sexta-feira, junho 21, 2013

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 32


152.
Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender. Este livro é a minha cobardia. (...). Por que escrevo, se não escrevo melhor? Mas que seria de mim se não escrevesse o que consigo escrever (…). Para mim, escrever é desprezar-me; mas não posso deixar de escrever. (…).
 
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego


Também eu pasmo quando acabo alguma coisa, mas por razões muito diversas. Pasmo porque não tendo o instinto da perfeição, nem a persistência, nem a capacidade, nunca sei porque começo. Começo por começar. E até pasmo. Pasmo porque sem saber como, não paro logo de escrever e continuo, e continuo, palavra a palavra, ideia a ideia, se estas, porventura, entram nesta escrita. Não tenho força para pensar, não. Pensar é esforço e eu nunca me esforço e a preguiça sempre me comandou. Os livros que não escrevo é que são a minha cobardia. Os que escrevo são a minha incapacidade, a minha ligeireza, a minha preguiça paralisante que não me deixa corrigir, emendar, pensar outra vez. Mas eu penso alguma vez, por acaso? Escrevo por escrever, como tudo que faço. Sem sentido, sem fim, sem nada. Eu e o vazio que sempre me envolve e me preenche. Um vazio, cheio, cheio, cheio. Que posso fazer de mim?

CVR

quarta-feira, junho 19, 2013

não há pão, só há paz


Apresento-vos hoje  um showman e poeta angolano, Fridolim Kamolakamwe, que parece ser uma personalidade que tanto jorra simpatias como controvérsias, a acreditar num blog de debates e ideias que consultei. Há quem o considere o poeta angolano do século e outros há que só veem o revolucionário e o devem odiar. Recebi hoje este vídeo e penso que merece muita atenção. Poeta, declamador, agitador, líder, livre, acredito que preocupe muitos e agrade imenso aos que o entendem e apoiam. É bom viver em paz, quando ela não é podre. O poema deste vídeo foi escrito após a manifestação do 7 de Março.

segunda-feira, junho 17, 2013

a nau portugal navega há séculos



Transcrevo parte de um artigo escrito recentemente por Miguel de Sousa Tavares no Expresso, que é de grande oportunidade e merece a vossa atenção.


Pode um homem sozinho dar cabo de um país?

«Pode, se o deixarem à solta: é o que Vítor Gaspar está há quase dois anos a tentar fazer a Portugal. Ele dará cabo do país e não deixará pedra sobre pedra se não for urgentemente dispensado e mandado regressar à nave dos loucos de onde se evadiu. (...) Gaspar não sabe sair do desastre em que nos meteu e, como um timoneiro de uma nave em rota de perdição, ele já não vê nem passageiros nem carga, ou empregos e vidas a salvar: prefere que o navio se afunde com todos e ele ao leme. Sem sobreviventes nem testemunhas. (...) Sim, incompetência: porque o mais extraordinário de tudo é pensar que Vítor Gaspar impôs ao país uma política de austeridade suicida que o conduziu a uma das maiores recessões da sua história e sem fim à vista e, em troca, não conseguiu as duas [coisas] que ele e os demais profetas da sua laia de fanáticos juravam ir alcançar sobre as ruínas do país: nem fez a reforma do estado nem controlou o crescimento da dívida pública – pelo contrário, perdeu-lhe o controlo. (...) É assim que Vítor Gaspar governa o país, perante a aquiescência do primeiro-ministro e a cumplicidade do Presidente da República. Eles sustentam que tudo fará sentido e valerá a pena no dia em que Portugal regressar aos mercados. Não é um sonho, é um delírio: quanto mais o PIB cai mais sobe a dívida pública, calculada em percentagem do PIB. (...) Mesmo com um Governo italiano arrastando ainda e uma vez mais o fantoche de Berlusconi, mesmo com uma França chefiada pelo triste Hollande ou uma Espanha chefiada pelo incapaz Rajoy, mesmo com a Grécia de Samaras, a Europa do sul está finalmente a mover-se, por instinto de sobrevivência. Sem perder tempo, Lette foi direito à origem do mal: a Berlim e a Bruxelas. Ele não fará abalar Angela Merkel nas suas convicções e interesses próprios e não conseguirá também fazer com que Durão Barroso deixe de oscilar conforme o vento, até ficar tonto. Mas, se conseguir unir o sul e juntar-lhe outros povos acorrentados pelos credores e condenados à miséria, enquanto o norte prospera sobre a ruína alheia, de duas uma: ou a Europa se reconstrói como uma livre associação de Estados livres ou implode às mãos da Alemanha. Qualquer das soluções é melhor do que esta morte lenta a que nos condenaram. (...) É claro que nada disto dá que pensar a Vítor Gaspar, que vem de outro planeta e para lá caminha, nem a Passos Coelho, que estremece de horror só de pensar que alguém possa desafiar a autoridade da sua padroeira alemã. Nisso também tivemos azar: calhou-nos o pior país para viver esta crise. Mas este Governo vai rebentar, tem de rebentar. Porque a resposta à pergunta feita acima é não. Não, um homem sozinho não pode dar cabo de um país com quase nove séculos de história.»
(Miguel Sousa Tavares in Expresso)

domingo, junho 16, 2013

oh, minha mãe, minha mãe

Uma nova versão deste clássico do fado de Coimbra, gravado na Serenata Monumental da Queima das Fitas 2013. Desconheço o nome do cantor, mas aprecio a sua voz e a nova interpretação. É um dos fados de Coimbra que nunca deixou de me acompanhar. Espero que gostem.

