quinta-feira, março 26, 2015

o desconcerto do mundo



Transcrevo a crónica 'Fraco consolo' da Revista do Expresso desta semana, intitulada «Desconcerto do mundo», da autoria de Pedro Mexia.

PERCEBI QUE NÃO HAVIA OUTRO TEMA E PORVENTURA OUTRO POETA NA NOSSA LÍNGUA, OUTRO QUE CONTASSE TANTO, E CONTASSE TUDO

«Lembro-me de ter estudado Camões, como toda a gente, “o épico e o lírico”, e gostei daquele portuguesismo interrogativo e inquieto, mais do que do esplendor de Portugal, que, confesso, nunca me tocou; mas muito mais vezes citava o poeta “neopetrarquista”, como classificavam os manuais, à época eu entendia sobretudo esse amor idealizante, depois vi claramente o Camões sensual e experimentado, tumultuoso, caótico até, com musas várias, de grandes e pequenos instintos, meninas e mulheres que aparecerem e desaparecem e que é preciso defender como um manuscrito, daqueles que salvamos a nado. Eu sou devedor em tudo ao soneto que começa “um mover de olhos, brando e piedoso”, não naquilo que escrevo, bem entendido, mas na minha vida, facto que tem sido notado, com insistente escárnio. Mais tarde, cheguei aos poemas ditos “do desconcerto do mundo”. Quando os encontrei, era demasiado novo, conhecia alguns desconcertos, mas nunca me lembraria desse termo filosofante, que nem compreendia bem; e não saberia chamar à minha pequena vida ‘o mundo’ ou sequer parte do mundo, antes um istmo ou arquipélago, coisa contígua ao mundo, mas dele nunca fazendo parte por inteiro, maleita da qual nunca me livrei, o que tem sido notado, com escárnio insistente. Quando se me foi chegando a idade de meio caminho, esta de agora, mas à qual aportei antecipadamente, demasiado cedo, percebi que não havia outro tema e porventura outro poeta na nossa língua, outro que contasse tanto, e contasse tudo. Porque todos os nomes que ia dando à minha experiência negativa do mundo eram insuficientes. Havia frustração, desalento, incompreensão, incompletude, desânimo, desconformidade, mas soavam a queixumes, e queixumes meus, respeitantes a um ‘eu’ que era o meu e que, por esse facto, dificilmente interessavam a mais alguém, excepto a quatro ou cinco pessoas que por sangue ou afecto se importam. “Desconcerto”, pelo contrário, não era um termo psicologista nem sentimental. Desconcerto não era uma característica minha, ou de Camões, ou de quem fosse, mas um atributo do mundo. Era um estado em que o próprio mundo se encontrava, e que nós, ao considerá-lo, apenas verificávamos: um mundo confuso, absurdo, sem sentido, desacertado, desordenado, desvairado, dissonante, transtornado. Nem nos momentos mais felizes, fugazes ou não, acreditei que ‘o mundo’ fosse outra coisa que não isso. E isto tem, inevitavelmente, uma dimensão moral. Cito ‘Esparsa ao desconcerto do mundo’: “Os bons vi sempre passar/ no mundo graves tormentos;/ e, para mais m’espantar,/ os maus vi sempre nadar/ em mar de contentamentos”. Talvez nem todos os maus, ou aqueles que por facilidade assim considero, nadem num mar de contentamento; mas todas as pessoas que considerei até hoje verdadeiramente boas passaram graves tormentos, muitos dos quais devido à sua bondade, que eu defino de forma falível e discutível, mas veemente. Quando há dias me perguntaram: “De que vale a pena ser bom?”, não soube responder, ou não quis, porque daria uma resposta ética, desligada do sofrimento. E a ética pode destruir a esperança dos esperançosos. Até porque, mais tarde do que outros talvez, mas não com menos impiedade, também eu fui quebrado pelo desconcerto, por esse choque com o mundo que faz de nós pessoas más, porque ser bom nos deixa desarmados, nos atira aos leões. E aos poucos, e depois de súbito, aconteceu-me o mesmo que ao sujeito poético da ‘Esparsa’: “Cuidando alcançar assim/ o bem tão mal ordenado,/ fui mau, mas fui castigado:/ Assi que, só para mim/ anda o mundo concertado»
pedromexia@gmail.com Pedro Mexia escreve de acordo com a antiga ortografia

segunda-feira, março 23, 2015

a ponte sobre o tejo

Um documentário histórico. Atravessei a ponte neste dia e regressei a Lisboa.


sábado, março 21, 2015

breve explicação do alzheimer

O saber não ocupa lugar, mas o Alzheimer vai ocupando todo o espaço...


quinta-feira, março 19, 2015

há jogar e jogar

Como eu gostava de ter jogado assim! Será que posso dizer que alguma vez joguei ou só brinquei?


isso, é que não

Para memória futura...



PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!...
 
(glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado “Poeta Castrado, Não!”)
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
cabeçudo, dromedário,
fantoche de eleição,
parvónio, salafrário,
mestre-escola aldrabão,
oportunista, falsário
malabarista, cabrão.
Chamem-lhe o que quiserem:
Presidente da República, não!...
Os que sabem, como ele,
as linhas com que se cose
vêem o interesse dele
em manter a sua pose:
egoísta, trambiqueiro
distorce a realidade,
ao escrever cada “Roteiro”,
para ter visibilidade!...
Os que sabem, como ele,
governar-se e encher a pança
aceitam que seja dele
tanta sede de vingança:
Político vingativo
e que, disso, não se cansa,
não quer saber do aflitivo
caos da actual governança!...
O tipo não faz história.
- Sua morte lenta é fatal!...
Irá ficar na memória
como um mesquinho banal!...
O seu fim poderá ser
uma penosa agonia!...
O Povo irá fazer
dele escárnio, em cada dia!...
Vai acabar por morrer,
ao parir a ninharia
só descrita, a bem dizer,
nos “Roteiros” da fantasia!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Chamem-no até p’lo nome,
Cavaco, sem coração,
ao ver que se passa fome
e nada faz p’la Nação!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Demagogo, mau profeta,
falso professor, ladrão,
um narcisista pateta,
quando calado ou não.
Será tudo o que disserem!...
 
PRESIDENTE DA REPÚBLICA É QUE NÃO!...
17/03/2015

terça-feira, março 17, 2015

sexta-feira, março 13, 2015

falando de res publica

Há muito tempo que não ouvia um discurso tão bem estruturado. Gloria Alvarez, sabe pensar e sabe o que diz e como dizê-lo. Inimiga do populismo, partidária da República, espero que siga no bom caminho e não caia nunca no populismo que combate, mas para onde com as suas qualidades pode um dia ser empurrada.


quinta-feira, março 12, 2015

da perfeição

Um pesado fardo. De quê? Cada um que responda.


já falta pouco tempo

Se não assistiu em directo, pode ver agora e tirar as suas conclusões.

sábado, março 07, 2015

a importância da música

Prestem atenção ao que os investigadores já confirmaram, sobre a importância da música no nosso cérebro, não só ouvindo-a, mas sobretudo tocando-a. Quem tem filhos jovens preste particular atenção.


quinta-feira, março 05, 2015

a carmen da crise

Uma Carmen para os tempos que correm...-


quarta-feira, março 04, 2015

macaco sacanita

Quando o gozo é superior ao risco...



domingo, março 01, 2015

o milagre dos pães...

O milagre dos pães em versão oriental. Vídeo de má qualidade, mas de alta magia.


sábado, fevereiro 28, 2015

o baile do poder

Um bocado manhoso, mas mesmo assim aqui o deixo. Precisamos de rir e de mudar.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

nós somos tão pequenos...

