quarta-feira, setembro 24, 2008

esperando a vitória da ciência

Só hoje, algum tempo depois de ter ouvido a notícia da primeira avaria no LHC (Large Hadron Collider), o maior acelerador de partículas existente no mundo, que se estende por 27 quilómetros e existe com a colaboração de milhares de cientistas e o patrocínio do CERN, é que li a interessante crónica de Luís Fernando Veríssimo que não resisto a repassar, para que a possais ler.
É um investimento científico ímpar que permitirá chegar ao grau de conhecimento máximo na Física de Partículas e que talvez venha a permitir explicar os momentos antes do Big Bang, esclarecendo a existência da primeira partícula ou partícula divina.
Como em tudo, há sempre os Velhos do Restelo que, mesmo em questões científicas, levantam problemas e dúvidas que a maioria da comunidade científica não valoriza.
Ora, a crónica de Veríssimo é exactamente sobre isso. Mais actual não pode haver. Mais oportuna não podia ser, exactamente no dia em que algo não correu bem no sector do arrefecimento, a cargo de portugueses e com algum material de fabrico português (felizmente, parece não haver qualquer responsabilidade portuguesa, já que a causa terá sido eléctrica).

Espero que, mais uma vez, os Velhos do Restelo não tenham razão.

domingo, setembro 21, 2008

a imagem não é nada, senhores

Recebi e repasso este texto assinado por Herbert Vianna, cantor e compositor brasileiro, por me parecer razoavelmente escrito, cheio de humor e de razão e escrito num país que foi um dos berços do desenvolvimento imparável da cirurgia estética e, felizmente, também da cirurgia plástica reconstrutiva. Vale a pena ler.

Cirurgia? Lipoaspiração? Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião é dieta. Fé, só na estética. Ritual e malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido, é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só – pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o colectivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
O.K., eu também quero sentir-me bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.
Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.

Cuide bem do seu amor, seja ele quem for.

quinta-feira, setembro 18, 2008

quem salavará a ponte de trajano, em chaves?

Basta esta imagem para se perceber que a minha terra natal é linda e antiquíssima.
Esta ponte romana, chamada de Trajano, parece ser a ponte romana existente na Europa, com maior número de arcos (18).
Se repararem bem e se derem ao trabalho de contar os arcos visíveis na fotografia, logo concluirão que metade deles não se vêem. Se agora olharem e virem as fotografias que se seguem, logo perceberão que grande parte deles perderam visibilidade pela simples razão que foram construídas várias casas sobre eles.

Este crime não é de agora, mas remonta já ao século XIX e ainda ao XX. Posso dizer, por saber do que falo, que uma das casas (a segunda a contar da esquerda) na fotografia que se segue era propriedade e residência de meus pais e nela morreu meu pai, em 1974. A casa foi construída em 1898, em granito e tem um arco da ponte nos seus alicerces. Este arco era amplo e completo e servia de armazém para coisas várias, com entrada pela Rua do Rio.

Esta ponte merece bem que a libertem finalmente da carga que lhe colocaram em cima e do crime horrível de lhe terem amputado a sua beleza e grandiosidade com aquelas construções. Não basta, pois, transformá-la em ponte pedonal, como recentemente foi feito, mas é fundamental restitui-la à grandeza e imponência com que os romanos a fizeram.
Deve ser património da humanidade.
Lutemos nós, flavienses, mais todos aqueles que admiram o belo e respeitam a História, pela sua libertação.
As casas devem ser destruídas e a ponte deve renascer.
Honrem o nome, flavienses.

O milagre, hoje – uma visão desiludida e sarcástica, em três minutos

O facto de um dos temas do próximo congresso da UMEM (União Mundial dos Escritores Médicos), a realizar em Dresden, ser «o milagre», levou-me a pensar sobre ele e verificar qual o ponto da situação actual ou, como é comum dizer-se hoje, qual o «estado da arte» daquilo que o dicionário define como sendo o acto ou acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais, acontecimento formidável, estupendo, evento que provoca surpresa e admiração, tipo de drama medieval baseado na vida dos santos, qualquer indicação da participação divina na vida humana, indício dessa participação que se revela por uma alteração súbita e fora do comum das leis da natureza, objecto de madeira ou cera com reprodução de uma parte do corpo e oferecido aos santos em cumprimento de uma promessa, prodígio, maravilha, coisa prodigiosa, extraordinária …
Embora o trabalho que vou apresentar seja sobre o outro tema – a solidariedade – entendi que o ter pensado sobre o milagre me obriga, de certa maneira, a dar-vos conta dessa reflexão, pelas diferenças que encontrei ou me pareceram existir hoje e pela visão desiludida e sarcástica com que fiquei.
A primeira reflexão levou-me a pensar que o milagre «clássico» deixou de existir (salvo para aqueles que neles acreditam por devoção ou para a Congregação dos Santos que sobre eles se debruça e os analisa) e que passou a haver uma extraordinária inflação de milagrezinhos, no sentido do que provoca surpresa e admiração.
Actualmente, pode dizer-se que todos os dias há milagres, porque todos os dias alguém tem necessidade deles.
O milagre deixou de ser um acontecimento raro e fora do comum, só despertado por situações extremas que o justificassem, para passar a ser quase banal, tão banal que nem os telejornais o noticiam (mesmo sendo a especialidade desses jornais a banalidade).
Mas os milagres de hoje são muito diferentes, já não são o que eram (como aliás se passa com a maioria das coisas). Primeiro por já não serem de realização e decisão divina e terem passado a ser instrumentos do mais comum dos mortais.
Hoje, não é milagre dizer - «levanta-te e caminha» e assistir-se então à concretização dessa ordem divina, com o paralítico levantando-se e caminhando, manifestação contrária a qualquer teoria ou prática científica, mas manifesto sinal do poder divino.
Hoje o que é milagre, é muitos de nós chegarem ao fim do dia e dizerem – continuo vivo, apesar de tudo. Não fiz jogging, não fui ao ginásio, não tenho (nem posso ter) personal training, fitness é apenas uma palavra, não me resguardo de frio nem calor, só respiro poluição, como à pressa esse ignóbil manjar apelidado de fast food, sou pontapeado e escorraçado por uma série de supostos irmãos e amigos, em sentido figurado ou mesmo real.
Mas o que é prodigioso, extraordinário, ainda mais milagre, é chegar ao fim do dia e dizer – continuo a ter capacidade de amar, de me surpreender, de sonhar, de admirar, apesar de todas as contrariedades, da globalização, da uniformidade de formas, cores, gostos e funções, de tudo de que nos servimos e até daqueles outros humanos com que nos cruzamos ou convivemos de perto.
Hoje ninguém espera ver Deus a falar para o cego e a dizer-lhe simplesmente - «abre teus olhos e vê». E o cego abrir os olhos, fazer uma cara de espanto, olhar á volta como se sempre o tivesse feito, em todos os sentidos, devagar, logo depressa, logo devagar outra vez e gritar – obrigado, meu Deus, obrigado. E logo perguntando – Então o mundo é isto que eu vejo? E porque te não vejo a ti, meu Deus? Ou se te vejo, o que te distingue dos outros que estou vendo?
Hoje o que se espera é que um cientista, um investigador da grossa comunidade científica do mundo on line, mostre a sua cara na televisão e respondendo à pergunta do apresentador, diga simplesmente – hoje acabei com a cegueira.
Com o processo que eu e a minha equipa inventámos, todos, daqui em diante, verão todas as coisas e nas melhores condições. Que se cuidem pois os fabricantes de bengalas para cegos, os editores de livros em Braille, os treinadores de cães-guia. Reciclem-se, se não querem ir para o desemprego.
Aí o locutor dirá – confirma que, a partir de agora, todos os invisuais ou quase invisuais, passarão a ter uma visão completa?
Sim, confirmo. Isso, só não sucederá se os governos, míopes e mesquinhos como costumam ser, não abrirem os cordões às bolsas e não suportarem os altos custos do processo quase milagroso que inventei.
Está a tentar dizer-me que a situação encontrada para a resolução da cegueira é muito cara?
Estou a dizer-lhe que é cara para os necessitados, mas é perfeitamente suportável pelos ricos e por qualquer orçamento de um Estado que tenha um PIB decente. É isso que eu e os meus sócios esperamos.
Por certo, espera ganhar o Prémio Nobel deste ano?
Talvez seja justo que me seja concedido, mas se quer que lhe diga o que verdadeiramente espero e desejo, é que no próximo ano o meu nome já conste na lista da Forbes ou da Fortune…

