sábado, maio 02, 2015

tenham juízo, senhores

Sem Comentários. Ou não me responsabilizo ...


 
 
Reflexão sobre a planeada destruição dos Hospitais de S. José, Sta. Marta e Sto. António dos Capuchos


É do desconhecimento geral que há um plano (iniciado em 2009) para o encerramento e posterior destruição de seis Hospitais de Lisboa ,englobados na designação de CHLC - Centro Hospitalar Lisboa Central, (S. José,  Sta. Marta, Sto. António dos Capuchos, Dona Estefânia,  Curry Cabral e Maternidade Alfredo da Costa). Esta destruição visa apenas justificar a necessidade da construção de um novo Hospital dentro da cidade de Lisboa, na zona oriental. Este Hospital tem sido designado por “Hospital de Todos os Santos”, No entanto, esta designação não poderá vir a ser usada, por existir já uma anterior patente do mesmo nome.

Em 2013, o Ministro da Saúde anunciou a anulação do ruinoso concurso de Parceria Público- Privada do novo Hospital de Todos os Santos (que já não pode vir a ter este nome) para substituir todos os Hospitais que constituem atualmente o CHLC . O Governo informou entretanto que vai rever o negócio deste novo Hospital, embora não exclua que o modelo de PPP venha de novo a ser escolhido.

Todo este processo, é bem revelador da forma como são geridos os bens públicos.

Passo a resumir a seguir o que se está a passar com três dos seis Hospitais do CHLC :  S.José,  Sta. Marta e Sto António dos Capuchos, apenas sob o ponto de vista medico. Muito haveria a dizer ainda sobre a destruição planeada do valioso património, tema que deixo para os especialistas.

1-      Há poucos anos, por meio de engenharia  financeira, a Estamo, empresa do Ministério das Finanças, “comprou” estes Hospitais ao Ministério da Saúde e encomendou discretamente, sem qualquer Concurso Público, os projetos para os terrenos  libertados após a destruição dos referidos Hospitais. Também não foi dado a conhecer qual o financiamento, no entanto avançou-se já com  projetos e maquetas .

 

2-      Em julho de 2013,o  representante da Estamo, o arquitecto representante da Câmara Municipal de Lisboa e os arquitectos responsáveis dos vários projetos apresentaram, em sessão pública na Ordem dos Arquitectos, sessão onde estive presente, os referidos projetos de arquitectura.

 

3-      Trata-se de Hospitais instalados em edifícios centenários, tal como acontece em muitos países da Europa. No Reino Unido, onde foi criado o primeiro Serviço Nacional de Saúde, terminada a Segunda Guerra Mundial e que foi o modelo após o 25 de Abril, para o nosso Serviço Nacional de Saúde (igualdade de acesso aos cuidados de saúde de todos, independentemente das condições socioeconómicas de cada um) os Hospitais de referência mundial, na sua área de especialidade, são Hospitais instalados em edifícios centenários, como o Royal Brompton Hospital, na área da Pneumologia. Também o St. Mary`s Hospital (o hospital onde nascem os príncipes)  e o King Edward VII Hospital (também usado pela Família Real Britânica) são Hospitais centenários. Todos eles sitos no centro de Londres. E ninguém se lembrou de construir hospitais de raiz noutras zonas da cidade, vendendo estas unidades históricas do centro da cidade para os transformar em hotéis ou condomínios. Estes exemplos provam, de forma irrefutável, que o Hospital mais moderno e com as melhores condições pode estar instalado  num edifício centenário e localizado no centro de uma grande cidade.

 

4-      Estes Hospitais agora ameaçados tiveram início em edifícios religiosos e desde os anos 80 até ao presente tem havido grandes investimentos em reconstrução e equipamento dos três Hospitais. Será que os deputados da Assembleia da República, a ocupar o antigo Convento de S. Bento, se lembram também de o vender/destruir e construir um novo edifício?

 

5-       São todos Hospitais de Referência . É usada esta classificação para Hospitais que constituem a última linha de cuidados de saúde em especialidades médicas e cirúrgicas, abrangendo uma população muito mais vasta que a da sua respetiva área geográfica. As áreas destes três Hospitais abrangem toda a região de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Regiões Autónomas e, para algumas terapêuticas muito específicas,  todo o País.

 

Nestes hospitais existem algumas das melhores Unidades altamente especializadas, com equipas de profissionais de saúde e equipamentos de ponta, em muitas áreas da Medicina, tais como a Unidade de Queimados no Hospital de S. José ou a Unidade de Transplante Pulmonar no Hospital de Sta. Marta – única no país.

 

6-      Estes três hospitais passaram de um total de 1283 camas no ano de 2003, para um total de 816 camas no ano de 2013. Portanto em 10 anos perderam-se 467 camas, ou seja  – 37%.

 

7-      A área ocupada pelos três Hospitais e pelo Hospital Miguel Bombarda (na Colina de Santana, já encerrado e também com projeto para os terrenos libertados pela destruição do Hospital) é superior à área de toda a Baixa Pombalina.

 

 

 

Não parece haver quaisquer estudos que provem a necessidade de substituição dos seis Hospitais de Referência do Centro de Lisboa por um novo Hospital em Chelas.

Os responsáveis da Saúde afirmam que esses estudos existem. No entanto não conseguem dizer quais são e partem do princípio de que esta decisão é um facto consumado.

 

O que existe de concreto é o Despacho nº 2025/2007 dos Ministérios das Finanças  e da Saúde que refere que o investimento público na área da saúde deve ser orientado para a remodelação, ampliação e beneficiação das estruturas existentes, exatamente o contrário do que está a acontecer.

 

Parece óbvio que os edifícios do Estado para a Saúde dentro de uma cidade, de uma região ou dentro do País devem ser considerados no seu conjunto.

 

Sabemos que no País não existem Hospitais de Referência que contenham todas as áreas de ponta de todas as especialidades.

 

Portanto, a forma correta (que é a que existe atualmente) é aproveitar os recursos finitos do SNS - os transplantes de pulmão no Hospital de Sta. Marta, os transplantes de fígado no hospital Curry Cabral ou os implantes cocleares no CHUC, em Coimbra.

 

Por aqui se vê como é incorreto, o mais frequente argumento de, num único Hospital, concentrar todas as Especialidades Médicas, não falando no absurdo da decisão e dos custos  de destruir Hospitais de Referência em pleno funcionamento!

 

Se os critérios utilizados para a destruição destes hospitais fossem generalizados a outros hospitais, tanto no país como no estrangeiro, muito poucos ficariam de pé.  

 

Concluindo: o que o Governo diz é que dentro da cidade de Lisboa não precisamos do Hospital de S. José, do Hospital de Sta. Marta, do Hospital de Sto. António dos Capuchos e também não precisamos do Hospital Curry Cabral, do Hospital D. Estefânia, da Maternidade Alfredo da Costa, do Hospital Pulido Valente, do Instituto Gama Pinto, do Hospital de S. Lázaro… mas precisamos de um novo Hospital, a poucos quilómetros destes…

Também já precisámos de um novo IPO, na altura da negociata IPO/Isaltino/Duarte Lima…

                                                                                                                                                                            

Fica bem claro que, o que se pretende, é servir outros interesses, nomeadamente:

 

1.       Favorecer o negócio das grandes Empresas de Construção e a Especulação Imobiliária,

2.       Abrir espaço para o negócio privado da saúde, desarticulando o Serviço Nacional de Saúde .

Constatamos assim que esta destruição e venda está perfeitamente de acordo com a política a que já nos habituámos: a alienação dos bens mais valiosos do nosso país.

       

 

Elsa Soares Jara

Médica Pneumologista Hospitalar

Lisboa, 15 de abril de 2015

   

 

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sexta-feira, maio 01, 2015

portas enquanto jovem

Um verdadeiro homem de palavra. antes, agora e sempre. Nasceu assim ... que fazer?


sábado, abril 25, 2015

porque sou homem

Um belo vídeo contra a violência.


quinta-feira, abril 23, 2015

segunda-feira, abril 20, 2015

a classe média


 
 
Penso já o ter publicado há uns três anos. Continua actual e a merecer a nossa atenção.
 
