quinta-feira, setembro 24, 2020

Morreu Juliette Gréco

Morreu a dama que vestida sempre de negro, mas que festejava a vida e nos manteve felizes décadas e décadas, mesmo cantando canções que outros também cantavam igualmente bem, mas sempre sem a sua marca, que lhe vinha da forma inesquecível como cantava e a ícone do existencialismo,   então também, na berra. Morreu ontem com 93 anos de idade, em Ramatuelle onde vivia,  muito perto de Saint-Tropez, ícone também desse tempo. Nunca a esqueceremos.

sexta-feira, agosto 07, 2020

Experiência e resultados

À hora combinada entrei no Holmes Place. Sob o ponto de vista de parque privado de estacionamento, das instalações, atendimento, bom gosto, regras Covid, piscina, máquinas, aulas, personal trainers, bar, vista de mar, tudo bem ou melhor do que bem. 

Em relação aos preços e regras comerciais estabelecidas, dentro de valores aceitáveis, mas com algum encosto à parede em caso de desistência e preço manifestamente exagerado na mensalidade dos PTs, sobretudo tendo em conta aquilo que eles acabam por receber e o que a empresa recebe. Um certo cheiro a exploração.

Mas falando de cheiros, tudo bem, agradável, limpo, cuidado.

Se tudo ou quase tudo foi positivo, o que desagradou ou levantou problemas e interrogações, à minha imediata inscrição?

A inadaptação às máquinas. 

Andar no tapete rolante com um enorme cockpit, um painel de instrumentos de botões e joystick e imagens várias que, por certo, são tidas como divertimento ou descontração, parece-me certo e desafiante para quem é novo, não tem vertigens e precisa de ocupar o tempo e modelar o físico para a concorrência.

A máquina de remar é eficaz para os fins pretendidos, desenvolver a musculatura da região pretendida. Mas não é remar. O movimento não rema, apenas leva os elásticos até si. Não duvido da sua eficácia, mas para mim não é remar. Costas sempre na vertical, sem inclinação?

Já antigamente tive sensação semelhante quando em dias de chuva trocava a bicicleta por uma suposta bike estática. Eu pedalava e regulava o esforço que pretendia. Isso era verdade e os movimentos eram os devidos. Mas, na verdade, aonde o prazer de pedalar realmente ao ar livre? Mesmo estando a pedalar sempre no mesmo sítio e ouvindo a música que escolhia no meu MP4, passado muito pouco tempo eu interrompia e terminava a sessão, porque me sentia enjoado, nauseado. De forma pouco científica, atribuía essa sensação a um certo magnetismo que o rodar dos imanes provocaria.

Mas nada disso se poderia justificar assim. O problema estava apenas no natural e no fictício. No real e no faz de conta.

Claro que há vantagens no faz de conta. Mas eu dou-me mal com o fingimento. Prefiro andar sozinho a passear no paredão, parar quando e onde me apetecer, ficar a olhar o mar o tempo que quiser e a ouvir o seu estrondo ou doçura mansa.

Posto isto, pese embora ter gostado muito do Holmes, vou continuar antiquado. Talvez me venha a arrepender.

Logo se verá. 

quarta-feira, agosto 05, 2020

Só agora estou a sentir ligeiramente a pandemia. E estou a senti-la exactamente quando passei uma quarentena deliciosa e altamente produtiva. Mas agora, restando-me quase só o blog, estou em estado de negação, parecendo que ele nada me diz e eu nada tenho para escrever. Talvez esteja a precisar de férias e de percorrer Portugal de baixo para cima. Mas pensar nisso, mais me agrava a situação, pois logo surge o meu grave handicap de não poder conduzir o meu automóvel, por cautela e receio. Digamos que a minha pandemia é visual e uma acuidade de trinta por cento, embora me permita ver tudo, o que vejo não é tudo. Nada tem a ver com o que via.

Por outro lado não gosto de andar com muito calor e, por isso, saio menos de casa e a outras horas. E em casa pouco me apetece fazer ginástica ou qualquer exercício físico. Por isso, resolvi ir amanhã ao Holmes Place testar, apenas testar a minha capacidade de adaptação a ambientes fechados e exibicionismos fatelas.