Sem comentários. Para ver e pensar.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

uma lição de riccardo muti

Dá gosto ver a inteligência a funcionar, sobretudo quando quem a tem é um ser vertical que levanta a sua voz quando pensa ser preciso esclarecer. Veja-se também a atitude tomada contra Berlusconi, com toda a sala cantando Nessuno dorma.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

mорская песня

É bom ouvir suas vozes russas (Richard Gere. Pelagia e Elmira Kalimullina) cantarem em português a Canção do mar. Foi bom recordar Amália e Dulce Pontes. Canção do Mar" tem letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi cantada por Amália Rodrigues em 1955, sob o título Solidão, no filme Os Amantes do Tejo. Dulce Pontes gravou uma versão da música no seu álbum Lágrimas, de 1993, tornando-se a mais conhecida versão, sendo incluída nas banda sonora do filme americano A Raiz do Medo (Primal Fear), a pedido de seu ator principal.

domingo, fevereiro 22, 2015

festival letão

Dá gosto ver que 15000 pessoas se juntam para cantar e dançar (suponho que na festa das colheitas), como se mostra neste vídeo. Lembre-se que a Letónia é mais conhecida, no campo cultural, pelos intérpretes e compositores de música erudita, como é o caso de Gidon Kremer e vários cantores de ópera, para além dos seus coros, premiados internacionalmente. As Latvju Dainas, canções populares, compiladas por Krišjānis Barons e Smits já no século XX, são também motivo de orgulho nacional (informação recolhida na Wikipédia).


sábado, fevereiro 21, 2015

cantilena para os pastorinhos

A obra que o compositor estónio Arvo Pärt dedicou aos pastorinhos de Fátima, "Drei Hirtenkinder aus Fátima", teve este sábado a sua estreia nacional na sé patriarcal de Lisboa, com execução do Coro Anonymus, dirigido por Rui Paulo Teixeira. "Drei Hirtenkinder aus Fátima", estreou mundialmente a 27 de agosto de 2014, em Basileia, pelo agrupamento vocal "Vox Clamantis", sinaliza a identidade cristã «que apela a uma visão do mundo na perspetiva dos mais frágeis.. .Nesta «miniatura coral» para coro misto "a cappella" as crianças não falam «línguas rituais e eclesiásticas», mas um idioma vernáculo, o alemão, como «uma língua "materna". «Encontramos alguns traços do idioma musical de Arvo Pärt: as estruturas de continuidade a partir de pedais ou de "istinati" (qual "axis mundi"); as permutações num campo harmónico estável (com a transparência própria da linguagem mística); a simplicidade flutuante da cantilena (como um gesto vocal que se enraíza nos sulcos de uma tradição). No final, a obra extingue-se, sem aparato ou convenções que forcem o aplauso», explica Alfredo Teixeira.

 

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

os donos de portugal

Sem comentários. O vídeo é longo e está tudo lá. Uma visita à memória.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

preservar a história

Parabéns a quem teve a feliz ideia de realizar esta jóia.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

a 'seriedade' dos que se julgam donos...

Vejam o verdadeiro lado da moeda... Alguma vez eles no deram alguma coisa? Já pagaram as dívidas das guerras, completamente?

carnaval em veneza - máscaras

Sem comentários. Vejam e apreciem.

domingo, fevereiro 15, 2015

Os canais de TV devem ficar atentos

Parece impossível que uma criança como esta, possa apresentar um espectáculo da sua Escola de música, com tal grau de respeito por marcações e entradas. E não se trata apenas de overdose de treino ou treino escravo...

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

furando a neve

É bonito de se ver, mas gostavas de viver nestas terrar?

teatro negro

Agora, concorrendo ao Britain's Got Talent.

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

quando o impensável se realiza

Na Suíça, o prédio de uma fábrica em Zurique, que vinha sendo ameaçado de demolição desde 2010 para dar espaço a linhas ferroviárias, foi deslocado 60 metros para o lado com a ajuda de pistas de rolamento. A façanha da engenharia suíça para evitar a demolição do prédio de 6.200 toneladas durou dois dias e custou US$ 12,7 milhões. Antes disso, os engenheiros levaram um ano para soltar toda a estrutura do prédio da fundação.
 
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terça-feira, fevereiro 10, 2015

um momendo que faz pensar

Chamo particular atenção para este vídeo que vos deixo. Não é só a beleza intemporal da música, nem a qualidade da voz ou a manifesta dignidade de quem canta, mas o facto, o local, o tempo, o comportamento de quem passa e de quem escuta, tão pouco os gestos dos que mesmo passando deixam o seu contributo no ''chapeau'' de quem o estendeu, mas, sobretudo, a imagem do chapéu e do que ele significa e nos faz pensar e as imagens duradouras e inesquecíveis daquela criança atenta, maravilhada, agarrada pela música, pela voz, pelo inesperado, sabemos lá o quê...

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

a magia em concentrado

Se já viram, vejam outra vez- É rápido e deixa-nos incrédulos. Aproxima-se muito do que entendemos por magia...

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

parece verdadeiro

Tenho dúvidas sobre publicar ou não este magnífico vídeo. Não sendo novo para mim, duvido que o não tenha publicado quando vi pela primeira vez. Tendo dificuldade em esclarecer esta dúvida, opte por correr o risco de o repetir. Tenho a certeza de que ninguém se arrependerá de o tornar a ver ...

sexta-feira, janeiro 30, 2015

o fado chegou à dança

O Fado vai ganhando mundo. Chegou à patinagem artística e mostrou-se como é - envolvente e interior, emocionante. Interpretado pelo par Drobiazko-Vanagas, na Gala 2014, em Oberstdorf.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

quem fala assim

O chumbo nas provas de avaliação...

quarta-feira, janeiro 28, 2015

a ave maria que sempre nos toca

Daniela de Santos e uma Ave Maria em flauta, com uma sonoridade que invade o coração, para ficar. Não se resiste, por mais duro que se faça.

terça-feira, janeiro 27, 2015

a fauna de lisboa

Transcrevo do site da Câmara Municipal de Lisboa (porque são aqueles que o podem dizer com mais propriedade e conhecimento) -
O Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (LxCRAS), é um equipamento vocacionado para a recolha, tratamento e libertação de animais pertencentes à fauna autóctone portuguesa. O seu objectivo principal é a recuperação de animais silvestres feridos ou debilitados, com vista à sua devolução ao meio natural (libertação), numa perspectiva de preservação e conservação da fauna espontânea. Além desta actividade, promove também acções de divulgação e sensibilização junto do público, como visitas guiadas, acções de libertação e programas de voluntariado. Em funcionamento desde Outubro de 1997, o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa foi criado na zona vedada do Centro de Interpretação de Monsanto como forma de colmatar a falta deste tipo de centros na Área Metropolitana de Lisboa e integra uma rede nacional de centros de recuperação, cuja regulamentação é definida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
 
 

sexta-feira, janeiro 23, 2015

pão nosso

Mais um interessante sketch do grupo Porta dos Fundos.


quarta-feira, janeiro 21, 2015

o que é vivo sempre aparece

Mais uma novela a desenvolver-se. Atenção aos próximos capítulos.

terça-feira, janeiro 20, 2015

o poder de um só voo

Vejam só o que já se pode transportar pelo ar. E não se mostra o maior dos aviões. Apenas o segundo maior. Fico orgulhoso por a carga transportada ser fabricada em Portugal.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

mágica creativa

Está tudo à vista. Não sabemos é aonde... Mas Ma Yan Yan, sabe.


domingo, janeiro 18, 2015

o autista prodígio

Felizmente que continuamos sempre com a possibilidade de sermos surpreendidos e quando isso sucede numa vertente positiva, ficamos com razões para embandeirar em arco. É o caso que se passa no vídeo que vos deixo e vos vai mostrar algo que vos surpreenderá. Não carece de explicações. Tem as suficientes.

sexta-feira, janeiro 16, 2015

o natal em rap

O Natal de 2014 e o Ano Novo de 2015, são datas para esquecer, pois por maior espírito natalício que se tenha é difícil senti-lo e vivê-lo quando a nossa mulher se encontra internada num hospital. Nunca aqui referiria este facto, que é do foro privado, não tivesse necessidade de justificar a publicação do vídeo que hoje vos deixo, inteiramente ligado ao Natal. Mas se é verdade que já passou, não é menos verdade que o Natal é todos os dias ou deveria ser.  Este que vos deixo é bem diferente do habitual e merece ser ouvido.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

o que mais vamos ouvit?

Uma verdadeira pérola, esta conversa em família. Tios...

segunda-feira, janeiro 12, 2015

a verdadeira reinserção laboral

Era ministro e ficou desempregado? Não se preocupe. Nós pensamos em si. Recorra à nossa ajuda energética...


sexta-feira, janeiro 09, 2015

o íncola de belém



Estive para não publicar este artigo de Domingos Lopes, não porque não tivesse qualidade, mas porque fala sobre quem não merece que se gastem palavras e, muito menos, tempo. Contudo, não resisti a publicá-lo, porque é o primeiro que o chama por um nome que ainda ninguém usou...
 