sábado, junho 15, 2013

o poder da mente já move helicóptero robot


Um recente estudo publicado no "Journal of Neural Engineering'' pareceu-me merecer divulgação por vir demonstrar que há coisas até aqui impensáveis que se aproximam a passos largos duma realidade crescente. Sempre imaginamos que a mente tinha poderes insondáveis. Estudos de cientistas como o português António Damásio começara a mostrar a dimensão daquele mundo. Até onde se conseguirá ir na sua investigação? Aqui transcrevo parte desse artigo.
 
«Mover objetos com a mente já não é ficção A utilização da mente para deslocar objetos está cada vez mais próxima de sair dos filmes de ficção científica e tornar-se uma realidade. Uma equipa de cientistas da University of Minnesota, EUA, conseguiu movimentar um modelo de helicóptero, fazendo-o subir, descer, virar e fazê-lo passar por um aro, através do pensamento. A proeza que foi reportada na revista "Journal of Neural Engineering”, foi conseguida através de interface cérebro-computador (ICC), uma tecnologia que permite a comunicação direta entre o indivíduo e o computador. O desenvolvimento desta técnica, que tem sofrido grandes avanços nos últimos 10 anos, permite ao utilizador comunicar com o mundo exterior e manipular objetos através da modulação do pensamento. A tecnologia, que se encontra a ser desenvolvida por Bin He, do College of Science and Engineering da University of Minnesota, e equipa, poderá um dia vir a prestar suporte a pessoas com doenças neuro-degenerativas que tenham perdido a capacidade motora e da fala, que poderão ver recuperadas algumas funcionalidades através do controlo de dispositivos eletrónicos e mecânicos. Para além disso, esta tecnologia é não invasiva, ao contrário de outras, já que não requer qualquer implante no cérebro. As ondas cerebrais (eletroencefalografia, EEG) são captadas por elétrodos inseridos num capacete EEG, de 64 elétrodos, que é colocado no couro cabeludo. Os elétrodos enviam os sinais de atividade elétrica (ou ausência da mesma) para um computador, que por sua vez processa esses dados e os converte numa ordem eletrónica. O controlo do modelo de helicóptero (ou robot) através do pensamento foi possível através do estabelecimento de uma interface entre o computador e os controlos WiFi no helicóptero. Após processar os sinais EEG do cérebro, o computador envia uma ordem para o helicóptero por WiFi. Um dos investigadores neste estudo, Karl LeFleur é de opinião que “o potencial da ICC é muito abrangente. Em seguida queremos aplicar a tecnologia do robot voador para ajudar pacientes com deficiência a interagirem com o mundo. Isto poderá mesmo ajudar pacientes com problemas como AVC ou doença de Alzheimer, Estamos agora a estudar pacientes que sofreram AVC para ver se conseguimos restabelecer circuitos cerebrais e reparar áreas danificadas”».

sexta-feira, junho 14, 2013

peça a peça se constrói o puzzle

É com estas pequenas realidades que se escreve a pulhice dos senhores da e das finanças. Read my lips, dizia o outro e aconselho eu agora - reparem na expressão, no jogo das mãos, nas palavras de ocasião. Não deixem de ver.


quinta-feira, junho 13, 2013

a criação do medo

Não é a primeira vez que recorro à sabedoria e à capacidade de comunicar do escritor Eduardo Galeano. Neste vídeo ele aborda um tema muito real - o medo - e as suas origens. Vale a pena ouvi-lo ou lê-lo. Aqui fica para todos.


quarta-feira, junho 12, 2013

para entender as 'rendas'

Para ajudar a entender os meandros dos negócios que nos levaram e levam onde estamos. Mais um testemunho importante para fazer esta história sórdida, engendrada por quem se marimba no povo e apenas está preocupado com os da sua laia e em decidir em que off shore vai fazer os depósitos. Que cambada... Acordemos e acabemos com esta palhaçada rica.

terça-feira, junho 11, 2013

temos papa

Ouçam o Papa. Dá gosto vê-lo e ouvi-lo. Está entre nós e é dos nossos. Habemus Papam.
 


sábado, junho 08, 2013

rezar ou actuar?