Veremos como vou reagir. Como costumo dizer, logo se verá...

terça-feira, agosto 04, 2020

Experiência

Ainda não percebi o que é mudar de interface. Reverter para a antiga, avisam que se mantém até 20 e tal de Agosto.
E se ficar na nova, manterei todo o blog antigo?
Experimentemos. Publique-se.

sexta-feira, junho 26, 2020

Para aqueles que ainda estão em quarentena

Com estes horríveis tempos que persistem em não nos largar e nos criam uma permanente inquietação, há que tudo fazer para sobrevivermos, sem medos e sem depressão. Tudo que nos chame a atenção, nos alegre ou distraia ou nos ponha a pensar, será bem-vindo. Por isso estes vídeos que vou colocando.


quarta-feira, junho 24, 2020

Este dia virá

Não será ainda hoje, nem amanhã. Mas este dia virá, demore ainda o tempo que demorar. Mas nós retomaremos a vida que era a nossa e a pandemia nos roubou, mas que não será para sempre. A covid não ganhará.

sexta-feira, junho 05, 2020

E este também vale a pena

Um Charlot que poucos terão visto e se o viram, irão gostar de o rever.

quarta-feira, junho 03, 2020

Duas surpresas que me salvaram o dia

 O meu dia começou muito mal, pouco depois de partir que nem um tiro para junto do computador, para enviar um ficheiro a um amigo meu e que interessava aos dois. Abri o mail, coloqueio destinatário, escrevi o que tinha a escrever e finalmente anexei o ficheiro em causa. Cliquei e aí foi ele. Acabara de começar bem o dia e levantei-me num estiacar de alongamentos felizes, direito à Nespresso para tirar a bica merecida e complementar daquele bom início de dia. O café soube-me bem e especialmente na varanda, com um ar ainda matinal e fresco e reconfortante. Regressado à secretária para ver o correio, aconteceu o primeiro contratempo, que naturalmente eu poderia resolver. Mas não. A partir do primeiro, os contratempos foram somando-se numa escalada de tensão e desânimo que me deixou em raiva, como se o mundo se tivesse revoltado contra mim, sem eu perceber porquê. O que se estava a passar em vários episódios, era uma sequência de falhanços no envio do anexo inicial, supostamente enviado, mas realmente rejeitado.Inicialmente pensei que o ficheiro estava pesado e então resolvi enviá-lo pelo We Transfer. Mas nada. Várias tentativas e sempre dava ERRO. Ai é? Eu já te digo, pensei. Queres festa? Vamos a isso. E logo avancei para outra solução. Zipei o ficheiro, enter e aí foi ele. Foi. Pensei eu, mas logo chegou novamente o erro. Mais uma ou duas tentativas e desisti. Mandei um mail ao meu amigo, explicando o que se passava e que ia ligar para um informático. Mas nem para isso tive disposição. O dia estava perdido e o mundo contra mim.
E chegada quase depois, a hora de almoçar, resolvi comer algo que não comia havia já bastante tempo. Pois bem, o mundo estava mesmo contra mim. Acabei por deitar fora a comida, sossegar o vazio gástrico com duas ou três porcarias e esquecer que fingi que comi, pois mais me parecia que tinha pastado. Já horas passadas, em que nada me apetecia, voltei a ir ver o correio. E foi a primeira surpresa salvadora. Entre o vário correio ou lixo abusador, estava um mail do meu amigo, dizendo-me que afinal tinha recebido o anexo desejado. Fantástico. A descarga foi automática e eu retomei o meu natural bem-estar. E logo me passou a apetecer tudo. Mas não sabia ainda que ia ter uma nova surpresa que me ia aumentar a confiança na vida e vivê-la com gosto, como sempre gostei. De repente, aparece-me a notícia da retoma de concertos de música de câmara, por instrumentistas da Gulbenkian, no Grande Auditório. Cliquei imediatamente no primeiro que se oferecia e ele logo abriu e, com surpresa leio que se tratava do Octeto para cordas de Feliz Mendelssohn e numa janela dizia - a começar dentro de seis minitos e com um contador a marcar o tempo. Foi de mais a surpresa. Descobrir o concerto por acaso e perceber que seis minutos passados, Mendelssohn oferecia-se. E não só a sua música, mas a natureza que se oferecia também na visão daquele magnífico jardim ali à mão daquele magnífico palco. Uma maravilha que me salvou ainda mais o dia. Foi um bom concerto, mas melhor teria sido para mim, se tivesse sido o concerto para violino que eu adoro e ouço com frequência e me restaura. Definitivamente sou um tipo mal agradecido e a merecer o castigo. Tive a sorte de ouvir um concerto de câmara magnífico e ainda tenho a lata de ainda querermais. Não mereci o que me deram. Sou um mal agradecido.
Aqui ficam os nomes dos concertistas e um pequeno apontamento sobre este Octeto. Com os violinistas Francisco Lima Santos, Anna Paliwoda, Alexandra Mendes e Cecília Branco, os violas Lu Sheng e Leonor Fleming e os violoncelistas Marco Pereira e Martin Henneken. O
Octeto para Cordas, em Mi bemol maior, op. 20, em três andamentos - Allegro, Andante e Scherzo, de Mendelssohn, foi escrito em 1825, mas estreado em Leipzig, apenas em Janeiro de 1836.

