domingo, junho 14, 2015

pobres de espírito

 
 
Vale a pena ler. Mais uma vergonha para Portugal que nos passou despercebida, mas é importante saber. Ferreira Fernandes explica-nos.
 
A Expo 2015, em Milão, é dedicada às arrecadas de ouro de Viana do Castelo, ao cavaquinho e ao Licor Beirão. Já é surpreendente que o quase centenário Gabinete Internacional de Exposições tenha decidido fazer uma Exposição Universal com assuntos tão portugueses. Mas o mais extraordinário é que o apelo pelos valores lusos acabou por ser acolhido por 142 países. Dão-se conta? O pavilhão das Seychelles a mostrar renda de bilros, o da República Islâmica do Irão a distribuir cálices de ginjinha e no dia da Finlândia vai ouvir-se um lapão a cantar o fado... Grande Portugal, quanto das tuas coisas típicas é orgulho universal!Eu minto, mas só um pouco. O interesse da Expo 2015 não é pelas pequeninas coisas avulsas portuguesas. Não é por Belém (o pastel), é pelo fantástico que Belém (a Torre) significa na História Universal. A minha pequena mentira do primeiro parágrafo esconde a verdade grandiosa da Expo de Milão: ali se saúda (e é esse o seu lema) "a alimentação no mundo", isto é, as coisas de comer passeando por aí. E que é isso senão Portugal ? O daqui para ali da cana-de-açúcar e do abacateiro, a história do viajante amendoim, o milho turista, o cacaueiro que partiu e a pimenteira que chegou, a peregrina palmeira de dendém e o excursionista café... Não, não foi Portugal que os inventou, mas foi Portugal que os apresentou ao mundo.Porém, nesse lugar - Milão, hoje - onde o mundo glorifica a comida, Portugal não está presente. Não tem pavilhão, nem banca, nem um simples papelinho distribuído à entrada: "Olá, vocês não se lembram, mas já nos conhecemos. Foi Portugal que vos apresentou a/o [e aí o folheto diria o nome dum tubérculo, dum fruto, dum cereal]..." Aos brasileiros deu o café para conversar; à China e à Índia, a batata; e vindo dos Andes, o chili pepper, o jindungo que, passando pelo Brasil, deu sentido às sopas tailandesas e coreanas. Reparem, nem falo da paprica húngara - só reivindico as entregas diretas. A Budapeste, o picante só chegou depois de passar pela Turquia, trazido da Índia, onde, em Goa, os portugueses tinham metido o jindungo no vindaloo. Leiam alto e descubram a origem da palavra: "vinha-d"alho"... O vindaloo encontrei-o, também deturpado, em Trindade e Tobago e no Havai.
> Em 1972, o americano Alfred W. Crosby publicou The Columbian Exchange (A Troca Colombiana), sobre uma mudança-chave da história, quando o Velho Mundo se encontrou com as Américas. Nesses anos, 1492, com Colombo, e 1500, com Pedro Álvares Cabral, o planeta começou a ser pintado redondo. Global, como hoje se diz. No maravilhoso A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses, de 1992, José Mendes Ferrão explicou essa contribuição portuguesa. O mais comum prato angolano, o funje, é acompanhado por fuba de milho ou por fuba de mandioca. O milho e a mandioca vieram do Brasil. E não se espalharam só pelas antigas colónias portuguesas, são as duas farinhas mais comidas em toda a África. O molho desses pratos é feito com óleo de palma, do coconote, que foi levado pelos portugueses da Índia (Goa) e Sudeste da Ásia (Malaca) para África e Brasil. Quem come moqueca em Salvador da Bahia, saboreia Goa, sem que a agência portuguesa de viagens cobre taxas. No Nordeste brasileiro, chama canjica ao mingau de milho, ou munguzá, se for sem tempero e sal. Os nomes vêm do quimbundo angolano, kanjika e mukunza. Quer dizer, a viagem das plantas não foi feita calada, uniu povos, para lá do palato.
> A cana-de-açúcar tem origem na Índia e chegou a Pernambuco, o café é da Arábia e chegou a São Paulo. "E quem levou ?", perguntaria o folheto que devíamos levar a Milão, já que não temos pavilhão. Os portugueses conhecem o ananás desde 1500, do Brasil. Levaram-no para estações de aclimatação, para os Açores, para o tornar de outro mundo (como levaram o cacau para São Tomé). Durante décadas, o Havai foi o maior produtor de mundial de ananás, mas só o começou a produzir em 1886, oito anos após o Reino do Havai, graças a um acordo de emigração com Portugal, já ter camponeses de São Miguel, Açores...O pavilhão da Santa Sé, na Expo 2015, diz que a comida é também assunto de rituais e símbolos. Claro. E os portugueses foram apóstolos do valor sagrado do pão, espalharam-lhe a palavra e os sabores. O governo português diz que não temos pavilhão porque não temos dinheiro. É falso. Não estamos lá porque quem decidiu é pobre de espírito. Não merece Portugal."

Ferreira Fernandes, Redactor Principal do Diário de Notícias

sábado, junho 13, 2015

ah, mulheres d'um raio!

