Irlanda, no Bankia em Espanha, no Paschi em Itália e nos casos BPN e BPP em Portugal. A reforma dos Tratados - A única maneira segura e estrutural de fazer sair a Europa da crise será a da reforma profunda dos Tratados, construindo as instituições de um federalismo republicano e constitucional à escala europeia. Mas, se os governos escutassem a dor dos seus povos, em vez dos interesses da pequena elite do poder financeiro, mesmo sem mudar poderiam ser tomadas medidas que aliviariam a austeridade, e que, ao contrário desta, estariam predestinadas a ter sucesso. Por exemplo, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) na linha de uma sugestão já antiga de George Soros, poderia receber uma licença bancária. Em vez de ir buscar os seus fundos aos mercados mediante emissões obrigacionistas, com garantia dos Estados da ZE (incluindo Portugal), o MEE iria buscar o dinheiro ao BCE, à mesma taxa de referência oferecida à banca comercial. As garantias poderiam ser as mesmas oferecidas aos credores obrigacionistas, caindo as taxas de juro para 0,5% Com isso, o alivio na despesa anual com juros permitiria realizar as reformas estruturais, num quadro constitucional, ao mesmo tempo que aliviaria o impacto da austeridade sobre a procura interna, contribuindo para o desenvolvimento económico. Contudo, as enormes vantagens desta solução prejudicariam o mito sacrossanto da valorização interna como via para a competitividade, e lesariam os lucros da especulação com a divida pública. Razão tinha Henry Ford quando afirmava que se o povo percebesse como funcionava o sistema monetário e bancário, aconteceria uma revolução antes do amanhecer do dia seguinte».

sábado, outubro 12, 2013

a arte e o génio da relojoaria

Não podia deixar de vos deixar aqui esta pequena maravilha da arte da relojoaria e daquela chispa de genialidade que o artesão tem de ter, para além da técnica. Chamo-lhe arte da relojoaria, não porque se trate apenas de um relógio, mas fundamentalmente de um autómato que escreve - desde há mais de 200 anos - mas porque foram mãos de relojoeiro que lhe deram vida. Palmas e muitas, desde já, para o seu criador, o suíço Pierre Jaquet-Droz. Este vídeo foi realizado pela prestigiada BBC, para o seu programa Mechanical Marvels: Clockwork Dreams e comentado pelo Prof. Simon Schaffer.

quinta-feira, outubro 10, 2013

falar claro

Sem palavras, nem comentários. Vejam e ouçam como se fala claro. Graças a Deus.

quarta-feira, outubro 02, 2013

memória em imagens - a rendição do japão

Sem palavras necessárias. Apenas a memória em imagens. Hoje, a assinatura da rendição do Japão a bordo do Missouri.

sábado, setembro 21, 2013

swaps e pensões

O artigo escrito pelo Prof. Dr. Luís Menezes Leitão, que intitulou «Swaps e pensões», merece a vossa atenção por ser mais uma voz que apregoa, com a sabedoria que tem, a ilegalidade e falta de vergonha de quem quer roubar aos reformados e pensionistas aquilo que é deles e saíu dos seus anos de trabalho que foram as suas vidas úteis. Portugal só é Europa, para o Mal?
Reparem que logo a abrir o artigo, se afirma a legislação por que se regem o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e o Tribunal Constitucional Alemão nestes casos específicos ou seja, a senhora Merckel, essa imperadora do mal, nada poderá fazer contra isso, na sua terra! Lê-se rapidamente, mas necessita ser lido em ecrã total, para permitir boa leitura.

sexta-feira, setembro 20, 2013

as premonições de natália

 
 
Retiradas do último livro de Fernando Dacosta, «O Botequim da Liberdade», deixo-vos hoje as premonições de Natália Correia que, há exactamente uma semana, teria feito 90 anos se ela e nós tivéssemos a felicidade de ela ainda estar viva. Foi uma figura única do passado século. Poeta, ensaísta, dramaturga, política e mais um punhado de coisas, já que fazia tudo em grande e grande, que infelizmente nos deixou, subitamente, em 16 de Março de 1993. Não resisto a deixar-vos um dos seus poemas, tirados à sorte, após a transcrição das premonições, para consolo e recordação.
 
"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".
"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".
"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".
"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"
"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir'.
 
 
De Amor nada Mais Resta que um Outubro
De amor nada mais resta que um Outubro 
e quanto mais amada mais desisto: 
quanto mais tu me despes mais me cubro 
e quanto mais me escondo mais me avisto. 

E sei que mais te enleio e te deslumbro 
porque se mais me ofusco mais existo. 
Por dentro me ilumino, sol oculto, 
por fora te ajoelho, corpo místico. 