terça-feira, junho 02, 2020

A parte boa da pandemia

Esta pandemia é sem dúvida nenhuma uma verdadeira calamidade global, sem saída à vista e com eminência provável de nos continuar a visitar. Por mais avançada que a ciência esteja e está, como é uma realidade à vista de todos, nada há ainda que nos descanse e nos permita libertar do peso imenso do receio ou mesmo do medo. Sem o esperar e sem o poder evitar, todos ficamos nas mãos daqueles miseráveis e ridículos vírus que sem disso nos apercebermos nos entra pela parede das células e inicia o processo de nos destruir e matar. Podendo apanhar todos, mas sobretudo os mais fracos e desprotegidos e os mais velhos que tudo parece mostrar serem os alvos preferidos. Pensar-se como antigamente, que era o equivalente a não se pensar e apenas aceitar o destino, tudo pareceria tratar-se de um ajuste de contas com os idosos que, atrevidamente e com o apoio da ciência, se têm vindo a dar ao luxo de viverem mais tempo e melhor. E se assim fosse, seria um castigo dos deuses ou a justiça dos mesmos, limpando os excedentes inesperados que desequilibram o mundo e o colocam em risco de lhe dar fim. E assim se voltaria ao justo equilíbrio e à paz no mundo. Mas hoje não pensamos assim e temos ainda muito que pensar e que outros mais habilitados o façam por nós, para podermos saber o que, de facto, se está a passar. Mas no meio desta ainda ignorância e deste medo que traiçoeiramente nos envolve, aparecem tipos como eu que, de forma desajustada, vêm falar na parte boa da pandemia. Parte boa? Qual parte boa? Aquela que a mim me permitiu durante a quarentena, trabalhar continuadamente no finalizar uns livros que se arrastavam nas minhas mãos e para os quais ainda não encontrara o modo de os terminar. Pois foi a quarentena que me permitiu, num trabalho continuado, em que nunca me senti confinado mas em que  frequentemente, me esquecia das horas e das refeições ou do cansaço. Um dos livros está definitivamente pronto e a caminho da impressão. Os outros dois estão em estadio e em quarentena, para calmamente, se a pandemia o permitir, avaliar os efeitos que o vírus produziu no acabamento tão rápido e inesperado. Receio muito que o Corona se tenha colado na parede de cada célula escrita e o resultado possa ser desastroso. Tenhamos fé. Logo se verá.