 
Diálogo ocorrido entre 1643 e 1715 (Reinado de Luis XIV)
Inacreditável. Este diálogo, da peça teatral "Le Diable Rouge", de Antoine Rault, entre os personagens Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, século XVIII, apesar do tempo decorrido.... é bem atual. Leiam:
Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Mazarino: -Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas e não consegue honra-las, vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert: -Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: -Criando outros.
Colbert: -Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: -Sim, é impossível.
Colbert: -E sobre os ricos?
Mazarino: -E os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.
Colbert: -Então, como faremos?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável.
  É a classe média!

belo canto

O rouxinol e o seu belo, melodioso e inconfundível canto.


sábado, abril 18, 2015

um concertista inesperado

É fantástico quando somos surpreendidos positivamente pelo inesperado. Quando encontramos razões para acreditar que tudo é possível quando se luta e se é apoiado. Quando há amor e um coração grande.


quinta-feira, abril 16, 2015

a verdade



Anatomia e dissecação de um colossal falhanço
     Nicolau Santos
 
Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional. É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou.
1 A 4 de abril, Angela Merkel elogia os esforços do Governo português para combater a crise, através de um novo plano de austeridade, o PEC 4. Com o apoio da chanceler alemã e do presidente da Comissão Europeia havia a real possibilidade de Portugal conseguir um resgate mais suave, idêntico ao que Espanha depois veio a ter. O primeiro-ministro, José Sócrates, dá conta ao líder da oposição, Pedro Passos Coelho, do que se passa. Este, pressionado pelo seu mentor e principal apoio partidário, Miguel Relvas, recusa-se a deixar passar o PEC 4, dizendo que não sabia de nada e que não apoiava novos sacrifícios. O seu objetivo é a queda do Governo e eleições antecipadas (ver o livro “Resgatados”, dos insuspeitos jornalistas David Dinis e Hugo Filipe Coelho). O Presidente da República, Cavaco Silva, faz um violento ataque ao Governo no seu discurso de posse, a 4 de abril, afirmando não haver espaço para mais austeridade. Os banqueiros em concertação pressionavam o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos cede e coloca o primeiro-ministro perante o facto consumado, ao anunciar ao “Jornal de Negócios” que Portugal precisa de recorrer aos mecanismos de ajuda disponíveis. Sócrates é forçado a pedir a intervenção da troika. Merkel recebe a notícia com estupefação e irritação.
2 O memorando de entendimento (MoU) é saudado por políticos alinhados com a futura maioria, por economistas de águas doces, por banqueiros cúpidos e por comentadores fundamentalistas e bastas vezes ignorantes, pois, segundo eles, por cá nunca ninguém conseguiria elaborar tal maravilha. Hoje, pegando nas projeções para a economia portuguesa contidas no MoU, é espantoso constatar a disparidade com o que aconteceu. Em vez de um ano de austeridade tivemos três. Em vez de uma recessão não superior a 4%, tivemos quase 8%. Em vez de um ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita, tivemos exatamente o contrário: uma austeridade de 23 mil milhões reduziu o défice orçamental em apenas 9 mil milhões. Em vez de um desemprego na casa dos 13%, ultrapassámos os 17%. Em vez de uma emigração que não estava prevista, vimos sair do país mais de 300 mil pessoas. E em vez da recuperação ser forte e assente nas exportações e no investimento, ela está a ser lenta e anémica, assentando nas exportações e no consumo interno. A única coisa que não falhou foi o regresso da República aos mercados. Mas tal seria possível sem as palavras do governador do BCE, Mario Draghi, no verão de 2013, ou sem o programa de compra de dívida pública dos países da zona euro? Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse isso, quando as agências de rating mantêm em lixo a nossa dívida pública? Só mesmo quem crê em contos de crianças.
3 Durante o período de ajustamento, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, sublinhou sempre que o nosso sistema financeiro estava sólido. Afinal, não só não estava sólido como tinha mais buracos do que um queijo gruyère. BCP, BPI e Banif tiveram de recorrer à linha pública de capitalização incluída no memorando da troika, o BES implodiu, a CGD foi obrigada a fazer dois aumentos de capital subscritos pelo Estado, o Montepio está em sérias dificuldades — e só o Santander escapou.
4 O ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o primeiro responsável da troika, Poul Thomsen, negaram durante dois anos que houvesse um problema de esmagamento de crédito às empresas. Pelos vistos desconheciam que a esmagadora maioria das PME sempre teve falta de capital, funcionando com base no crédito bancário. Como os bancos foram obrigados a cortar drástica e rapidamente os seus rácios de crédito, milhares de empresas colapsaram, fazendo disparar o desemprego. Gaspar e a troika diriam depois terem sido surpreendidos com esta evolução. A sobranceria dos que se baseiam na infalibilidade do Excel, aliada à ignorância dos que pensam que a mesma receita funciona em qualquer lugar, tem estes resultados. Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse o BCE e Draghi, com a nossa dívida pública a continuar a ser considerada lixo? Só mesmo quem crê em contos de crianças.
5 Passos Coelho disse e redisse que as privatizações tornariam a economia portuguesa muito mais competitiva, levando os preços praticados a descer. Pois bem, a EDP foi vendida a muito bom preço porque as autoridades garantiram aos chineses da Three Gorges que os consumidores portugueses continuariam a pagar uma elevada fatura energética. E assim tem sido. Os franceses da Vinci pagaram muito pela concessão da ANA porque lhes foi garantido que poderiam subir as taxas sempre que o movimento aeroportuário aumentasse. Já o fizeram por cinco vezes. O Governo acabou com a golden share na PT e não obstou à saída da CGD do capital da telefónica. Depois assistiu, impávido e sereno, ao desmoronamento da operadora. A CGD foi obrigada pelo Governo a vender por um mau preço a sua participação na Cimpor. Hoje, a cimenteira é uma sombra do que foi: deixou de ser um centro de decisão, de competência e de emprego da engenharia nacional. Os CTT foram privatizados e aumentaram exponencialmente os resultados, à custa da redução do número de balcões e da frequência na entrega do correio.
6 A famosa reforma do Estado resumiu-se na prática a aumentar impostos, cortar salários, pensões e apoios sociais, bem como a fragilizar as relações laborais, flexibilizando o despedimento individual, diminuindo o valor das indemnizações, reduzindo o valor do subsídio de desemprego e o seu tempo de duração. O modelo económico passou a assentar numa mão de obra qualificada mas mal paga, em empregos precários e não inovadores, em trabalhadores temerosos e nada motivados.
7 O programa de ajustamento fez Portugal recuar quase 15 anos. Perdemos centro de decisão e de competência e não apareceram outros. A classe média proletariza-se sob o peso dos impostos. Nos hospitais reaparecem doenças e epidemias há muito erradicadas. O investimento estrangeiro estruturante não veio, o perfil da economia e das exportações não se alterou, a aposta na investigação eclipsou-se. E tudo para se chegar a um ponto em que a troika nos continua a dizer que já fizemos muito mas que é preciso fazer mais — e os credores internacionais nos vão manter sob vigilância até 2035. Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade mostra que este ajustamento não teve apenas algumas coisas que correram mal — foi um colossal falhanço. E, desgraçadamente, os próximos anos vão confirmá-lo. (Nicolau Santos, in “Expresso”, 11/04/2015)

sábado, abril 11, 2015

cuidem da voz

Uma lição de vida para os que não se cuidam.

sexta-feira, abril 10, 2015

landfill harmonic

Uma lição a aprender, de vida e de amor à música.

quinta-feira, abril 09, 2015

toque a silêncio

Homenagem aos portugueses que lutaram e morreram na Flandres. Um século depois, na Batalha.

sábado, abril 04, 2015

quem nos defende?

É verdadeiramente impressionante a forma como estamos expostos a tudo. Recentemente deixei aqui um vídeo que mostrava a vantagem que haveria usando drones com desfibrilhador, que podem salvar vidas. Mal sabia que agora iria mostrara a outra face da moeda...

sexta-feira, abril 03, 2015

onde andam os milhões do bes

Paulo Morais, mais uma vez. Sem comentários.

terça-feira, março 31, 2015

herberto helder, o poeta



Paulo Tunhas escreveu, dia 27 de Março, no Observador, estas palavras sobre Herberto Hélder. Gostava de as ter escrito eu que tive o privilégio de o conhecer e conversar não poucas vezes, mas sempre poucas, como gostaria. As minhas palavras ficarão para depois, quando eu for capaz.
 