Custa muito olhar para este muro pintado e ler o que está escrito. Custa muito tê-lo visto pela primeira vez, reproduzido na primeira página da revista norte-americana «The Atlantic», fundada em 1857, com este título que aqui deixo
 
The Mystery of Why Portugal Is So Doomed

Did relying too heavily on mom-and-pop businesses hobble one of Europe's most imperiled countries? It's possible.


O artigo é extenso e bem documentado, com imensos gráficos, um dos quais da responsabilidade de um português, Ricardo Reis, professor na Universidade Columbia. Porque, eventualmente, nem todos os leitores dominem o inglês, deixo aqui  um resumo em português, publicado no Jornal de Notícias. Onde vamos parar? Mais do que rezar, temos de actuar.

«A revista norte-americana "The Atlantic" publica, na sua edição eletrónica, o artigo "O mistério de Portugal estar tão condenado", no qual argumenta que existe demasiada corrupção e regulação que leva a que as PME não queiram crescer.

O artigo, assinado por um dos diretores da revista cultural e lieterária, Matthew O'Brien, e que está na página inicial da publicação, começa com uma fotografia de um mural em Portugal onde se lê, em letras grandes, 'Pray for Portugal' ('Rezai por Portugal'), com uma criança a rezar 'Livrai-nos Senhor destes porcos corruptos que assolam Portugal', e diz que, ao passo que a Grécia teve uma bolha governamental e que a Espanha e a Irlanda tiveram bolhas imobiliárias, Portugal, sem bolhas, teve "uma das mais calmas catástrofes da memória económica".

Citando estudos que mostram que Portugal, entre 2000 e 2012, cresceu "per capita" menos do que os Estados Unidos durante a Grande Depressão dos anos 30 ou que o Japão durante a sua "década perdida", o artigo faz ligações para várias outras páginas de jornais como o Financial Times ou o Wall Street Journal para ir sustentando a sua opinião, por exemplo no que se refere à evolução de Portugal nos primeiros anos da democracia ou aos dados económicos que mostram a fraca performance da economia portuguesa na última década.

Relembrando erros de política económica e mostrando gráficos sobre a evolução de indicadores como o crescimento comparado de Portugal, Estados Unidos e Japão, o artigo argumenta que aquilo que separa Portugal de outros países em dificuldades é a cultura das pequenas empresas: "A maioria dos países do sul da Europa, Portugal incluído, sofre de demasiada corrupção e regulação".

As empresas, argumenta a revista fundada em 1857, "escolhem [em itálico] permanecer pequenas porque faz sentido lidar apenas com pessoas em quem se confia pessoalmente quando não se pode confiar no poder da autoridade livre de retaliações. As empresas podem [em itálico] ficar pequenas porque as leis tornam difícil crescer e atingir economias de escala. É um pesadelo de 'mom-and-pop' de fraca produtividade", diz a revista, numa referência a uma expressão que se refere a pequenas empresas de raiz familiar, sem grandes ambições empresariais e com forte implantação local.

No texto, defende-se que a situação piorou desde 2008 devido não só ao enorme peso das Pequenas e Médias Empresas (PME) na economia portuguesa, mas também porque elas estão a desaparecer, não apenas porque "a austeridade esmagou os seus clientes", mas igualmente porque enfrentam sérias dificuldades de acesso ao crédito.

Retomando a linha de pensamento norte-americana que defende que a Europa está a exagerar na austeridade como a receita para sair da crise, a revista diz que é claro que "Portugal tem de resolver os seus problemas estruturais" e argumenta que "deve ser mais fácil despedir quem trabalha mal, criar e expandir um negócio, e garantir o cumprimento dos contratos".

A Europa, sublinha, "deve parar de insistir no castigo [da austeridade] como o caminho para a prosperidade".

Se não o fizer, sentencia a Atlantic no parágrafo final do texto, "então a ideia de uma saída do euro deixará de ser apenas o tópico de um popular livro português", referindo-se ao último livro do economista João Ferreira do Amaral. Poderá ser a plataforma de um partido popular português, conclui».

quarta-feira, junho 05, 2013

ou eles ou nós

Ouça, leia ou ouça e leia, mas não deixe de atentar bem no que vai ouvir ou ler. A guerra está aí e em toda a força. Os 'sacanas sem lei' da Banca parece terem ganho esta batalha. É preciso ganharmos nós a guerra. Como diz Boaventura Sousa Santos na última Visão - cabe a nós, o povo, perder o medo, sair à rua, lutar e fazer com que a Banca volte a ter o medo que tinha há 60 anos. Ou eles ou nós.


segunda-feira, junho 03, 2013

tango, hoje e sempre

Sem dúvida que gosto de música com garra e marca, daquela que logo se identifica e garante sensibilidade, amor, fogo, prazer, ódio.. Fado, tango, fandango. Não estranhem pois que aqui deixe, mais uma vez, um magnífico vídeo em que Marsela Duran e Carlos Gavito dançam um tango dedicado ao poeta Evaristo Carriega. Carlos Eduardo Gavito mostra-nos que a arte não se desaprende e que, mesmo com 71 anos de idade, se pode dançar bem e transpirar sensualidade.
 