segunda-feira, maio 25, 2020

Dar corda ao neurónio

Acabo de enviar todas as pequenas correcções aos mais de cem textos, os mais variados, que completam este volumoso livro que vai seguir para a impressão. Isto é, se um revisor mais atento que eu ou com melhor visão, se aperceba ou encontre ainda, alguns erros, sejam vírgulas, pontos, falta de uma letra ou letra errada. Por mim, não lhe voltarei a pegar, não porque não gostei do que li, muito pelo contrário, mas por que me obriga a um esforço de visão que não devo exagerar. Sinto-me liberto e feliz, porque posso seguir por outros caminhos diferentes daqueles que recentemente me tinham capturado. É bom acabar um livro, mas ainda é melhor escrevê-lo, sentir o seu desafio e passar a ideia a texto. Mas penso que, ao contrário de todos aqueles que escrevem livros e eu imagino que gostam de os apresentar e lançar às feras ou às palmas, eu fujo dessas cenas obrigatórias, mas não desejadas por mim. Será por que receio a crítica ou os elogios, já que nem uns nem outros me fazem feliz. Nessas apresentações ou lançamentos ou sessão de autógrafos, de uma só coisa eu gosto. Do fim da sessão e da minha saída rápida dos holofotes. Se não tivesse sido sempre assim, começaria a pensar que tinha de me pôr a pau com o meu colega alemão, que todos receiam. Enfim, coisas...

quinta-feira, maio 21, 2020

Um dia único para recordar

Passaram já très dias sobre esse glorioso  dia que foi o dia 18 de Maio de 2020. A temperatura devida, o sol indicado, o mar como há anos o não via, sossegado, quase parado, completamente transparente e com um tom verde topázio único, mostrando as pedras junto à costa que o limita. E para tudo ser magnífico, os restaurantes à beira-mar reabriram e modificados para melhor, respeitando as regras impostas pela pandemia e uma calma segura convidando a entrar. E foi isso que fiz, entrando na Baíuca e comendo uma magnífica posta de peixe espada, grelhada com amor e sabor devido. A tarte de limão também estava boa, mas dispensável, não fosse a minha gula. E até o café estava bom. Por ali fiquei tempo bastante, não prejudicando ninguém que estivesse à espera de vez. E quando me levantei não dispensei a caminhada até S. João e o regresso a Cascais, sempre acompanhado pela visão daquele mar de calma, aquela cor única e a transparência que raramente se vê assim. Glorioso dia. Glorioso respirar, quase normal, sem o medo atrás de mim ou à minha frente.

domingo, maio 17, 2020

O regresso ao mar

 Quando pensava que tinha perdido o texto escrito há dias, sobre o regresso ao mar, horas depois de ter postado um novo texto sobre o mesmo tema, recuperei o inicial. Como entre eles  havia um intervalo de dois dias, resolvi publicar  esta segunda versão, para testar até que ponto a minha memória regista o que por ela passa e também para confirmar se o que agora escrevo se afasta muito do que escrevi na primeira versão. Após quatro anos de ausência parece que desaprendi várias regras de postar. Desculpem pois, este meu reabíltar de postar neste blog aquilo que me vai empurrando para a escrita diária ou não. Se tiverem paciência, comparem os dois textos e digam-me se preciso de ir ao médico ou se posso continuar a postar...

Finalmente regressei hoje ao mar, melhor dizendo, à beira-mar. Que não sendo tudo, para mim já o é. Vai já longe o tempo dos mergulho, das carreirinhas, da vela. Nos últimos anos fiquei limitado aos mergulhos e a umas braçadas de crawl na piscina. Não era mau, mas faltava o mar e a areia. Em vez desta, a relva e as flores. Sentia-me ligeiramente recompensado. Agora volto a ter o mar, perdão, a beira-mar e a máscara, para cima e para baixo, consoante houver passantes protegidos ou alguns que continuam a marimbarem-se nas regras de etiqueta pandémica. Depois de vários dias de chuva, o dia de hoje melhorou um pouco, juntamente com a reabertura do paredão. Num dos bares da praia, pessoal dinâmico distribui mesas, devidamente afastadas uma das outras, num novo espaço e anteriormente não ocupado, para daqui a três dias reabrir ao público, no muito desejado 18 de Maio. Mas falemos agora do dia e do estado do mar. Um dia bastante nubelado, com algumas abertas que trazem com ela um calor que não se sentia antes. O mar está pouco agitado e a pouco e pouco as ondas vão tentando vir passear conosco, não para passearem, mas para nos afastar delas e nos mostrar a sua força. Mas, ao contrário do que esperava, no retorno à beira-mar, mesmo com o mar calmo, aquilo que se vê é um mar estranho, desfocado, quase medonho, sem ter nada nesse sentido e que me traz a lembrança das pinturas de William Turner.