Não me acordes. Estou morta na quermesse 
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie 
nem teus zelos amantes a demovem. 

Mas quanto mais em nuvem me desfaço 
mais de terra e de fogo é o abraço 
com que na carne queres reter-me jovem. 

Natália Correia, in “Poesia Completa''


quinta-feira, setembro 19, 2013

danielle ou o envelhecimento em directo

Recebi hoje este magnífico vídeo de Anthony Cerniello, que sem nos apercebermos das mudanças, assistimos ao crescimento e envelhecimento de alguém a quem ele chamou Danielle ou será mesmo Danielle. Não importa. O que deve ser visto e avaliado é a técnica perfeita usada por Cerniello nesta mutação constante e nem sempre perceptível de um rosto parado que, de quando em quando, pestaneja. Gostem ou não, aqui fica.
 

quinta-feira, setembro 12, 2013

sobre swaps


 
O Jornal de Negócios, publicou em 9 de Agosto passado um excelente artigo de Pedro Santos Guerreiro que merece ser conhecido por todos aqueles que gostam de estar informados e conhecer as teias que envolvem cada vez mais este mundo em sufoco. Porque nem todos serão leitores do Jornal de Negócios, convém que pelos meios disponíveis se espalhe o que merece ser espalhado Aqui vos deixo o artigo referido.
 
"Swaps" ou o lado negro da força
Não é esta a promiscuidade a que estamos habituados. Falamos de conúbios financeiros há anos, de políticos na banca e de banqueiros na política, nos créditos de uns para as obras de outros, nos financiamentos opacos, leis de favor, benefícios fiscais, dinheiro dos contribuintes, somos catedráticos nessa inconsequente disciplina. Mas isto dos "swaps" tóxicos é outra selva. Não é negociata de paróquia, é prática implacável dos maiores bancos de investimento do mundo. É ao lado negro de um planeta fascinante e sinistro de delícias e sevícias onde se compra e vende tudo, e onde os parvos são palha para estofar sofás. O relato é feito amiúde por "arrependidos" que largam o vício do dinheiro. Sim, do dinheiro: a banca de investimento paga os salários mais altos do mundo empresarial. Os salários não, os prémios. Prémios que dependem de desempenho. Desempenho que depende de angariar lucro. Lucro que depende muitas vezes de transaccionar risco para os clientes. O português João Ermida deixou de ganhar milhões por ano no Santader porque já não suportava olhar-se ao espelho e publicou um livro expiando os seus pecados. O americano Greg Smith escreveu uma carta memorável, "Porque estou a sair da Goldman Sachs", retrato cru de uma organização disposta a sacrificar os interesses de clientes no vórtice da obcecação pelo seu próprio lucro. Um pequeno relato pessoal: em 2009 infiltrei-me alguns dias em vários bancos de investimento na City, disfarçado de financeiro de empresa cotada em reuniões com investidores, naturalmente vedadas a jornalistas. Foi como acompanhar um "road show", nunca pude escrever sobre essas reuniões nem o farei agora. Mas posso, porque já passou suficiente, relatar o paradoxo a que assisti dentro e fora desses bancos. Tinha passado um ano desde a falência do Lehman Brothers e de terem sido juradas guerras infernais às actividades não reguladas da banca, a pressão política sobre quem havia intoxicado o mundo de prejuízos do mercado imobiliário americano (o "subprime") era intensa, as opiniões públicas queriam condenados, os reguladores prometiam guerra, as manchetes dos jornais ingleses desses dias eram invariavelmente com escândalos de bónus de banqueiros. Pois bem, nesses bancos eu entrei numa espécie de Atlântida encapsulada do ambiente depressivo (e repressivo) das ruas. Lá dentro só se falava de bónus. O ano aproximava-se do fim e as bocas desenhavam risos em todas as caras, que se viravam das janelas desprezando as manifestações lá fora. Semanas depois soube-se: depois da hecatombe de 2008, a banca de investimento teve o melhor ano de sempre em 2009. Em grande parte porque os Governos, desesperados com os riscos de depressão económica causada pelo sistema financeiro no "subprime", carregaram no investimento público, aumentando as suas dívidas públicas, com financiamento e assessoria... dos bancos de investimento. Nesses dias, em Londres, perdi as ilusões sobre a possibilidade de moralização ou captura regulatória da actividade financeira. Não estamos a falar de toda a banca, nem sequer de toda a banca de investimento, mas de departamentos que nela se mantêm ante a impotência da supervisão. Estamos a falar de produtos estruturados, de "swaps", ABS, CDS, ETF, MBS, "black pools", "proprietary trading", transacções de alta frequência, derivados sobre acções, taxas de juro, moedas, commodities, produtos negociados "ao balcão", sem passarem por plataformas reguladas. Comprar um "swap" é uma decisão normal para proteger uma empresa do risco de taxa de juro. Mas há "swaps" normais e exóticos - e as empresas públicas (e muitas PME) compraram risco insuportável a troco de ganhos imediatos. Sabendo ou não o que faziam (o que não é indiferente), foram triturados nos passadouros dos bancos de investimento. A indústria financeira é alquímica, produz ricos sem produzir riqueza. Não fabrica pregos e não constrói pontes, financia e cria complexidades. O célebre livro "O Capitalismo é Amoral" foi escrito por eles. A banca de investimento fornece as soluções à medida, as boas e as diabólicas. Na indústria da aviação, por exemplo, a compra de "swaps" sobre o petróleo tornou-se às tantas mais importante para o negócio que a venda de bilhetes. A pressão para os resultados é brutal e o prémio pode ser gigante. A ética não é uma variável. Come-se o que se mata. Matam-se colegas, concorrentes, clientes, empresas, Estados. O serviço destes bancos na Grécia, e que foi proposto a Portugal, não foram produtos financeiros, foram produtos sobre como mentir. Mentir nas contas públicas, mascarar dívidas, esconder riscos, enganar os povos. E, no entanto, mesmo depois da vergonha desmascarada, os mesmos bancos são contratados pelos mesmos Estados (incluindo Portugal), que continuam sujeitos às mesmas agências de "rating". Eles são os mercados. E nós precisamos dos mercados porque somos dependentes da droga que eles vendem: crédito. Os Pais Jorges são peões minúsculos no tropel deste processo. A sua entrada no Governo até podia ser boa pela razão que leva empresas de "software" a contratar "piratas": pelo que sabem. O senhor estatelou-se em mentiras e foi cuspido, num processo político e mediático que dispersa a nódoa, destruindo peões e a imagem dos partidos, mas desinteressado do essencial: a preservação das acções políticas de devedores compulsivos e financeira de credores ardilosos que gerou este escândalo e gerará o próximo. O regime transformou-se num esquema.