É possível que a ideia de se juntarem tenha nascido quando tomaram conhecimento do grupo Mozart. Tenha sido assim ou não, só temos que bater palmas e pedir-lhes que continuem.


sexta-feira, junho 12, 2015

o 1 de abril é todos os dias...

O 1.º de Abril é como o Natal - todos os dias. E rir ou chorar faz sempre bem.


quarta-feira, junho 10, 2015

dia de portugal

Natureza morta a preto e branco.


segunda-feira, junho 08, 2015

não pode haver melhor

Penso que em tempos passados publiquei um desempenho parecido deste par magnífico. Mesmo sabendo disso, não resisto a repetir o post porque esta versão ainda consegue ser mais apurada e a perfeição sabe sempre bem, mesmo que repetida. 


sábado, junho 06, 2015

as fantasias de hoje...

Tão simples que até um puto faz. Tão difícil que nasce logo com a pessoa.

quarta-feira, junho 03, 2015

a emoção do primeiro som

Vejam em tempo real a emoção dum surdo ao ouvir. A surpresa, o espanto, a alegria.


terça-feira, junho 02, 2015

dogdance...

Não imaginava que houvesse dogdance em Freestyle!!!Que mais haverá ou o que é que não haverá? Há sempre uma surpresa à nossa espera. Esta mostra-nos mais um cão inteligente e dedicado...


segunda-feira, junho 01, 2015

em defesa do dono

Não sou apreciador de touradas, mas esta ligação de montado a montador, parece-me pouco habitual. O touro também parecia tudo menos um touro.


sábado, maio 30, 2015

em prol da música

a música, os seus autores e os divulgadores. Música, maestro.

sexta-feira, maio 29, 2015

a dança das frigideiras

A assistência parece ter gostado...


quarta-feira, maio 27, 2015

o fim da crise...

Belíssimo cartoon. Exemplar.



segunda-feira, maio 25, 2015

a balada do meu curso

Comemorámos ontem o 57.º aniversário do nosso Curso Médico !852/58, no Hotel dos Templários em Tomar. A Balada do 6.º Ano Médico foi escrita e musicada por Machado Soares e cantada pela primeira vez pelo nosso colega Sutil Roque no Teatro Avenida, em Coimbra. Aqui fica, para lembrar.

quarta-feira, maio 20, 2015

domingo, maio 17, 2015

é sempre nova, a garota

Para refrescar a memória e lembrar Vinícius.


sexta-feira, maio 15, 2015

o pior emprego do mundo

O pior e ao mesmo tempo, o melhor emprego do mundo, é este.

terça-feira, maio 12, 2015

lopetequi

Não podia deixar de ser. Aqui está a nova opereta...


domingo, maio 10, 2015

o que me faz mais falta

Nem vocês sabem a falta que me faz!!!


Frei António das Chagas, de seu nome António da Fonseca Soares, também conhecido por Padre António da Fonseca, (Vidigueira, 25 de Junho de 1631 – Varatojo - Torres Vedras, 20 de Outubro de 1682) foi um frade franciscano e poeta português.

CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
 
Para dar minha conta feita a tempo,             
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!
 
 Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
 Quando o tempo chegar, de prestar conta
 Chorarão, como eu, o não ter tempo...
 
 
 
                        
 
 
 
 

sábado, maio 02, 2015

tenham juízo, senhores

Sem Comentários. Ou não me responsabilizo ...


 
 
Reflexão sobre a planeada destruição dos Hospitais de S. José, Sta. Marta e Sto. António dos Capuchos


É do desconhecimento geral que há um plano (iniciado em 2009) para o encerramento e posterior destruição de seis Hospitais de Lisboa ,englobados na designação de CHLC - Centro Hospitalar Lisboa Central, (S. José,  Sta. Marta, Sto. António dos Capuchos, Dona Estefânia,  Curry Cabral e Maternidade Alfredo da Costa). Esta destruição visa apenas justificar a necessidade da construção de um novo Hospital dentro da cidade de Lisboa, na zona oriental. Este Hospital tem sido designado por “Hospital de Todos os Santos”, No entanto, esta designação não poderá vir a ser usada, por existir já uma anterior patente do mesmo nome.

Em 2013, o Ministro da Saúde anunciou a anulação do ruinoso concurso de Parceria Público- Privada do novo Hospital de Todos os Santos (que já não pode vir a ter este nome) para substituir todos os Hospitais que constituem atualmente o CHLC . O Governo informou entretanto que vai rever o negócio deste novo Hospital, embora não exclua que o modelo de PPP venha de novo a ser escolhido.

Todo este processo, é bem revelador da forma como são geridos os bens públicos.

Passo a resumir a seguir o que se está a passar com três dos seis Hospitais do CHLC :  S.José,  Sta. Marta e Sto António dos Capuchos, apenas sob o ponto de vista medico. Muito haveria a dizer ainda sobre a destruição planeada do valioso património, tema que deixo para os especialistas.

1-      Há poucos anos, por meio de engenharia  financeira, a Estamo, empresa do Ministério das Finanças, “comprou” estes Hospitais ao Ministério da Saúde e encomendou discretamente, sem qualquer Concurso Público, os projetos para os terrenos  libertados após a destruição dos referidos Hospitais. Também não foi dado a conhecer qual o financiamento, no entanto avançou-se já com  projetos e maquetas .