O íncola (morador, habitante) de Belém
Domingos Lopes, advogado 
 
Disse, na mensagem de Ano Novo, que vêm aí as eleições, mas tudo deve ficar na mesma. Para que servem as eleições? Doutorou-se em Economia Pública. O que dele se sabia até ao 25 de Abril não passava das paredes de sua casa. Há fotografias dele na tropa. Singrou no PSD. A sua pulsão pela política pura e dura tornou-se tão incontida que no Congresso do PSD na Figueira da Foz maquinou a teia que impediu a chegada ao leme do partido de João Salgueiro, hoje banqueiro, como é tradição e convém aos do arco da governação. Logrou encarrapitar-se no poleiro mais alto do partido durante uma década, tal era a sua ambição política... Depois de ter o partido na mão, era e não era do PSD. Foi enquanto o ajudou a tecer o sonho de viver da política, desde que fosse no topo da pirâmide. Criou uma corte de sacristãos de caruncho por dentro e reluzentes por fora, quase todos, hoje, a contas com a justiça que os vai deixando girar com as suas condecorações ao peito. O chefe deixou-os a todos sem uma palavra que se ouvisse. Já não lhe serviam. Gabava-se que não lia jornais, nem errava, nem tinha dúvidas. E assim governou durante quase dez anos. Provinciano, inculto, quis fazer crer aos portugueses que era o timoneiro do capitalismo popular. Criou o mito que podíamos viver com o que não se tinha e sobretudo com o que havia de chegar da CEE. Era uma espécie de tio rico a esbanjar presentes. Deu grandes machadadas no tecido produtivo português. Mas que importava se prometia a festa e a riqueza… Ajudou a entregar o país à burguesia compradora, parasitária, a que vende o que importa. O PSD viu-o como pertencendo à estirpe dos homens providenciais. Dava ao partido a sua razão de ser: o poder. Estavam contentes um com o outro. As maiorias eleitorais davam-lhe essa consagração. Apresentava o ar de quem fazia um frete, mas não largava o cargo, quase dez anos; só quando os acontecimentos o levaram a deixar o PSD a fazer contas, zarpou depois do longo período do tabu. Sim, ele, modesto e humilde, tinha um tabu que alimentou meses e meses…para se despedir com ela fisgada. Passou a escrever, de vez em quando, o contrário do que fez, mas como só pensava no cargo, ei-lo a candidatar-se a PR. Com as manhas de politicão batido encostou-se ao PS, jurando-lhe cooperação estratégica, vezes sem conta, como aquele bem conhecido apóstolo da última ceia. Tinha em mente ver a estrada limpa para o seu trajeto. E cooperou com o PS de Sócrates. Largou-o quando já dele não precisava. Havia que voltar às origens e encostar ao PSD, o instrumento que lhe serviu de modo de vida, mais do que de convicção. Quando rebentou o escândalo do BPN por lá andou ao rés da escandaleira onde se cruzou com uns tantos amigos, discípulos e delfins. E fez bons negócios. Na campanha de 2011 de Belém declarou que era preciso alguém nascer duas vezes para ser mais honesto que ele. Dito isto de cima da sua magreza intelectual tudo ficou como estava e deixou a venda de acções do BPN encoberta naquela tirada bacoca. Rivaliza com Tomás, o marinheiro – “é preciso decidir com conhecimento de causa”, “Portugal tem à sua frente um longo percurso”… Verdadeiras pérolas. O homem parece o que não é. Sabe o que quer. É determinado. Vingativo. Tem o governo na mão. Para impedir uma mudança vai continuar obstinadamente a levá-lo ao colo. Um Presidente que não preside. Estafa-se a defender os credores e a pedir paciência aos portugueses. Disse, na mensagem de Ano Novo, que vêm aí as eleições, mas tudo deve ficar na mesma. Para que servem as eleições? Um homem carcomido pela ambição. Um político que se diz contra a política, mas o que mais tempo esteve no poder ao mais alto nível…
*Advogado 07/01/2015 - 05:33

quarta-feira, janeiro 07, 2015

o homem sem qualidade

Vídeo da RTP de 22 de Dezembro pp, no programa Barca do Inferno, nomeando as figuras do ano 2014.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

acreditar em si ou não ter juízo?

Um mundo de desafios, pessoais ou colectivos. Uns razoáveis, outros aparentemente desafiantes e nada mais que isso. Desafiantes até à possível morte que, aparentemente, se escapa a qualquer grau de segurança. O que pretendem provar? Será que eles sabem ou nem cuidarão em o saber. Este vídeo recente mostra·Thierry Delacour correndo riscos para a sua vida, num acto voluntário e libertário. Enfim, é este o mundo actual.
 

domingo, dezembro 21, 2014

um novo 'tordesilhas'

Palavras para quê? Não chega a imagem?


sexta-feira, dezembro 19, 2014

o que mais teremos que ouvir?

Os dois últimos anos têm sido difíceis de aguentar e cada vez é mais difícil ter esperança, quando já se tem idade de não acreditar no Pai Natal. De facto, necessitamos recuperar forças para suportarmos tudo que se vai passando e cada vez mais se vão passando coisas, que nunca esperámos ouvir ou ver. Que 2015 seja um ano de esperança.



condom - essencial wear

Uma curiosa maneira de o NHS chamar a atenção para a necessidade de usar preservativo. Caso não tenha decifrado, NHS são as letras iniciais do National Health Service britânico.


quinta-feira, dezembro 18, 2014

ambulância drone

Não precisa de comentários. Há que avaliar os resultados e estabelecer protocolos bem pensados.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

mitsuko uchida

O magnífico concerto para piano e orquestra de Mozart em d. menor, K 466, aqui dirigido e interpretado por Mitsuko Uchida. Filha de diplomata colocado na Áustria, deu vários recitais em Berlim e Londres e é Doutorada em Música, pela Universidade de Oxford. Tem actualmente 62 anos. Mas hoje pouco importa isso. A razão porque coloquei este post, foi levá-la àqueles que ainda a não conheçam. Ouçam o Mozart que ela vos transmite e depois disso, ouçam outra interpretações, como o Concerto para piano e orquestra n. º 3 de Beethoven e então sim - investiguem o seu curricula e o que mais vos interessar, embora eu pense que o mais importante é mesmo ouvi-la.


domingo, dezembro 14, 2014

lisboa em 1948

"Lisboa de Hoje e de Amanhã é um documentário português realizado, escrito e narrado por António Lopes Ribeiro, produzido pela Câmara Municipal de Lisboa, no ano de 1948. Consiste numa série de pequenas filmagens de algumas zonas da cidade, com a explicação das mesmas por Lopes Ribeiro e, música de fundo. Este documentário é uma análise da cidade de Lisboa, feita por António Lopes Ribeiro, de quatro perspectivas: habitação, circulação, trabalho e, espaços de lazer. São divididas por quatro partes, cada uma com 10 minutos de duração. Num Portugal indirectamente devastado pela Segunda Guerra Mundial, este filme apresenta aquilo que já pudera ser feito e, tudo o que estava planeado fazer para tornar Lisboa numa cidade pioneira ao nível dos quatro pilares referidos."

sábado, dezembro 13, 2014

recordando coimbra

Morreu Fernando Machado Soares (1930-2014), autor da Balada da Despedida que escreveu para o Curso Médico !952/58 e foi cantada pela primeira vez, no Teatro Avenida, na nossa Récita, pelo nosso colega de curso, Sutil Roque. Durante a nossa viagem de curso, coube-me a mim cantar a parte solo, ou porque tinha mais lata ou porque a voz dos outros ainda era pior que a minha. A Balada acompanhou-nos sempre - em Paris, em Berna, em Nápoles, em Veneza, naquela longas semanas de festejo europeu. Mas Fernando Machado Soares foi também um dos protagonistas naquela que eu considero a minha melhor noite de Coimbra, em que a noite se estendeu pela cidade e um grupo de nós subiu da Baixa à alta horas e horas acompanhados por um inesperado despique entre Machado Soares e Zeca Afonso, Cantando um e logo depois o outro, num combate para a maioria surpreendente, mas onde se adivinhava um eventual acerto de contas, com saias pelo meio. Inesquecível noite, essa. Hoje, já partidos os dois, recordei-me disso e passei longo tempo a ouvi-los, como ambos mereciam.
 
 

quinta-feira, dezembro 11, 2014

ordem unida

Desempenho levado a cabo por 72 estudantes (38 do sexo masculino e 34 do sexo feminino) de uma Universidade do Japão. A Universidade também serve para isto - fazer bem, seja o que for de que nos encarreguemos.

 

terça-feira, dezembro 09, 2014

não desespere

Como a globalização é um facto, não posso deixar de vos deixar este vídeo que pode ser útil a alguns menos conhecedores dos apoios sociais a que pode ter direito. O riso continua a ser o melhor remédio.



domingo, dezembro 07, 2014

a chegada do cante

O cante alentejano ocupa desde agora o lugar que merecia - património imaterial da humanidade. Parabéns àqueles que lho atribuíram e parabéns a quem merece tal distinção. Deixo aqui a sua chegada ao aeroporto de Lisboa, a convite da TAP.
 

sexta-feira, dezembro 05, 2014

a imortalidade vem aí

Esta comunicação TEDxParis de 6 de outubro de 2012, no Olympia de Paris, apesar de terem passado dois anos sobre ela, continua a ser um documento surpreendente, sobre um tema desejado por todos, mas no qual me custa a acreditar. Será que tudo se vai passar como Laurent Alexanre nos antecipa?. Este Cirurgião urologista é igualmente diplomado em Ciência Política. Inquieto e hiperactivo, pioneiro da internet, maratonista, é co-fundador nos anos 90, de Doctissimo.fr. e autor do ensaio «A morte da morte». Não deixem de ver. Acreditem ou não no futuro próximo que ele nos apresenta.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

dolorosa maravilha

Há muito tempo que ver e ouvir tocar piano, não me dava um prazer tão sofrido, como hoje. Eu escrevi - ver e ouvir. Se só ouvirmos, a música toca-nos e reconforta-nos. Mas, se a virmos, somos tomados pela emoção e por sentimentos desencontrados. Ver sair música magnífica dos dedos anquilosados de uma velha pedinte de rua, sem condições, só necessidades e que, mesmo assim, consegue transmitir-nos uma beleza tal, é doloroso e magnífico ao mesmo tempo. Quem, com aquela idade e aquelas deformadas mãos, toca daquela forma apurada e emotiva, só pode ter sido uma grande pianista. E, se assim foi, porque a vemos agora na rua, mendigando? Ou será que ela não é a pedinte, mas antes aquela que nos oferece generosamente um momento feliz nas nossas caóticas vidas?
 