seja no que for, perfeição é sempre perfeição

Eu sei que este vídeo não é actual e mostra Boyanka Angelova em Junho de 2008, na sua actuação primorosa no XIV Campeonato da Europa, em Turim. Mas sei também que uma exibição destas não tem data. Só tem qualidade excepcional, possível apenas a poucos. Merece registo e ser vista.
 

sexta-feira, maio 31, 2013

alma e as origens do universo

Foi finalmente inaugurado em 13 de Março de 2013, o maior conjunto de telescópios do mundo, situado no planalto de Atacama a cinco mil metros de altitude, nos Andes do Chile. Desde 2003 em construção no planalto Chajnantor, é um projecto global pois depende da Europa, da América do Norte e do Leste Asiático. Todo o material foi idealizado e construído nos países participantes e nele trabalham milhares de cientistas de todo o mundo que poderão, com o seu saber e com o manancial de informações que o ALMA fornecerá, chegar muito perto de entender e saber as origens do universo. É um vídeo relativamente longo e apenas de divulgação, embora já nos forneça algumas das descobertas já conseguidas. Do ALMA há muito a esperar, como da nossa alma tudo esperamos.
 


ALMA Em Busca das Nossas Origens Cósmicas. No alto do desolado Planalto de Chajnantor nos Andes chilenos. Um dos mais hostis ambientes na Terra. Por entre vulcões ... Planícies desertas ... E ventos agrestes ... ALMA está pronto. Astrónomos e cientistas por todo o globo ansiavam por este momento há décadas. ALMA é o maior projeto astronómico do mundo. Mas não se trata de um telescópio convencional. Em vez de recolher e analisar a luz visível olha para uma outra parte do espectro largamente inexplorada. Ao abrir uma nova janela para o cosmos, o ALMA explora uma das últimas fronteiras da astronomia — o Universo frio e distante. Tudo em busca de respostas para algumas das mais profundas questões sobre as nossas origens cósmicas. Como se formam as estrelas e os planetas? Como se formaram as primeiras galáxias? O Planalto de Chajnantor no norte do Chile. Apesar da altitude de — literalmente! — cortar a respiração a 5000 metros acima do nível do mar o ALMA floresceu. Ao longo dos últimos anos, mais de 50 antenas foram instaladas ao longo do planalto deserto. ALMA é um telescópio gigante e único, construído numa parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com o Chile. Sessenta e seis antenas com tecnologia de ponta irão observar o Universo em comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos — mil vezes mais longos do que comprimentos de onda visíveis. Esta luz chega até nós desde alguns dos mais frios e distantes objetos no Universo. O vapor de água na atmosfera bloqueia estes leves sussurros do Universo oculto, portanto para captá-los temos que ir para um local extremamente elevado e seco — como Chajnantor. O Nascimento do ALMA A origem do projecto ALMA data de há décadas atrás. Cientistas da Europa, América do Norte e Leste Asiático desenvolveram três conceitos individuais para novos, grandes telescópios para observações em milímetro e submilímetro. Eventualmente estes conceitos fundiram-se num só. Ciência em grande requer grandes colaborações globais. Juntos, os países conseguem alcançar o que não conseguem fazer sozinhos. O todo é maior que a soma das partes. O projecto ALMA nasceu! Encontrando o Sítio Certo Este novo telescópio precisava de um lar, e os olhares viraram-se para Chajnantor. Cada um dos aspetos do local, desde astronómicos a meteorológicos, foi intensivamente testado e a atmosfera foi monitorizada diariamente A conclusão: Chajnantor era o lugar perfeito para o ALMA. Abrindo Caminho A construção começou em 2003 com a colocação da primeira pedra para o centro de operações do ALMA. Aqui, a uma altura de 5000 metros acima do nível do mar, as condições são duras e extremamente desafiantes. Ventos fortes. Baixas temperaturas. Intensa radiação ultravioleta. E uma atmosfera desesperadamente fina. Tão fina que, para trabalhar aqui, as pessoas precisam de oxigénio suplementar e têm que se submeter a rigorosos testes de saúde. Forjando as Ferramentas A produção das antenas do ALMA foi partilhada entre os três parceiros. Três protótipos foram postos em marcha nas instalações de testes do ALMA, no Very Large Array, nos EUA. As 66 antenas no elevado planalto constituem uma parte crítica do ALMA. Os seus grandes discos recolhem as ténues ondas milimétricas do espaço. Estas antenas são verdadeiramente o estado-da-arte. As suas superfícies têm uma precisão ao nível da espessura de uma folha de papel. Elas conseguem mover-se com exatidão suficiente para apanhar uma bola de golfe a uma distância de 15 quilómetros. E têm de sobreviver, expostas aos elementos, em Chajnantor! Vinte e cinco antenas foram fornecidas pelo Observatório Europeu do Sul, 25 pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia dos Estados Unidos, e 16 pelo Observatório Astronómico do Japão. Numa saga verdadeiramente global, os componentes de cada antena foram