quarta-feira, setembro 17, 2008

as músicas de meu pai (30)

Claudio Arrau, o famoso pianista chileno desaparecido em 1991, toca o 3.º andamento da Sonata op. 57, Apassionata , de Beethoven.
E fá-lo de forma magistral, apaixonada, num magnífico piano Steinway.
Penso que escolhi uma bela peça musical para encerrar «as músicas de meu pai». O número 30 não chega para eu colocar aqui todas as outras que conservo na memória, mas penso que estas trinta chegarão para vos dar uma ideia do universo musical de meu pai.

as músicas de meu pai (29)

Concerto para Violino e Orquestra D major Op.61 (Mov.1 Part.2), de Beethoven, numa magnífica interpretação da violinista Anne-Sophie Mutter e da Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan.
Hesitei entre esta interpretação e uma do celebrado Yehudi Menuhin. Apesar da categoria de Menuhin, optei por este encontro de gerações, entre o celebrado Karajan e a ainda jovem e bela Anne-Sophie. Tenho a certeza de que Menuhin aplaudiria vivamente esta magnífica interpretação que aqui vos deixo.


as músicas de meu pai (28)

Concerto para piano e orquestra em lá menor, Op.16 (I. Allegro molto moderato), de Edvard Grieg, interpretado pelo celebrado e recordado pianista Arthur Rubinstein e pela London Symphony Orchestra, dirigida por André Previn, em 1975.

quinta-feira, setembro 11, 2008

as músicas de meu pai (27)

Sinfonia n.º 9 ou do Novo Mundo, de Antonin Dvorak, interpretada pela Philharmoniker de Viena, dirigida por Herbert von Karajan.

quarta-feira, setembro 10, 2008

as músicas de meu pai (26)

Carmina Burana, de Carl Orff, executada pela orquestra e coro da Orquestra Nacional da BBC, em 1994, na Arena de Cardiff, para celebrar o 25.º aniversário de investidura do Príncipe de Gales.

as músicas de meu pai (25)

Gymnopédie n.º 1 de Eric Satie, interpretado por Ahmet Buyukkafali.

as músicas de meu pai (24)

Concerto in E Minor, para Violino e Orquestra, de Mendelssohn, interpretado por Anne Akiko Meyers e a Sinfónica de Hiroshima conduzida pelo Maestro Akiyama.

as músicas de meu pai (23)

Concerto para Piano e Orquestra No. 3 in C minor, de Beethoven, magistralmente interpretado por Artur Rubinstein e a Concertgebouw Orchestra, em Amsterdão, em Agosto de 1973.

as músicas de meu pai (22)

Uma bela interpretação da primeira parte da 9.ª Sinfonia de Ludwig von Beethoven, pela Filarmónica de Berlim, ainda dirigida por Herbert von Karajan.

sexta-feira, setembro 05, 2008

as músicas de meu pai (21)

Ouçam Placido Domingo e Teresa Stratas cantando a área do 1.º Acto da ópera La Traviata, de Verdi.

as músicas de meu pai (20)

Outra das primeiras canções que ouvi a meu pai e que correspondiam à sua fase brasileira, de paulista de palhinha e bengala

quinta-feira, setembro 04, 2008

as músicas de meu pai (19)

Encontrei hoje uma das primeiras músicas que ouvi a meu pai. Talvez a primeira de que tenho memória.

as músicas de meu pai (18)

Hoje é a vez de escutarmos o Intermezzo da ópera Cavalleria rusticana, de Pietro Mascagni. Gravada no Festival de Ravenna em 1996. Orquesta do Teatro Comunale di Bologna, dirigida por Riccardo Muti.

quarta-feira, setembro 03, 2008

será que beethoven escreveu a 5.ª sinfonia depois de uma cena destas?

Sem qualquer truque, teleponto ou repetições, Sid Caesar e Nanette Fabray gravaram este divertido sketch em 1950, para o sitcom televisivo Caesar's Hour, onde, servindo-se da música da 5.ª Sinfonia de Ludwig von Beethoven, representam uma cena de desavença familiar com final feliz.
Como dizia o meu colega alemão Wolfgang Ellenberger, médico e pianista profissional, que fez o favor de mo enviar, este é um vídeo imperdível.

o futuro estará aqui?