Regresso ao mar

Há já três dias que regressei ao mar, melhor dizendo à beira-mar. Já lá não ia há dois meses e nesse tempo só o imaginava, embora em dias de mau tempo o conseguisse ouvir bem. Já era qualquer coisa, mas não era tudo. Escutá-lo era bom, mas quase imediatamente, a ausência da proximidade anulava o prazer do seu estrondo. Mas finalmente a ele regressei. Mas mais uma vez me senti feliz e bem. Não totalmente, mas quase. Já que mergulhos, carreirinhas, vela, eram prazeres de que já estou afastado há bastante tempo. Água, mergulhos, crawl, nadar debaixo de água, só na minha piscina que me ia dando outramedida do prazer do mar. Agora, o mar para mim, é vê-lo, ouvi-lo e passear à sua beira, para lá e para cá, até ficar satisfeito o bastante, para o deixar num até amanhã, se puder.Mas neste regresso pós quarentena, o dia estava estranho, com um mar relativamente calmo, mas estranho. Não ele, própriamente, mas a neblina e um jogo quase constante entre o nubelado, fechado e ameaçando chuvada forte e um sol que aquecia por momentos e trazia alguma alegria ao que se via. Quando regressei a casa, sentei-me para postar as minhas impressões deste regresso e depois de escrever resolvi acrescentar uma imagem de William Turner, para completar o quadro que eu vivera. Pois não sei ainda o que teria feito de mal, que acabei por eliminar tudo que escrevi. É essa a razão porque volto hoje a escrever sobre o regresso à beira-mar que, seguramente, nada terá a ver com o que então escrevi, porque o estava a escrever a quente. Por isso, fica assim. Apenas a notícia, com muito do que senti, já amputado de emoção.
os

terça-feira, maio 12, 2020

Os novos funerais

A pandemia acabou com o respeito pelos mortos e ainda menos pelos vivos, aos quais vai, traiçoeiramente, passando a ceifadeira da morte, agora também ela mascarada de corona, que invisível e miserável nano-virua, vai limpando sobretudo aqueles que ele entende serem excedentes.
E, sempre escondido, vai desestabilizando o mundo inteiro e modificando a vida em si, cortando a liberdade de cada um e assim, a de todos. Mas não lhe chega isso, em grau de malvadez. Não basta matar, mas criar as condições que impeçam o culto da morte, o respeito pelo morto e o funeral. Hoje, o morto não é velado por ninguém ou por um número limitado de pessoas e durante o confinamento, quase sem ninguém, nem o padre. Quando se veem na televisão aquelas centenas de caixões supostamente com gente que foi gente lá dentro, com um número ou um manhoso rascunho de um nome, o que podem sentir os familiares que eventualmente possam estar presentes e como podem eles acreditar que é dentro daquele caixão que se encontra o seu ente querido? Antigamente, mesmo A.C., havia as chamadas carpideiras, profissão femininas, cuja função era chorarem por um defunto desconhecido e recompensadas por esse serviço. Faziam o teatro da dor que não sentiam, mas procuravam estimular nos outros, em homenagem àquele ou aquela que partia. Foi profissão que quase desapareceu, senão em certas regiões do Brasil. Mas ainda no século XX, se mantinham no activo profissional em grande parte da Europa. Mas o respeito pelo morto era ainda mantido pelos familiares próximos, com o uso do trajar em preto ou na forma mais aliviada com uma pequena banda no braço ou na gola esquerda do casaco. Mas antes deste tempo de pandemia o velar o morto e o seu funeral eram fortemente sentidos e simbólicos. Mas a pandemia veio querer escavacar até o respeito pelos mortos. Todos esperamos que acabe por chegar o dia em que se possa recuperar, se não a vida como era, pelo manos, a possível. Para que se recorde essa antiquíssima profissão de carpideira, vou postar um vídeo de Raul Vasquez, La Plañidera".

