sábado, abril 26, 2008

as vozes de abril


Ontem a RTP portou-se bem. Prestou mesmo serviço público. Transmitiu integralmente o espectáculo do Coliseu - As Vozes de Abril. Pena foi que já não estivessem connosco alguns daqueles que neste grupo ocuparam lugar cimeiro. Mas esteve o seu espírito e pode dizer-se que foram bem representados, lembrados e homenageados. Creio que nunca estive tanto tempo sentado diante de um televisor. Mas valeu a pena. Nem Patxi Andion faltou à chamada e, ainda por cima, cantou duas das minhas canções preferidas.
Parabéns à Associação 25 de Abril pelo seu 25.º aniversário e pela feliz ideia de promover este espectáculo.


sexta-feira, abril 25, 2008

25 de abril de 1974



Tinta e quatro anos depois - obrigado Capitães de Abril pelo vosso acto libertador. Viva o 25 de Abril. Viva Portugal.

maya plisetskaya

Obrigado 25 de Abril que nos abriste as portas para a liberdade e nos permitiste termos acesso a tanto acto de cultura até aí impossível. Recordemos Maya Plitsetskaya e a sua inigualável interpretação da Morte do Cisne de Saint Saens.

quinta-feira, abril 24, 2008

prefiro o de lisboa

Eu sei que Tóquio é uma grande cidade, capital da tecnologia e do desenvolvimento. Sei também que é das mais caras cidades para se viver, sei dos hotéis em gavetas, sei de misérias escondidas. Sei de tudo isso e prefiro Lisboa. E prefiro sobretudo o metro de Lisboa, mesmo em horas de ponta. Algum de vós gostaria de andar neste metro de Tóquio? Eu direi - que estranha forma de vida! E, no entanto, o fado é nosso...

terça-feira, abril 22, 2008

sabedoria e coordenação

Mais uma vez, palavras para quê. A ver e rever.

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sexta-feira, abril 18, 2008

a paciência, a ternura e o amor em estado puro

Há imagens que valem mais do que as palavras - é frase que se ouve com grande frequência e que poucas vezes se discute, por parecer a todos que corresponde à verdade. Não estou tão seguro assim dessa verdade que pense não valer a pena uma boa discussão à volta do tema, mas, quando hoje me enviaram este vídeo, dei comigo a pensar - não vale a pena escrever nada, basta-nos ver e sentir o que está para além de cada fotograma.

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quinta-feira, abril 17, 2008

a história jamais contada 2

Ainda não tive qualquer opinião sobre o post anterior. Publico já a segunda parte na esperança que isso possa ajudar a espicaçar um pouco mais o interesse dos leitores.


quarta-feira, abril 16, 2008

a história jamais contada 1

Um amigo enviou-me hoje o link para um vídeo no youtube, intitulado "the greatest story even told". Nele se procura provar que Jesus não passa de mais um mito, usando uma sucessão de coincidências históricas que não deixam de impressionar mesmo quem não esteja disposto para isso. Hesitei em colocá-lo aqui porque não me parece que esteja aqui a verdade. Porque me impressionou e não me sinto a pessoa indicada para contrapor argumentos aos factos e explicações avançadas, resolvi trazê-lo até vós para que com a vossa intervenção se possa fazer luz. A história é contada em 3 vídeos. Irei publicando um de cada vez para que quem queira vá fazendo comentários. A tradução não será a melhor e as legendas não foram revistas. Veremos o que têm a dizer.