segunda-feira, dezembro 01, 2014

uma voz para escutar

Não sei se o 25 de Abril foi realmente uma abstracção, como Maria José Morgado diz. Mas sei que ela deve ser ouvida com atenção. Não sei a data exacta desta entrevista, mas continua actual.

domingo, novembro 30, 2014

cem anos em dez minutos

Para recordar marcos históricos dos últimos 100 anos e tirar algumas dúvidas sobre a sequência dos acontecimentos.

sábado, novembro 29, 2014

papa francisco no parlamento europeu




Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Vice-Presidentes,
Ilustres Eurodeputados,
Pessoas que a vário título trabalhais neste hemiciclo,
Queridos amigos!

Agradeço-vos o convite para falar perante esta instituição fundamental da vida da União Europeia e a oportunidade que me proporcionais de me dirigir, por vosso intermédio, a mais de quinhentos milhões de cidadãos por vós representados nos vinte e oito Estados membros. Desejo exprimir a minha gratidão de modo particular a Vossa Excelência, Senhor Presidente do Parlamento, pelas cordiais palavras de boas-vindas que me dirigiu em nome de todos os componentes da Assembleia. A minha visita tem lugar passado mais de um quarto de século da realizada pelo Papa João Paulo II. Desde aqueles dias, muita coisa mudou na Europa e no mundo inteiro. Já não existem os blocos contrapostos que, então, dividiam em dois o Continente e, lentamente, está a realizar-se o desejo de que «a Europa, ao dotar-se soberanamente de instituições livres, possa um dia desenvolver-se em dimensões que lhe foram dadas pela geografia e, mais ainda, pela história»[1].
A par duma União Europeia mais ampla, há também um mundo mais complexo e em intensa movimentação: um mundo cada vez mais interligado e global e, consequentemente, sempre menos «eurocêntrico». A uma União mais alargada, mais influente, parece contrapor-se a imagem duma Europa um pouco envelhecida e empachada, que tende a sentir-se menos protagonista num contexto que frequentemente a olha com indiferença, desconfiança e, por vezes, com suspeita. Hoje, falando-vos a partir da minha vocação de pastor, desejo dirigir a todos os cidadãos europeus uma mensagem de esperança e encorajamento. Uma mensagem de esperança assente na confiança de que as dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com o mundo inteiro– está a atravessar. Esperança no Senhor que transforma o mal em bem e a morte em vida. Encorajamento a voltar à firme convicção dos Pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro assente na capacidade de trabalhar juntos para superar as divisões e promover a paz e a comunhão entre todos os povos do Continente. No centro deste ambicioso projecto político, estava a confiança no homem, não tanto como cidadão ou como sujeito económico, mas no homem como pessoa dotada de uma dignidade transcendente. Sinto obrigação, antes de mais nada, de sublinhar a ligação estreita que existe entre estas duas palavras: «dignidade» e «transcendente». «Dignidade» é a palavra-chave que caracterizou a recuperação após a Segunda Guerra Mundial. A nossa história recente caracteriza-se pela inegável centralidade da promoção da dignidade humana contra as múltiplas violências e discriminações que não faltaram, ao longo dos séculos, nem mesmo na Europa. A percepção da importância dos direitos humanos nasce precisamente como resultado de um longo caminho, feito também de muitos sofrimentos e sacrifícios, que contribuiu para formar a consciência da preciosidade, unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa humana. Esta tomada de consciência cultural tem o seu fundamento não só nos acontecimentos da história, mas sobretudo no pensamento europeu, caracterizado por um rico encontro cujas numerosas e distantes fontes provêm «da Grécia e de Roma, de substratos celtas, germânicos e eslavos, e do cristianismo que os plasmou profundamente»[2], dando origem precisamente ao conceito de «pessoa». Hoje, a promoção dos direitos humanos ocupa um papel central no empenho da União Europeia que visa promover a dignidade da pessoa, tanto no âmbito interno como nas relações com os outros países. Trata-se de um compromisso importante e admirável, porque persistem ainda muitas situações onde os seres humanos são tratados como objectos, dos quais se pode programar a concepção, a configuração e a utilidade, podendo depois ser jogados fora quando já não servem porque se tornaram frágeis, doentes ou velhos. Realmente que dignidade existe quando falta a possibilidade de exprimir livremente o pensamento próprio ou professar sem coerção a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um quadro jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade poderáter um homem ou uma mulher tornados objecto de todo o género de discriminação? Que dignidade poderá encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver e, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade? Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e, muito menos, para benefício de interesses económicos. É preciso, porém, ter cuidado para não cair em alguns equívocos que podem surgir de um errado conceito de direitos humanos e de um abuso paradoxal dos mesmos. De facto, há hoje a tendência para uma reivindicação crescente de direitos individuais, que esconde uma concepção de pessoa humana separada de todo o contexto social e antropológico, quase como uma «mónada» (μονάς) cada vez mais insensível às outras «mónadas» ao seu redor. Ao conceito de direito já não se associa o conceito igualmente essencial e complementar de dever, acabando por afirmar-se os direitos do indivíduo sem ter em conta que cada ser humano está unido a um contexto social, onde os seus direitos e deveres estão ligados aos dos outros e ao bem comum da própria sociedade. Por isso, considero que seja mais vital hoje do que nunca aprofundar uma cultura dos direitos humanos que possa sapientemente ligar a dimensão individual, ou melhor pessoal, à do bem comum, àquele «nós-todos» formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social[3]. Na realidade, se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar-se fonte de conflitos e violências. Assim, falar da dignidade transcendente do homem significa apelar para a sua natureza, a sua capacidade inata de distinguir o bem do mal, para aquela «bússola» inscrita nos nossos corações e que Deus imprimiu no universo criado[4]; sobretudo significa olhar para o homem, não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças que, hoje, vejo mais difusa na Europa é a solidão, típica de quem está privado de vínculos. Vemo-la particularmente nos idosos, muitas vezes abandonados à sua sorte, bem como nos jovens privados de pontos de referência e de oportunidades para o futuro; vemo-la nos numerosos pobres que povoam as nossas cidades; vemo-la no olhar perdido dos imigrantes que vieram para cá à procura de um futuro melhor. Uma tal solidão foi, depois, agravada pela crise económica, cujos efeitos persistem ainda com consequências dramáticas do ponto de vista social. Pode-se também constatar que, no decurso dos últimos anos, a par do processo de alargamento da União Europeia, tem vindo a crescer a desconfiança dos cidadãos relativamente às instituições consideradas distantes, ocupadas a estabelecer regras vistas como distantes da sensibilidade dos diversos povos, se não mesmo prejudiciais. De vários lados se colhe uma impressão geral de cansaço e envelhecimento, de uma Europa avó que já não é fecunda nem vivaz. Daí que os grandes ideais que inspiraram a Europa pareçam ter perdido a sua força de atracção, em favor do tecnicismo burocrático das suas instituições. A isto vêm juntar-se alguns estilos de vida um pouco egoístas, caracterizados por uma opulência actualmente insustentável e muitas vezes indiferente ao mundo circundante, sobretudo dos mais pobres. No centro do debate político, constata-se lamentavelmente a preponderância das questões técnicas e económicas em detrimento de uma autêntica orientação antropológica[5]. O ser humano corre o risco de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, de modo que a vida – como vemos, infelizmente, com muita frequência –, quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer. É o grande equívoco que se verifica «quando prevalece a absolutização da técnica»[6], acabando por gerar «uma confusão entre fins e meios»[7],que é o resultado inevitável da «cultura do descarte» e do «consumismo exacerbado». Pelo contrário, afirmar a dignidade da pessoa significa reconhecer a preciosidade da vida humana, que nos é dada gratuitamente não podendo, por conseguinte, ser objecto de troca ou de comércio. Na vossa vocação de parlamentares, sois chamados também a uma grande missão, ainda que possa parecer não lucrativa: cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas. Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade no meio dum modelo funcionalista e individualista que conduz inexoravelmente à «cultura do descarte». Cuidar da fragilidade das pessoas e dos povos significa guardara memória e a esperança; significa assumir o presente na sua situação mais marginal e angustiante e ser capaz de ungi-lo de dignidade[8]. Mas, então, como fazer para se devolver esperança ao futuro, de modo que, a partir das jovens gerações, se reencontre a confiança para perseguir o grande ideal de uma Europa unida e em paz, criativa e empreendedora, respeitadora dos direitos e consciente dos próprios deveres? Para responder a esta pergunta, permiti-me lançar mão de uma imagem. Um dos mais famosos afrescos de Rafael que se encontram no Vaticano representa a chamada Escola de Atenas. No centro, estão Platão e Aristóteles. O primeiro com o dedo apontando para o alto, para o mundo das ideias, poderíamos dizer para o céu; o segundo estende a mão para a frente, para o espectador, para a terra, a realidade concreta. Parece-me uma imagem que descreve bem a Europa e a sua história, feita de encontro permanente entre céu e terra, onde o céu indica a abertura ao transcendente, a Deus, que desde sempre caracterizou o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas. O futuro da Europa depende da redescoberta do nexo vital e inseparável entre estes dois elementos. Uma Europa que já não seja capaz de se abrir à dimensão transcendente da vida é uma Europa que lentamente corre o risco deperder a sua própria alma e também aquele «espírito humanista» que