Enquanto há vida, há esperança

Que ninguém durma, que ninguém durma, Guardi le stelle/ Che tremano d'amore e di speranza. Assim começa a área Nessun dorma do último acto, da ópera Turandot de Giacomo Puccini. Falo hoje dessa magnífica e bela área e coloco o vídeo em que Luciano Pavarotti a canta magistralmente, porque me têm preocupado as notícias frequentes e confirmadas em estudos, dos problema graves que as crianças estão a sofrer, com insónias frequentes e sonos agitados, consequência da pandemia. Com esta, alterou-se quase totalmente a forma de vida a que todos estávamos habituados e especialmente a das crianças, nos seus ritos e ritmos circadianos. Bom seria que elas não conseguissem dormir para poderem ver as estrelas e sentir o amor e desejar a esperança. Mas infelizmente não é isso que lhes perturba o sono, mas a anormalidade da vida que estão a viver nos tempos da quarentena, em que a nossa vida mudou, sem termos forma de a evitar. O máximo que temos podido fazer, é libertarmo-nos dela, através do trabalho e da procura do amor, do bem e da beleza, que temos ido procurar onde sabemos que está, pode estar ou tentaremos encontrar. Mas nem todos têm a possibilidade de se virarem para esta procura e esse exercício, porque estão a viver confinados onde já não há amor, mas desamor. Por isso, tem aumentado também a violência doméstica e nestes casos, quem vai ver as estrelas de forma brutal, nem forças e ânimo terá, para ter esperança. Tristes dias os nossos que temos vindo a atravessar, mas pensemos no Eclesiastes (9:4) que diz que enquanto há vida, há esperança. Guardi le stelle/ Che tremano d'amore e di speranza.

Luciano Pavarotti - Nessun dorma (Lincoln Center, 1979)

segunda-feira, maio 11, 2020

Neguinho Da Beija Flor Corona De Férias (Deus Sabe O Que Faz)

Um regresso acidentado

Após uma ausência de quatro anos e tendo pensado que aqui não voltaria, caí há dias na rasteira que a Covid 19 me preparava, após ter terminado (penso eu) os dois livros que tinha em acabamento e que após isso, me deixou num vazio insuportável que me mostrava pela primeira vez o que era estar confinado, sem ter que fazer. Foi tal o choque desse vazio que, de imediato, me lembrei do meu querido blog que durante onze anos me divertiu bastante e espero que alguns desprevenidos que, acidentalmente, o abriam e por vezes comentavam. Para mim, tudo bem. Gostava de o fazer e se outros gostassem de o ler, seria o ideal, mas não o fundamental, porque realmente eu o escrevia e mantinha, por puro prazer e descarga de chatices a expulsar, como se fossem demónios Mas em verdade, o blog dava-me muito prazer e era um grito de libertação e afirmação. A tal escrita em sobressalto que anunciava no seu início e definição. Quando agora o retomei, percebi que o longo tempo da ausência, levara com ele, a capacidade adquirida em outros tempos, de saber usá-lo. Agora, sinto-me um quase infoexcluído, que desaprendeu tudo ou quase tudo. Logo no primeiro post do recomeço, troquei o vídeo por uma imagem, impedindo que o vídeo abra. E agora o que fazer? Como eliminar o que está errado e como substituir esse pelo certo? Assim seria, se eu o conseguisse fazer. Mas, neste momento e destreinado como estava e com neurónios a menos, vou ter que esperar e vocês também se, porventura, já alguém reparou que o meu blog está de volta