construídos em diversas localizações à volta do mundo, enviadas para o Chile para serem montadas e depois testadas no complexo de apoio às operações. a postos para a sua primeira observação do céu. Ligando as Primeiras Antenas A primeira antena do ALMA foi aceite e pouco depois duas antenas foram ligadas em conjunto com sucesso. Detetores em cada antena registaram as finas nuances dos ténues sinais captados pelos discos. Estes detetores são os mais sensíveis da sua espécie e são arrefecidos usando gás hélio a apenas quatro graus acima do zero absoluto. Alcançando Novas Alturas A primeira antena a ser concluída percorre o seu caminho até ao centro de operações. Dois veículos de construção personalizada — Otto e Lore — deslocam as antenas de 100 toneladas. O Otto sobe cuidadosamente a estrada sinuosa, carregando a antena de alta tecnologia até à sua casa final no planalto. A primeira antena foi em breve acompanhada por muitas mais. Ultrapassando Expetativas As primeiras observações utilizando duas, e depois três antenas em uníssono foram realizadas. Testes importantes para o complexo ALMA. E todos passaram com distinção! Os comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos proporcionam aos astrónomos uma janela única no Universo. Mas para os vermos com a nitidez de que os astrónomos precisam, um telescópio de um único disco teria que ter quilómetros de diâmetro (e ser impossível de construir)! Em vez disso, o ALMA usa 66 antenas individuais que podem ser espalhadas por toda a planície com uma separação de até 16 quilómetros. As antenas são ligadas e os seus sinais combinados. O resultado: um telescópio gigante tão amplo quanto todo o conjunto, observando com sensibilidade e resolução sem precedentes. Fazer sentido destes sinais entrelaçados requer o supercomputador a maior altitude no mundo. Com 134 milhões de processadores, realizando 17 mil biliões de operações por segundo — tantas como o supercomputador mais rápido do mundo — o correlacionador do ALMA, em Chajnantor, combina e compara os sinais de cada uma das antenas. Conforme mais e mais antenas chegam a Chajnantor, as instalações de apoio às operações, o centro de controlo do observatório, vão ganhando forma na ligeiramente mais acolhedora altitude de 2900 metros. O local é movimentado a toda a hora. Operar o Telescópio. Testar e manter as antenas e restante equipamento. E acolher o pessoal do ALMA durante os seus turnos diários e noturnos no observatório. Escritórios Centrais de Santiago Na capital da nação anfitriã, o Chile, foram construídos os escritórios centrais do ALMA de Santiago. Aqui trabalham o pessoal técnico, científico e administrativo dos escritórios conjuntos do ALMA. Comprovando Excelência Mesmo antes da fase de construção estar completa, tiveram início as primeiras observações científicas com uma parte das antenas. O ALMA abriu os seus olhos! Milhares de cientistas de todo o mundo competiram para serem dos primeiros felizardos a utilizar o complexo. Mesmo com 16 antenas apenas o ALMA era já o mais poderoso telescópio do seu género. As primeiras observações científicas satisfizeram as esperanças de todos. As Galáxias Antennae, um par de galáxias em colisão com formas dramaticamente distorcidas. A luz visível pode mostrar-nos a luz das estrelas nas galáxias, mas o ALMA revela as nuvens de gás denso e frio das quais as estrelas nascem. O coração da distinta galáxia Centaurus A. O ALMA perscruta através das faixas de pó opacas que obscurecem o seu centro. Uma vista da estrela próxima Fomalhaut fornece pistas acerca de como os sistemas planetários se formam e evolvem. Grãos de poeira cósmica encontrados ao redor de uma anã castanha sugerem que planetas rochosos podem mesmo ser mais comuns no nosso Universo do que pensávamos. Moléculas de açúcar, detetadas à volta de uma jovem estrela como o Sol pela primeira vez: os blocos de construção da vida no lugar certo, à hora certa, para tomarem parte na formação de novos planetas em torno da estrela. Uma inesperada estrutura em espiral na matéria ao redor da velha estrela R Sculptoris revelou os segredos desta estrela moribunda. Vastos jatos de gás fluindo através de uma abertura no disco de matéria à volta de uma estrela jovem. Uma fase chave no nascimento de planetas gigantes, observada pela primeira vez. E tudo isto antes do conjunto estar completo! Em Direção a Novos Horizontes A inauguração do ALMA celebra a sua maioridade. A jornada foi longa. O ALMA cresceu de uma ideia, a um projeto de construção, a um observatório completamente operacional, e a uma parceria científica verdadeiramente global. Na serena e solitária beleza do deserto do Atacama no Chile, o ALMA está pronto para o futuro. Ao utilizar este maravilhoso telescópio, os astrónomos irão olhar profundamente nos segredos escondidos do cosmos. Em busca das nossas próprias origens cósmicas! ALMA A todos aquelas cuja curiosidade leva a fazer as grandes perguntas Transcrição por ESO; tradução por Paula Santos.