Herberto Hélder, O Poeta
A poesia não deixa as palavras intactas, ou quando as deixa é má poesia ou poesia nenhuma. E certamente que a poesia de Herberto Helder, sendo grande poesia, nada deixa intacto. Tópicos herberto helder memória poesia
 
No meio das desgraças e venturas do mundo, e das várias amostras de loucura que os dias trazem, há certas coisas que se constroem e são feitas para durar, servindo para nos dar prazer e para, na medida do possível, nos proteger daquela parte da banalidade que ofende e agride. A poesia de Herberto Helder é uma dessas coisas. A poesia não deixa as palavras intactas, ou quando as deixa é má poesia ou poesia nenhuma. E certamente que a poesia de Herberto Helder, sendo grande poesia, nada deixa intacto. Desorganiza, porque o caos é necessário para a criação, e a partir dessa desorganização surge um organismo composto por sentidos transformados e como que magicamente coerentes entre si, onde, no entanto, se encontra sempre, presente e não recalcado, o caos inicial, espécie de advertência da vida. A grande poesia não se pode dar ao luxo da gentileza, e a poesia de Herberto Helder é tudo menos uma poesia da gentileza, exceptuando aquela gentileza feroz que olha de frente a vida do enigma e procura – e consegue – dar forma a um espanto informe. Em Cobra:
Não ames roupas, azáleas, água
cortada, louça,
― a leveza. Ama ― digo ―
o que é carregado: as frutas, ou a noite
e o calor, e os negros laços atados
dos animais.
Há uma coisa em Herberto Helder que é comum a toda a grande poesia. É a criação apresentar uma espécie de necessidade própria onde o lugar para o arbitrário é mínimo. O que se chama “estilo” é um bom bocado isso: uma organização não redundante do aleatório, como lembrou um filósofo. E uma organização que, no caso da poesia, se faz através de uma série de operações sobre o sentido comum das palavras da tribo. Se a expressão “trabalho poético” pode ser utilizada é exactamente por relação a isto, por relação ao modo como se procede à transformação do sentido das palavras. Se lermos um poema onde a palavra “mar” nada significar senão a costumeira ideia de mar, podemos ter a certeza de que é um mau poema. Em Herberto Helder isso nunca acontece. Há sempre operações sobre as palavras. A palavra ”casa”, por exemplo, logo no primeiro poema do seu primeiro livro, A colher na boca.
Falemos de casas, do sagaz exercício
de um poder
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.
Estes são os arquitectos, aqueles que
vão morrer,
sorrindo com ironia e doçura no fundo
de um alto segredo que os restitui à
lama,
de doces mãos irreprimíveis.
- Sobre os meses, sonhando nas últimas
chuvas,
as casas encontram seu inocente jeito
de durar contra
a boca subtil, rodeada em cima pela
treva das palavras.
Perceber a poesia de um poeta é, pelo menos idealmente, capturar as operações que ele executa sobre o sentido comum. Nos maus poetas, isso é relativamente fácil. Elas estão, por assim dizer, à vista. Por isso, a imitação faz-se sem problemas. Nos grandes poetas, ela tende para o impossível, ou então é insuportavelmente trôpega. Um caso paradigmático é Emily Dickinson. Não há andaimes que nos ajudem a perceber como aquilo se faz, ou se os há eles são apenas aparentes, pertencendo realmente à forma interna daquela poesia, e o trambolhão é fatal. Essa impossibilidade de imitar valiosamente aquilo que mais apeteceria imitar é quase um sinal indubitável da soberana realidade de uma poesia. Caem-nos os braços. “Como é possível fazer isto?” Há muitos bons poemas escritos em português depois de Pessoa. Há um de que me lembrarei sempre, “O ciclópico acto”, de Luiza Neto Jorge, o maior poema erótico (se é que a expressão faz sentido) da poesia portuguesa da segunda metade do século XX: Inicia-se, portanto, o cicló- pico acto. Mas há, obviamente, vária outra muito boa poesia. O’Neill vem logo ao espírito. O que faz a singularidade de Herberto Helder é o ele ter praticamente publicado só grande poesia. O que isso revela sobre o seu acerto crítico, resultado sem dúvida do profundo conhecimento que ele tinha das operações poéticas que tinha inventado, é enorme. Não há um só poema dele que nos permita uma ocasional distracção. Nisso só houve, no século XX português, alguém de comparável: Pessoa, é claro. Também a poesia de Pessoa é inteiramente construida por operações sobre o sentido primeiro das palavras, que as transformam e as tornam num objecto de contemplação novo e inesperado. Logo desde as primeiras linhas da Ode à noite, por exemplo, a palavra “noite” já não é a noite do sentido comum. Pessoa, é claro, através dos heterónimos, produziu diferentes tipos de transformações: as de Caeiro não são as de Campos, nem as de Campos as de Ricardo Reis, ou estas as do próprio Pessoa. E também Pessoa, como Herberto Helder, era dotado de um juízo crítico perfeitamente acertado sobre o valor daquilo que escrevia. Prova-o o que publicou em vida. Numa coisa, é certo, Herberto Helder terá mais sorte do que Pessoa. Não verá a sua obra ganhar maior celebridade através de algo menor, como aconteceu a Pessoa com o Livro do desassossego, de Bernardo Soares, que é quase um epígono que Pessoa ele próprio criou para si mesmo (o exacto contrário, portanto, de um heterónimo). Dado o gosto generalizado pelo epigonal, não admira o sucesso obtido junto do público, à cata de consolos poéticos em prosa que o façam sentir-se inteligente. A Herberto Helder, queira Deus, isso nunca acontecerá.

sexta-feira, março 27, 2015

sem esforço

Nunca vi melhor trabalho de 'gatas'...

quinta-feira, março 26, 2015

o desconcerto do mundo



Transcrevo a crónica 'Fraco consolo' da Revista do Expresso desta semana, intitulada «Desconcerto do mundo», da autoria de Pedro Mexia.

PERCEBI QUE NÃO HAVIA OUTRO TEMA E PORVENTURA OUTRO POETA NA NOSSA LÍNGUA, OUTRO QUE CONTASSE TANTO, E CONTASSE TUDO

«Lembro-me de ter estudado Camões, como toda a gente, “o épico e o lírico”, e gostei daquele portuguesismo interrogativo e inquieto, mais do que do esplendor de Portugal, que, confesso, nunca me tocou; mas muito mais vezes citava o poeta “neopetrarquista”, como classificavam os manuais, à época eu entendia sobretudo esse amor idealizante, depois vi claramente o Camões sensual e experimentado, tumultuoso, caótico até, com musas várias, de grandes e pequenos instintos, meninas e mulheres que aparecerem e desaparecem e que é preciso defender como um manuscrito, daqueles que salvamos a nado. Eu sou devedor em tudo ao soneto que começa “um mover de olhos, brando e piedoso”, não naquilo que escrevo, bem entendido, mas na minha vida, facto que tem sido notado, com insistente escárnio. Mais tarde, cheguei aos poemas ditos “do desconcerto do mundo”. Quando os encontrei, era demasiado novo, conhecia alguns desconcertos, mas nunca me lembraria desse termo filosofante, que nem compreendia bem; e não saberia chamar à minha pequena vida ‘o mundo’ ou sequer parte do mundo, antes um istmo ou arquipélago, coisa contígua ao mundo, mas dele nunca fazendo parte por inteiro, maleita da qual nunca me livrei, o que tem sido notado, com escárnio insistente. Quando se me foi chegando a idade de meio caminho, esta de agora, mas à qual aportei antecipadamente, demasiado cedo, percebi que não havia outro tema e porventura outro poeta na nossa língua, outro que contasse tanto, e contasse tudo. Porque todos os nomes que ia dando à minha experiência negativa do mundo eram insuficientes. Havia frustração, desalento, incompreensão, incompletude, desânimo, desconformidade, mas soavam a queixumes, e queixumes meus, respeitantes a um ‘eu’ que era o meu e que, por esse facto, dificilmente interessavam a mais alguém, excepto a quatro ou cinco pessoas que por sangue ou afecto se importam. “Desconcerto”, pelo contrário, não era um termo psicologista nem sentimental. Desconcerto não era uma característica minha, ou de Camões, ou de quem fosse, mas um atributo do mundo. Era um estado em que o próprio mundo se encontrava, e que nós, ao considerá-lo, apenas verificávamos: um mundo confuso, absurdo, sem sentido, desacertado, desordenado, desvairado, dissonante, transtornado. Nem nos momentos mais felizes, fugazes ou não, acreditei que ‘o mundo’ fosse outra coisa que não isso. E isto tem, inevitavelmente, uma dimensão moral. Cito ‘Esparsa ao desconcerto do mundo’: “Os bons vi sempre passar/ no mundo graves tormentos;/ e, para mais m’espantar,/ os maus vi sempre nadar/ em mar de contentamentos”. Talvez nem todos os maus, ou aqueles que por facilidade assim considero, nadem num mar de contentamento; mas todas as pessoas que considerei até hoje verdadeiramente boas passaram graves tormentos, muitos dos quais devido à sua bondade, que eu defino de forma falível e discutível, mas veemente. Quando há dias me perguntaram: “De que vale a pena ser bom?”, não soube responder, ou não quis, porque daria uma resposta ética, desligada do sofrimento. E a ética pode destruir a esperança dos esperançosos. Até porque, mais tarde do que outros talvez, mas não com menos impiedade, também eu fui quebrado pelo desconcerto, por esse choque com o mundo que faz de nós pessoas más, porque ser bom nos deixa desarmados, nos atira aos leões. E aos poucos, e depois de súbito, aconteceu-me o mesmo que ao sujeito poético da ‘Esparsa’: “Cuidando alcançar assim/ o bem tão mal ordenado,/ fui mau, mas fui castigado:/ Assi que, só para mim/ anda o mundo concertado»
pedromexia@gmail.com Pedro Mexia escreve de acordo com a antiga ortografia

segunda-feira, março 23, 2015

a ponte sobre o tejo

Um documentário histórico. Atravessei a ponte neste dia e regressei a Lisboa.


sábado, março 21, 2015

breve explicação do alzheimer

O saber não ocupa lugar, mas o Alzheimer vai ocupando todo o espaço...


quinta-feira, março 19, 2015

há jogar e jogar

Como eu gostava de ter jogado assim! Será que posso dizer que alguma vez joguei ou só brinquei?


isso, é que não

Para memória futura...



PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!...
 
(glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado “Poeta Castrado, Não!”)
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
cabeçudo, dromedário,
fantoche de eleição,
parvónio, salafrário,
mestre-escola aldrabão,
oportunista, falsário
malabarista, cabrão.
Chamem-lhe o que quiserem:
Presidente da República, não!...
Os que sabem, como ele,
as linhas com que se cose
vêem o interesse dele
em manter a sua pose:
egoísta, trambiqueiro
distorce a realidade,
ao escrever cada “Roteiro”,
para ter visibilidade!...
Os que sabem, como ele,
governar-se e encher a pança
aceitam que seja dele
tanta sede de vingança:
Político vingativo
e que, disso, não se cansa,
não quer saber do aflitivo
caos da actual governança!...
O tipo não faz história.
- Sua morte lenta é fatal!...
Irá ficar na memória
como um mesquinho banal!...
O seu fim poderá ser
uma penosa agonia!...
O Povo irá fazer
dele escárnio, em cada dia!...
Vai acabar por morrer,
ao parir a ninharia
só descrita, a bem dizer,
nos “Roteiros” da fantasia!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Chamem-no até p’lo nome,
Cavaco, sem coração,
ao ver que se passa fome
e nada faz p’la Nação!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Demagogo, mau profeta,
falso professor, ladrão,
um narcisista pateta,
quando calado ou não.
Será tudo o que disserem!...
 
PRESIDENTE DA REPÚBLICA É QUE NÃO!...
17/03/2015

terça-feira, março 17, 2015

sexta-feira, março 13, 2015

falando de res publica

Há muito tempo que não ouvia um discurso tão bem estruturado. Gloria Alvarez, sabe pensar e sabe o que diz e como dizê-lo. Inimiga do populismo, partidária da República, espero que siga no bom caminho e não caia nunca no populismo que combate, mas para onde com as suas qualidades pode um dia ser empurrada.


quinta-feira, março 12, 2015

da perfeição

Um pesado fardo. De quê? Cada um que responda.


já falta pouco tempo

Se não assistiu em directo, pode ver agora e tirar as suas conclusões.

sábado, março 07, 2015

a importância da música

Prestem atenção ao que os investigadores já confirmaram, sobre a importância da música no nosso cérebro, não só ouvindo-a, mas sobretudo tocando-a. Quem tem filhos jovens preste particular atenção.


quinta-feira, março 05, 2015

a carmen da crise

Uma Carmen para os tempos que correm...-


quarta-feira, março 04, 2015

macaco sacanita

Quando o gozo é superior ao risco...



domingo, março 01, 2015

o milagre dos pães...

O milagre dos pães em versão oriental. Vídeo de má qualidade, mas de alta magia.


sábado, fevereiro 28, 2015

o baile do poder

Um bocado manhoso, mas mesmo assim aqui o deixo. Precisamos de rir e de mudar.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

nós somos tão pequenos...

Sem comentários. Para ver e pensar.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

uma lição de riccardo muti

Dá gosto ver a inteligência a funcionar, sobretudo quando quem a tem é um ser vertical que levanta a sua voz quando pensa ser preciso esclarecer. Veja-se também a atitude tomada contra Berlusconi, com toda a sala cantando Nessuno dorma.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

mорская песня

É bom ouvir suas vozes russas (Richard Gere. Pelagia e Elmira Kalimullina) cantarem em português a Canção do mar. Foi bom recordar Amália e Dulce Pontes. Canção do Mar" tem letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi cantada por Amália Rodrigues em 1955, sob o título Solidão, no filme Os Amantes do Tejo. Dulce Pontes gravou uma versão da música no seu álbum Lágrimas, de 1993, tornando-se a mais conhecida versão, sendo incluída nas banda sonora do filme americano A Raiz do Medo (Primal Fear), a pedido de seu ator principal.

domingo, fevereiro 22, 2015

festival letão

Dá gosto ver que 15000 pessoas se juntam para cantar e dançar (suponho que na festa das colheitas), como se mostra neste vídeo. Lembre-se que a Letónia é mais conhecida, no campo cultural, pelos intérpretes e compositores de música erudita, como é o caso de Gidon Kremer e vários cantores de ópera, para além dos seus coros, premiados internacionalmente. As Latvju Dainas, canções populares, compiladas por Krišjānis Barons e Smits já no século XX, são também motivo de orgulho nacional (informação recolhida na Wikipédia).


sábado, fevereiro 21, 2015

cantilena para os pastorinhos

A obra que o compositor estónio Arvo Pärt dedicou aos pastorinhos de Fátima, "Drei Hirtenkinder aus Fátima", teve este sábado a sua estreia nacional na sé patriarcal de Lisboa, com execução do Coro Anonymus, dirigido por Rui Paulo Teixeira. "Drei Hirtenkinder aus Fátima", estreou mundialmente a 27 de agosto de 2014, em Basileia, pelo agrupamento vocal "Vox Clamantis", sinaliza a identidade cristã «que apela a uma visão do mundo na perspetiva dos mais frágeis.. .Nesta «miniatura coral» para coro misto "a cappella" as crianças não falam «línguas rituais e eclesiásticas», mas um idioma vernáculo, o alemão, como «uma língua "materna". «Encontramos alguns traços do idioma musical de Arvo Pärt: as estruturas de continuidade a partir de pedais ou de "istinati" (qual "axis mundi"); as permutações num campo harmónico estável (com a transparência própria da linguagem mística); a simplicidade flutuante da cantilena (como um gesto vocal que se enraíza nos sulcos de uma tradição). No final, a obra extingue-se, sem aparato ou convenções que forcem o aplauso», explica Alfredo Teixeira.

 

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

os donos de portugal

Sem comentários. O vídeo é longo e está tudo lá. Uma visita à memória.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

preservar a história

Parabéns a quem teve a feliz ideia de realizar esta jóia.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

a 'seriedade' dos que se julgam donos...

Vejam o verdadeiro lado da moeda... Alguma vez eles no deram alguma coisa? Já pagaram as dívidas das guerras, completamente?

carnaval em veneza - máscaras

Sem comentários. Vejam e apreciem.

domingo, fevereiro 15, 2015

Os canais de TV devem ficar atentos

Parece impossível que uma criança como esta, possa apresentar um espectáculo da sua Escola de música, com tal grau de respeito por marcações e entradas. E não se trata apenas de overdose de treino ou treino escravo...

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

furando a neve

É bonito de se ver, mas gostavas de viver nestas terrar?

teatro negro

Agora, concorrendo ao Britain's Got Talent.

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

quando o impensável se realiza

Na Suíça, o prédio de uma fábrica em Zurique, que vinha sendo ameaçado de demolição desde 2010 para dar espaço a linhas ferroviárias, foi deslocado 60 metros para o lado com a ajuda de pistas de rolamento. A façanha da engenharia suíça para evitar a demolição do prédio de 6.200 toneladas durou dois dias e custou US$ 12,7 milhões. Antes disso, os engenheiros levaram um ano para soltar toda a estrutura do prédio da fundação.
 
 News)

terça-feira, fevereiro 10, 2015

um momendo que faz pensar

Chamo particular atenção para este vídeo que vos deixo. Não é só a beleza intemporal da música, nem a qualidade da voz ou a manifesta dignidade de quem canta, mas o facto, o local, o tempo, o comportamento de quem passa e de quem escuta, tão pouco os gestos dos que mesmo passando deixam o seu contributo no ''chapeau'' de quem o estendeu, mas, sobretudo, a imagem do chapéu e do que ele significa e nos faz pensar e as imagens duradouras e inesquecíveis daquela criança atenta, maravilhada, agarrada pela música, pela voz, pelo inesperado, sabemos lá o quê...