naturalmente ama e defende. É precisamente a partir da necessidade de uma abertura ao transcendente que pretendo afirmar a centralidade da pessoa humana; caso contrário, fica à mercê das modas e dos poderes do momento. Neste sentido, considero fundamental não apenas o património que o cristianismo deixou no passado para a formação sociocultural do Continente, mas também e sobretudo a contribuição que pretende dar hoje e no futuro para o seu crescimento. Esta contribuição não constitui um perigo para a laicidade dos Estados e para a independência das instituições da União, mas um enriquecimento. Assim no-lo indicam os ideais que a formaram desde o início, tais como a paz, a subsidiariedade e a solidariedade mútua, um humanismo centrado no respeito pela dignidade da pessoa. Por isso, desejo renovar a disponibilidade da Santa Sé e da Igreja Católica, através da Comissão das Conferências Episcopais da Europa (COMECE), a manter um diálogo profícuo, aberto e transparente com as instituições da União Europeia. De igual modo, estou convencido de que uma Europa que seja capaz de conservar as suas raízes religiosas, sabendo apreender a sua riqueza e potencialidades, pode mais facilmente também permanecer imune a tantos extremismos que campeiam no mundo actual – o que se fica a dever também ao grande vazio de ideais a que assistimos no chamado Ocidente –, pois «o que gera a violência não é a glorificação de Deus, mas o seu esquecimento»[9]. Não podemos deixar de recordar aqui as numerosas injustiças e perseguições que se abatem diariamente sobre as minorias religiosas, especialmente cristãs, em várias partes do mundo. Comunidades e pessoas estão a ser objecto de bárbaras violências: expulsas de suas casas e pátrias; vendidas como escravas; mortas, decapitadas, crucificadas e queimadas vivas, sob o silêncio vergonhoso e cúmplice de muitos. O lema da União Europeia é Unidade na diversidade, mas a unidade não significa uniformidade política, económica, cultural ou de pensamento. Na realidade, toda a unidade autêntica vive da riqueza das diversidades que a compõem: como uma família, que é tanto mais unida quanto mais cada um dos seus componentes pode ser ele próprio profundamente e sem medo. Neste sentido, considero que a Europa seja uma família de povos, os quais poderão sentir próximas as instituições da União se estas souberem conjugar sapientemente o ideal da unidade, por que se anseia, com a diversidade própria de cada um, valorizando as tradições individuais; tomando consciência da sua história e das suas raízes; libertando-se de tantas manipulações e fobias. Colocar no centro a pessoa humana significa, antes de mais nada, deixar que a mesma exprima livremente o próprio rosto e a própria criatividade tanto de indivíduo como de povo. Por outro lado, as peculiaridades de cada um constituem uma autêntica riqueza na medida em que são colocadas ao serviço de todos. É preciso ter sempre em mente a arquitectura própria da União Europeia, assente sobre os princípios de solidariedade e subsidiariedade, de tal modo que prevaleça a ajuda recíproca e seja possível caminhar animados por mútua confiança. Nesta dinâmica de unidade-particularidade, coloca-se também diante de vós, Senhores e Senhoras Eurodeputados, a exigência de cuidardes de manter viva a democracia dos povos da Europa. Não escapa a ninguém que uma concepção homologante da globalidade afecta a vitalidade do sistema democrático, depauperando do que tem de fecundo e construtivo o rico contraste das organizações e dos partidos políticos entre si. Deste modo, corre-se o risco de viver no reino da ideia, da mera palavra, da imagem, do sofisma… acabando por confundir a realidade da democracia com um novo nominalismo político. Manter viva a democracia na Europa exige que se evitem muitas «maneiras globalizantes» de diluir a realidade: os purismos angélicos, os totalitarismos do relativo, os fundamentalismos a-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria[10]. Manter viva a realidade das democracias é um desafio deste momento histórico, evitando que a sua força real –força política expressiva dos povos–seja removida face à pressão de interesses multinacionais não universais, que as enfraquecem e transformam em sistemas uniformizadores de poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos. Este é um desafio que hoje vos coloca a história. Dar esperança à Europa não significa apenas reconhecer a centralidade da pessoa humana, mas implica também promover os seus dotes. Trata-se, portanto, de investir nela e nos âmbitos onde os seus talentos são formados e dão fruto. O primeiro âmbito é seguramente o da educação, a começar pela família, célula fundamental e elemento precioso de toda a sociedade. A família unida, fecunda e indissolúvel traz consigo os elementos fundamentais para dar esperança ao futuro. Sem uma tal solidez, acaba-se por construir sobre a areia, com graves consequências sociais. Aliás, sublinhar a importância da família não só ajuda a dar perspectivas e esperança às novas gerações, mas também a muitos idosos, frequentemente constrangidos a viver em condições de solidão e abandono, porque já não há o calor dum lar doméstico capaz de os acompanhar e apoiar. Ao lado da família, temos as instituições educativas: escolas e universidades. A educação não se pode limitar a fornecer um conjunto de conhecimentos técnicos, mas deve favorecer o processo mais complexo do crescimento da pessoa humana na sua totalidade. Os jovens de hoje pedem para ter uma formação adequada e completa, a fim de olharem o futuro com esperança e não com desilusão. Aliás são numerosas as potencialidades criativas da Europa em vários campos da pesquisa científica, alguns dos quais ainda não totalmente explorados. Basta pensar, por exemplo, nas fontes alternativas de energia, cujo desenvolvimento muito beneficiaria a defesa do meio ambiente. A Europa sempre esteve na vanguarda dum louvável empenho a favor da ecologia. De facto, esta nossa terra tem necessidade de cuidados e atenções contínuos e é responsabilidade de cada um preservar a criação, dom precioso que Deus colocou nas mãos dos homens. Isto significa, por um lado, que a natureza está à nossa disposição, podemos gozar e fazer bom uso dela; mas, por outro, significa que não somos os seus senhores. Guardiões, mas não senhores. Por isso, devemos amá-la e respeitá-la; mas, «ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação, da exploração; não a “guardamos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar»[11]. Mas, respeitar o ambiente não significa apenas limitar-se a evitar deturpá-lo, mas também utilizá-lo para o bem. Penso sobretudo no sector agrícola, chamado a dar apoio e alimento ao homem. Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares são descartadas diariamente das nossas mesas. Além disso, respeitar a natureza lembra-nos que o próprio homem é parte fundamental dela. Por isso, a par duma ecologia ambiental, é preciso a ecologia humana, feita daquele respeito pela pessoa que hoje vos pretendi recordar com as minhas palavras. O segundo âmbito em que florescem os talentos da pessoa humana é o trabalho. É tempo de promover as políticas de emprego, mas acima de tudo é necessário devolver dignidade ao trabalho, garantindo também condições adequadas para a sua realização. Isto implica, por um lado, encontrar novas maneiras para combinar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspectivas de emprego, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores; por outro, significa fomentar um contexto social adequado, que não vise explorar as pessoas, mas garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos. De igual forma, é necessário enfrentar juntos a questão migratória. Não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam deacolhimento e ajuda. A falta de um apoio mútuo no seio da União Europeia arrisca-se a incentivar soluções particularistas para o problema, que não têm em conta a dignidade humana dos migrantes, promovendo o trabalho servil e contínuas tensões sociais. A Europa será capaz de enfrentar as problemáticas relacionadas com a imigração, se souber propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes; se souber adoptar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos – a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos. É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos. Senhor Presidente, Excelências, Senhoras e Senhores Deputados! A consciência da própria identidade é necessária também para dialogar de forma propositiva com os Estados que se candidataram à adesão à União Europeia no futuro. Penso sobretudo nos Estados da área balcânica, para os quais a entrada na União Europeia poderá dar resposta ao ideal da paz numa região que tem sofrido enormemente por causa dos conflitos do passado. Por fim, a consciência da própria identidade é indispensável nas relações com os outros países vizinhos, particularmente os que assomam ao Mediterrâneo, muitos dos quais sofrem por causa de conflitos internos e pela pressão do fundamentalismo religioso e do terrorismo internacional. A vós, legisladores, compete a tarefa de preservar e fazer crescer a identidade europeia, para que os cidadãos reencontrem confiança nas instituições da União e no projecto de paz e amizade que é o seu fundamento. Sabendo que, «quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária»[12], exorto-vos a trabalhar para que a Europa redescubra a sua alma boa. Um autor anónimo do século II escreveu que «os cristãos são no mundo o que a alma é para o corpo»[13]. A tarefa da alma é sustentar o corpo, ser a sua consciência e memória histórica. E uma história bimilenária liga a Europa eo cristianismo. Uma história não livre de conflitos e erros, mas sempre animada pelo desejo de construir o bem. Vemo-lona beleza das nossas cidades e, mais ainda, na beleza das múltiplas obras de caridade e de construção comum que constelam o Continente. Esta história ainda está, em grande parte, por escrever. Ela é o nosso presente e também o nosso futuro. É a nossa identidade. E a Europa tem uma necessidade imensa de redescobrir o seu rosto para crescer, segundo o espírito dos seus Pais fundadores, na paz e na concórdia, já que ela mesma não está ainda isenta dos conflitos.
Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira,não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade! Obrigado!
 