Recebi hoje este vídeo que não resisto a colocar imediatamente à vossa disposição.
A notícia desta invenção parece ser tão boa e tão cheia de esperança que custa a acreditar que a solução esteja aqui e seja tão aparentemente fácil.
Teremos que esperar um pouco mais para ver que dificuldades e contraindicações irão aparecer, a este invento do francês Guy Negre.
Será o novo ovo de Colombo?

sábado, agosto 30, 2008

o resto é nada

Não sei se preguiça, se falta de ideias, se falta de vontade. Sei, isso sim, que tempo não me faltou. Portanto, apenas um problema de "se". Se eu não tivesse preguiça, se ..., se ..., lá chegaria. E depois só precisava de "um pouco mais de asas ...".
Para quê esta introdução? Não bastava apenas dizer - não escrevi porque não me apeteceu? Seria, se fosse essa a razão. Se não é, qual foi então? E assim a volta está dada e voltei ao princípio. E no princípio era o verbo. Qual?
Deixa-te disso, desses rodriguinhos à volta da incapacidade de escreveres. Se escrevesses, de facto, nada disto se passava. Era só ter a ideia e depois materializá-la em letras e espaços. Letras e espaços, tens. Portanto, sê razoável por uma vez, e diz que só te falta a ideia. O resto é nada.

quinta-feira, agosto 28, 2008

uma forma especial de ver o mundo

Um vídeo que obriga a pensar e coloca dúvidas e muitas inquietações. É longo, mas vale a pena ver e ouvir até ao fim.

sexta-feira, agosto 22, 2008

as músicas de meu pai (17)

Ouçam o lindíssimo Sonho de amor (Liebestraum), de Franz Liszt, na magnífica interpretação de Eugeny Kissin.

as músicas de meu pai (16)

Da obra «O anel dos Nibelungos», de Richard Wagner, vamos escutar o início do III acto de uma das quatro óperas que a compõem - «As Valquírias». Trata-se da gravação da BBC Proms, em 2005, no Royal Albert Hall, com a orquestra da Royal Opera House, dirigida por Antonio Pappano. O papel de Brunhilde é desempenhado por Lisa Gasteen e o de Sieglinde por Waltraud Meier.

as músicas de meu pai (15)

Mais uma das músicas de que meu pai gostava muito. Hoje, deixo-vos com parte da Abertura da ópera Guilherme Tell (a carga da cavalaria), de Gioachino Rossini, interpretada pela Orquestra della Scala de Milão, dirigida por Riccardo Muti.

as músicas de meu pai (14)

Hoje vamos ouvir a Abertura da ópera «O Barbeiro de Sevilha», de Gioachino Rossini, na interpretação da Orquestra Sinfónica da Rádio de Estugarda, dirigida pelo maestro Gabriele Ferro.

as músicas de meu pai (13)

Vladimir Horowitz toca a Polonaise Op. 53 in A flat major, de Chopin, conhecida como Heróica, numa belíssima Sala de Concertos que não consigo identificar, mas que presumo ser em Viena. Este concerto deve situar-se por volta dos anos 1977/78, tendo Horowitz à volta de 75 anos, pois nasceu em 1903 (repare-se nas artroses bem visíveis em ambas as mãos).

quinta-feira, agosto 21, 2008

as músicas de meu pai (12)

Volto hoje à ópera Tosca, para vos deixar com a belíssima área «E lucevan le stelle», cantada por Roberto Alagna.

terça-feira, agosto 19, 2008

as músicas de meu pai (11)

Outro tipo de música que meu pai gostava era do «chorinho» brasileiro. Não consegui encontrar um dos seus favoritos, mas por certo ele gostaria deste «Tá perdoado», na voz de Maria Rita.

recordando walt disney

Uma verdadeira preciosidade. Com a arte e a magia de Walt Disney, Aguarela do Brasil. Um «intermezzo» nas músicas de meu pai.

segunda-feira, agosto 18, 2008

as músicas de meu pai (10)

Meu pai também gostava de Zarzuelas e esta que hoje vos deixo era uma das que cantava, chamada La verbena de la Paloma. Este vídeo foi gravado no Teatro Calderón de Madrid e foi cantada por Carlos Marin, que hoje faz parte do famoso grupo Il Divo.

as músicas de meu pai (9)

Jose Carreras e Teresa Stratas, cantando a área «Che gelida manina», da ópera La Boheme, de Giacomo Puccini, na Metropolitan Opera House, sob a condução de James Levine, em 1982.

as músicas de meu pai (8)

Gravada no Théâtre de l'Opera de Nice, em Abril 1980, José Carreras, como Cavaradossi, canta a área «Recondita armonia», da ópera Tosca de Puccin, sob a condução de Jesus Etcheverry.

domingo, agosto 17, 2008

as músicas de meu pai (7)

A mais bela área da ópera Madame Butterfly de Giacomo Puccini, cantada por Carla Maria Izzo, no papel de Cio-Cio-San.

as músicas de meu pai (6)

A belíssima área «Una furtiva lagrima», da ópera Elixir de Amor de Donizetti, cantada por Luciano Pavarotti em 1991, em Budapeste.

as músicas de meu pai (5)

Hoje deixo-vos com o famoso coro «Va Pensiero sull'ali dorate», conhecido como Coro dos Escravos, da ópera Nabucco, de Verdi, gravada no Met de New York em 2001, sob a direcção de James Levine.

sexta-feira, agosto 15, 2008

as músicas de meu pai (4)

Da ópera de Ruggero Leoncavallo, I Pagliacci, a área «Riddi pagliaccio» cantada por Luciano Pavarotti e por Mina, num dueto virtual.

as músicas de meu pai (3)

Hoje deixo-vos com a Ave Maria de Schubert, cantada em Novembro de 2006, por Luciano Pavarotti.
Esta música constituiu um dos exercícios de «ginástica sueca» aplicada ao desenvolvimento da minha sensibilidade musical e das minhas emoções... Ouvi-la assobiada pelo meu pai, emocionava-me muito mais do que ouvi-la reproduzida pelas melhores vozes que então a gravavam em disco.


as músicas de meu pai (2)

Hoje, apresento-vos «Barqueiros do Volga», canção do folclore russo, com adaptação e orquestração de Feodor Chaliapin. Cantada por um Coro do Exército Russo, em 2007.

quinta-feira, agosto 14, 2008

as músicas de meu pai

O ter tropeçado hoje no vídeo que vos vou mostrar, leva-me a que, à medida que as for conseguindo, vos apresente «as músicas de meu pai», significando com isso as músicas de que ele gostava e, de quando em quando, trauteava, assobiava ou cantava mesmo. De outras gostava só, ouvindo-as com paixão, em absoluto silêncio.
Sem qualquer espécie de ordenação começo com as «Czardas» de Vittorio Monti, na interpretação das jovens artistas Valerie Kim (violino) e Dominique Kim (piano), num recital privado em 8 de Março de 2007.
Ao ouvi-las quase percebi a razão porque meu pai quis que fosse o violino o instrumento que eu deveria aprender.


terça-feira, agosto 12, 2008

haydn. who?