 

 

sábado, maio 25, 2013

acordai, gente de bem

Não é preciso explicar a razão ou as razões das sem (cem, mil...) razões que justificam ou exigem que aqui vos deixe as magníficas palavras de José Gomes Ferreira, com música de Fernando Lopes Graça, nas vozes da Tuna, Orfeon e Coro da Universidade de Coimbra. Ouçam as vezes que precisarem para se sentirem mais leves e mais fortes.
 

segunda-feira, maio 20, 2013

el rincón flamenco, por su maestro

Ouvi pela primeira vez Miguel Poveda no filme de Carlos Saura «Fado», cantando com Marisa o fado de Paulo de Carvalho «Meu fado». Ouvi-o depois cantar este mesmo fado no Gran Auditorio de España, no concerto comemorativo dos 20 anos de adesão de Espanha e Portugal à Comunidade Europeia. Depois disso procuro ouvi-lo sempre que posso, tal a qualidade da voz, a paixão e sentimentos que exprime. Ouvi-lo cantar à ''capella'' é ouvir a voz em estado puro, com uma sonoridade que muito poucos conseguem ter e aguentar. Uma voz que não precisa de acompanhamento, como era a do Zeca Afonso. Quis deixar aqui o vídeo da Marisa e do Miguel, mas há algo que impede a sua cópia. Por isso vos deixo com o Miguel Poveda a cantar o poema ''Baladilla de los tres puñales'', no Gran Teatro del Liceo, em Barcelona. Encontrava-me em Barcelona quando o Liceo teve um incêndio devastador que o inutilizou. Felizmente foi recuperado e lá está no mesmo sítio das Ramblas, continuando a ser um dos marcos culturais daquela gigantesca cidade de liberdade, trabalho, saber e cultura.
 
 

sábado, maio 18, 2013

o guignol, versão portuga

 
 
A vossa atenção para este magnífico e recente post de Pacheco Pereira no seu blog «Abrupto». Leiam e deliciem-se com o saber, a crítica certeira e a acutilância habitual do autor.
 
«No início do século XIX apareceu em Lyon um nova versão do teatro de marionetes com uma personagem central que deu o nome à cena: Guignol. Muitas das suas personagens são idênticas às da Commedia dell"Arte italiana e incluem  variantes do Arlequim, do Polichinelo, uns criados oportunistas, uns "burgueses", um militar façanhudo, um polícia e vários ladrões, uns ingénuos e uns espertos, umas damas de virtude assanhada e outras de costumes fáceis, etc., etc. A actividade mais popular no Guignol é a pancadaria, sendo que a cabeça dos bonecos tem sempre que ser feita de madeira dura para permitir a repetida cena de uma ou várias personagens andarem com um pau a bater na cabeça uns dos outros. Se se quiser dizer em português, o Guignol é uma fantochada. 

A imagem do Guignol, cujas variantes nacionais ainda estão nas minhas memórias de infância, perseguiu-me toda a semana passada enquanto assistia ao espectáculo dado pelas sucessivas declarações de Passos Coelho e Paulo Portas, os  arrufos e as declarações de amor perpétuo, os elogios da corte de servidores, a admiração dos jornalistas e comentadores com a supina inteligência de um e a incompetência "mediática" do outro, num jogo de cena penoso de se ver, diante de milhões de pessoas a empobrecer, desempregadas, ameaçadas nos seus direitos mais básicos, velhos sem qualquer alternativa atirados aos cães da "convergência das pensões". Era Guignol do mais perfeito: pauladas, tiradas retóricas, choros e arrependimentos, mentiras e maldades.  