[1]Discurso ao Parlamento Europeu(11 de Outubro de 1988), 5. [2]JOÃO PAULO II, Discurso à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (8 de Outubrode 1988), 2. [3]Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 7; CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 26. [4]Cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 37. [5]Cf. Carta ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 55. [6]BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 71. [7]Ibid., 71. [8]Cf. Carta ap. Evangelii gaudium, 209. [9]BENTO XVI, Discurso aos Membros do Corpo Diplomático (7 de Janeiro de 2013). [10]Cf.Carta enc. Evangelii gaudium, 231. [11]FRANCISCO, Audiência Geral (5 de Junho de 2013). [12]CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 34. [13]Carta a Diogneto, 6.

quarta-feira, novembro 26, 2014

moulin rouge 2014

Veja o espectáculo na primeira fila e à borla ...


terça-feira, novembro 25, 2014

o fado sentido

Apresento-vos hoje um novo fadista - António Pelarigo. O fado em estado natural. Sentido, vindo das raízes, do povo, arranhando a garfanta, docemente. Com letra de Rosa Lobato Faria e música de José Cid, o fado 'Quem me quiser'.

domingo, novembro 23, 2014

caravelas e naus

Quer saber como se construíam as caravelas e as naus? Não vai construi nenhuma, mas o saber é melhor do que a ignorância.

sábado, novembro 22, 2014

eduardo galeano e os indignados

Embora seja uma entrevista antiga, de Maio de 2011, parece-me mais que justificado continuar a considerá-la actual e a não perder.
Eduardo Galeano é o intelectual respeitado, lúcido,  esclarecido e lutador a que nos habituou e aqui o confirma, na entrevista dada ao programa Singulars, de TV3, de Barcelona.

sexta-feira, novembro 21, 2014

animusic

Há máquinas para tudo. Mas nada se assemelha às que não dispensam a presença do homem. O autómato garante-nos a repetição correcta e igual a todas. O homem, nada nos garante, mas vai do bom ao irrepetível. Eu prefiro estes.

quinta-feira, novembro 20, 2014

segunda-feira, novembro 17, 2014

sopa dos pobres

Já se passaram largos meses e parece que foi ontem.

..

domingo, novembro 16, 2014

juanito

Embora tenha perdido actualidade, não perdeu a graça do chiste espanhol. No tempo próprio esteve indisponível e agora já se pode ver. Por isso, aqui o deixo.


sábado, novembro 15, 2014

o último dia de pompeia ac

A reconstituição possível da destruição de Pompeia, arrasada pelo Vesúvio e contada por Plínio o Moço, segundo a tecnologia actual. Não passa de uma ideia do que terá sido, mas mesmo assim vale a pena ver e imaginar.


sexta-feira, novembro 14, 2014

uma maravilha

Alisa Sadikova, 9 anos, no Conservatório de S. Petersburgo


quarta-feira, novembro 12, 2014

rastos do tempo

O fim do mundo rural, tal como era e agora finda. Da tristeza do fim, ressaltam e impõem-se os rostos marcados, sofridos, dignos, na sua autenticidade.
 

terça-feira, novembro 11, 2014

juca chaves e jô aos setenta

Repasso uma preciosidade do humor brasileiro. Sem comentários, por desnecessários.

segunda-feira, novembro 10, 2014

a amazónia e a biosfera

Interessante apresentação TED de António Donato Nobre sobre a Amazónia e a biodiversidade. É a inteligência e a fala esclarecida deste professor universitário que nos fala do que alguns de nós sabem superficialmente e nos deixa espantados com a imensa ignorância que afinal temos sobre aquilo que pensávamos conhecer. Não deixem de o ouvir e ver o que vos mostra.


domingo, novembro 09, 2014

ilusão geométrica

Se não se pudesse demonstrar, poucos acreditariam.
 
Todas as 8 bolas demoram o mesmo tempo a percorrer o seu trajecto (2 vezes o diâmetro da círculo exterior) e começam desfasadas da seguinte 1/16 avos desse período de tempo. Fácil de explicar mas menos fácil de imaginar pela primeira vez! As 8 esferas que parecem rodar dentro do círculo desloca-se, sempre e só, no mesmo eixo longitudinal.


sábado, novembro 08, 2014

mistérios da vida

Repasso o que merece ser visto.

sábado, novembro 01, 2014

deviam estar todos presos

Repasso este texto de Nicolau Santos, que questiona o que tem que ser questionado. E, tu deixas?, pergunta Nicolau, no fim do texto. E, tu deixas?, pergunto eu, agora.


 
Deviam estar todos presos

 Até agora considerava-se que, entre todos os bancos portugueses que tiveram problemas, só o BPN era verdadeiramente um caso de polícia. Mas à medida que se conhecem mais pormenores sobre o que se passou nos últimos meses no BES cada vez temos mais a certeza que estamos perante um segundo caso de polícia. Daí a pergunta: porque é que não estão todos presos?
Se não, vejamos. Depois de ter sido proibido pelo Banco de Portugal de continuar a conceder novos créditos ao Grupo Espírito Santo a partir de Janeiro deste ano, o BES continuou a fazê-lo - e, segundo as indicações, fê-lo no montante de 1,2 mil milhões de euros. E das duas uma: ou fê-lo com conhecimento de toda a administração, que sabia da proibição do Banco de Portugal; ou fê-lo por decisão de apenas duas pessoas - Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires.
No primeiro caso, todos deviam estar já presos; no segundo, os dois deviam estar detidos. Para além de desobedecerem ao banco central, lesaram gravemente o património do banco, sabendo conscientemente que o estavam a fazer.
Quanto aos outros membros do conselho de administração, se não foram coniventes, foram pelo menos incompetentes. Tinham responsabilidades em várias áreas de controlo da actividade do banco e ou não deram por nada ou, se deram, não fizeram nada. Por isso, fez muito bem o Banco de Portugal em afastar Joaquim Goes, António Souto e Rui Silveira.
 
Mas e a Tranquilidade? A Tranquilidade que também continuou a investir em empresas do GES este ano sabendo do estado em que se encontravam? O presidente executivo Pedro Brito e Cunha, que é primo de Ricardo Salgado, tomou essas decisões com base em quê? Na relação familiar, como é óbvio. Devia estar detido igualmente.
Lesou gravemente e de forma consciente o património da seguradora. E Rui Leão Martinho, o presidente não executivo da Tranquilidade e ex-presidente do Instituto de Seguros de Portugal, não sabia de nada?
De novo, das duas uma: ou é incompetente ou foi conivente. Em qualquer caso, já se devia ter demitido ou ter sido demitido. Mas a verdade é que o Instituto de Seguros de Portugal parece estar perdido em combate. O presidente José Almaça não tem nada para dizer? Não tem nada para fazer?
 
Já agora, António Souto, que o BdP suspendeu da administração do BES é membro do conselho de administração da Tranquilidade. Vai continuar neste cargo? E Rui Silveira, igualmente afastado da administração do BES, é do conselho fiscal da Tranquilidade. Também se vai manter na seguradora?
 
Por tudo isto se vê o polvo em que se tornou o GES, tendo no seu centro o BES. Nem todos têm as mesmas responsabilidades. Mas há vários dos seus dirigentes que já deviam estar detidos e sem direito a caução pelos danos que estão a causar a muitos dos que neles País confiaram e ao próprio País.
Então, a pergunta é:
 
- Porque é que não estão todos presos?
 