Há vídeos que são momentos únicos e irrepetíveis. Vejam e escutem com a máxima atenção esta jóia musical, com vozes únicas, boa dicção, naturalidade, inteligência e senso de humor q. b..
É importante não perder a letra.



sexta-feira, agosto 08, 2008

a ópera em mudança

Se há disciplina musical que durante séculos viveu espartilhada nos conceitos conservadores com que foi criada, essa foi a ópera.

Mesmo no século XX, a sensação que se tinha ao assistir na maioria dos Teatros de Ópera mundiais, era a sensação do regresso ao passado, como se estivéssemos a assistir a uma estreia mundial no século XVIII.

Era o libretto com histórias desajustadas, os cenários pouco inventivos, a carpintaria cénica, o «estar» quase imóvel dos cantores, com total ausência da noção do espaço cénico e da representação teatral que deveria complementar a excelência das suas vozes, até a própria plateia, sisuda, formal (representando um papel de entendido melómano), um olho no palco outro no camarote.

Leitura recente de uma reportagem com e sobre Peter Gelb, o actual director do Met de New York, levou-me a escrever sobre a ópera a que temos estado habituados e aquela que de agora em diante poderemos ver.

Pode quase falar-se em democratização e renascimento da ópera.

Dentro de poucos meses poderemos adquirir em Portugal os primeiros DVD’s gravados no Met, com a ajuda de variadíssimas câmaras robóticas que, sem afectarem o espectáculo ou distraírem o público, nos vão dar uma visão total do espectáculo operático numa das melhores salas do mundo.

Já estão em execução, em vários países que estabeleceram acordo com o Met, as transmissões em directo dos espectáculos ali realizados, que poderemos ver nas salas de cinema ou depois nos sofás de nossa casa, com a vantagem de vermos mais do que aqueles que assistem sentados nos lugares caríssimos do Met.

Graças aos robots nós teremos a visão integral de todo o espectáculo, close up’s, cenas passadas atrás dos cenários, entradas de cena, etc…, enquanto nos deliciamos escutando as melhores vozes do mundo, em directo do Met.

E, o que é ainda mais importante, deixaremos de nos contentar (raras vezes empolgar) com as 4 ou 6 óperas por temporada de São Carlos e passaremos a ter uma programação variada, com as melhores vozes do mundo.

É certo que já começava a haver sinais de mudança e novos ventos sopravam sobre a ópera.

E porque isso é verdade e porque me parece ser um documento representativo dos novos tempos, deixo-vos com um vídeo em que Anna Netrebka e Roberto Alagna, cantam uma cena do 1.º acto da Manon, de Massenet, em espectáculo realizado em 10 de Março de 2007, na Ópera de Viena.


quinta-feira, agosto 07, 2008

um sinal de vida

Embora sinta que estou em férias todos os dias, acabo por ser envolvido nas férias dos outros, perdendo um pouco do controlo do meu tempo ou da minha forma de o gerir. Quero dizer com isto que a razão para o período já longo em que estive ausente deste blog, tem aqui a sua justificação.
Hoje entendi que devia dar sinal que estou vivo (não se trata da prova de vida...) e após ter escutado o magnífico vídeo que hoje aqui vos deixo, pensei que seria egoismo meu guardá-lo só para mim.
Tudo que é feito com mestria tem algo de arrebatador. Embora não se trate de guitarra portuguesa, nem seja Carlos Paredes o seu intérprete, tenho a certeza que vão gostar.
Os mais velhos de vós recordarão bem os tempos em que Paco de Lucia fazia parte dos vossos músicos predilectos. Mas não há que destacar nomes, pois todos são apenas um, com o resultado final de uma orquestra.
Ouçam Paco De Lucia, John McLaughlin e Al Di Meola em Dança do Sol no Mediterrâneo.


terça-feira, julho 15, 2008

a mulher na arte


A minha pouca sabedoria em lidar com estes problemas ou apenas uma real impossibilidade técnica, não me permitem colocar neste blog este extraordinário vídeo que vos quero mostrar.
Por me parecer que vos agradará e que a sua qualidade merece o esforço de terem que o abrir, aqui deixo o seu endereço: http://www.artgallery.lu/digitalart/women_in_art.html

Traduzi a informação recolhida no próprio vídeo, para aqueles que não conheçam a língua francesa. Lá se diz que - O vídeo "As mulheres na Arte", realizado pelo enigmático criador Eggman913, no Estado de Missouri, USA, é um hino impressionante consagrado à história da arte através da imagem da mulher.

Como fundo musical, a Sarabanda da Suite
n° 1 para Violoncelo, de Bach, interpretada por Yo-Yo Ma.

Este vídeo criou uma verdadeira euforia na web, no site YouTube, tendo sido visionado por mais de 5,3 milhões de visitantes e mereceu mais de 10.000 comentários, apenas em 2 meses.

Trata-se de uma verdadeira obra prima da arte digital, quer sob o ponto de vista tecnológico quer da criatividade artística.

As obras de arte utilizadas para a criação de "Women in Art" foram seleccionadas por Boni (http://www.maysstuff.com/womenid.htm).

sábado, julho 05, 2008

relembrar nemésio


A cultura, a espontaneidade, a rapidez de raciocínio, os desvios pelos inumeráveis circuitos por onde o pensamento flui, o estar no ecrã como se estivesse sentado numa das poltronas de nossa casa, fizeram dele a memória padrão da televisão portuguesa.
Todos ficámos em dívida com ele, por aquilo que nos ensinou, os caminhos que nos abriu, o estímulo que em todos deixou para tudo aquilo de que o conhecimento se faz.
Penso que só não aprenderam com ele os "senhores" da televisão, que apenas entendem o seu serviço como espectáculo e notícia seja ela qual for e não entendem que acima de tudo a autenticidade pessoal, a verdade e a cultura é que deixam marcas e não passam ao esquecimento imediato.
Para ficar na nossa memória, Nemésio não precisou de aparecer como um periquito engravatado, envolto em cenários de design especial, nem tão pouco virtuais como agora alguns são. A ele, bastava-lhe a câmara que o trazia até nós.
O que me levou a publicar este post sobre Vitorino Nemésio, foi a leitura recente de mais um magnífico texto de José Manuel dos Santos na sua coluna Impressão Digital.
E agora que justifiquei estas minhas pobres palavras, dou-me conta que o melhor que podia fazer (e vou fazer) era transcrever aqui o texto a que agora me referi. Penso que o autor não se importará, já que os leitores, por certo, aplaudirão esta minha decisão. Aqui vai ele, tal como vinha na Actual, do Expresso -

quarta-feira, julho 02, 2008

a voz humana - o mais belo dos instrumentos?