quinta-feira, maio 07, 2020

Os inesperados benefícios da pandemia

Quem diria que eu voltaria anos depois a retomar este meu blog, empurrado por uma pandemia? Ninguém, evidentemente. E muito menos, eu. Mas a verdade é esta. A verdadeira verdade. Perguntarão porquê, como eu próprio me pergunto. Estar confinado e mascarado se me atrever a dar uns passos fora de casa, cria naturalmente, a mim e penso que a todos uma sensação de estar preso e limitado na minha liberdade. Preso em casa, sem guarda armado a fazer-me a segurança, a amputar-me a liberdade, porque o que agora me mantém preso não é o guarda, mas o medo. Um medo de algo sem rosto, invisível a todos, salvo aos cientistas que o podem identificar e que depois nos mostram a sua verdadeira imagem. Já passei por muita coisa e muito perigo na minha vida, mas nada comparado com esta ameaça invisível que ainda não se pode eliminar. A esperança que um dia nos possamos defender dele e anular o seu traiçoeiro perigo,está ainda viva, mas também ainda distante. Mas o que temos, para já, é só a esperança. Mas venceremos, assim o espero. Em nome da esperança a que nos agarramos. Mas voltemos agora ao princípio deste texto e à sua razão de ressurgir ou renascer. Para quem está confinado, o que nos resta que possa evitar que não daremos em doido ou comecemos a trepar pelas paredes? No meu caso, a solução era só uma. Dar corda ao neurónio. Inicialmente atacando em várias frentes os desafios que tinha em mãos e permanentemente retomados e inacabados, de terminar três livros dependurados nos seus três cabides, onde iam amadurecendo e também criando bolor. Não o esperava e garanto que preferiria não ter que acorrer à ajuda improvável da quarentena, para os dar como findos, não fosse a covid, riscar-me dos vivos, antes de terminar os livros. E agora, terminados que estão, ou pensando apenas que estão terminados, de facto, o que posso fazer mais para me defender deste ataque geral à comunicação, à amizade, à confraternização, à solidariedade, ao amor? Que fazer? Mais uma vez - dar corda ao neurónio. Só que desta vez, fazê-lo, onde ele começou. No blog com o seu nome. Por isso, aqui estou de novo e para continuar a mantê-lo. Para mim e para todos que o queiram consultar.

domingo, maio 08, 2016

domingo, maio 01, 2016

um passeio de drone

Não é perfeito, mas é uma boa experiência que pode ser melhorada. Drones para o bem e para o mal. Carece de muita reflexão.

sexta-feira, abril 15, 2016

fred e eleonor

Melhor não pode haver...

quinta-feira, abril 14, 2016

sábado, abril 09, 2016

mágico ou o quê mais?

Vejam com atenção. Onde estará o truque?

segunda-feira, abril 04, 2016

jantar festivo

Há momentos que se devem recordar porque os vemos sempre como se fosse a primeira vez mesmo sabendo que já os vimos inúmeras vezes.


segunda-feira, março 28, 2016

recordando luis goes

Recordando com saudade um amigo.

sexta-feira, março 25, 2016

ser europeu

Europeus. É o que somos. Para o bem e para o mal. E antes disso, portugueses.



quinta-feira, março 24, 2016

o que é feito da arte?

Não necessita de comentários.






sexta-feira, março 18, 2016

quarta-feira, março 16, 2016

sensual q .b.

Fantástico, magnífico, perfeito, mas muito menos sensual do que um já aqui mostrado. Parece o mesmo, mas se é temos de concluir que o par não estava em dia sim, mas apenas assim assim.


charleston à porto...

terça-feira, março 15, 2016

o tango sentido, o sentido do tango

Sem comentários. Apenas o cortar da respiração.

quinta-feira, março 10, 2016

um outro estar

O novo circo. Por vezes aparentemente igual ao estafado modelo, mas manifestamente diferente.


terça-feira, março 08, 2016

quinta-feira, março 03, 2016

um 'computador' no séculu XVIII

Há coisas que é obrigatório mostrar mais do que uma vez, não vá ter passado em claro da primeira apresentação. Veja ou reveja agora.


quarta-feira, março 02, 2016

arte

Vale a pena repetir. Discutir o abstracto pode dar nisto.






segunda-feira, fevereiro 29, 2016

convém ouvir todos

Uma voz da Igreja, dando conta da tragédia.






domingo, fevereiro 28, 2016

duas vozes para sempre

Recordar essa voz única que nos deixou, acompanhada por outra voz magnífica.



sexta-feira, fevereiro 26, 2016

o fogo de artifício no seu melhor

Foi na Província de Hunan que os fogos de artifício foram inventados e o show nunca foi igualado no Ocidente. Os chineses não são apenas os inventores dos fogos de artifício, ainda são os mestres. Se pensa que já viu fogos de artifício, então veja este. INIGUALÁVEL. 



segunda-feira, fevereiro 22, 2016

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

uma luta desigual

Uma luta desigual entre a força aérea e a infantaria, com vitória da união. Dramático



sábado, fevereiro 06, 2016

um avanço na segurança

E só pode ser usado em aviões de carga?