 

2-      Em julho de 2013,o  representante da Estamo, o arquitecto representante da Câmara Municipal de Lisboa e os arquitectos responsáveis dos vários projetos apresentaram, em sessão pública na Ordem dos Arquitectos, sessão onde estive presente, os referidos projetos de arquitectura.

 

3-      Trata-se de Hospitais instalados em edifícios centenários, tal como acontece em muitos países da Europa. No Reino Unido, onde foi criado o primeiro Serviço Nacional de Saúde, terminada a Segunda Guerra Mundial e que foi o modelo após o 25 de Abril, para o nosso Serviço Nacional de Saúde (igualdade de acesso aos cuidados de saúde de todos, independentemente das condições socioeconómicas de cada um) os Hospitais de referência mundial, na sua área de especialidade, são Hospitais instalados em edifícios centenários, como o Royal Brompton Hospital, na área da Pneumologia. Também o St. Mary`s Hospital (o hospital onde nascem os príncipes)  e o King Edward VII Hospital (também usado pela Família Real Britânica) são Hospitais centenários. Todos eles sitos no centro de Londres. E ninguém se lembrou de construir hospitais de raiz noutras zonas da cidade, vendendo estas unidades históricas do centro da cidade para os transformar em hotéis ou condomínios. Estes exemplos provam, de forma irrefutável, que o Hospital mais moderno e com as melhores condições pode estar instalado  num edifício centenário e localizado no centro de uma grande cidade.

 

4-      Estes Hospitais agora ameaçados tiveram início em edifícios religiosos e desde os anos 80 até ao presente tem havido grandes investimentos em reconstrução e equipamento dos três Hospitais. Será que os deputados da Assembleia da República, a ocupar o antigo Convento de S. Bento, se lembram também de o vender/destruir e construir um novo edifício?

 

5-       São todos Hospitais de Referência . É usada esta classificação para Hospitais que constituem a última linha de cuidados de saúde em especialidades médicas e cirúrgicas, abrangendo uma população muito mais vasta que a da sua respetiva área geográfica. As áreas destes três Hospitais abrangem toda a região de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Regiões Autónomas e, para algumas terapêuticas muito específicas,  todo o País.

 

Nestes hospitais existem algumas das melhores Unidades altamente especializadas, com equipas de profissionais de saúde e equipamentos de ponta, em muitas áreas da Medicina, tais como a Unidade de Queimados no Hospital de S. José ou a Unidade de Transplante Pulmonar no Hospital de Sta. Marta – única no país.

 

6-      Estes três hospitais passaram de um total de 1283 camas no ano de 2003, para um total de 816 camas no ano de 2013. Portanto em 10 anos perderam-se 467 camas, ou seja  – 37%.

 

7-      A área ocupada pelos três Hospitais e pelo Hospital Miguel Bombarda (na Colina de Santana, já encerrado e também com projeto para os terrenos libertados pela destruição do Hospital) é superior à área de toda a Baixa Pombalina.

 

 

 

Não parece haver quaisquer estudos que provem a necessidade de substituição dos seis Hospitais de Referência do Centro de Lisboa por um novo Hospital em Chelas.

Os responsáveis da Saúde afirmam que esses estudos existem. No entanto não conseguem dizer quais são e partem do princípio de que esta decisão é um facto consumado.

 

O que existe de concreto é o Despacho nº 2025/2007 dos Ministérios das Finanças  e da Saúde que refere que o investimento público na área da saúde deve ser orientado para a remodelação, ampliação e beneficiação das estruturas existentes, exatamente o contrário do que está a acontecer.

 

Parece óbvio que os edifícios do Estado para a Saúde dentro de uma cidade, de uma região ou dentro do País devem ser considerados no seu conjunto.

 

Sabemos que no País não existem Hospitais de Referência que contenham todas as áreas de ponta de todas as especialidades.

 

Portanto, a forma correta (que é a que existe atualmente) é aproveitar os recursos finitos do SNS - os transplantes de pulmão no Hospital de Sta. Marta, os transplantes de fígado no hospital Curry Cabral ou os implantes cocleares no CHUC, em Coimbra.

 

Por aqui se vê como é incorreto, o mais frequente argumento de, num único Hospital, concentrar todas as Especialidades Médicas, não falando no absurdo da decisão e dos custos  de destruir Hospitais de Referência em pleno funcionamento!

 

Se os critérios utilizados para a destruição destes hospitais fossem generalizados a outros hospitais, tanto no país como no estrangeiro, muito poucos ficariam de pé.  

 

Concluindo: o que o Governo diz é que dentro da cidade de Lisboa não precisamos do Hospital de S. José, do Hospital de Sta. Marta, do Hospital de Sto. António dos Capuchos e também não precisamos do Hospital Curry Cabral, do Hospital D. Estefânia, da Maternidade Alfredo da Costa, do Hospital Pulido Valente, do Instituto Gama Pinto, do Hospital de S. Lázaro… mas precisamos de um novo Hospital, a poucos quilómetros destes…

Também já precisámos de um novo IPO, na altura da negociata IPO/Isaltino/Duarte Lima…

                                                                                                                                                                            

Fica bem claro que, o que se pretende, é servir outros interesses, nomeadamente:

 

1.       Favorecer o negócio das grandes Empresas de Construção e a Especulação Imobiliária,

2.       Abrir espaço para o negócio privado da saúde, desarticulando o Serviço Nacional de Saúde .

Constatamos assim que esta destruição e venda está perfeitamente de acordo com a política a que já nos habituámos: a alienação dos bens mais valiosos do nosso país.