Ouçam Cecilia Bartoli na área «Una voce poco fa», da ópera «O Barbeiro de Sevilha», de Rossini e respondam à pergunta do título, se forem capazes.



E, se ficaram com dúvidas, ouçam no vídeo seguinte as vozes de Cecilia Bartoli e Maria Callas cantando a mesma área ao mesmo tempo.



Se continuarem as dúvidas, consultem o otorrino ou comprem uma prótese auditiva.

sexta-feira, junho 20, 2008

museu nacional ferroviário


Foi hoje inaugurada na Estação do Entroncamento a Rotunda das Locomotivas, versão actual da antiga Cocheira de Locomotivas implodida em 1976, a cargas de dinamite, pela CP, com a ajuda da Engenharia Militar.
Apresenta no seu interior uma placa giratória de 14 vias que conectam agora, não com as vias da estação, mas com a primeira parte do novo Museu Nacional Ferroviário.
O espaço arquitectónico pareceu-me bem e cumpre bem a missão para que foi criado.
Como se diz na brochura editada, foi criado um espaço «em que os comboios que foram passando, encontram as pessoas que hoje passam».
O projecto, a desenvolver ao longo de 7 anos, é muito ambicioso e aponta para - exposições permanentes e temporárias, centro de documentação, catálogos em linha, bolsa de apoio à investigação, serviço educativo, projectos nas áreas da cultura, ciência e tecnologia, parcerias com a Universidade e empresas privadas (na inovação e experimentação tecnológica), museu virtual, livraria, loja, restauração e aluguer de espaços. Dispõe de uma área de 46.500 m2.
A amostra que hoje se inaugurou tem qualidade. Espera-se que as fases seguintes não venham a abastardar-se e mereçam a confiança que hoje deposito neste projecto.

quinta-feira, junho 19, 2008

in memoriam de dino risi

Deixou-nos aos 91 anos. Era médico - o que poucos saberiam. Era cineasta notável - o que muitos sabiam. Fez muitos filmes de qualidade, mas apenas ganhou o Leão de Ouro (pelo conjunto da sua obra) no Festival de Veneza de 2002.
Com ele trabalharam os melhores artistas italianos do seu tempo, de que destaco Vittorio Gassman e Alberto Sordi.
Penso que todos os que viram os seus filmes, não deixarão de chorar a sua morte.

quarta-feira, junho 18, 2008

profecia ou análise?

Pode reconhecer-se autoridade ao autor do vídeo, pode até ficar-se tocado pelo que diz, mas não me parece que seja mais do que uma visão deformada e exagerada da comparação pretendida. De qualquer modo, publico o vídeo para que todos o conheçam, reflictam e opinem.

Vladimir Bukovsky, passou 12 anos em gulags soviéticos (
"Eu venho do vosso futuro") e estabelece neste vídeo um paralelo entre a UE e a União Soviética: a união forçada de povos, a destruição das culturas nacionais e dos direitos individuais. Diz que a UE está a ser construída sobre o terror económico.

sábado, junho 14, 2008

melodia sentimental, outra vez

Ouçam a mesma Melodia Sentimental de Villa Lobos e Dora Vasconcellos, cantada agora por Djavan e tal como aparece no filme «Deus é Brasileiro», de Carlos Diegues.

acorda

Maria Bethânia no seu melhor.

sexta-feira, junho 13, 2008

porquê? porquê?

Onde as palavras não são precisas.

quarta-feira, junho 04, 2008

bodas de ouro do curso médico 1952/1958


É verdade. Já passaram 50 anos sobre o fim do Curso. Imaginem só aquilo a que assisti nestes longos 50 anos. O que vi de misérias, de dor, de sofrimento, o que trabalhei, as alegrias que tive, os períodos de stress profissional, a carreira, os concursos, as vitórias, as derrotas, as decisões, a entrega, a dádiva, a recompensa da palavra ou do olhar agradecido, os anos de guerra, a satisfação do dever cumprido, a certeza de ter decidido bem quando escolhi a Cirurgia como especialidade.
Éramos muito e ainda somos quase todos. Amigos. Todos nos orgulhamos de ter pertencido a este curso especial que foi o nosso. Todos nós, com maior ou menor visibilidade, com maior ou menor eficácia deixámos marcas positivas e justificativas da nossa opção pela Medicina.
Nenhum de nós alguma vez se arrependeu de ser médico. Muitos de nós continuam a exercer de forma bastante activa a sua profissão, outros um pouco menos, raros quase nada.
As saudades que temos, as histórias que coleccionámos de salutar relacionamento médico-doente, iluminam nossos rostos e nossa alma.
Estamos de parabéns. E, mais uma vez, cantámos com alegria e saudade a nossa balada «Coimbra tem mais encanto», a balada do nosso curso, cantada pela primeira vez, por todo o Curso, na nossa Récita no Teatro Avenida de Coimbra.



terça-feira, junho 03, 2008

estou farto das pessoas morninhas de portugal


A leitura de um artigo de Pedro Vieira. na Visão do passado dia 22 de Maio, sobre Mircea Eliade, criou-me a necessidade de vos dar conta da sensação que me deixou a leitura da transcrição de algumas opiniões daquele escritor romeno, sobre Portugal.
Não é de hoje que se publicam opiniões pouco simpáticas sobre algumas características dos portugueses, desde a falta de limpeza pessoal e das cidades, a falta de organização, a tristeza e por aí adiante.
Recordo-me que no século XIX, um dos oficiais médicos que acompanhou as tropas inglesas que nos vieram ajudar a combater os franceses, escreveu um demolidor livro sobre os portugueses que intitulou «Observations on the present state of the portuguese army ... with account of the different military establishement and laws of Portugal ...», que levou à dispensa dos seus serviços pela parte de Portugal e à publicação de um outro livro intitulado «Reflexoens sobre observações do Dr. Andrew Halliday a respeito do Estado Presente do Exército de Portugal», pelo ilustre cirurgião António d'Almeida que saiu à liça em defesa da honra de Portugal (a que se devia juntar algum ódio aos ingleses, já que era tido como "afrancesado").
Mas o que hoje me trouxe a esta reflexão não foi a frequência com que outros nos atacam, mas a forma como Mircea Eliade o fez. Este escritor romeno nascido em 1907 e falecido em 1986, viveu em Portugal 4 anos, vindo expulso de Inglaterra, por ter pertencido e militado num movimento fascista, a Guarda de Ferro. Em Portugal esteve ligado à Embaixada da Roménia, como Adido de Imprensa e depois como Adido Cultural. Interessou-se muito pela cultura portuguesa e escreveu "Diário Português" e "Salazar e a Revolução em Portugal", não chegando a escrever um livro sobre Camões que pretendia publicar. É provavelmente o mais importante e influente especialista em história e filosofia das religiões. Leccionou na Sorbonne e em Chicago.