E a resposta, óbvia, só pode ser:
 
- Porque eles são, de facto, os donos disto tudo. Das leis, da Justiça, dos governos, do parlamento. E, por consequência, de todos nós.
 
Não ouviram, na passada terça-feira, na Assembleia da República, a propósito destruição da PT devido ao caso BES – e às opções dos seus gurus – Pedro Passos Coelho dizer que não é nada com ele? Mesmo que o país perca milhões com isso, nacionalizar está fora de questão? Só se podem nacionalizar os prejuízos, não é verdade?!
 
E tu deixas…?

quinta-feira, outubro 09, 2014

primeiro mundo ou fim do mundo?



Talvez mereça um texto filosófico. Talvez exija metafísica e ética. Talvez eu me disponha a voltar ao assunto e a perder  com estas coisas...

COISA DE PRIMEIRO MUNDO
 
«Curiosidade... Agora a moda é, em vez de ser enterrado em um caixão, ou ser cremado, virar diamante após a morte. Ao custo de alguns milhares de euros e graças a uma sofisticada transformação química, uma empresa suíça agora garante ao falecido reservar seu lugar na eternidade sob a forma de um diamante humano. Na Suíça, a empresa Algordanza recebe a cada mês entre 40 e 50 urnas funerárias procedentes de todo o mundo. Seu conteúdo será pacientemente transformado em pedra preciosa. 'Quinhentos gramas de cinzas bastam para fazer um diamante, enquanto o corpo humano deixa uma média de 2,5 a 3 kg depois da cremação', explica Rinaldo Willy, um dos co-fundadores do laboratório onde as máquinas funcionam sem interrupção 24 horas por dia. Ou seja, cada defunto pode gerar uns 5 diamantes, ou mais, dá para distribuir para toda família. Os restos humanos são submetidos a várias etapas de transformação. Primeiro, viram carbono, depois grafite. Em seguida são expostos a temperaturas de 1.700 graus, finalmente se transformam em diamantes artificiais num prazo de quatro a seis semanas. Na natureza, o mesmo processo leva milênios. 'Cada diamante é único. A cor varia do azul escuro até quase branco. É um reflexo da personalidade', comenta Willy. A personalidade pela cor? Que coisa doida! Uma vez obtido, o diamante bruto é polido e talhado na forma desejada pelos familiares do falecido para depois ser usado num anel ou num cordão. Já pensou poder levar seu ente querido, depois da morte, em um colar ou anel? Se perguntarem sobre o falecido você vai poder dizer: 'Ele é uma jóia'. Se roubarem o diamante é que é o problema, você vai ter que gritar: 'Roubaram o defunto, pega ladrão'! O preço desta alma translúcida oscila entre 2.800 e 10.600 euros, segundo o peso da pedra (de 0,25 a um quilate), o que, segundo Willy, vale a pena, já que um enterro completo custa, por exemplo, 12.000 euros na Alemanha. Está vendo, a moda tem tudo para pegar, é até mais barato transformar o defunto em jóia! A indústria do 'diamante humano' está em plena expansão, com empresas instaladas na Espanha, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. A mobilidade da vida moderna é propícia para o setor, explica Willy, que destaca a dificuldade de se deslocar com uma urna funerária ou o melindre provocado por guardar as cinzas de um falecido na própria casa».

quarta-feira, outubro 08, 2014

tecnologias...

Divirta-se um pouco. Ria, enquanto o pode fazer...-


quinta-feira, outubro 02, 2014

como era diferente o carnaval no rio

Como era diferente o Carnaval no Rio de Janeiro em 1954. Descubram as diferenças. Como escreveu a mão amiga que mo enviou -
 
 «O mais interessante: todo mundo era magro. Só aparece uma gordinha em todo o filme. Todo mundo comia arroz , feijão, batata, ovo e outros alimentos naturais... Deem uma pausa na chegada de Getulio Vargas e poderão observar seu guarda costas pessoal - Gregorio Fortunato (de chapéu Panamá) - que veio a ser responsabilizado pelo atentado a Carlos Lacerda desencadeando o suicídio de Getulio, mergulhado no 'Mar de Lama", em 24 de agosto, desse mesmo ano. Vocês não verão ninguém "pelado". E o lança perfume? Era liberado. Os desfiles com carros alegóricos eram apresentados pelas chamadas "Grandes Sociedades" que eram agremiações que desfilavam na 3a. feira. Não havia violência e o povão se divertia sem gastar dinheiro. O baile do Municipal e do Copacabana Palace era a rigor. Os homens pulavam de smoking e summer. E as escolas de samba ainda estavam na pré-história do carnaval. Observem a precariedade das armações»,


 bonecos e alegorias.

terça-feira, setembro 30, 2014

recordar o fantasma .. da ópera

Quem viu, pode recordar. Quem não viu, vai gostar, com certeza. Andrew Lloyd Webber, autor deste e outros musicais assiste. O nome dos cantores pode ler-se no vídeo.

segunda-feira, setembro 29, 2014

uma delícia

Uma menina de nove anos, Amira Willighagen, canta 'o mio bambino caro' no Factor X, na Holanda. Conservem-na, mas poupem-lhe a voz, antes que se estrague.


sábado, setembro 27, 2014

salut salon

Aqui fica o Quarteto Salut Salon de Hamburgo. Começou como um dueto constituído por Angelika Bachmann e Iris Siegfried, A elas juntaram-se em 2008, a pianista Anne-Monika von Twardowski e a violoncelista Sonja Lena Schmid . Pode dizer-se que são a versão feminina do Mozart Group, da Polónia. Eles têm muito humor, imagimação e técnica. Elas têm tudo isso e mais alguma coisa.


quarta-feira, setembro 24, 2014

a ribeira das naus

Lisboa está diferente. Mais virada ao rio, ao ar livre. E mais europeia, se esta afirmação não soar contraditória. A Ribeira das Naus, finalmente.

segunda-feira, setembro 22, 2014

vale ouro e é ecológica

As informações que aqui deixo não são minhas, mas penso serem seguras. Nem tudo que luz é ouro, mas há sempre um princípio.

  Parece uma coisa do arco da velha mas não é. Trata-se de usar a conhecidíssima técnica da pirólise. Implica a separação prévia do PVC, o que torna o processo menos atraente do que aquilo que nos mostram. Mas é, de facto, auto-sustentável, ou seja, produz mais energia do que aquela que absorve. Sim, porque a energia para aquecer os plásticos tem que ser descontada naquela que é produzida no final. Quem tiver curiosidade para estas coisas e quiser saber um pouco mais pode pesquisar em PIRÓLISE e PIRÓLISE LIXO e vai fartar-se de ler sobre isto. Recomendação final: SE COMPRAREM UMA MÁQUINA DAQUELAS NÃO DEITEM O PRODUCTO OBTIDO NO DEPÓSITO DO VOSSO CARRO! (HÁ UM LONGO CAMINHO A PERCORRER ENTRE UMA COISA E A OUTRA!)
 

domingo, setembro 21, 2014

camelo ou corda grossa, tanto faz



Já publicada há algum tempo esta crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão, continua actual e eficaz. Aqui a deixo para quem não teve o prazer de a ter lido quando foi publicada.

De acordo com Jesus Cristo, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Quem já tentou fazer um camelo passar pelo buraco de uma agulha tem a noção exacta da dificuldade da tarefa, sobretudo se usou o mesmo método que se aplica às linhas, e que consiste em humedecer-lhes a ponta. Humedecer a cabeça de um camelo exige alguma coragem, muita salivação e um bom elixir oral. Cirilo de Alexandria acreditava que as palavras do Messias tinham sido mal reproduzidas. Em grego, o vocábulo que designa camelo (kamelos) é muito parecido com o que designa corda (kamilos), e quem registou as declarações do Senhor pode ter feito confusão (já se sabe como são os jornalistas). Uma vez que uma corda também não passa facilmente pelo buraco de uma agulha, os ricos foram forçados a engendrar uma estratégia para entrar no reino dos céus, a saber: não possuir quaisquer bens em seu nome. O rico moderno tem menos bens em seu nome do que São Francisco de Assis. A questão, portanto, não é tanto a de saber para onde vão os ricos quando desaparecem. O que deve ocupar os teólogos é descobrir para onde vão os euros quando desaparecem. Nunca me desapareceu um rico, mas desaparecem-me euros todos os dias. Sobretudo, é difícil responder às questões que as crianças nos colocam a este respeito. "Papá, o dinheiro que tinhas no chamado banco mau para onde foi?" "Onde estão as poupanças que o avô foi convencido a investir nas empresas do grupo BES?" "O meu dinheiro também vai desaparecer?" São inquietações para as quais não temos resposta clara. Dizemos apenas que não sabemos onde o dinheiro está. "Mas o Cavaco não tinha dito que os portugueses podiam confiar no BES, papá?" Não convém deixar as crianças assistir aos noticiários. É muito cedo para elas aprenderem a lidar com a perda. Mais tarde poderemos dizer-lhes que o desaparecimento do dinheiro é uma parte da nossa vida financeira, e que o máximo que podemos fazer é protege-lo de uns gatunos entregando-o a outros. Mas, para já, teremos de esperar que a ciência seja capaz de determinar claramente para onde vai o dinheiro que desaparece. Com a justiça, aparentemente, não contamos. Entretanto, teremos de contar às crianças as mentiras piedosas do costume. Que o dinheiro desapareceu mas vive agora num banco muito bonito, com inúmeras outras notas. Que tem uma vida de grandes investimentos que nós não lhe podíamos proporcionar. Enfim, que está no paraíso. No paraíso fiscal, evidentemente.

sábado, setembro 20, 2014

ginástica, coreografia e beleza

Um espectacular número de ginástica e dança, exibido na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos para jovens - 2014, na China. Esta exibição contava com 500 jovens e as imagens caleidoscópicas que nos mostram são de espantosa beleza.


quarta-feira, setembro 17, 2014

de luva branca...