terça-feira, setembro 10, 2013

arco da luz

Não tive ocasião de assistir ao espectáculo levado a cabo no Terreiro do Paço em 13 de Agosto passado. É evidente que, por melhor que seja o vídeo, nunca corresponderá ao espectáculo ao vivo. Mesmo assim penso que vale a pena assistir a estes 17 minutos de projecção em que se tenta dar uma história acelerada de Lisboa ao longo dos tempos. Por mais críticas que se possam fazer ao vídeo, com razão ou sem ela, penso que valeu muito a pena tê-lo feito, razão porque aqui o deixo para mais um exemplo da «memória em imagens».
 

sexta-feira, setembro 06, 2013

a memória em imagens

Regressado hoje de uma longa ausência deste blog, mas não deste país, nem do que nele se passa, recebi entre os vários mails que jaziam na pasta de entradas, um texto escrito por José Vitor Malheiros no jornal Público, de data que desconheço, que me pareceu merecer a atenção de quem costuma estar atento, mas sem tempo para estar 'em todas'. Por esta razão, transcrevo-o aqui para vosso conhecimento e opinião. Aproveitem para recordar a acção corajosa e eficaz do jornalista de televisão Edward R. Murrow (David Strathairn), que com uma série de reportagens televisivas levou à queda do Senador Joseph McCarthy.
 
 
 