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

a magia em concentrado

Se já viram, vejam outra vez- É rápido e deixa-nos incrédulos. Aproxima-se muito do que entendemos por magia...

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

parece verdadeiro

Tenho dúvidas sobre publicar ou não este magnífico vídeo. Não sendo novo para mim, duvido que o não tenha publicado quando vi pela primeira vez. Tendo dificuldade em esclarecer esta dúvida, opte por correr o risco de o repetir. Tenho a certeza de que ninguém se arrependerá de o tornar a ver ...

sexta-feira, janeiro 30, 2015

o fado chegou à dança

O Fado vai ganhando mundo. Chegou à patinagem artística e mostrou-se como é - envolvente e interior, emocionante. Interpretado pelo par Drobiazko-Vanagas, na Gala 2014, em Oberstdorf.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

quem fala assim

O chumbo nas provas de avaliação...

quarta-feira, janeiro 28, 2015

a ave maria que sempre nos toca

Daniela de Santos e uma Ave Maria em flauta, com uma sonoridade que invade o coração, para ficar. Não se resiste, por mais duro que se faça.

terça-feira, janeiro 27, 2015

a fauna de lisboa

Transcrevo do site da Câmara Municipal de Lisboa (porque são aqueles que o podem dizer com mais propriedade e conhecimento) -
O Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (LxCRAS), é um equipamento vocacionado para a recolha, tratamento e libertação de animais pertencentes à fauna autóctone portuguesa. O seu objectivo principal é a recuperação de animais silvestres feridos ou debilitados, com vista à sua devolução ao meio natural (libertação), numa perspectiva de preservação e conservação da fauna espontânea. Além desta actividade, promove também acções de divulgação e sensibilização junto do público, como visitas guiadas, acções de libertação e programas de voluntariado. Em funcionamento desde Outubro de 1997, o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa foi criado na zona vedada do Centro de Interpretação de Monsanto como forma de colmatar a falta deste tipo de centros na Área Metropolitana de Lisboa e integra uma rede nacional de centros de recuperação, cuja regulamentação é definida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
 
 

sexta-feira, janeiro 23, 2015

pão nosso

Mais um interessante sketch do grupo Porta dos Fundos.


quarta-feira, janeiro 21, 2015

o que é vivo sempre aparece

Mais uma novela a desenvolver-se. Atenção aos próximos capítulos.

terça-feira, janeiro 20, 2015

o poder de um só voo

Vejam só o que já se pode transportar pelo ar. E não se mostra o maior dos aviões. Apenas o segundo maior. Fico orgulhoso por a carga transportada ser fabricada em Portugal.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

mágica creativa

Está tudo à vista. Não sabemos é aonde... Mas Ma Yan Yan, sabe.


domingo, janeiro 18, 2015

o autista prodígio

Felizmente que continuamos sempre com a possibilidade de sermos surpreendidos e quando isso sucede numa vertente positiva, ficamos com razões para embandeirar em arco. É o caso que se passa no vídeo que vos deixo e vos vai mostrar algo que vos surpreenderá. Não carece de explicações. Tem as suficientes.

sexta-feira, janeiro 16, 2015

o natal em rap

O Natal de 2014 e o Ano Novo de 2015, são datas para esquecer, pois por maior espírito natalício que se tenha é difícil senti-lo e vivê-lo quando a nossa mulher se encontra internada num hospital. Nunca aqui referiria este facto, que é do foro privado, não tivesse necessidade de justificar a publicação do vídeo que hoje vos deixo, inteiramente ligado ao Natal. Mas se é verdade que já passou, não é menos verdade que o Natal é todos os dias ou deveria ser.  Este que vos deixo é bem diferente do habitual e merece ser ouvido.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

o que mais vamos ouvit?

Uma verdadeira pérola, esta conversa em família. Tios...

segunda-feira, janeiro 12, 2015

a verdadeira reinserção laboral

Era ministro e ficou desempregado? Não se preocupe. Nós pensamos em si. Recorra à nossa ajuda energética...


sexta-feira, janeiro 09, 2015

o íncola de belém



Estive para não publicar este artigo de Domingos Lopes, não porque não tivesse qualidade, mas porque fala sobre quem não merece que se gastem palavras e, muito menos, tempo. Contudo, não resisti a publicá-lo, porque é o primeiro que o chama por um nome que ainda ninguém usou...
 
O íncola (morador, habitante) de Belém
Domingos Lopes, advogado 
 
Disse, na mensagem de Ano Novo, que vêm aí as eleições, mas tudo deve ficar na mesma. Para que servem as eleições? Doutorou-se em Economia Pública. O que dele se sabia até ao 25 de Abril não passava das paredes de sua casa. Há fotografias dele na tropa. Singrou no PSD. A sua pulsão pela política pura e dura tornou-se tão incontida que no Congresso do PSD na Figueira da Foz maquinou a teia que impediu a chegada ao leme do partido de João Salgueiro, hoje banqueiro, como é tradição e convém aos do arco da governação. Logrou encarrapitar-se no poleiro mais alto do partido durante uma década, tal era a sua ambição política... Depois de ter o partido na mão, era e não era do PSD. Foi enquanto o ajudou a tecer o sonho de viver da política, desde que fosse no topo da pirâmide. Criou uma corte de sacristãos de caruncho por dentro e reluzentes por fora, quase todos, hoje, a contas com a justiça que os vai deixando girar com as suas condecorações ao peito. O chefe deixou-os a todos sem uma palavra que se ouvisse. Já não lhe serviam. Gabava-se que não lia jornais, nem errava, nem tinha dúvidas. E assim governou durante quase dez anos. Provinciano, inculto, quis fazer crer aos portugueses que era o timoneiro do capitalismo popular. Criou o mito que podíamos viver com o que não se tinha e sobretudo com o que havia de chegar da CEE. Era uma espécie de tio rico a esbanjar presentes. Deu grandes machadadas no tecido produtivo português. Mas que importava se prometia a festa e a riqueza… Ajudou a entregar o país à burguesia compradora, parasitária, a que vende o que importa. O PSD viu-o como pertencendo à estirpe dos homens providenciais. Dava ao partido a sua razão de ser: o poder. Estavam contentes um com o outro. As maiorias eleitorais davam-lhe essa consagração. Apresentava o ar de quem fazia um frete, mas não largava o cargo, quase dez anos; só quando os acontecimentos o levaram a deixar o PSD a fazer contas, zarpou depois do longo período do tabu. Sim, ele, modesto e humilde, tinha um tabu que alimentou meses e meses…para se despedir com ela fisgada. Passou a escrever, de vez em quando, o contrário do que fez, mas como só pensava no cargo, ei-lo a candidatar-se a PR. Com as manhas de politicão batido encostou-se ao PS, jurando-lhe cooperação estratégica, vezes sem conta, como aquele bem conhecido apóstolo da última ceia. Tinha em mente ver a estrada limpa para o seu trajeto. E cooperou com o PS de Sócrates. Largou-o quando já dele não precisava. Havia que voltar às origens e encostar ao PSD, o instrumento que lhe serviu de modo de vida, mais do que de convicção. Quando rebentou o escândalo do BPN por lá andou ao rés da escandaleira onde se cruzou com uns tantos amigos, discípulos e delfins. E fez bons negócios. Na campanha de 2011 de Belém declarou que era preciso alguém nascer duas vezes para ser mais honesto que ele. Dito isto de cima da sua magreza intelectual tudo ficou como estava e deixou a venda de acções do BPN encoberta naquela tirada bacoca. Rivaliza com Tomás, o marinheiro – “é preciso decidir com conhecimento de causa”, “Portugal tem à sua frente um longo percurso”… Verdadeiras pérolas. O homem parece o que não é. Sabe o que quer. É determinado. Vingativo. Tem o governo na mão. Para impedir uma mudança vai continuar obstinadamente a levá-lo ao colo. Um Presidente que não preside. Estafa-se a defender os credores e a pedir paciência aos portugueses. Disse, na mensagem de Ano Novo, que vêm aí as eleições, mas tudo deve ficar na mesma. Para que servem as eleições? Um homem carcomido pela ambição. Um político que se diz contra a política, mas o que mais tempo esteve no poder ao mais alto nível…
*Advogado 07/01/2015 - 05:33

quarta-feira, janeiro 07, 2015

o homem sem qualidade

Vídeo da RTP de 22 de Dezembro pp, no programa Barca do Inferno, nomeando as figuras do ano 2014.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

acreditar em si ou não ter juízo?