A sequência rápida destas últimas semanas diz tudo sobre como estamos. Comecemos pelo chumbo do Tribunal Constitucional, seguida das declarações de fúria governamental, da cena de silêncio e ida a Belém (porquê?), do despacho vingador de Vítor Gaspar, que continua em vigor e ninguém aplica porque é impraticável; das fugas de informação de que as reuniões do Conselho de Ministros são campos de batalha entre facções do Governo, detalhadamente contadas ao Expresso, a Marques Mendes, a Marcelo, a qualquer órgão de informação que queira saber; do discurso autocastrador de Cavaco Silva no 25 de Abril; do plano abstracto de "fomento industrial", anunciado com tanta pompa quanto o vazio de concretização, por uma facção do Governo ligada ao "crescimento"; da Assembleia informada de que terá direito a ver um documento essencial para o futuro do país, "uns minutinhos antes" de Bruxelas; da Assembleia informada de que pode discutir os créditos swap, mas que o acesso ao relatório que iliba a secretária de Estado (e feito sob sua direcção) permanece "confidencial"; do Documento de Estratégia Orçamental apresentado pela outra facção do Governo, a do "rigor orçamental", da ordem do imaginário (e aprovado por Portas que também o acha "irrealista"), dos anúncios sobre anúncios que não anunciam nada, do "será para depois de amanhã", "afinal os pormenores serão só para depois", etc., etc. "Menus de propostas", uma ridícula denominação, de vários tipos: anunciadas; anunciadas mas vetadas por outro ministro do mesmo Governo; anunciadas mas "abertas" para se cumprir o ritual da concertação social, e o novo ritual do "consenso"; propostas "equacionadas"; propostas que quando dão torto passam a "hipóteses" de trabalho (sendo que os números divulgados noutros documentos de "poupanças" são as das "hipóteses" e não as das propostas...), propostas em versão A e B e C, mudadas no espaço de uma semana; propostas terroristas passadas em fugas à comunicação social para ver no que dá e para depois vir o Governo congratular-se por afinal não ir fazer tão mal aos cidadãos como tinha "soprado" a uma imprensa que publica tudo; não-propostas e antipropostas da ordem da matéria negra e da antimatéria. Alguém me sabe ou pode dizer, a uma semana do seu anúncio, que medidas estão efectivamente decididas? Ninguém. 

O "menu de propostas" parece aqueles menus desleixados em que uma cruz significa que o prato já não há, e depois, quando se pede outro, já não há os ingredientes e é melhor escolher o que não se tinha escolhido; ou aqueles menus dos restaurantes de luxo em que um palavreado destinado a épater le bourgeois, como "emulsão de chouriço", "vinagrete de citrinos" ou "sardinha em seu suco", ocultam pouco mais do que uma folha de alface com Aceto Balsamico de Modena feito na Bairrada. E quanto aos preços do "menu" não há um único que bata certo. Os do Documento de Estratégia Orçamental não são os mesmos dos de Passos Coelho, nem os de Portas, nem os da contabilidade do "menu de medidas", nem os do secretário de Estado Rosalino, nem os que são dados nas reuniões de concertação social. São todos em milhares de milhões de euros, mas nada bate certo e não é só nas previsões, é nos números com que se parte para as previsões. 

Depois há o uso cada vez mais ofensivo da instabilidade, da chantagem e do medo para pôr as pessoas na ordem. Veja-se o que se passa com os despedimentos da função pública, que, se o Governo pudesse sem violação da lei e da Constituição, seriam às dezenas de milhares, amanhã mesmo. Mas como não pode, usa-se uma combinação de chantagem - as rescisões "por mútuo acordo" - com a colocação de milhares de trabalhadores na absurda (e ilegal) situação de manterem um vínculo ao Estado sem receberem um tostão de salário. E como o Governo percebeu que talvez, mesmo apesar dos inconvenientes pessoais da chamada "mobilidade especial", pudesse haver um número significativo de funcionários que a pudessem aceitar em desespero de causa, e como o objectivo, por detrás dessa tralha verbal tecnocrática, é só despedir, vem agora dizer que "precisamos de transformar o Sistema de Mobilidade Especial num novo Sistema de  Requalificação da Administração Pública, com o objectivo de promover a requalificação dos trabalhadores em funções públicas, através de ações de formação". Poderíamos dizer que teria havido um progresso, visto que se pretendia apenas "requalificar" os trabalhadores. Mas se é assim por que é que a frase seguinte é "... e da introdução de um período máximo de 18 meses de permanência nessa condição, pois não é justo para a pessoa, nem é boa administração do Estado, perpetuar uma situação remuneratória que já não tem justificação laboral", ou seja "requalificar" significa despedir? Estes jogos de palavras orwellianos são tão habituais neste Governo como respirar. E eles estão ofegantes. 

É uma descrição dura e desapiedada a que faço? Ainda me parece mole e meiga, porque a dimensão de Guignol, de engano, de dolo, de nos querer tomar por tolos, é compulsiva. Não é para levar a sério, mas é muito sério. É muito sério porque disto tudo fica um resíduo, um rasto, uma saliva marcando as paredes, uma babugem qualquer, de medidas, ordens avulsas, leis e directivas, despachos que destroem sem sentido a vida a muitas pessoas que estão a pagar um tributo demasiado caro à vaidade do dr. Portas, ao profetismo ignorante de Passos Coelho, à obstinação tecnocrática de Gaspar, ao servilismo dos deputados do PSD e do CDS, e à cumplicidade de muitos interesses. Esse tributo, que vai ser inútil porque dele não virá qualquer adquirido para os problemas do país, torna este Guignol criminoso. 