quarta-feira, abril 09, 2008

os parabéns da cp ecologista

Encontrei hoje um papel em que tinha escrito, com receio da minha memória me atraiçoar, o que lera a bordo de um comboio regional em que ando com frequência e algum ritmo. Como penso que saberão, hoje em dia até os comboios regionais têm algum conforto e alguns requintes que rapidamente nos fizeram esquecer os de há poucos anos. Já têm ar condicionado, um painel luminoso dando-nos indicações úteis e, antes de qualquer estação, uma voz agradável avisa-nos da próxima paragem. Também os lavabos são amplos, limpos e higienizados. Havia ainda música ambiente que ao fim de alguns meses foi suspensa, creio que consequência de muitos protestos dos clientes. Quem leia isto assim, de uma forma seca, não pode deixar de tecer considerações menos agradáveis em relação ao gosto dos passageiros. Mas, em minha opinião, o que sucedeu foi o tiro ter saído pela culatra. A belíssima ideia de dar música durante a viagem seria uma coisa óptima para os melómanos e ajudaria a criar educação musical àqueles que têm ouvidos empedernidos para tal arte. Só que aqueles que foram encarregados de fazer a selecção musical não eram eruditos ou seriam de mais e não souberam avaliar a música que deveriam passar. Não sei porque decidiram que música de câmara seria a ideal, mas não foi. O resultado foi um desastre e não se criaram adeptos. E ninguém, entre aqueles que o poderiam ter feito, arranjou nova programação com música mais aliciante. Foi pena ter-se perdido essa oportunidade de cultivar o gosto dos passageiros. Mas as melhorias introduzidas nos comboios não se ficaram por aqui. E, cereja sobre o bolo, os comboios passaram a cumprir horários. Parabéns à CP.
Mas aquilo de que eu vinha falar não tinha nada a ver com aquilo que até agora escrevi. Passo a explicar - nesse dia em que tomei o apontamento que hoje encontrei, ao contrário do habitual, esperei cerca de uma hora pelo meu comboio. Só já muito perto de ele chegar, finalmente, soubemos que algo se passava perto de Lisboa, o que condicionava aquele atraso.
E, se a espera foi longa a viagem processava-se de forma muito lenta, com paragens sucessivas e velocidade reduzida.
Foi então que no painel luminoso passou a seguinte frase - A CP Comboios de Portugal dá-lhe os parabéns pela escolha de um modo de transporte amigo do ambiente.
Reparei depois que esta frase passou a acompanhar todas as outras informações, repetidamente.
Devo dizer que chegado a Alverca saí do comboio, sem esperança de chegar a Lisboa a horas de fazer aquilo porque viajara e regressei a casa noutro comboio.
Sem querer olhar devo ter lido dezenas de vezes esta frase no regresso.
Achei óptima a ideia, mas lê-la naquele dia especial em que o comboio não ia a lado nenhum, era pelo menos, surrealista.
Evidentemente era aquele dia fatídico de chuva intensa que provocou enchentes e estragos vários, inclusive mortes. Mas, mesmo sabendo isso, era impossível não achar a frase surrealista. Não tanto que me tivesse obrigado a colocar este post nessa altura.
Mas, quando já a ia esquecendo, o acaso trouxe-a hoje até mim e eu senti obrigação de a levar até vós.


domingo, abril 06, 2008

começar a acabar

Ontem fui passar a noite com Samuel Beckett e João Lagarto e valeu a pena, sinceramente. Foi bom que as palavras de Beckett tivessem tido a sorte de encontrar a voz e a interioridade de João Lagarto para as trazerem até nós.
Magnífico monólogo e magnífica interpretação teatral.
Não deixem de ver (vai estar de 10 de Abril a 1 de Junho na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II.
Ouçam o que vale a pena escutar e batam palmas a quem as merece.

quinta-feira, abril 03, 2008

pra não dizer que não falei das flores


Há exactamente 40 anos o mundo vivia momentos únicos e históricos quer na Europa (o Maio de 68) quer na América do Sul, nomeadamente no Brasil, onde um país amordaçado pela ditadura militar, procurava libertar-se desse jugo e ser feliz. Por essa altura todos os da minha geração, especialmente os mais esclarecidos, andavam a par do que por ali se passava e procuravam de uma forma ou doutra ajudar no que pudessem, o que era pouco já que por cá, outra ditadura embora menos armada parecia ter acabado, mas se mantinha uma primavera a que dificilmente se viam folhas e flores.
Uma das canções que alguns tinham eleito como sua, na medida em que aliava a combatividade, o protesto e a harmonia, numa linguagem fácil, era aquela a que chamávamos "Caminhando". Era seu autor e cantor Geraldo Vandré, nome artístico de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias,
cantor e compositor brasileiro nascido em João Pessoa, em 12 de setembro de 1935. Em 1968, participou do III Festival Internacional da Canção com "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores" ou "Caminhando", composição que era um hino de resistência contra o governo militar. O refrão "Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer" foi interpretado como uma chamada à luta armada contra os ditadores.
Ainda em 1968, com o AI-5(Acto Institucional n.º 5), Vandré foi obrigado a exilar-se. Depois de passar dias escondido na fazenda da viúva de Guimarães Rosa, morto no ano anterior, o compositor partiu para o Chile e, de lá, para a França.
Voltou ao Brasil em 1973. Até hoje, vive em São Paulo e compõe. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_...
Como tinha saudades de ouvir a canção que tenho numa péssima gravação em fita, pedi a colegas brasileiros que me arranjassem uma cópia em bom estado. Prontamente me chegou às mãos e já a tenho gravada no IPod para as minhas viagens de comboio ou bicicleta.
Por feliz coincidência chegou-me agora às mãos uma pérola rara desses tempos que é um vídeo que nos mostra logo no início um caixão levado em ombros, com o corpo de um estudante morto pelas tropas do exército, defronte ao aeroporto Santos Dumont, e depois imagens várias da famosa manifestação dos cem mil, no centro do Rio. Muitos artistas, intelectuais, políticos participaram da famosa marcha dos cem mil, creio que em 1968. Impressiona ver tal manifestação popular em que se incorporam freiras e padres, o que no nosso país me parece improvável que alguma vez sucedesse.
Ouçam a canção com atenção e vejam as imagens da luta contra a ditadura militar.
Faz sempre bem recordar estes casos para estarmos sempre atentos e não baixarmos a guarda.