domingo, janeiro 31, 2016

arte e música em xangai

Para ver e ouvir, simplesmente.



terça-feira, janeiro 19, 2016

a canção que se ouvia quando nasci

É verdade. Faço hoje 81 anos. E recordar é viver.Fiquem com a cançaõ que mais se ouvia naquele dia em que nasci. Vale a pena ver e ouvir.



quinta-feira, dezembro 31, 2015

tempus fugit

Nunca é demais recordar a balada do meu curso médico e lembrar-me que já lá vão 57 anos, quando hoje passa mais um!!!



ainda natal

O rapaz do tambor, na época de Natal.

 

terça-feira, dezembro 29, 2015

artistas ou escravos

Pode não ser verdade, mas tudo indica que a pergunta se possa fazer. Uma coisa é certa. São magníficos naquilo que fazem.



quarta-feira, dezembro 23, 2015

a europa é..

O que se está a passar em Lampedusa e noutros locais faz-nos pensar na Europa, no que ela é e representa. Por isso aqui vos deixo este apontamento.


sábado, dezembro 12, 2015

uma história de luz

A Universidade de Coimbra comemora os seus 725 anos. Todos estamos de parabéns.


quinta-feira, dezembro 10, 2015

o duelo

Depois de longa ausência, volto desafiando-vos para um duelo. Um faz de conta que termina bem.

sexta-feira, setembro 25, 2015

o debate que faltava

Para ver e ouvir com atenção.

sábado, setembro 12, 2015

aos jovens



NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!! 
NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO! 

Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril. E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade. Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente, ordenadamente, no respeito das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar. 
Sou dos que acreditam na invenção desta crise. Um “diretório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia. Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz. Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final. 
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência. Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se. 
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida. E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível. A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães. Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de sair de casa, suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores de geração espontânea, mas 81.000 licenciados estão desempregados. Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho. Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada” faz um milhão de espectadores. Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros. Há carros topo de gama para sortear e autoestradas desertas. 
Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade. Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados. Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes. Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho… 
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem? E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa. Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora. E aprendemos neologismos como “in conseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exatamente o contrário do que está escrito no dicionário. 
Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos. E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista… Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço. E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos. É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade. 
Júlio Isidro

sexta-feira, setembro 04, 2015

de doidos

É mesmo de doidos, mas saudáveis. Usam a cabeça com mestria e não a gastam em drogas, embora o aspecto deles seja duvidoso. E há hoje algo que não seja duvidoso?

quinta-feira, agosto 27, 2015

Ouçam quem sabe....



Sem comentários, porque os não necessita. O país está mesmo ao contrário - de pernas para o ar!



Portugal visto por

António Lobo Antunes



Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.

Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos.

Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
 
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estoico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não
sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.

O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por
pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a
meter os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos,
gestores, que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho.
E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios
purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
 
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá?
Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade
feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente  indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
 
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.

Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.

Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de  D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.

Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.

Agradeçam a Linha Branca.

Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.

Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?

O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
António Lobo Antunes

domingo, agosto 23, 2015

uma vista sobre budapeste

Não sou grande apreciador dos festivais aéreos, mas não posso resistir à beleza de Budapeste, à qualidade das imagens e às acrobacias feitas.

quarta-feira, agosto 12, 2015

um discurso sentido

Entre 17 e 19 de Setembro de 2014, a Rede Iberoamérica LIDER organizou o 1o. Parlamento Iberoamericano da Juventude em Zaragoza, na Espanha. Foi lá que Gloria Alvarez, do Movimento Cívico Nacional da Guatemala, fez uma apresentação sobre os males do populismo. O que ela diz explica muito do que ocorre no mundo.
O populismo gosta tanto dos pobres que os multiplica!



terça-feira, agosto 11, 2015

do nascimento à morte

Demora una hora e vinte minutos. Parece muito tempo, mas é muito pouco para uma viagem pelo corpo humano. 

terça-feira, agosto 04, 2015

salvemos a água

Nunca é demais recordar os perigos...



segunda-feira, agosto 03, 2015

uma relíquia

Progresso, hoje? O que se pode chamar a isto? Para memória futura.