       

 

Elsa Soares Jara

Médica Pneumologista Hospitalar

Lisboa, 15 de abril de 2015

   

 

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sexta-feira, maio 01, 2015

portas enquanto jovem

Um verdadeiro homem de palavra. antes, agora e sempre. Nasceu assim ... que fazer?


sábado, abril 25, 2015

porque sou homem

Um belo vídeo contra a violência.


quinta-feira, abril 23, 2015

segunda-feira, abril 20, 2015

a classe média


 
 
Penso já o ter publicado há uns três anos. Continua actual e a merecer a nossa atenção.
 
 
Diálogo ocorrido entre 1643 e 1715 (Reinado de Luis XIV)
Inacreditável. Este diálogo, da peça teatral "Le Diable Rouge", de Antoine Rault, entre os personagens Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, século XVIII, apesar do tempo decorrido.... é bem atual. Leiam:
Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Mazarino: -Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas e não consegue honra-las, vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert: -Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: -Criando outros.
Colbert: -Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: -Sim, é impossível.
Colbert: -E sobre os ricos?
Mazarino: -E os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.
Colbert: -Então, como faremos?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável.
  É a classe média!

belo canto

O rouxinol e o seu belo, melodioso e inconfundível canto.


sábado, abril 18, 2015

um concertista inesperado

É fantástico quando somos surpreendidos positivamente pelo inesperado. Quando encontramos razões para acreditar que tudo é possível quando se luta e se é apoiado. Quando há amor e um coração grande.


quinta-feira, abril 16, 2015

a verdade



Anatomia e dissecação de um colossal falhanço
     Nicolau Santos
 
Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional. É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou.
1 A 4 de abril, Angela Merkel elogia os esforços do Governo português para combater a crise, através de um novo plano de austeridade, o PEC 4. Com o apoio da chanceler alemã e do presidente da Comissão Europeia havia a real possibilidade de Portugal conseguir um resgate mais suave, idêntico ao que Espanha depois veio a ter. O primeiro-ministro, José Sócrates, dá conta ao líder da oposição, Pedro Passos Coelho, do que se passa. Este, pressionado pelo seu mentor e principal apoio partidário, Miguel Relvas, recusa-se a deixar passar o PEC 4, dizendo que não sabia de nada e que não apoiava novos sacrifícios. O seu objetivo é a queda do Governo e eleições antecipadas (ver o livro “Resgatados”, dos insuspeitos jornalistas David Dinis e Hugo Filipe Coelho). O Presidente da República, Cavaco Silva, faz um violento ataque ao Governo no seu discurso de posse, a 4 de abril, afirmando não haver espaço para mais austeridade. Os banqueiros em concertação pressionavam o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos cede e coloca o primeiro-ministro perante o facto consumado, ao anunciar ao “Jornal de Negócios” que Portugal precisa de recorrer aos mecanismos de ajuda disponíveis. Sócrates é forçado a pedir a intervenção da troika. Merkel recebe a notícia com estupefação e irritação.
2 O memorando de entendimento (MoU) é saudado por políticos alinhados com a futura maioria, por economistas de águas doces, por banqueiros cúpidos e por comentadores fundamentalistas e bastas vezes ignorantes, pois, segundo eles, por cá nunca ninguém conseguiria elaborar tal maravilha. Hoje, pegando nas projeções para a economia portuguesa contidas no MoU, é espantoso constatar a disparidade com o que aconteceu. Em vez de um ano de austeridade tivemos três. Em vez de uma recessão não superior a 4%, tivemos quase 8%. Em vez de um ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita, tivemos exatamente o contrário: uma austeridade de 23 mil milhões reduziu o défice orçamental em apenas 9 mil milhões. Em vez de um desemprego na casa dos 13%, ultrapassámos os 17%. Em vez de uma emigração que não estava prevista, vimos sair do país mais de 300 mil pessoas. E em vez da recuperação ser forte e assente nas exportações e no investimento, ela está a ser lenta e anémica, assentando nas exportações e no consumo interno. A única coisa que não falhou foi o regresso da República aos mercados. Mas tal seria possível sem as palavras do governador do BCE, Mario Draghi, no verão de 2013, ou sem o programa de compra de dívida pública dos países da zona euro? Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse isso, quando as agências de rating mantêm em lixo a nossa dívida pública? Só mesmo quem crê em contos de crianças.
3 Durante o período de ajustamento, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, sublinhou sempre que o nosso sistema financeiro estava sólido. Afinal, não só não estava sólido como tinha mais buracos do que um queijo gruyère. BCP, BPI e Banif tiveram de recorrer à linha pública de capitalização incluída no memorando da troika, o BES implodiu, a CGD foi obrigada a fazer dois aumentos de capital subscritos pelo Estado, o Montepio está em sérias dificuldades — e só o Santander escapou.
4 O ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o primeiro responsável da troika, Poul Thomsen, negaram durante dois anos que houvesse um problema de esmagamento de crédito às empresas. Pelos vistos desconheciam que a esmagadora maioria das PME sempre teve falta de capital, funcionando com base no crédito bancário. Como os bancos foram obrigados a cortar drástica e rapidamente os seus rácios de crédito, milhares de empresas colapsaram, fazendo disparar o desemprego. Gaspar e a troika diriam depois terem sido surpreendidos com esta evolução. A sobranceria dos que se baseiam na infalibilidade do Excel, aliada à ignorância dos que pensam que a mesma receita funciona em qualquer lugar, tem estes resultados. Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse o BCE e Draghi, com a nossa dívida pública a continuar a ser considerada lixo? Só mesmo quem crê em contos de crianças.
5 Passos Coelho disse e redisse que as privatizações tornariam a economia portuguesa muito mais competitiva, levando os preços praticados a descer. Pois bem, a EDP foi vendida a muito bom preço porque as autoridades garantiram aos chineses da Three Gorges que os consumidores portugueses continuariam a pagar uma elevada fatura energética. E assim tem sido. Os franceses da Vinci pagaram muito pela concessão da ANA porque lhes foi garantido que poderiam subir as taxas sempre que o movimento aeroportuário aumentasse. Já o fizeram por cinco vezes. O Governo acabou com a golden share na PT e não obstou à saída da CGD do capital da telefónica. Depois assistiu, impávido e sereno, ao desmoronamento da operadora. A CGD foi obrigada pelo Governo a vender por um mau preço a sua participação na Cimpor. Hoje, a cimenteira é uma sombra do que foi: deixou de ser um centro de decisão, de competência e de emprego da engenharia nacional. Os CTT foram privatizados e aumentaram exponencialmente os resultados, à custa da redução do número de balcões e da frequência na entrega do correio.
6 A famosa reforma do Estado resumiu-se na prática a aumentar impostos, cortar salários, pensões e apoios sociais, bem como a fragilizar as relações laborais, flexibilizando o despedimento individual, diminuindo o valor das indemnizações, reduzindo o valor do subsídio de desemprego e o seu tempo de duração. O modelo económico passou a assentar numa mão de obra qualificada mas mal paga, em empregos precários e não inovadores, em trabalhadores temerosos e nada motivados.
7 O programa de ajustamento fez Portugal recuar quase 15 anos. Perdemos centro de decisão e de competência e não apareceram outros. A classe média proletariza-se sob o peso dos impostos. Nos hospitais reaparecem doenças e epidemias há muito erradicadas. O investimento estrangeiro estruturante não veio, o perfil da economia e das exportações não se alterou, a aposta na investigação eclipsou-se. E tudo para se chegar a um ponto em que a troika nos continua a dizer que já fizemos muito mas que é preciso fazer mais — e os credores internacionais nos vão manter sob vigilância até 2035. Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade mostra que este ajustamento não teve apenas algumas coisas que correram mal — foi um colossal falhanço. E, desgraçadamente, os próximos anos vão confirmá-lo. (Nicolau Santos, in “Expresso”, 11/04/2015)