Pois este filósofo e historiador que tanto amava a cultura portuguesa, emitiu sobre nós estas pérolas que me deixaram a pensar e me obrigaram a trazê-las até vós -
«Quando a febre não é alta, leio literatura portuguesa. Sobretudo Eça e Camões».
«Passei 15 dias em Paris, donde regressei com 200 livros e o coração doente. Estar em Portugal, quando há Paris!».
«Estou farto das pessoas morninhas de Portugal».
«Mas, não sei porquê, Portugal parece-me cada vez mais triste. Prestes a morrer. É um passado sem glória».

Estes quatro desabafos de alma atingem-nos fortemente, não tanto por serem negativos, mas sobretudo porque parece que ele nos passou ao R.X. e viu a chapa com mais nitidez que uma ressonância magnética da alma portuguesa.

É certo que ele tinha-se em grande conta, embora pintasse juntamente com a sua glorificação alguns laivos de aparente modéstia, como quando escreveu - «Sou um Goethe que ainda nem sequer escreveu "Werther", embora já tenha pensado "Fausto II».

Estas citações foram escritas entre 1941 e 1945. É certo que os tempos eram outros e se vivia em regime de medo e de silêncio, de racionamento e polícia política. Mas quem escreveu estas frases, gostava de Salazar. São passadas seis décadas, o Portugal de hoje é outro. Muito, muito diferente. Mas, continuamos morninhos de mais ...

sexta-feira, maio 30, 2008

o taxista filósofo e pragmático

Só uma ou duas vezes publiquei aqui um texto que não fosse de minha autoria. Hoje vou publicar outro que, quando o li, pensei que valeria a pena mostrá-lo àqueles que possam não ter lido o Expresso do passado dia 24.
É da autoria do Luís Fernando Veríssimo (filho do Erico) que o publicou na sua coluna «Crónica do lado de lá», do caderno Actual, do Expresso. Recomendo a leitura desta coluna, dada a qualidade e o humor fino que normalmente tem.
O exemplo que hoje aqui publico talvez faça de vós, seus leitores habituais.
(Para ver melhor, clique na imagem)

quinta-feira, maio 29, 2008

o quarteto de cordas da orquestra clássica do centro


No passado dia 18 de Maio tive oportunidade de assistir no Centro Cirúrgico de Coimbra a um magnífico concerto executado pelo Quarteto de Cordas da Orquestra Clássica do Centro. Para mim (e penso que para todos os colegas e familiares que assistiram e que não vivem em Coimbra), foi uma autêntica surpresa a qualidade superior de interpretação que o Quarteto demonstrou. Posso dizer que fiquei empolgado com a interpretação dos 4 andamentos de «América» de Dvorak e que, à medida que ia tendo um prazer crescente, me perguntava a razão porque o Quarteto me era desconhecido até então. A sua qualidade não deve limitar-se à Região Centro e é forçoso que o resto do País os conheça.
Só depois de os ter escutado soube um pouco da sua História. A Orquestra Clássica do Centro nasceu em 2001 com o nome de Orquestra de Câmara de Coimbra e em 2004 adoptou o nome que agora tem. Vive de alguns apoios e mecenato e é dirigida desde a sua fundação pelo Maestro Virgílio Caseiro.
O concertino é Vladimir Omeltchenko, nascido em 1964, em Ekaterinburg-Rússia. Iniciou os estudos musicais aos 5 anos de idade. Pertence à Escola Russa de Violino, onde foi sempre acompanhado pelo Prof. Leo Mirtchin (aluno do Professor Leopold Auer – Fundador da Escola de Violino).
Foi ele que teve a feliz ideia de constituir este Quarteto, sendo nele uma peça indispensável. Embora possa dizer que o Quarteto funciona por igual, não deixa de ser verdade também, (e o que vou afirmar agora pode chocar com a frase que antecede), que é inevitável fazer um destaque para este magnífico concertino e para a excelente violoncelista que suporta e dialoga com os violinos.

Enfim, fiquei espantado e rendido à superior qualidade deste Quarteto. Só desejo que os mecenas sejam muitos. A Orquestra precisa e merece crescer e ter mais que os 32 músicos actuais.
Até hoje têm ensaiado em instalações provisórias, mas tudo indica que irão passar a ter uma sede própria que será o espaço emblemático que representou Portugal na Expo 2000, em Hannover, da autoria dos arquitectos Souto Moura e Álvaro Siza Vieira, a colocar no Parque da Cidade de Coimbra.

A todos que me leiam recomendo este Quarteto e a Orquestra em que se integram.

quarta-feira, maio 28, 2008

parabéns, minha mulher

Gémeos e 28 de Maio, foram marcas que te definiram. Do signo, tens a dualidade, do 28, a revolução. Mas passados 25 anos sobre o nosso casamento, continuo a querer deixar-te aqui, um pequeno poema que te escrevi em Oslo, uma das vezes em que não me acompanhaste. Parabéns Mun, minha Mulher.


SEM TI

Sem ti,
Buraco escuro
de distante galáxia,
Me sinto, mas não conformo.

Grito ao sol, ao vento,
A quem me escute.

Levem-me p'ra ela
Ou tragam-na p'ra mim.

terça-feira, maio 27, 2008

será que rachmaninov gostaria de ver este vídeo?

lembrando zélia gattai

Conheci Zélia Gattai na Bahia, durante o III Congresso da UMEAL (União dos Médicos Escritores e Artistas Lusófonos). Seu marido, Jorge Amado, encontrava-se doente e internado mas, mesmo assim, ela fez questão em comparecer no congresso em sua representação. Participou nos trabalhos durante todo esse dia e foi uma amiga nova para todos nós.
No passado dia 17, às 16.30 horas, Zélia Gattai deixou-nos. Tinha 91 anos. Fez uma paragem cardio-respiratória e não recuperou.
O seu corpo foi cremado e as cinzas espalhadas na Casa do Rio Vermelho, onde foram espalhadas as de Jorge Amado, seu marido.
O governador da Bahia, Jaques Wagner, decretou luto oficial no Estado por três dias.