Curta, inteligente e eficaz lição.

domingo, setembro 14, 2014

uma ideia interessante

Nem sempre a publicidade é chata e pouco criativa. O que pensam desta?


sábado, setembro 13, 2014

ouçam quem sabe do que fala

Pacheco Pereira no seu melhor, tal como ele é - esclarecido, culto, inteligente e claro.


quarta-feira, setembro 10, 2014

pedro jóia trio

Provavelmente nunca os ouviu. Acredite que vai gostar e se vai pergintar porque não têm a difusão devida.

domingo, setembro 07, 2014

brindisi em som africano

Desconheço o nome dos cantores, mas garanto a qualidade. Uma belíssima interpretação da área Brindisi, da Traviata, do grande Verdi.


sexta-feira, setembro 05, 2014

vida de faroleiro

Há coisas que não necessitam de explicação. Basta ver. Esta é uma delas.

quinta-feira, setembro 04, 2014

uma recordação inesquecível

Onde se misturam tempos, lugares, músicas, experiências inesquecíveis. Era com a música de Sidney Bechet que abriam e fechavam os meus programas de 'Poesia, Música e Teatro - Trilogia Necessária' no Emissor Regional de Cabinda, da Emissora Nacional, durante os dez meses em que terminei a minha comissão militar como cirurgião e director de serviço, depois dos 41 meses passados na cidade do Luso, centro da guerra e das suas desgraças. O que tem isto a ver com Paris? Eu sei.


segunda-feira, setembro 01, 2014

uma cidade chamada porto

Por mais que goste dela, nunca a viu assim.


domingo, agosto 31, 2014

qualquer dia dormem connosco

Parece que a EDP se prepara para instalar estes contadores 'inteligentes'. Para já fica este aviso à
navegação.
 

sábado, agosto 30, 2014

o quarteto mais antigo do mundo

É bom quando se envelhece assim. Quando aos 93 anos ainda se consegue cantar a duas vozes..

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sexta-feira, agosto 29, 2014

em defesa da língua


Segundo o Jornal Público o Jornal de Angola volta a criticar Portugal por causa da Guiné Equatorial. É a segunda vez em três dias que o editorial daquela publicação fala contra Portugal. Vejamos o que ali se diz.


« O Jornal de Angola volta esta quinta-feira a criticar Portugal, pela segunda vez em três dias, e novamente sobre a Guiné Equatorial, acusando os portugueses de darem "lições de democracia" quando no país "há crianças a morrer de fome". Em causa está a adesão da Guiné Equatorial, antiga colónia espanhola em África, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), concretizada quarta-feira na Cimeira de Díli, em Timor-Leste, apesar das dúvidas lançadas a partir de Portugal. "Os portugueses têm um grande orgulho na expansão marítima da qual resultou o seu império. Mas agora há países e povos que guardam a memória desse passado comum e querem pertencer à CPLP. Alguns renegam esse passado e opõem-se ao alargamento da organização. São demasiado pequenos para a grandeza da Língua Portuguesa", afirma o editorial. No texto, intitulado "A grandeza da língua", o diário estatal recorda que parte do território da Guiné Equatorial "já foi colónia portuguesa" e que a ilha de Fernando Pó [actual Bioko] recebeu o nome do navegador português, o mesmo acontecendo com a ilha de Ano-Bom. "Mas na pequena ilha [Ano-Bom] está um tesouro da lusofonia: fala-se crioulo [fá d'ambô] que tem por base o português arcaico e que chegou quase incólume aos nossos dias", diz o jornal. Afirma que "está provado" que aquelas ilhas "foram povoadas por escravos angolanos" e que Angola pretende "ir lá render homenagem" aos antepassados. "Agora que Fernando Pó e Ano-Bom fazem parte da CPLP, mais facilmente podemos cumprir esse dever. Mas sem a companhia das elites estrábicas, que nem sequer foram capazes de defender a dulcíssima língua portuguesa do acordo ortográfico", lê-se. Sobre as dúvidas em torno da adesão da Guiné Equatorial, o Jornal de Angola já tinha criticado Portugal no editorial de terça-feira, o mesmo dia em que o vice-primeiro-ministro Paulo Portas foi recebido em Luanda pelo Presidente angolano José Eduardo dos Santos. Hoje é a vez de o ministro da Economia, António Pires de Lima, visitar a capital angolana. "Os angolanos querem saber mais sobre a língua portuguesa. (...) Os portugueses deviam ter o mesmo interesse, mas pelos vistos só estão interessados em dar lições de democracia, quando dentro das suas portas há crianças a morrer de fome", diz o editorial. O matutino volta a referir-se às "elites portuguesas ignorantes e corruptas", afirmando que com a introdução do português como língua oficial no país "esse argumento deixou de valer". Num dos artigos mais críticos de Portugal dos últimos meses, aquele jornal diz que "em Lisboa surgiram numerosas vozes contra a adesão" mas que "nunca chegarão aos céus", provenientes de "políticos e líderes de opinião". "O que revela uma contradição insanável eivada de ignorância e uma tendência inquietante para criar um apartheid nas relações internacionais", escreve o matutino. Diz, por isso, que não se "compreende" a "soberba" com que "[em Portugal] tratam a Guiné Equatorial e o Presidente Obiang". O jornal classifica o tema da pena de morte, invocado por Lisboa, como "muito débil", tendo em conta que os Estados Unidos "executam todos os dias condenados à pena capital" e que "nem por isso os porta-vozes dessas elites querem expulsar o seu aliado da OTAN [NATO]". "Pelo contrário, quando Washington anunciou que ia sair da ilha Terceira [Açores] por já não ter interesse na Base das Lajes, todos se puseram de joelhos, implorando que a base aérea continue", crítica, em editorial, o Jornal de Angola».

terça-feira, agosto 26, 2014

a d.joão IV o que é de d. joão IV

Quando vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar
 
ADESTE FIDELES, HINO PORTUGUÊS, MAGNÍFICA OBRA D'EL REI DOM JOÃO IV
  (Para que ninguém alegue desconhecimento de causa. Pois a ignorância até pode ser pecado! )
 
ADESTE FIDELIS - Hino Português tocado em todo o mundo no Natal. "Adeste Fideles" é o título do chamado Hino Português, escrito pelo Rei D. João IV de Portugal. Foram achados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no seu palácio de Vila Viçosa. Muitos outros alegam a autoria desse hino, a John F. Wade, que não poderia ter composto a obra, já que o seu manuscrito data de 1743. O mais provável é que Wade tenha traduzido o Hino Português, como era chamado em Londres na época e ficado com os louros. D. João IV de Portugal, “O Rei Músico” nascido em 1604 foi um mecenas da música e das artes, assim como um sofisticado autor. Foi também compositor e, durante o seu reinado, possuiu uma das maiores bibliotecas do mundo. A primeira parte da sua obra musical foi publicada em 1649. Fundou uma escola de música em Vila Viçosa de onde saíam músicos para Espanha e Itália e foi aí, no seu palácio, que se acharam dois manuscritos desta obra. Esses escritos (1640) são anteriores à versão de 1760 feita por Wade. De entre os seus escritos podemos encontrar “Defesa da Música Moderna (Lisboa, 1649) ano em que o Rei D. João IV lutou contra o Vaticano para conseguir a aprovação da música instrumental nas igrejas. Uma outra famosa composição sua é 'Crux fidelis', um trabalho que permanece popular nos serviços eclesiásticos.
Carlos Madureira, enviado por Fernando Pizarro Bravo. 
 
 

domingo, agosto 24, 2014

tom e jobim revisitados

Uma nova versão com cr´tica acertada num Brasil que não corrige os seus defeitos maiores. Um cantor com garra que parece ter sido «castigdo« pela sua frontalidade crítica.

sábado, agosto 23, 2014

no meio da desgraça, alguma graça

Uma nova D. Inércia num sketch rápido e com alguma graça.