sábado, abril 11, 2015

cuidem da voz

Uma lição de vida para os que não se cuidam.

sexta-feira, abril 10, 2015

landfill harmonic

Uma lição a aprender, de vida e de amor à música.

quinta-feira, abril 09, 2015

toque a silêncio

Homenagem aos portugueses que lutaram e morreram na Flandres. Um século depois, na Batalha.

sábado, abril 04, 2015

quem nos defende?

É verdadeiramente impressionante a forma como estamos expostos a tudo. Recentemente deixei aqui um vídeo que mostrava a vantagem que haveria usando drones com desfibrilhador, que podem salvar vidas. Mal sabia que agora iria mostrara a outra face da moeda...

sexta-feira, abril 03, 2015

onde andam os milhões do bes

Paulo Morais, mais uma vez. Sem comentários.

terça-feira, março 31, 2015

herberto helder, o poeta



Paulo Tunhas escreveu, dia 27 de Março, no Observador, estas palavras sobre Herberto Hélder. Gostava de as ter escrito eu que tive o privilégio de o conhecer e conversar não poucas vezes, mas sempre poucas, como gostaria. As minhas palavras ficarão para depois, quando eu for capaz.
 
Herberto Hélder, O Poeta
A poesia não deixa as palavras intactas, ou quando as deixa é má poesia ou poesia nenhuma. E certamente que a poesia de Herberto Helder, sendo grande poesia, nada deixa intacto. Tópicos herberto helder memória poesia
 