Um governo de traição nacional
 
«A história e a política estão cheias de grandes tiradas, de declarações que mudaram o rumo do mundo e que inflamaram o desejo e o sonho de milhões durante décadas ou séculos. "Obviamente, demito-o!" "De l"audace, toujours de l"audace, encore de l"audace!" "We shall fight on the beaches..." "Os proletários não têm nada a perder senão as suas grilhetas!"... E há também frases aparentemente banais que, por uma conjugação de circunstâncias, conseguem mudar o curso dos acontecimentos. O fim do senador republicano americano Joseph McCarthy foi ditado quando, durante um das famosas audições no Senado, o advogado do Exército dos EUA Joseph Nye Welch lhe perguntou simplesmente, com um ar de profundo desdém, "Have you no sense of decency?" Uma pergunta que bastou para os americanos - havia 20 milhões a seguir a transmissão televisiva em directo - adquirirem a consciência de que aquele arruaceiro pomposo era apenas um pequeno traste à procura de poder. O homem não merecia senão desprezo. O que é espantoso é como, na actual situação política portuguesa, há tão pouca gente a fazer a mesma pergunta a todos e a cada um dos membros do Governo português, de cada vez que abrem a boca, quando é tão evidente que essa gente é apenas, como McCarthy, um bando sem escrúpulo, sem noção de decência, sem respeito pela lei, sem apego à democracia e com um profundo desprezo pela vida dos cidadãos e uma subserviência criminosa em relação aos interesses financeiros internacionais. Há decência nos swaps? Na destruição da escola pública? Na humilhação dos pobres? Na destruição da universidade? No aumento do desemprego a que chamam flexibilização? Na destruição da administração pública a que chamam requalificação? Não têm o sentido da decência? Não. Não têm, não querem ter e têm raiva a quem tem. Parece uma caricatura? Parece. Mas isso é apenas porque o Governo de Passos Coelho é de facto uma caricatura, um excesso de mentiras e pouca-vergonha, uma organização de rapina que governa sem qualquer escrúpulo. Aquele conjunto é de facto caricatural. Portas é caricatural. Mota Soares é caricatural. Maduro é caricatural. Passos Coelho é caricatural como todas as pessoas sem escrúpulos são caricaturais. Porque é que as enormidades que diz não são denunciadas como as enormidades que são? Porque é que se acha aceitável este estilo de títere tiranete? Porque há uma reserva de boa vontade nas pessoas que lhes diz que as coisas talvez não sejam tão más como parecem e que as pessoas podem não ser tão desprovidas de princípios morais e de sentimentos como parecem na televisão. Há sempre pessoas que levam a sua magnanimidade até à estultícia. E os Passos Coelhos deste mundo contam com isso. Com isso, com os crédulos que podem convencer a continuar a votar em si e com os moluscos que os servem no Parlamento. É assim que este Governo fora-da-lei pode continuar a roubar aos milhares de milhões os portugueses, roubando-lhes os bolsos, os empregos, as pensões, os ordenados, os subsídios, os serviços públicos que eles pagam, o património que construíram, as empresas públicas que são de todos, destruindo o progresso que se alcançou nas últimas décadas apenas para poder enriquecer ainda mais os muito ricos e para poder aniquilar os resquícios de soberania que possam teimar em existir, espalhando a miséria e reduzindo os portugueses à inanição e à subserviência. O que temos é um Governo não de salvação mas de traição nacional. De traição às suas promessas eleitorais, às suas juras de tomada de posse, às instituições democráticas e aos compromissos da civilização que todos abraçámos, de traição ao povo, espremido e vendido barato para enriquecer os credores. E, no entanto, os portugueses não se movem. Ou quase não se movem. As acções do bando de malfeitores que se apoderou do Governo com falsas promessas parece tão inconcebível que parece impossível que alguém as leve a cabo sem que haja fortíssimas razões de interesse público, ainda secretas. Imagina-se que deve haver aí alguma racionalidade. Talvez o que o Governo diz da austeridade seja verdade. Talvez seja justo matar os pobres à fome para pagar aos bancos. Custa a acreditar que alguém possa ser tão desonesto, tão insensível, com um tal ódio aos mais fracos. Pensamos que isto não é possível, que a lei nos protege, que a filosofia nos protege, que a história nos protege, que a decência que temos o direito de esperar dos outros nos protege. Mas a história está cheia de exemplos destes. Durante anos ninguém acreditou que Hitler quisesse exterminar os judeus, ninguém acreditou que Pol Pot tivesse dizimado um quarto da população do Camboja. E na sombra destes grandes ditadores sempre houve pequenos velhacos, pequenos capatazes como Passos Coelho ou Mota Soares que fizeram o trabalho sujo apenas para terem as migalhas da mesa do poder. Há racionalidade na acção do Governo, mas é a racionalidade do saque, do roubo descarado, da tirania da oligarquia. A decência está fora da equação».
jvmalheiros@gmail.com Escreve à terça-feira

quinta-feira, julho 11, 2013

duo flame

Quando vejo algo de diferente e com grande qualidade, seja em que modalidade for, sinto que tenho a obrigação de mostrar essas pérolas aos frequentadores deste blog. Hoje deixo-vos com o Duo Flame, sobre o qual nada sei para além de terem mais de seis milhões de visitas no YouTube. Mas nada disso interessa. Vejam e apreciem.
 

quarta-feira, julho 10, 2013

a mentira da crise

Quando se fala claro, entende-se tudo. E perguntamos - se isto é assim, tão simples de entender e de resolver muitos dos problemas que nos afligem, porquê o governo não actua onde deve e persiste em actuar onde não deve?
Não sabem a resposta? Pensem um bocadinho.


terça-feira, julho 09, 2013

sai o paulo, entra o paulo

Uma nova pérola a juntar à saga anterior. Será que ficamos com esta trilogia ou será que ela vai ser enciclopédoca?