domingo, dezembro 21, 2008

o vinho e o mosto - um exercício de intertextualidade 2


Pobres das flores dos canteiros dos jardins regulares.

Parecem ter medo da polícia...

Mas tão boas que florescem do mesmo modo

e têm o mesmo sorriso antigo

Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem

Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente

Para ver se elas falavam...

Fernando Pessoa



Jardins regulares. Trazem à memória meu Pai.

As flores bem alinhadas naquele jardim de Chaves.

Jardins regulares. Flores alinhadas, intocáveis,

bem comportadas, fazendo de seu furto, pecado.

Elas que são livres de nascer e que dizem, corta-me ...

Porquê impôr-lhes regras e fazê-las regulares?

O meu Pai não era regular.

Era muito grande o meu Pai.

Grande como a sua inteligência, a sua bondade e a sua fraqueza.


Teve um só defeito.

Partiu cedo de mais.

CVR

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