domingo, maio 25, 2008

lembrando bartolomeu cid dos santos


Só hoje soube da sua morte ao ver a sua fotografia e ler o habitual In Memoriam, de José Cutileiro. Conheci-o há muitos anos na Livraria 111, do meu amigo Manuel Brito, muito antes de este ter embarcado na magnífica aventura que foi criar a Galeria 111 e de ele próprio se tornar o melhor e mais prestigiado «marchand» de arte deste país. Nesse tempo havia um embrião da futura galeria, na cave mal amanhada da Livraria. Aí se fizeram algumas exposições e se constituiu um grupo de Amigos da 111, que pagávamos uma cota depósito para aquisição futura de obras de arte. No fim de cada ano era editada uma gravura especialmente para estes Amigos e era sorteado um prémio cujo valor se destinava a adquirir arte.
Bartolomeu dos Santos foi o autor da primeira destas gravuras, que chamou «Bispo do Mar» que conservo com muito orgulho. Ao longo dos anos adquiri várias gravuras de Bartolomeu dos Santos e olho-as hoje com o mesmo amor com que as olhei então.
Sempre admirei Bartolomeu dos Santos, como sempre admirei seu pai, o Prof. Cid dos Santos, com quem colaborei algumas vezes na antiga Casa de Saúde das Amoreiras e que ouvi algumas vezes em sua casa tocar apaixonadamente o seu piano; admirei também seu avô, Prof. Reynaldo dos Santos, de quem escrevi uma biografia para o site «Vidas Lusófonas».


Para quem queira conhecer melhor Bartolomeu dos Santos aconselho a leitura do citado In Memoriam, de José Cutileiro no Expresso de 24 de Maio de 2008.
Para aqueles que queiram uma biografia mais impessoal, transcrevo algumas notas biográficas retiradas de alguns catálogos das suas exposições -

Nasceu em 1931. Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa 1950-56
Slade School of Fine Art 1956-58 com Anthony Gross.
De 1961 a 1996 ensinou no Departamento de Gravura da Slade School.
É Emeritus Professor in Fine Art da Universidade de Londres e Fellow do University College London.
É membro da Royal Society of Painter Printmakers.
Foi artista visitante em numerosas escolas de Belas Artes na Grã Bretanha. No estrangeiro foi professor visitante da Universidade de Wisconsin, em Madison (1969 e 1980), na Konstkollan Umea, Suécia (1977 e 1978), no National College of Art em Lahore, Paquistão (1986 e 1987) e na Academia de Artes Visuais de Macau em numerosas ocasiões. Realizou numerosas exposições individuais e colectivas na Europa, Américas e Extremo Oriente.
Alguns Museus em que está representado -
British Museum, Londres
Victoria & Albert Museum, Londres
Ashmolean Museum, Oxford
Fytzwilliam Museum, Cambridge
Glasgow Art Gallery
Ulster Museum, Belfast
Southampton Art Gallery
National Museum of Wales
Bodlrian Library, Oxford
South London Art Gallery, Londres
Bibliothèque Nationale, Paris
Bibliothèque Royale, Bruxelas
Museum of Modern Art, New York
Museum of Fine Arts, Boston
Museu do Chiado, Lisboa
Fundação Gulbenkian, Lisboa
University of Pensylvania, Museum
Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro
Caixa Geral de Depósitos, Lisboa







Peço desculpa pela má qualidade das fotografias

sexta-feira, maio 23, 2008

a universidade de coimbra e os seus antigos estudantes


Soube há poucos dias e por informação directa do Magnífico Reitor a um grupo de antigos estudantes que festejavam as Bodas de Ouro do seu Curso, que a Universidade de Coimbra criara um site intitulado Rede UC, que coloca em rede «milhares de antigos estudantes formados pela Universidade de Coimbra, espalhados pelo País e pelo Mundo, nas mais diversas áreas da sociedade, reunidos agora na mesma Rede».
O registo pode ser feito em www.uc.pt/encontros, com adesão imediata e confirmação instantânea.
Esta iniciativa confirmou já o seu interesse e manifesto sucesso, dado o número elevado de adesões, as visitas feitas posteriormente e os contactos e informações que possibilita.

Ali poderá:
- Fazer parte de uma comunidade que partilha consigo uma linguagem e identidade comuns.
-Tirar partido de oportunidades que uma rede de milhares de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra pode proporcionar.
- Usufruir das vantagens e serviços especificamente criados para os Antigos Estudantes.
- Participar em eventos variados e reviver o tempo que passou em Coimbra.

Porque me parece um site com interesse e agregador de todos aqueles que passaram por aquela Universidade, divulgo aqui a sua criação e o seu endereço, esperando que seja útil a todos.

quarta-feira, maio 21, 2008

lembrando o maio de sessenta e oito

Não tive a sorte de andar por Paris naquele Maio que fez história e que agora alguns querem fazer esquecer. Como se pode fazer esquecer aquilo que deixou marcas para sempre. Como fazer esquecer aquele movimento espontâneo que num tsunami de palavras e actos, arrasou conceitos e comportamentos empedernidos e fez com que nada ficasse igual.
Não foram só as pedras da calçada que sairam do lugar para uma intifada que fez frente a um poder policial desproporcionado. Foram sobretudo as palavras, as ditas e as escritas, pichadas nas paredes, que deram substância a esse maravilhoso movimento sem nome ou patrão político, mas que meteu medo aos políticos e os fez repensar atitudes e até cair.

Não acredito que se possa fazer o funeral de tal movimento, de tal data. Aproximam-se tempos em que deve ser proibido proibir, e haverá necessidade de relembrarmos que «Os grandes só nos parecem grandes se estivermos de joelhos. Levantemo-nos, pois».
Como se lê no cartaz - a (s) liberdade (s) não é (são) dada (s), conquista (m) -se.

quarta-feira, maio 14, 2008

um homem e sua casa-museu


José de Mascarenhas Relvas nasceu na Golegã, a 5 de Março de 1858, filho de Carlos Augusto Mascarenhas Relvas de Campos e Margarida Amélia Mendes de Azevedo Relvas. Passou a maior parte da sua vida, em Alpiarça, no Solar dos Patudos (propriedade que lhe foi oferecida por seu pai em 1888) e onde viria a falecer a 31 de Outubro de 1929. Casou com Eugénia de Loureiro de Queirós do Couto Leitão. Pode dizer-se que não teve uma vida feliz, pois assistiu à morte dos seus 3 filhos (dois deles por febre tifóide e Carlos, exímio pianista, por suicídio em 1919, na manhã seguinte a ter pedido a namorada em casamento).


José Relvas estudou Direito em Coimbra, durante 2 anos, tendo mudado para o Curso Superior de Letras, em Lisboa, que terminou com distinção, em 1880, com uma tese sobre história do direito feudal. Nunca, em situações oficiais ou privadas, permitiu o uso do título académico, gostando de ser tratado por Senhor Relvas.