Um mundo de desafios, pessoais ou colectivos. Uns razoáveis, outros aparentemente desafiantes e nada mais que isso. Desafiantes até à possível morte que, aparentemente, se escapa a qualquer grau de segurança. O que pretendem provar? Será que eles sabem ou nem cuidarão em o saber. Este vídeo recente mostra·Thierry Delacour correndo riscos para a sua vida, num acto voluntário e libertário. Enfim, é este o mundo actual.
 

domingo, dezembro 21, 2014

um novo 'tordesilhas'

Palavras para quê? Não chega a imagem?


sexta-feira, dezembro 19, 2014

o que mais teremos que ouvir?

Os dois últimos anos têm sido difíceis de aguentar e cada vez é mais difícil ter esperança, quando já se tem idade de não acreditar no Pai Natal. De facto, necessitamos recuperar forças para suportarmos tudo que se vai passando e cada vez mais se vão passando coisas, que nunca esperámos ouvir ou ver. Que 2015 seja um ano de esperança.



condom - essencial wear

Uma curiosa maneira de o NHS chamar a atenção para a necessidade de usar preservativo. Caso não tenha decifrado, NHS são as letras iniciais do National Health Service britânico.


quinta-feira, dezembro 18, 2014

ambulância drone

Não precisa de comentários. Há que avaliar os resultados e estabelecer protocolos bem pensados.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

mitsuko uchida

O magnífico concerto para piano e orquestra de Mozart em d. menor, K 466, aqui dirigido e interpretado por Mitsuko Uchida. Filha de diplomata colocado na Áustria, deu vários recitais em Berlim e Londres e é Doutorada em Música, pela Universidade de Oxford. Tem actualmente 62 anos. Mas hoje pouco importa isso. A razão porque coloquei este post, foi levá-la àqueles que ainda a não conheçam. Ouçam o Mozart que ela vos transmite e depois disso, ouçam outra interpretações, como o Concerto para piano e orquestra n. º 3 de Beethoven e então sim - investiguem o seu curricula e o que mais vos interessar, embora eu pense que o mais importante é mesmo ouvi-la.


domingo, dezembro 14, 2014

lisboa em 1948

"Lisboa de Hoje e de Amanhã é um documentário português realizado, escrito e narrado por António Lopes Ribeiro, produzido pela Câmara Municipal de Lisboa, no ano de 1948. Consiste numa série de pequenas filmagens de algumas zonas da cidade, com a explicação das mesmas por Lopes Ribeiro e, música de fundo. Este documentário é uma análise da cidade de Lisboa, feita por António Lopes Ribeiro, de quatro perspectivas: habitação, circulação, trabalho e, espaços de lazer. São divididas por quatro partes, cada uma com 10 minutos de duração. Num Portugal indirectamente devastado pela Segunda Guerra Mundial, este filme apresenta aquilo que já pudera ser feito e, tudo o que estava planeado fazer para tornar Lisboa numa cidade pioneira ao nível dos quatro pilares referidos."

sábado, dezembro 13, 2014

recordando coimbra

Morreu Fernando Machado Soares (1930-2014), autor da Balada da Despedida que escreveu para o Curso Médico !952/58 e foi cantada pela primeira vez, no Teatro Avenida, na nossa Récita, pelo nosso colega de curso, Sutil Roque. Durante a nossa viagem de curso, coube-me a mim cantar a parte solo, ou porque tinha mais lata ou porque a voz dos outros ainda era pior que a minha. A Balada acompanhou-nos sempre - em Paris, em Berna, em Nápoles, em Veneza, naquela longas semanas de festejo europeu. Mas Fernando Machado Soares foi também um dos protagonistas naquela que eu considero a minha melhor noite de Coimbra, em que a noite se estendeu pela cidade e um grupo de nós subiu da Baixa à alta horas e horas acompanhados por um inesperado despique entre Machado Soares e Zeca Afonso, Cantando um e logo depois o outro, num combate para a maioria surpreendente, mas onde se adivinhava um eventual acerto de contas, com saias pelo meio. Inesquecível noite, essa. Hoje, já partidos os dois, recordei-me disso e passei longo tempo a ouvi-los, como ambos mereciam.
 
 

quinta-feira, dezembro 11, 2014

ordem unida

Desempenho levado a cabo por 72 estudantes (38 do sexo masculino e 34 do sexo feminino) de uma Universidade do Japão. A Universidade também serve para isto - fazer bem, seja o que for de que nos encarreguemos.

 

terça-feira, dezembro 09, 2014

não desespere

Como a globalização é um facto, não posso deixar de vos deixar este vídeo que pode ser útil a alguns menos conhecedores dos apoios sociais a que pode ter direito. O riso continua a ser o melhor remédio.



domingo, dezembro 07, 2014

a chegada do cante

O cante alentejano ocupa desde agora o lugar que merecia - património imaterial da humanidade. Parabéns àqueles que lho atribuíram e parabéns a quem merece tal distinção. Deixo aqui a sua chegada ao aeroporto de Lisboa, a convite da TAP.
 

sexta-feira, dezembro 05, 2014

a imortalidade vem aí

Esta comunicação TEDxParis de 6 de outubro de 2012, no Olympia de Paris, apesar de terem passado dois anos sobre ela, continua a ser um documento surpreendente, sobre um tema desejado por todos, mas no qual me custa a acreditar. Será que tudo se vai passar como Laurent Alexanre nos antecipa?. Este Cirurgião urologista é igualmente diplomado em Ciência Política. Inquieto e hiperactivo, pioneiro da internet, maratonista, é co-fundador nos anos 90, de Doctissimo.fr. e autor do ensaio «A morte da morte». Não deixem de ver. Acreditem ou não no futuro próximo que ele nos apresenta.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

dolorosa maravilha

Há muito tempo que ver e ouvir tocar piano, não me dava um prazer tão sofrido, como hoje. Eu escrevi - ver e ouvir. Se só ouvirmos, a música toca-nos e reconforta-nos. Mas, se a virmos, somos tomados pela emoção e por sentimentos desencontrados. Ver sair música magnífica dos dedos anquilosados de uma velha pedinte de rua, sem condições, só necessidades e que, mesmo assim, consegue transmitir-nos uma beleza tal, é doloroso e magnífico ao mesmo tempo. Quem, com aquela idade e aquelas deformadas mãos, toca daquela forma apurada e emotiva, só pode ter sido uma grande pianista. E, se assim foi, porque a vemos agora na rua, mendigando? Ou será que ela não é a pedinte, mas antes aquela que nos oferece generosamente um momento feliz nas nossas caóticas vidas?
 

segunda-feira, dezembro 01, 2014

uma voz para escutar

Não sei se o 25 de Abril foi realmente uma abstracção, como Maria José Morgado diz. Mas sei que ela deve ser ouvida com atenção. Não sei a data exacta desta entrevista, mas continua actual.

domingo, novembro 30, 2014

cem anos em dez minutos

Para recordar marcos históricos dos últimos 100 anos e tirar algumas dúvidas sobre a sequência dos acontecimentos.

sábado, novembro 29, 2014

papa francisco no parlamento europeu




Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Vice-Presidentes,
Ilustres Eurodeputados,
Pessoas que a vário título trabalhais neste hemiciclo,
Queridos amigos!