E não me venham com desculpas, nada disto tem a ver com o facto de haver uma coligação, nada disto mostra inteligência, mas apenas esperteza, nada disto mostra qualquer preocupação com o país, mas apenas instinto de sobrevivência eleitoral, nada disto mostra qualquer sentido de Estado mas apenas truques de imagem mediáticos, nada disto tem a ver com Portugal nem com os portugueses, mas com um sistema político corrompido pela sua ruptura com o povo e a nação. Guignol por Guignol prefiro o verdadeiro».

 

quarta-feira, maio 15, 2013

a morte do espírito e o fim do além


 
 
Mais uma vez transcrevo um magnífico e esclarecido texto do filósofo José Gil, publicado na Visão desta semana e que intitulou «A morte do espírito». Também, mais uma vez, não teço comentários por me parecerem desnecessários dada a qualidade do texto e do pensador. 
 
A morte do espírito
 
«Agora sim, temos a certeza. É a destruição total do País que resultará do programa apresentado pelo primeiro­-ministro. Não só do País material, mas do Portugal imaterial, da tradição cultural e do futuro espiritual que sairia do nosso cérebro e das nossas mãos.  

A «Reforma do Estado» anunciada é a derradeira e decisiva machadada no que ainda nos restava (irracionalmente) de esperança. «Abandonai toda a esperança, vós que entrais»: não será no Inferno que entraremos - porque do nosso país estamos a ser expulsos -, mas todo o ânimo nos abandonará. O discurso de Passos Coelho marca o fim da esperança e da confiança dos portugueses.

Esgotaram-se os argumentos a favor e contra a política de austeridade. Paradoxalmente, deles ressaltam a incompetência, a ausência de visão do Governo, o automatismo tecnicista da política financeira, a incultura dos governantes, a sua falta de coragem em combater as desigualdades e a corrupção, em reformar sem medo e com imaginação e inteligência, sem falar na injustiça mesquinha dos cortes e dos impostos, e na governação errática, incoerente e submissa. Não se estabeleceram prioridades, tratou-se mal a educação e a economia, não percebendo que eram elas os fatores primeiros de qualificação e produção de riqueza. Liquida-se agora a nossa escola, preparando para futuro os mais desqualificados licenciados e trabalhadores da Europa. Fazendo hoje fugir ou despedir os melhores. A isto se pode chamar uma política do não-espírito.  

Sabemos que a austeridade teve já resultados catastróficos na vida material (e na saúde e na morte) dos portugueses. Sabemos menos como ela afeta a prática da democracia. Muito pouco conhecemos dos seus efeitos na vida psíquica e espiritual e no nosso ânimo vital. A verdade é que se criou uma atmosfera com a ditadura das finanças que contamina e envenena a vida. Como no reino do Rei Ubu, «mestre das Phynanças».

O discurso incessantemente matraqueado sobre as «metas orça mentais», as percentagens das taxas de desemprego, de pauperização, da fome, os mil gráficos sobre toda a espécie de fenómenos sociais, fazem tudo passar pelos números. Estes rebatem-se sobre as coisas, sobre os pensamentos, os afetos, as relações entre os seres, sobre o prazer e a dor, sobre as ambições e os sonhos. Rebatem-se e absorvem-nos. O prazer deixa de existir em si, é condicionado e avaliado pelo seu custo, tornando-se mesmo o prazer do preço.

Não só se contêm os gestos, se reduzem os possíveis de uma vida, se encolhe a existência, se abafa ainda mais, mas é a própria textura dos sonhos que adoece, se limita e petrifica. Deixou-se de sonhar. É um assassínio do espírito.  

Quando se diz, protestando, «os homens não são números!», é isso que se quer significar. Porque essa política pressupõe uma não-metafísica rasteira da vida social que a funda, um positivismo grosseiro que vê numa coisa e num ser apenas a sua materialidade física, com contornos estritamente definidos em função das Phynanças: um professor são 40 horas de trabalho escolar que equivalem a uma percentagem de poupança orçamental, são 40 horas, são 40 horas - e 204 milhões de euros

para o Estado, em 2014. E o que é um pensionista? É um pensionista, um pensionista, um pensionista - e 1468 milhões a mais para o orçamento, em 2015. E o que é um filho? É quanto ele me custa, no que pago ao Estado em dinheiro, isto é, em vida.

Como diria Fernando Pessoa, as coisas ficaram sem um «além».

E o que é o pensamento? E a educação? E a cultura dos afetos na aprendizagem da matemática (como o via Mélanie Klein)? E de quantos números é feito o amor? Infinitos? Não, impossível: decididamente, para este Governo, uma rosa não é uma rosa, não é uma rosa, não é uma rosa». 

segunda-feira, maio 13, 2013

dos offs dos ricos e dos nossos ons

Para entender melhor os meandros dos off-shores e a maneira como os ricos se safam sempre e nós pagamos as favas...