José Relvas era excelente violinista, tendo sido aluno do espanhol Nicolau Medina Ribas, um dos fundadores da Sociedade de Quartetos do Porto, que se deslocou propositadamente à Golegã para lhe dar aulas.Fundou em 1899, com Michelangelo Lambertini, Costa Carneiro, D. Luís da Cunha e Menezes e Cecil Mackee, a Sociedade de Câmara, cujo primeiro concerto foi no Real Coliseu de Lisboa, a 30 de Janeiro desse ano. Para comemorar este concerto, Malhoa caricaturou individualmente os cinco músicos. Supõe-se que tocou com Guilhermina Suggia, de quem era amigo, num dos serões musicais que aconteceram na Casa dos Patudos. Desta casa alguém disse que "(nela..) amam-se todas as artes mas só uma se cultiva: a Música".


Ao contrário de seu pai, abandonou a monarquia em 1907, influenciado pelas ideias da Geração de 70 e das Conferências do Casino, por discordar da ditadura de João Franco e da solução encontrada para o problema vinícola e também pelas perseguições políticas que se faziam sentir por todo o País. Logo em 1909, José Relvas foi eleito membro do Directório do Partido Republicano Português.


Passou a ser um dos mais acérrimos defensores dos ideais republicanos, pelo que não se deve estranhar que cerca das 10 horas da manhã do dia 5 de Outubro de 1910 tenha sido José Relvas, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, a anunciar a Implantação da República. Carlos Ferrão disse na apresentação das Memórias Políticas de Carlos Relvas, que foi ele quem “preparou em Janeiro de 1910 a reunião que precedeu o plano insurreccional desse ano. (...) Conduziu a missão que foi a Londres e a Paris, (...) esclarecer os meios influentes da Inglaterra e da França, foi a batuta vigilante, (...) andando sempre na rua, nas trinta e três horas que (a revolução) durou (...). Foi o cérebro da revolução.


Desempenhou importantes funções na I República, tendo sido Ministro das Finanças, em 1910-11 (tentou equilibrar as finanças portuguesas sem recorrer a empréstimos; introduziu o escudo como moeda; promulgou um decreto que abriu um crédito de 100 contos para a construção de bairros operários. Acabou ainda com a censura à Imprensa). Em 1911, foi iniciado na loja maçónica Acácia, de Lisboa. De 1911 a 1914 foi Ministro Plenipotenciário em Madrid (pacificou as relações diplomáticas com Espanha, promoveu uma Exposição de Arte Portuguesa, em Madrid, que teve honras de inauguração pelo rei Afonso XIII, com obras de Columbano, Malhoa, Constantino Fernandes, Teixeira Lopes, Veloso Salgado e Carlos Reis, entre outros. Ainda em 1914, foi Senador por Viseu. Foi Chefe do Primeiro Governo em 1919, apenas de Janeiro a Março. Nele incluiu todas as forças políticas e, pela primeira vez, um representante socialista.


Após esta experiência, Relvas sentiu-se desiludido com a vida política. Como cita Eulália Teigas Marques, ele próprio escreveu a um amigo "O erro único de que me penitencio, foi não ter constituído o Governo com pessoas livremente escolhidas e exigir dos partidos o apoio de todas as suas forças, mas sem as características partidárias". Durante toda a sua vida foi um incansável promotor do Associativismo e do Sindicalismo.


O desgosto político e a dor sentida com o suicídio do filho, fizeram com que regressasse a Alpiarça. Refugiou-se na escrita, na organização e continuação da sua colecção de Arte e na Música. Não imaginaria que em Outubro de 1927, a Ditadura Militar faria uma busca à sua casa, o que sentiu como uma grande humilhação.


As Memórias Políticas de José Relvas são um documento imprescindível para a compreensão desse momento de mudança na História de Portugal, que foi a I República.


A sua casa, conhecida como Casa dos Patudos, tinha sido remodelada de 1905 a 1909, segundo projecto do arquitecto Raul Lino (discípulo de A. Haupt), que conseguiu criar uma residência que englobava de uma forma harmoniosa um museu particular dentro de si, onde coabitam a arquitectura, pintura, escultura, artes decorativas (azulejaria, faiança, porcelana, mobiliário, têxteis), desde finais da Idade Média até ao século XX.


Não vou falar do Museu detalhadamente, pois parece-me melhor ouvirem as explicações das habilitadas guias durante a visita. Mas não posso deixar de dizer que nele há de tudo para admirar, desde a casa, aos materiais usados, soluções encontradas, cantarias de pedra de Ançã, aldrabas e ferrolhos de ferro, janelas de guilhotina, lampiões suspensos, chaminés, pináculos, tudo conferindo a esta casa uma vista única, que nos diz muito de quem a desenhou e de quem a mandou construir.


E entrando nela, é um regalo para os olhos ver pintura portuguesa (Malhoa, Columbano, Josefa d’Óbidos, Carlos Reis, etc…) e estrangeira da melhor (Rubens, Memling, Zurbarán, etc…), escultura, azulejaria de Jorge Pinto, tapetes de Arraiolos e Aubusson, porcelanas, cristais, lustres, pratas e mobiliário único, cuidado e de fino gosto.


"Singular residência de um homem de bom gosto", como escreveu Gustavo de Matos Sequeira, a Casa dos Patudos está incluída na lista dos dez primeiros museus portugueses e referida pelos especialistas como o mais importante museu autárquico do país. A reorganização e o estudo do seu valioso espólio, foram feitos ultimamente em parceria com os museus do Louvre, Prado e National Gallery.


Por testamento lavrado em 1929, ano em que morreu, José Relvas legou a Quinta dos Patudos e praticamente todos os seus demais bens ao município de Alpiarça, determinando, entre outras cláusulas, que a residência fosse conservada como museu e mantivesse sempre a designação de Casa dos Patudos. Determinou que fossem os rendimentos da parte rústica, a suportar os encargos com a construção de uma Instituição de auxílio a idosos e crianças, o que espelha bem o ideal republicano de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Impôs as mais singulares condições, como as rosas no seu escritório, os biscoitos no seu quarto, o piano que fora de seu filho, selado.


Tenho visitado esta Casa Museu várias vezes e em todas elas fico com a sensação que é a primeira vez que ali vou. Reconheço a casa, as peças, os espaços e, no entanto, é como se tudo fosse novo para mim, talvez porque há sempre um detalhe que me escapou, um pormenor que me passou despercebido. Por isso, considero que visitar este Museu é uma boa escolha e o nascimento duma ligação que, de vez em quando, se renova. Também me parece aconselhável ler as Memórias Políticas ou a correspondência de José Relvas, pois é bom ler história escrita por quem nela participou. Não percam, porque não se arrependerão.