Agradeço-vos o convite para falar perante esta instituição fundamental da vida da União Europeia e a oportunidade que me proporcionais de me dirigir, por vosso intermédio, a mais de quinhentos milhões de cidadãos por vós representados nos vinte e oito Estados membros. Desejo exprimir a minha gratidão de modo particular a Vossa Excelência, Senhor Presidente do Parlamento, pelas cordiais palavras de boas-vindas que me dirigiu em nome de todos os componentes da Assembleia. A minha visita tem lugar passado mais de um quarto de século da realizada pelo Papa João Paulo II. Desde aqueles dias, muita coisa mudou na Europa e no mundo inteiro. Já não existem os blocos contrapostos que, então, dividiam em dois o Continente e, lentamente, está a realizar-se o desejo de que «a Europa, ao dotar-se soberanamente de instituições livres, possa um dia desenvolver-se em dimensões que lhe foram dadas pela geografia e, mais ainda, pela história»[1].
A par duma União Europeia mais ampla, há também um mundo mais complexo e em intensa movimentação: um mundo cada vez mais interligado e global e, consequentemente, sempre menos «eurocêntrico». A uma União mais alargada, mais influente, parece contrapor-se a imagem duma Europa um pouco envelhecida e empachada, que tende a sentir-se menos protagonista num contexto que frequentemente a olha com indiferença, desconfiança e, por vezes, com suspeita. Hoje, falando-vos a partir da minha vocação de pastor, desejo dirigir a todos os cidadãos europeus uma mensagem de esperança e encorajamento. Uma mensagem de esperança assente na confiança de que as dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com o mundo inteiro– está a atravessar. Esperança no Senhor que transforma o mal em bem e a morte em vida. Encorajamento a voltar à firme convicção dos Pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro assente na capacidade de trabalhar juntos para superar as divisões e promover a paz e a comunhão entre todos os povos do Continente. No centro deste ambicioso projecto político, estava a confiança no homem, não tanto como cidadão ou como sujeito económico, mas no homem como pessoa dotada de uma dignidade transcendente. Sinto obrigação, antes de mais nada, de sublinhar a ligação estreita que existe entre estas duas palavras: «dignidade» e «transcendente». «Dignidade» é a palavra-chave que caracterizou a recuperação após a Segunda Guerra Mundial. A nossa história recente caracteriza-se pela inegável centralidade da promoção da dignidade humana contra as múltiplas violências e discriminações que não faltaram, ao longo dos séculos, nem mesmo na Europa. A percepção da importância dos direitos humanos nasce precisamente como resultado de um longo caminho, feito também de muitos sofrimentos e sacrifícios, que contribuiu para formar a consciência da preciosidade, unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa humana. Esta tomada de consciência cultural tem o seu fundamento não só nos acontecimentos da história, mas sobretudo no pensamento europeu, caracterizado por um rico encontro cujas numerosas e distantes fontes provêm «da Grécia e de Roma, de substratos celtas, germânicos e eslavos, e do cristianismo que os plasmou profundamente»[2], dando origem precisamente ao conceito de «pessoa». Hoje, a promoção dos direitos humanos ocupa um papel central no empenho da União Europeia que visa promover a dignidade da pessoa, tanto no âmbito interno como nas relações com os outros países. Trata-se de um compromisso importante e admirável, porque persistem ainda muitas situações onde os seres humanos são tratados como objectos, dos quais se pode programar a concepção, a configuração e a utilidade, podendo depois ser jogados fora quando já não servem porque se tornaram frágeis, doentes ou velhos. Realmente que dignidade existe quando falta a possibilidade de exprimir livremente o pensamento próprio ou professar sem coerção a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um quadro jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade poderáter um homem ou uma mulher tornados objecto de todo o género de discriminação? Que dignidade poderá encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver e, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade? Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e, muito menos, para benefício de interesses económicos. É preciso, porém, ter cuidado para não cair em alguns equívocos que podem surgir de um errado conceito de direitos humanos e de um abuso paradoxal dos mesmos. De facto, há hoje a tendência para uma reivindicação crescente de direitos individuais, que esconde uma concepção de pessoa humana separada de todo o contexto social e antropológico, quase como uma «mónada» (μονάς) cada vez mais insensível às outras «mónadas» ao seu redor. Ao conceito de direito já não se associa o conceito igualmente essencial e complementar de dever, acabando por afirmar-se os direitos do indivíduo sem ter em conta que cada ser humano está unido a um contexto social, onde os seus direitos e deveres estão ligados aos dos outros e ao bem comum da própria sociedade. Por isso, considero que seja mais vital hoje do que nunca aprofundar uma cultura dos direitos humanos que possa sapientemente ligar a dimensão individual, ou melhor pessoal, à do bem comum, àquele «nós-todos» formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social[3]. Na realidade, se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar-se fonte de conflitos e violências. Assim, falar da dignidade transcendente do homem significa apelar para a sua natureza, a sua capacidade inata de distinguir o bem do mal, para aquela «bússola» inscrita nos nossos corações e que Deus imprimiu no universo criado[4]; sobretudo significa olhar para o homem, não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças que, hoje, vejo mais difusa na Europa é a solidão, típica de quem está privado de vínculos. Vemo-la particularmente nos idosos, muitas vezes abandonados à sua sorte, bem como nos jovens privados de pontos de referência e de oportunidades para o futuro; vemo-la nos numerosos pobres que povoam as nossas cidades; vemo-la no olhar perdido dos imigrantes que vieram para cá à procura de um futuro melhor. Uma tal solidão foi, depois, agravada pela crise económica, cujos efeitos persistem ainda com consequências dramáticas do ponto de vista social. Pode-se também constatar que, no decurso dos últimos anos, a par do processo de alargamento da União Europeia, tem vindo a crescer a desconfiança dos cidadãos relativamente às instituições consideradas distantes, ocupadas a estabelecer regras vistas como distantes da sensibilidade dos diversos povos, se não mesmo prejudiciais. De vários lados se colhe uma impressão geral de cansaço e envelhecimento, de uma Europa avó que já não é fecunda nem vivaz. Daí que os grandes ideais que inspiraram a Europa pareçam ter perdido a sua força de atracção, em favor do tecnicismo burocrático das suas instituições. A isto vêm juntar-se alguns estilos de vida um pouco egoístas, caracterizados por uma opulência actualmente insustentável e muitas vezes indiferente ao mundo circundante, sobretudo dos mais pobres. No centro do debate político, constata-se lamentavelmente a preponderância das questões técnicas e económicas em detrimento de uma autêntica orientação antropológica[5]. O ser humano corre o risco de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, de modo que a vida – como vemos, infelizmente, com muita frequência –, quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer. É o grande equívoco que se verifica «quando prevalece a absolutização da técnica»[6], acabando por gerar «uma confusão entre fins e meios»[7],que é o resultado inevitável da «cultura do descarte» e do «consumismo exacerbado». Pelo contrário, afirmar a dignidade da pessoa significa reconhecer a preciosidade da vida humana, que nos é dada gratuitamente não podendo, por conseguinte, ser objecto de troca ou de comércio. Na vossa vocação de parlamentares, sois chamados também a uma grande missão, ainda que possa parecer não lucrativa: cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas. Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade no meio dum modelo funcionalista e individualista que conduz inexoravelmente à «cultura do descarte». Cuidar da fragilidade das pessoas e dos povos significa guardara memória e a esperança; significa assumir o presente na sua situação mais marginal e angustiante e ser capaz de ungi-lo de dignidade[8]. Mas, então, como fazer para se devolver esperança ao futuro, de modo que, a partir das jovens gerações, se reencontre a confiança para perseguir o grande ideal de uma Europa unida e em paz, criativa e empreendedora, respeitadora dos direitos e consciente dos próprios deveres? Para responder a esta pergunta, permiti-me lançar mão de uma imagem. Um dos mais famosos afrescos de Rafael que se encontram no Vaticano representa a chamada Escola de Atenas. No centro, estão Platão e Aristóteles. O primeiro com o dedo apontando para o alto, para o mundo das ideias, poderíamos dizer para o céu; o segundo estende a mão para a frente, para o espectador, para a terra, a realidade concreta. Parece-me uma imagem que descreve bem a Europa e a sua história, feita de encontro permanente entre céu e terra, onde o céu indica a abertura ao transcendente, a Deus, que desde sempre caracterizou o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas. O futuro da Europa depende da redescoberta do nexo vital e inseparável entre estes dois elementos. Uma Europa que já não seja capaz de se abrir à dimensão transcendente da vida é uma Europa que lentamente corre o risco deperder a sua própria alma e também aquele «espírito humanista» que naturalmente ama e defende. É precisamente a partir da necessidade de uma abertura ao transcendente que pretendo afirmar a centralidade da pessoa humana; caso contrário, fica à mercê das modas e dos poderes do momento. Neste sentido, considero fundamental não apenas o património que o cristianismo deixou no passado para a formação sociocultural do Continente, mas também e sobretudo a contribuição que pretende dar hoje e no futuro para o seu crescimento. Esta contribuição não constitui um perigo para a laicidade dos Estados e para a independência das instituições da União, mas um enriquecimento. Assim no-lo indicam os ideais que a formaram desde o início, tais como a paz, a subsidiariedade e a solidariedade mútua, um humanismo centrado no respeito pela dignidade da pessoa. Por isso, desejo renovar a disponibilidade da Santa Sé e da Igreja Católica, através da Comissão das Conferências Episcopais da Europa (COMECE), a manter um diálogo profícuo, aberto e transparente com as instituições da União Europeia. De igual modo, estou convencido de que uma Europa que seja capaz de conservar as suas raízes religiosas, sabendo apreender a sua riqueza e potencialidades, pode mais facilmente também permanecer imune a tantos extremismos que campeiam no mundo actual – o que se fica a dever também ao grande vazio de ideais a que assistimos no chamado Ocidente –, pois «o que gera a violência não é a glorificação de Deus, mas o seu esquecimento»[9]. Não podemos deixar de recordar aqui as numerosas injustiças e perseguições que se abatem diariamente sobre as minorias religiosas, especialmente cristãs, em várias partes do mundo. Comunidades e pessoas estão a ser objecto de bárbaras violências: expulsas de suas casas e pátrias; vendidas como escravas; mortas, decapitadas, crucificadas e queimadas vivas, sob o silêncio vergonhoso e cúmplice de muitos. O lema da União Europeia é Unidade na diversidade, mas a unidade não significa uniformidade política, económica, cultural ou de pensamento. Na realidade, toda a unidade autêntica vive da riqueza das diversidades que a compõem: como uma família, que é tanto mais unida quanto mais cada um dos seus componentes pode ser ele próprio profundamente e sem medo. Neste sentido, considero que a Europa seja uma família de povos, os quais poderão sentir próximas as instituições da União se estas souberem conjugar sapientemente o ideal da unidade, por que se anseia, com a diversidade própria de cada um, valorizando as tradições individuais; tomando consciência da sua história e das suas raízes; libertando-se de tantas manipulações e fobias. Colocar no centro a pessoa humana significa, antes de mais nada, deixar que a mesma exprima livremente o próprio rosto e a própria criatividade tanto de indivíduo como de povo. Por outro lado, as peculiaridades de cada um constituem uma autêntica riqueza na medida em que são colocadas ao serviço de todos. É preciso ter sempre em mente a arquitectura própria da União Europeia, assente sobre os princípios de solidariedade e subsidiariedade, de tal modo que prevaleça a ajuda recíproca e seja possível caminhar animados por mútua confiança. Nesta dinâmica de unidade-particularidade, coloca-se também diante de vós, Senhores e Senhoras Eurodeputados, a exigência de cuidardes de manter viva a democracia dos povos da Europa. Não escapa a ninguém que uma concepção homologante da globalidade afecta a vitalidade do sistema democrático, depauperando do que tem de fecundo e construtivo o rico contraste das organizações e dos partidos políticos entre si. Deste modo, corre-se o risco de viver no reino da ideia, da mera palavra, da imagem, do sofisma… acabando por confundir a realidade da democracia com um novo nominalismo político. Manter viva a democracia na Europa exige que se evitem muitas «maneiras globalizantes» de diluir a realidade: os purismos angélicos, os totalitarismos do relativo, os fundamentalismos a-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria[10]. Manter viva a realidade das democracias é um desafio deste momento histórico, evitando que a sua força real –força política expressiva dos povos–seja removida face à pressão de interesses multinacionais não universais, que as enfraquecem e transformam em sistemas uniformizadores de poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos. Este é um desafio que hoje vos coloca a história. Dar esperança à Europa não significa apenas reconhecer a centralidade da pessoa humana, mas implica também promover os seus dotes. Trata-se, portanto, de investir nela e nos âmbitos onde os seus talentos são formados e dão fruto. O primeiro âmbito é seguramente o da educação, a começar pela família, célula fundamental e elemento precioso de toda a sociedade. A família unida, fecunda e indissolúvel traz consigo os elementos fundamentais para dar esperança ao futuro. Sem uma tal solidez, acaba-se por construir sobre a areia, com graves consequências sociais. Aliás, sublinhar a importância da família não só ajuda a dar perspectivas e esperança às novas gerações, mas também a muitos idosos, frequentemente constrangidos a viver em condições de solidão e abandono, porque já não há o calor dum lar doméstico capaz de os acompanhar e apoiar. Ao lado da família, temos as instituições educativas: escolas e universidades. A educação não se pode limitar a fornecer um conjunto de conhecimentos técnicos, mas deve favorecer o processo mais complexo do crescimento da pessoa humana na sua totalidade. Os jovens de hoje pedem para ter uma formação adequada e completa, a fim de olharem o futuro com esperança e não com desilusão. Aliás são numerosas as potencialidades criativas da Europa em vários campos da pesquisa científica, alguns dos quais ainda não totalmente explorados. Basta pensar, por exemplo, nas fontes alternativas de energia, cujo desenvolvimento muito beneficiaria a defesa do meio ambiente. A Europa sempre esteve na vanguarda dum louvável empenho a favor da ecologia. De facto, esta nossa terra tem necessidade de cuidados e atenções contínuos e é responsabilidade de cada um preservar a criação, dom precioso que Deus colocou nas mãos dos homens. Isto significa, por um lado, que a natureza está à nossa disposição, podemos gozar e fazer bom uso dela; mas, por outro, significa que não somos os seus senhores. Guardiões, mas não senhores. Por isso, devemos amá-la e respeitá-la; mas, «ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação, da exploração; não a “guardamos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar»[11]. Mas, respeitar o ambiente não significa apenas limitar-se a evitar deturpá-lo, mas também utilizá-lo para o bem. Penso sobretudo no sector agrícola, chamado a dar apoio e alimento ao homem. Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares são descartadas diariamente das nossas mesas. Além disso, respeitar a natureza lembra-nos que o próprio homem é parte fundamental dela. Por isso, a par duma ecologia ambiental, é preciso a ecologia humana, feita daquele respeito pela pessoa que hoje vos pretendi recordar com as minhas palavras. O segundo âmbito em que florescem os talentos da pessoa humana é o trabalho. É tempo de promover as políticas de emprego, mas acima de tudo é necessário devolver dignidade ao trabalho, garantindo também condições adequadas para a sua realização. Isto implica, por um lado, encontrar novas maneiras para combinar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspectivas de emprego, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores; por outro, significa fomentar um contexto social adequado, que não vise explorar as pessoas, mas garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos. De igual forma, é necessário enfrentar juntos a questão migratória. Não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam deacolhimento e ajuda. A falta de um apoio mútuo no seio da União Europeia arrisca-se a incentivar soluções particularistas para o problema, que não têm em conta a dignidade humana dos migrantes, promovendo o trabalho servil e contínuas tensões sociais. A Europa será capaz de enfrentar as problemáticas relacionadas com a imigração, se souber propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes; se souber adoptar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos – a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos. É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos. Senhor Presidente, Excelências, Senhoras e Senhores Deputados! A consciência da própria identidade é necessária também para dialogar de forma propositiva com os Estados que se candidataram à adesão à União Europeia no futuro. Penso sobretudo nos Estados da área balcânica, para os quais a entrada na União Europeia poderá dar resposta ao ideal da paz numa região que tem sofrido enormemente por causa dos conflitos do passado. Por fim, a consciência da própria identidade é indispensável nas relações com os outros países vizinhos, particularmente os que assomam ao Mediterrâneo, muitos dos quais sofrem por causa de conflitos internos e pela pressão do fundamentalismo religioso e do terrorismo internacional. A vós, legisladores, compete a tarefa de preservar e fazer crescer a identidade europeia, para que os cidadãos reencontrem confiança nas instituições da União e no projecto de paz e amizade que é o seu fundamento. Sabendo que, «quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária»[12], exorto-vos a trabalhar para que a Europa redescubra a sua alma boa. Um autor anónimo do século II escreveu que «os cristãos são no mundo o que a alma é para o corpo»[13]. A tarefa da alma é sustentar o corpo, ser a sua consciência e memória histórica. E uma história bimilenária liga a Europa eo cristianismo. Uma história não livre de conflitos e erros, mas sempre animada pelo desejo de construir o bem. Vemo-lona beleza das nossas cidades e, mais ainda, na beleza das múltiplas obras de caridade e de construção comum que constelam o Continente. Esta história ainda está, em grande parte, por escrever. Ela é o nosso presente e também o nosso futuro. É a nossa identidade. E a Europa tem uma necessidade imensa de redescobrir o seu rosto para crescer, segundo o espírito dos seus Pais fundadores, na paz e na concórdia, já que ela mesma não está ainda isenta dos conflitos.
Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira,não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade! Obrigado!
 