No meio das desgraças e venturas do mundo, e das várias amostras de loucura que os dias trazem, há certas coisas que se constroem e são feitas para durar, servindo para nos dar prazer e para, na medida do possível, nos proteger daquela parte da banalidade que ofende e agride. A poesia de Herberto Helder é uma dessas coisas. A poesia não deixa as palavras intactas, ou quando as deixa é má poesia ou poesia nenhuma. E certamente que a poesia de Herberto Helder, sendo grande poesia, nada deixa intacto. Desorganiza, porque o caos é necessário para a criação, e a partir dessa desorganização surge um organismo composto por sentidos transformados e como que magicamente coerentes entre si, onde, no entanto, se encontra sempre, presente e não recalcado, o caos inicial, espécie de advertência da vida. A grande poesia não se pode dar ao luxo da gentileza, e a poesia de Herberto Helder é tudo menos uma poesia da gentileza, exceptuando aquela gentileza feroz que olha de frente a vida do enigma e procura – e consegue – dar forma a um espanto informe. Em Cobra:
Não ames roupas, azáleas, água
cortada, louça,
― a leveza. Ama ― digo ―
o que é carregado: as frutas, ou a noite
e o calor, e os negros laços atados
dos animais.
Há uma coisa em Herberto Helder que é comum a toda a grande poesia. É a criação apresentar uma espécie de necessidade própria onde o lugar para o arbitrário é mínimo. O que se chama “estilo” é um bom bocado isso: uma organização não redundante do aleatório, como lembrou um filósofo. E uma organização que, no caso da poesia, se faz através de uma série de operações sobre o sentido comum das palavras da tribo. Se a expressão “trabalho poético” pode ser utilizada é exactamente por relação a isto, por relação ao modo como se procede à transformação do sentido das palavras. Se lermos um poema onde a palavra “mar” nada significar senão a costumeira ideia de mar, podemos ter a certeza de que é um mau poema. Em Herberto Helder isso nunca acontece. Há sempre operações sobre as palavras. A palavra ”casa”, por exemplo, logo no primeiro poema do seu primeiro livro, A colher na boca.
Falemos de casas, do sagaz exercício
de um poder
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.
Estes são os arquitectos, aqueles que
vão morrer,
sorrindo com ironia e doçura no fundo
de um alto segredo que os restitui à
lama,
de doces mãos irreprimíveis.
- Sobre os meses, sonhando nas últimas
chuvas,
as casas encontram seu inocente jeito
de durar contra
a boca subtil, rodeada em cima pela
treva das palavras.
Perceber a poesia de um poeta é, pelo menos idealmente, capturar as operações que ele executa sobre o sentido comum. Nos maus poetas, isso é relativamente fácil. Elas estão, por assim dizer, à vista. Por isso, a imitação faz-se sem problemas. Nos grandes poetas, ela tende para o impossível, ou então é insuportavelmente trôpega. Um caso paradigmático é Emily Dickinson. Não há andaimes que nos ajudem a perceber como aquilo se faz, ou se os há eles são apenas aparentes, pertencendo realmente à forma interna daquela poesia, e o trambolhão é fatal. Essa impossibilidade de imitar valiosamente aquilo que mais apeteceria imitar é quase um sinal indubitável da soberana realidade de uma poesia. Caem-nos os braços. “Como é possível fazer isto?” Há muitos bons poemas escritos em português depois de Pessoa. Há um de que me lembrarei sempre, “O ciclópico acto”, de Luiza Neto Jorge, o maior poema erótico (se é que a expressão faz sentido) da poesia portuguesa da segunda metade do século XX: Inicia-se, portanto, o cicló- pico acto. Mas há, obviamente, vária outra muito boa poesia. O’Neill vem logo ao espírito. O que faz a singularidade de Herberto Helder é o ele ter praticamente publicado só grande poesia. O que isso revela sobre o seu acerto crítico, resultado sem dúvida do profundo conhecimento que ele tinha das operações poéticas que tinha inventado, é enorme. Não há um só poema dele que nos permita uma ocasional distracção. Nisso só houve, no século XX português, alguém de comparável: Pessoa, é claro. Também a poesia de Pessoa é inteiramente construida por operações sobre o sentido primeiro das palavras, que as transformam e as tornam num objecto de contemplação novo e inesperado. Logo desde as primeiras linhas da Ode à noite, por exemplo, a palavra “noite” já não é a noite do sentido comum. Pessoa, é claro, através dos heterónimos, produziu diferentes tipos de transformações: as de Caeiro não são as de Campos, nem as de Campos as de Ricardo Reis, ou estas as do próprio Pessoa. E também Pessoa, como Herberto Helder, era dotado de um juízo crítico perfeitamente acertado sobre o valor daquilo que escrevia. Prova-o o que publicou em vida. Numa coisa, é certo, Herberto Helder terá mais sorte do que Pessoa. Não verá a sua obra ganhar maior celebridade através de algo menor, como aconteceu a Pessoa com o Livro do desassossego, de Bernardo Soares, que é quase um epígono que Pessoa ele próprio criou para si mesmo (o exacto contrário, portanto, de um heterónimo). Dado o gosto generalizado pelo epigonal, não admira o sucesso obtido junto do público, à cata de consolos poéticos em prosa que o façam sentir-se inteligente. A Herberto Helder, queira Deus, isso nunca acontecerá.

sexta-feira, março 27, 2015

sem esforço

Nunca vi melhor trabalho de 'gatas'...

quinta-feira, março 26, 2015

o desconcerto do mundo



Transcrevo a crónica 'Fraco consolo' da Revista do Expresso desta semana, intitulada «Desconcerto do mundo», da autoria de Pedro Mexia.