[1]Discurso ao Parlamento Europeu(11 de Outubro de 1988), 5. [2]JOÃO PAULO II, Discurso à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (8 de Outubrode 1988), 2. [3]Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 7; CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 26. [4]Cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 37. [5]Cf. Carta ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 55. [6]BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 71. [7]Ibid., 71. [8]Cf. Carta ap. Evangelii gaudium, 209. [9]BENTO XVI, Discurso aos Membros do Corpo Diplomático (7 de Janeiro de 2013). [10]Cf.Carta enc. Evangelii gaudium, 231. [11]FRANCISCO, Audiência Geral (5 de Junho de 2013). [12]CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 34. [13]Carta a Diogneto, 6.

quarta-feira, novembro 26, 2014

moulin rouge 2014

Veja o espectáculo na primeira fila e à borla ...


terça-feira, novembro 25, 2014

o fado sentido

Apresento-vos hoje um novo fadista - António Pelarigo. O fado em estado natural. Sentido, vindo das raízes, do povo, arranhando a garfanta, docemente. Com letra de Rosa Lobato Faria e música de José Cid, o fado 'Quem me quiser'.

domingo, novembro 23, 2014

caravelas e naus

Quer saber como se construíam as caravelas e as naus? Não vai construi nenhuma, mas o saber é melhor do que a ignorância.