PERCEBI QUE NÃO HAVIA OUTRO TEMA E PORVENTURA OUTRO POETA NA NOSSA LÍNGUA, OUTRO QUE CONTASSE TANTO, E CONTASSE TUDO

«Lembro-me de ter estudado Camões, como toda a gente, “o épico e o lírico”, e gostei daquele portuguesismo interrogativo e inquieto, mais do que do esplendor de Portugal, que, confesso, nunca me tocou; mas muito mais vezes citava o poeta “neopetrarquista”, como classificavam os manuais, à época eu entendia sobretudo esse amor idealizante, depois vi claramente o Camões sensual e experimentado, tumultuoso, caótico até, com musas várias, de grandes e pequenos instintos, meninas e mulheres que aparecerem e desaparecem e que é preciso defender como um manuscrito, daqueles que salvamos a nado. Eu sou devedor em tudo ao soneto que começa “um mover de olhos, brando e piedoso”, não naquilo que escrevo, bem entendido, mas na minha vida, facto que tem sido notado, com insistente escárnio. Mais tarde, cheguei aos poemas ditos “do desconcerto do mundo”. Quando os encontrei, era demasiado novo, conhecia alguns desconcertos, mas nunca me lembraria desse termo filosofante, que nem compreendia bem; e não saberia chamar à minha pequena vida ‘o mundo’ ou sequer parte do mundo, antes um istmo ou arquipélago, coisa contígua ao mundo, mas dele nunca fazendo parte por inteiro, maleita da qual nunca me livrei, o que tem sido notado, com escárnio insistente. Quando se me foi chegando a idade de meio caminho, esta de agora, mas à qual aportei antecipadamente, demasiado cedo, percebi que não havia outro tema e porventura outro poeta na nossa língua, outro que contasse tanto, e contasse tudo. Porque todos os nomes que ia dando à minha experiência negativa do mundo eram insuficientes. Havia frustração, desalento, incompreensão, incompletude, desânimo, desconformidade, mas soavam a queixumes, e queixumes meus, respeitantes a um ‘eu’ que era o meu e que, por esse facto, dificilmente interessavam a mais alguém, excepto a quatro ou cinco pessoas que por sangue ou afecto se importam. “Desconcerto”, pelo contrário, não era um termo psicologista nem sentimental. Desconcerto não era uma característica minha, ou de Camões, ou de quem fosse, mas um atributo do mundo. Era um estado em que o próprio mundo se encontrava, e que nós, ao considerá-lo, apenas verificávamos: um mundo confuso, absurdo, sem sentido, desacertado, desordenado, desvairado, dissonante, transtornado. Nem nos momentos mais felizes, fugazes ou não, acreditei que ‘o mundo’ fosse outra coisa que não isso. E isto tem, inevitavelmente, uma dimensão moral. Cito ‘Esparsa ao desconcerto do mundo’: “Os bons vi sempre passar/ no mundo graves tormentos;/ e, para mais m’espantar,/ os maus vi sempre nadar/ em mar de contentamentos”. Talvez nem todos os maus, ou aqueles que por facilidade assim considero, nadem num mar de contentamento; mas todas as pessoas que considerei até hoje verdadeiramente boas passaram graves tormentos, muitos dos quais devido à sua bondade, que eu defino de forma falível e discutível, mas veemente. Quando há dias me perguntaram: “De que vale a pena ser bom?”, não soube responder, ou não quis, porque daria uma resposta ética, desligada do sofrimento. E a ética pode destruir a esperança dos esperançosos. Até porque, mais tarde do que outros talvez, mas não com menos impiedade, também eu fui quebrado pelo desconcerto, por esse choque com o mundo que faz de nós pessoas más, porque ser bom nos deixa desarmados, nos atira aos leões. E aos poucos, e depois de súbito, aconteceu-me o mesmo que ao sujeito poético da ‘Esparsa’: “Cuidando alcançar assim/ o bem tão mal ordenado,/ fui mau, mas fui castigado:/ Assi que, só para mim/ anda o mundo concertado»
pedromexia@gmail.com Pedro Mexia escreve de acordo com a antiga ortografia

segunda-feira, março 23, 2015

a ponte sobre o tejo

Um documentário histórico. Atravessei a ponte neste dia e regressei a Lisboa.


sábado, março 21, 2015

breve explicação do alzheimer

O saber não ocupa lugar, mas o Alzheimer vai ocupando todo o espaço...


quinta-feira, março 19, 2015

há jogar e jogar

Como eu gostava de ter jogado assim! Será que posso dizer que alguma vez joguei ou só brinquei?


isso, é que não

Para memória futura...



PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!...
 
(glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado “Poeta Castrado, Não!”)
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
cabeçudo, dromedário,
fantoche de eleição,
parvónio, salafrário,
mestre-escola aldrabão,
oportunista, falsário
malabarista, cabrão.
Chamem-lhe o que quiserem:
Presidente da República, não!...
Os que sabem, como ele,
as linhas com que se cose
vêem o interesse dele
em manter a sua pose:
egoísta, trambiqueiro
distorce a realidade,
ao escrever cada “Roteiro”,
para ter visibilidade!...
Os que sabem, como ele,
governar-se e encher a pança
aceitam que seja dele
tanta sede de vingança:
Político vingativo
e que, disso, não se cansa,
não quer saber do aflitivo
caos da actual governança!...
O tipo não faz história.
- Sua morte lenta é fatal!...
Irá ficar na memória
como um mesquinho banal!...
O seu fim poderá ser
uma penosa agonia!...
O Povo irá fazer
dele escárnio, em cada dia!...
Vai acabar por morrer,
ao parir a ninharia
só descrita, a bem dizer,
nos “Roteiros” da fantasia!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Chamem-no até p’lo nome,
Cavaco, sem coração,
ao ver que se passa fome
e nada faz p’la Nação!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Demagogo, mau profeta,
falso professor, ladrão,
um narcisista pateta,
quando calado ou não.
Será tudo o que disserem!...
 
PRESIDENTE DA REPÚBLICA É QUE NÃO!...
17/03/2015

terça-feira, março 17, 2015

sexta-feira, março 13, 2015

falando de res publica

Há muito tempo que não ouvia um discurso tão bem estruturado. Gloria Alvarez, sabe pensar e sabe o que diz e como dizê-lo. Inimiga do populismo, partidária da República, espero que siga no bom caminho e não caia nunca no populismo que combate, mas para onde com as suas qualidades pode um dia ser empurrada.


quinta-feira, março 12, 2015

da perfeição

Um pesado fardo. De quê? Cada um que responda.


já falta pouco tempo

Se não assistiu em directo, pode ver agora e tirar as suas conclusões.

sábado, março 07, 2015

a importância da música

Prestem atenção ao que os investigadores já confirmaram, sobre a importância da música no nosso cérebro, não só ouvindo-a, mas sobretudo tocando-a. Quem tem filhos jovens preste particular atenção.


quinta-feira, março 05, 2015

a carmen da crise

Uma Carmen para os tempos que correm...-


quarta-feira, março 04, 2015

macaco sacanita

Quando o gozo é superior ao risco...



domingo, março 01, 2015

o milagre dos pães...

O milagre dos pães em versão oriental. Vídeo de má qualidade, mas de alta magia.


sábado, fevereiro 28, 2015

o baile do poder

Um bocado manhoso, mas mesmo assim aqui o deixo. Precisamos de rir e de mudar.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

nós somos tão pequenos...

Sem comentários. Para ver e pensar.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

uma lição de riccardo muti

Dá gosto ver a inteligência a funcionar, sobretudo quando quem a tem é um ser vertical que levanta a sua voz quando pensa ser preciso esclarecer. Veja-se também a atitude tomada contra Berlusconi, com toda a sala cantando Nessuno dorma.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

mорская песня

É bom ouvir suas vozes russas (Richard Gere. Pelagia e Elmira Kalimullina) cantarem em português a Canção do mar. Foi bom recordar Amália e Dulce Pontes. Canção do Mar" tem letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi cantada por Amália Rodrigues em 1955, sob o título Solidão, no filme Os Amantes do Tejo. Dulce Pontes gravou uma versão da música no seu álbum Lágrimas, de 1993, tornando-se a mais conhecida versão, sendo incluída nas banda sonora do filme americano A Raiz do Medo (Primal Fear), a pedido de seu ator principal.

domingo, fevereiro 22, 2015

festival letão

Dá gosto ver que 15000 pessoas se juntam para cantar e dançar (suponho que na festa das colheitas), como se mostra neste vídeo. Lembre-se que a Letónia é mais conhecida, no campo cultural, pelos intérpretes e compositores de música erudita, como é o caso de Gidon Kremer e vários cantores de ópera, para além dos seus coros, premiados internacionalmente. As Latvju Dainas, canções populares, compiladas por Krišjānis Barons e Smits já no século XX, são também motivo de orgulho nacional (informação recolhida na Wikipédia).


sábado, fevereiro 21, 2015

cantilena para os pastorinhos

A obra que o compositor estónio Arvo Pärt dedicou aos pastorinhos de Fátima, "Drei Hirtenkinder aus Fátima", teve este sábado a sua estreia nacional na sé patriarcal de Lisboa, com execução do Coro Anonymus, dirigido por Rui Paulo Teixeira. "Drei Hirtenkinder aus Fátima", estreou mundialmente a 27 de agosto de 2014, em Basileia, pelo agrupamento vocal "Vox Clamantis", sinaliza a identidade cristã «que apela a uma visão do mundo na perspetiva dos mais frágeis.. .Nesta «miniatura coral» para coro misto "a cappella" as crianças não falam «línguas rituais e eclesiásticas», mas um idioma vernáculo, o alemão, como «uma língua "materna". «Encontramos alguns traços do idioma musical de Arvo Pärt: as estruturas de continuidade a partir de pedais ou de "istinati" (qual "axis mundi"); as permutações num campo harmónico estável (com a transparência própria da linguagem mística); a simplicidade flutuante da cantilena (como um gesto vocal que se enraíza nos sulcos de uma tradição). No final, a obra extingue-se, sem aparato ou convenções que forcem o aplauso», explica Alfredo Teixeira.

 

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

os donos de portugal

Sem comentários. O vídeo é longo e está tudo lá. Uma visita à memória.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

preservar a história

Parabéns a quem teve a feliz ideia de realizar esta jóia.